“Disse à minha mulher: não te preocupes que qualquer dia eu volto”

Ontem morreu o comandante Alpoim Calvão. Soube da sua morte através do António Lobato, o piloto que passou mais de sete anos preso na Guiné Conakry e que foi libertado na Operação Mar Verde. Facto que, durante anos, não pôde contar ninguém. Parece-me uma boa altura para recordar a história do António Lobato, o primeiro piloto português a despenhar-se na Guiné, e a sua aventura até à libertação. O testemunho dele faz parte do livro Dias de Coragem e Amizade. A fotografia é do Rafael G. Antunes.

Lobato

“Disse à minha mulher: não te preocupes que qualquer dia eu volto”

 

Nunca tinha saído de Portugal. Quando começaram a pedir voluntários para a Guiné, ofereci-me. Estávamos em 1961. Cheguei lá a 26 de Julho e não estava à espera do que ia encontrar. Depois de uma viagem de 11 horas, com paragem em Las Palmas, o avião fez escala em Bissalanca para me largar e a outro colega, antes de seguir para Cabo Verde. Na descida comecei a sentir um calor enorme e cheguei a pensar que o avião ia arder. Mas não. Era do clima. Lá em baixo, o aeroporto era um bocado de asfalto no meio de capim com dois metros de altura. Estava escuro como breu e, além de uma casinha com uma suposta torre, não havia mais nada. Nem sequer aviões.

Meia hora depois de chegarmos lá apareceu um rapaz, radiotelegrafista, que só lá estava porque de vez em quando passavam por ali os P2V5 que saiam do Sal. Ele sabia que íamos chegar e foi buscar-nos num jipe. Apresentou-se e levou-nos para Bissau. Só havia um hotel na cidade – que estava cheio, tal como todas das pensões porque o pessoal tinha saído todo do mato e queria ir embora. Acabámos por dormir num colchão no chão do quarto dele. No outro dia corremos a cidade à procura de outro sítio e não conseguimos nada.

À hora de almoço sentámo-nos no café Portugal a beber uma cerveja. Foi a primeira vez que vi uma de litro e meio. Estávamos a conversar quando um senhor que estava na mesa do lado nos interrompeu e perguntou se éramos da Força Aérea. “Ouvi a vossa conversa, estão aflitos? Quando acabarem de beber têm disponibilidade para vir comigo?” Dissemos que sim, e seguimo-lo em direcção a uma vivenda ao cimo da avenida principal, onde ele nos explicou: “Sou reitor do liceu, mas vou-me embora para a semana. Já mandei a família para Portugal.” Deu-nos uma chave a cada um e foi assim que arranjámos alojamento. Ficámos ali uns dois ou três meses.

Depois fomos apresentar-nos ao palácio do governo. Como todas as semanas havia um avião para transportar as pessoas que queriam vir embora e não havia controlo ele pediu-nos para tomar conta dos embarques. E assim foi. Havia quem nos oferecesse dinheiro para passar à frente das listas. Recusávamos sempre e no final dos embarques íamos levar um saco cheio de notas ao palácio. Aquilo funcionou assim.

Passados três ou quatro meses lá apareceram dois aviões empacotados no porto de Bissau. Como, entretanto, tinham chegado dois mecânicos, combinámos ir buscar um para o montar só com as ferramentas que eles tinham na mala. No final, faltava uma chave grande para colocar a hélice. Fomos às oficinas navais e o mecânico fez-lhes o desenho do que precisava e eles fizeram uma. Foi assim que começámos a voar para conhecer o território porque as cartas que tínhamos não tinham cores. Fomos nós que as colorimos com lápis.

Na época não tinha a noção de que aquela seria uma guerra prolongada. Começou suavemente e foi aumentando. A 22 de Maio de 1963 saí para uma operação na ilha de Como. Supostamente, nem devia ter ido. Tinha chegado de Cabo Verde na tarde do dia anterior e entrei na sala de operações quando estava a haver um briefing. Como faltava um piloto, ofereci-me para ir no lugar dele. Estava a um mês de acabar a minha comissão.

Ao chegar ao objectivo senti qualquer coisa no avião. Devo ter sido atingido por uma bala. Disse ao meu asa que ia sair dali e pedi-lhe que se pusesse debaixo de mim para ver se havia algum dano na zona do trem de aterragem. Foi o que ele fez. Mas quando temos outro avião por cima é preciso cuidado para não sermos sugados. Não sei se foi por falta de experiência, distracção ou apenas por estar a olhar para cima, mas, quando dei por isso, ele estava a passar-me à frente, encostado ao motor. O avião começou a tremer e tive de o desligar. Ainda lhe dei dois ou três gritos para que endireitasse o avião mas ele foi a pique e lá ficou.

Vi uma clareira e não me ejectei. Achei que era capaz de lá meter o avião. Aquilo era um campo de arroz e ao aterrar as saliências das metralhadoras e dos rockets encaixaram nos sulcos e as duas asas saltaram como se fossem arrancadas à mão. A fuselagem deu duas ou três cambalhotas e saí de lá ileso. Só tinha o relógio esmagado. Olhei à volta e vi um grupo de indígenas a uns 50 metros a olhar para mim, espantados. Fui direito a eles. Estavam todos de catanas na mão. Sabia que Catió era numa determinada direcção e perguntei se algum me podia indicar o caminho que, quando lá chegasse, até lhes pagava.

No topo da clareira havia uma aldeia escondida. Caminhámos para lá, a conversar. Mas antes de chegarmos, levei uma catanada que me abriu a cabeça ao meio. Sem dizerem mais nada caíram todos em cima de mim. Arranjei forças não sei onde e consegui fugir para o mato. Ainda estive uns 10 minutos escondido. Atei um lenço à cabeça para tirar o sangue dos olhos e fiquei à espera. Houve um que apareceu. Ficámos a olhar um para o outro. Eu pequei na minha faca de mato e levantei-a. Ele disse: “Dá a faca”. Nestas alturas há alguma coisa que nos diz como devemos decidir. Sei que a virei e atirei-a. Ele de um grito e lá veio a outra rapaziada toda. Saímos do meio das lianas e voltaram a dar-me uma série de catanadas, uma delas nas costas. Ainda estão marcadas. Depois levaram-me para aldeia. Pelo caminho foram-me tirando a roupa, anéis, o fio que trazia ao pescoço. Estavam a preparar-se para me linchar quando chegaram dois guerrilheiros. Foi a minha sorte.

Mandaram-me sentar e perguntaram-me o que se tinha passado. Depois disseram-me para descansar porque íamos partir à noite. Antes quiseram saber se tinha fome. Depois mandaram os aldeões subir a uma mangueira e eles começaram a atirá-las cá para baixo. Nunca comi tantas mangas na vida. Foram dezenas. Tinha perdido imenso sangue. Logo depois, adormeci. Só acordei à noite, quando me chamaram. Andámos a pé uma semana até chegarmos à zona onde estava o Nino Vieira, que era o comandante da zona sul. Ele disse-me que tinha tido sorte: a ordem do Amilcar Cabral para fazer prisioneiros só tinha chegado há 15 dias. De qualquer forma tinha poder para me fazer o que quisesse. Perguntou-me:

- Tens família?

- Tenho.

- Queres escrever-lhe uma carta?

- Para quê? Isto nunca mais lá chega.

- Como quiseres.

Depois tirou um bocado de papel e uma caneta e deu-mas. A minha mulher tinha vindo para a Guiné em 1962 e resolvi escrever umas oito linhas a dizer: “Não te preocupes que qualquer dia eu volto.” E um mês depois ela recebeu-a. Por volta das 22h, um guerrilheiro entrou-lhe em casa, em Bissau, cansadíssimo. Perguntou-lhe se tinha leite, bebeu uns dois litros e entregou-lhe a carta.

Nessa altura já devia estar na Guiné Conakry. Fui num barco que eles apanharam à Casa do Comércio, o Bandim, para Vitória. Estava lá um curandeiro que decidiu tratar-me. Tirou-me o lenço e lavou-me a cabeça com álcool ou qualquer coisa parecida porque isto nunca mais sangrou. Nas costas ainda tinha um golpe aberto por uma catanada. Disse-me: “Vamos coser isto”. Deitou-me numa marquesa e deu-me uma garrafa de vinho para custar menos. Bebi. Era bom, português. Ele lá me coseu com uma agulha de coser sacos. Chega-se a um ponto na dor em que já não se sente nada, passa-se para o outro lado. O certo é que aquilo resultou. Nem sequer infectou.

Levaram-me para Conakry, onde chegámos a um domingo. Estava tudo fechado. Passei a noite numa cela imunda do comissariado da polícia e só no dia seguinte foram buscar-me para responder a umas perguntas. Queriam que fosse à Rádio Argel dizer que aquela era uma guerra injusta e não sei que mais. Prometeram-me que ia para um país de Leste e tudo. Disse que não. Identifiquei-me e pronto. Fiquei ali mais 15 dias até me meterem num carro e arrancarmos para a prisão de Kindia, 150km para o interior, onde fiquei os seis anos seguintes.

Estava numa cela de três metros por dois. Sozinho. Comecei logo a planear uma fuga. Anos depois, graças a um guinês cheguei a ter três ferros da grade cortados. Ele era funcionário do tesouro antes da independência e depois continuou nas mesmas funções. Só que em vez de enviar o dinheiro para contas da Guiné em França, mandava para a dele. Ele tinha estado no Brasil e falava português. Odiava aquela gente toda. Através da mulher, que ia visitá-lo de 15 em 15 dias, ofereceu-se para enviar notícias para cá. Conseguiu passar-me papel e lápis por baixo da porta e eu escrevi. As cartas iam para uma irmã dele na Guiana Francesa e daí para Portugal. Acabei por receber um livro que pedi à minha mulher, fiz um código com base nele – uma página era uma letra – e continuei a mandar informações. A mulher trouxe-me uma serra de cortar ferro e estive meses a cortar as barras, à noite, até ser apanhado.

Aquilo tinha 400 prisioneiros de delito comum, que faziam trabalhos forçados todos os dias. Nunca lá entrou um médico. Eu era o único branco. Ao fim de dois anos comecei a ir ao recreio por uma hora, mas sozinho. Nunca me bateram, nem quando me apanharam a tentar fugir. Insultaram-me e mais nada. Até quando as nossas tropas entraram na Guiné Conakry foi lá um ministro que mandou abrir a porta, mas só para me insultar. A certa altura chegou lá um soldado português que, ao fim de um ano e meio e foi libertado através da Cruz Vermelha. Quando cá chegou disse à minha mulher que eu nunca mais de lá saía porque dizia que, quando isso acontecesse, os bombardeava. Não era nada, mas ele disse isso.

Depois chegaram mais dois, que ficaram comigo um ano. Nos primeiros tempos não podíamos falar. Eles estavam numa cela, eu na outra. Fazíamos sinais. Quando passaram a deixar-nos ir juntos ao recreio começámos a planear uma fuga. Isto ao fim de seis anos. Começámos a ver que havia certas rotinas. Os guardas deixavam a cela aberta para um pátio e à noite e havia um grupo que ao dar-nos o prato de arroz nem olhavam lá para dentro. Um dia, não voltámos à cela. Entrámos para dentro de um depósito de água e ficámos à espera da hora da prece – quando também começava a anoitecer. Nessa altura saltámos dali para fora e andámos oito dias pelo mato a alimentar-nos de tudo o que aparecia.

Uma noite, tivemos que andar m bocado pela estrada porque não tínhamos outra hipótese. Meia dúzia de quilómetros depois apareceram uns 10 tipos enormes, sem armas, todos vestidos de branco, de saia até aos pés. Eram Fulas.

- Portuguesi?

- Não

- Ahhh portuguesi. Vamos embora.

- Não, não.

- Ahhh portuguesi, está tudo bem.

Chegámos a uma aldeia e nem se preocuparam connosco. Foram rezar e as mulheres encheram umas cabaças de arroz e carne. Chamaram-nos para comer e nós lá fomos. Depois levaram-nos para uma cidade onde havia polícia. O militar perguntou-nos: “Vocês fugiram, tudo bem, é esse o dever de um prisioneiro. Não há problema. Mas vão ter de me dizer como conseguiram.” Respondi-lhe que era “mezinha de branco”. Até hoje não sabem como escapámos.

Quando chegámos à prisão, tinha o director na minha cela. Estava ali porque se eu não aparecesse ele tomava o meu lugar. Era assim. Passados uns dias os homens do PAIGC levaram-nos para Conakry, onde estavam mais de 20 prisioneiros nossos. Se não tivéssemos tentado escapar se calhar não tínhamos ido para lá e acabávamos por não ser libertados: a operação Mar Verde foi nesse ano.

A altas horas da noite começámos a ouvir tiroteio que se afastava e aproximava. A dada altura caiu uma bujarda em cima da prisão. Deitei-me encostado à parede até alguém abrir um rombo na parede e gritar “Lobato”. Era o tenente fuzileiro Cunha e Silva. O instinto fica tão apurado que parece que vemos e adivinhamos tudo. Perguntou-me pelos outros que estavam na outra ponta da prisão. Foram buscá-los e continuámos direito aos barcos.

Quando cheguei a Portugal só pude ver a família ao fim de oito dias. Fui levado para Caxias e fiquei guardado por dois pides. Não se podia divulgar que tínhamos estado em território da Guiné Conakry. Antes de ir à televisão tive de assinar um papel a comprometer-me em dizer que tínhamos fugido. Os ministros foram ver a gravação e depois de confirmarem que estava tudo bem é que me deixaram ver a minha mulher. Tinham passado mais de sete anos.”

Micro revista de imprensa

Factos são factos. Bastou Passos Coelho enviar uma carta à Procuradoria Geral da República para o procurador recém empossado titular do caso Tecnoforma extrair uma certidão, analisar a contabilidade da empresa e arquivar o caso. Tudo em 24 horas. De fora ficaram diligências consideradas importantes pelo anterior responsável pelo inquérito: inquirir testemunhas e ver a contabilidade do Conselho Português para a Cooperação e da empresa Liana. Um turbo-inquérito, consultado pelo José António Cerejo, hoje no Público.

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Nota: a micro revista de imprensa destaca um artigo publicado nos jornais e revistas portugueses. Pode ser uma notícia, uma reportagem, uma entrevista ou uma crónica. Pode ter várias páginas ou ocupar uma coluna. O critério é sempre o mesmo: importância, interesse e qualidade

O “Gandhi de Lisboa”

A escolha de António Costa como o próximo candidato do PS a primeiro-ministro chegou à Índia, onde o ainda presidente da Câmara Municipal de Lisboa tem origens. O correspondente do Hindustan Times em Londres, Prasun Sonwalkar, colocou online uma notícia a dar conta da vitória sobre António José Seguro e a traçar um breve perfil do socialista. Surpresa: Costa é apresentado como o… “Gandhi de Lisboa” devido ao seu estilo de vida espartano.

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Indian-origin Costa is Portugal’s next PM candidate

A new name is likely to be added to the list of Indian-origin people who hold or have held top political positions in various countries: Antonio Costa, of Goa origin, who on Sunday won the primary elections as the prime ministerial candidate of the opposition Socialist Party in Portugal.

Costa has been a popular mayor of Lisbon since 2007, and is known as the ‘Gandhi of Lisbon’ due to his spartan lifestyle. He has transformed deprived parts of the capital and enjoys much goodwill due to his ideas and affable eagerness to hear out anyone who stops him on the streets. He is now in his third term as mayor.

Costa defeated his oldest rival, Antonio Jose Seguro, in the primaries, and will now succeed the latter as the secretary-general of PS (Partido Socialista), which makes him the party’s prime ministerial candidate.

Portugal, which is one of European countries facing severe economic hardships and austerity measures since 2009, is scheduled to hold its next general elections in October 2015. Costa has caught the public imagination with his ideas for economic change and his slogan, ‘Mobilizar Portugal’ (Mobilize Portugal).

Born in Lisbon in 1961, Antonio Luis dos Santos da Costa is the son of prominent novelist Orlando da Costa, who wrote essays on Rabindranath Tagore. His father was born in Mozambique, but spent most of his youth in Goa, then under Portuguese rule.

Antonio Costa’s grand-father, Luis Afonso Maria da Costa, who was born and brought up in Goa, was a descendant of prominent Hindu families who converted to Christianity during the centuries of Portuguese rule in Goa.

Costa became member of the Portuguese parliament in 1991, and held several offices, including secretary of state (1995-1997), minister for parliamentary affairs (1997-1999), and justice minister (1999-2002). He was a member of the European parliament from June 2004 to March 2005.

Known to many as ‘Babush’ (the Konkani word for boy), Antonio Costa comes across as an easy-going person, someone who doesn’t take himself seriously, believing in the Portuguese-Goan concept of ‘susegad’.

As Lisbon mayor, Costa moved his office to the Mouraria neighbourhood, which was earlier known for drug trafficking and prostitution. Today, it is a busy construction hub. His new position on the national stage has the support of former president Jorge Sampio.

Portugal was the first western country to colonise parts of India in the early sixteenth century, and the last to leave, on 19 December 1961 – See more at: http://www.hindustantimes.com/world-news/indian-origin-costa-is-portugal-s-next-pm-candidate/article1-1269787.aspx#sthash.tRRKFC7H.dpuf

Serão os insectos a salvação da humanidade?

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Can Insects Feed a Hungry Planet?

Leitura para o fim-de-semana: o sítio onde os opositores vão para a jaula dos macacos

Há 25 anos que o Uzbequistão é governado por Islam Karimov. Neste quarto de século, os abusos de poder, violações de direitos humanos e repressão sobre opositores e jornalistas tem sido constantes. Agora, no momento em que divulgou um relatório sobre os principais presos políticos do país, a Human Rights Watch conta a história de um deles: Sanjar Umarov.

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WITNESS: SURVIVING THE MONKEY CAGE – SANJAR’S STORY

By Amy Braunschweiger

Sanjar Umarov lifted his pants legs and rolled down his socks to show the scars that criss-crossed his ankles. Umarov, a former political prisoner from Uzbekistan, said the scars served as a permanent reminder of his time in the “monkey cage,” a cell that left prisoners exposed to the outdoors. His first time in that cell, the frigid winter almost killed him. He and the other prisoners, wearing only lightweight shirts and pants, rocked back and forth to keep warm and stay alive.

The second time, it was his fellow prisoners who almost did him in. Guards threw him in the cage after Umarov refused to sign a confession saying the United States gave him $20 million to overthrow Uzbekistan’s government. Other prisoners in the cell were ordered to make him sign. They beat him, broke his thumb, and choked him, damaging his vocal chords and leaving him with a permanently gravely voice. Once they had him on the ground, they repeatedly jumped on his ankles, which were shackled in metal cuffs.

Before he was imprisoned on trumped up charges, Umarov was a leading businessman in Uzbekistan, helping found the country’s main telecom network. He had entered politics gradually, quietly supporting a political party that hoped to help poor farmers in the country’s almost feudal cotton sector. But he grew impatient with the slow pace of change and formed his own opposition party.

Within the year, Umarov was arrested and charged with economic crimes he didn’t commit.

This is par for the course for Uzbekistan’s political prisoners. The country has been ruled for 25 years by Islam Karimov, the Communist Party boss under the former Soviet Union. Under his autocratic rule, a wide-array of Uzbek citizens – including journalists, political opposition activists and religious figures – have been imprisoned in terrible conditions, including beatings and torture, a new Human Rights Watch report shows. Uzbek officials have a particularly cruel practice of extending prison sentences shortly before a prisoner expects to be freed, for reasons as ridiculous as “peeling carrots the wrong way” or “failing to lift a heavy object.”

Umarov in large part credits international pressure for his release from prison. But in general international pressure on Uzbekistan has been sorely lacking. The United States and European Union have consistently appeared reticent to push Uzbekistan to release political prisoners, as the country provides an essential supply route to reach US and NATO troops in Afghanistan. The withdrawal of forces from Afghanistan this year may change this equation, and the world should not keep turning a blind eye to Uzbekistan’s rights abuses.

It’s easy to see why Uzbekistan’s government could fear Umarov’s influence. Even now, with his torture scars and gravelly voice, he speaks with assurance, exuding the charisma and warmth of someone people naturally want to follow. His black hair is fading to gray in the front, and when he smiles or laughs, which is frequently, the tanned skin around his eyes wrinkles pleasantly.

Umarov had studied physics, but when the cold war ended, he saw opportunity in the need to modernize his country. He helped found Uzbekistan’s leading communications company, developed venture capital projects in its energy and transport sectors, and founded an international business school in Tashkent, Uzbekistan’s capital.

When he began dabbling in politics, around 2003, Umarov secretly helped fund the Free Peasant opposition party. Profits from growing cotton dominate Uzbekistan’s economy and fund the government. Farmers are forced to grow cotton and sell it to the government dirt-cheap. Each year the government forces about 2 million people – including doctors, teachers and children – to pick the crop, without pay.”

Como identificar um plágio

O Poynter publicou um artigo muito interessante para os editores de jornais e revistas identificarem potenciais plágios, auto-plágios, roubos de ideias. A acompanhá-lo está uma bela infografia. É recortar e colar na parede.

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Leitura para o fim-de-semana: os pecados do super-agente

Jorge Mendes é agente de futebolistas. Recebe por isso. Quando negoceia transferências entre clubes, recebe uma comissão. Mas também aconselha fundos de investimento em jogadores. E participa em empresas que compram passes de atletas. Ou seja, cai várias vezes em situações de conflitos de interesses. São as revelações de uma investigação do The Guardian sobre o agente mais poderoso do mundo.

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From Diego Costa to Angel di María, the Portuguese super agent is responsible for the biggest deals in football but is also in apparent breach of Fifa regulations

Jorge Mendes, the Portuguese agent who has conducted many of the biggest transfers in European football, is serially involved in the third‑party ownership of players in apparent breach of Fifa regulations, a Guardian investigation can reveal.

Mendes, who brokered the year’s biggest deals, including Ángel di María’s £59.7m move to Manchester United and Diego Costa’s £32m purchase by Chelsea, was seeking to attract €85m (£67m) from undeclared investors via offshore companies to buy stakes in players at clubs in Spain and Portugal, according to a document seen by the Guardian. The prospectus and further inquiries have shown that:

Mendes and the former Manchester United and Chelsea chief executive Peter Kenyon advise five Jersey-based funds on more than £100m to be invested in buying “economic rights” in players.

Mendes admits he has a conflict of interest, because he acts as the agent to players whose economic rights have been bought by the funds he advises; this appears to contravene Fifa regulations on agents.

Sporting Lisbon say the funds that Mendes and Kenyon advise sought to buy stakes in players as a condition of players, advised by Mendes, renewing their contracts.

Mendes claims to have conducted 68% of all player transactions at Portugal’s great clubs, Sporting Lisbon, Benfica and Porto, in the decade 2001-10.

The 20-year ascent of Mendes from Porto nightclub owner and friend of footballers to the beaming broker of the game’s most lucrative transfers has tracked the sport’s pay-TV-fuelled inflation itself, and Portugal’s status as a habitual exporter of players. Mendes built his name and the operation of his company, Gestifute, on attaining a remarkable dominance over the deals done by Portugal’s top three clubs, and he took several of these players on multimillion-pound moves to England and Spain. There he has extended his influence, particularly after his client José Mourinho made the journey himself from Porto after 2004, to sign as the manager at Chelsea, then Internazionale and Real Madrid, now Chelsea again.

Mendes’s work reached stunning fruition this summer, when he was seen conducting the biggest moves of talent and money not only from his home country’s financially hollowed out clubs but of the whole European football player transfer market. James Rodríguez, his reputation glowing from his World Cup excellence, was signed by Real Madrid for £71m from Monaco, to where Mendes brokered his move from Porto only last year for €45m (£38.5m). Porto declared in its annual report that it paid Gestifute €4.4m (£3.6m) for “intermediation service costs” on that deal; the amount paid by Real this year has not been disclosed.

Di María, deemed surplus stock at Real Madrid, came to Old Trafford for almost £60m in Manchester United’s post-Sir Alex Ferguson and David Moyes splash-out; a grinning Mendes was seen with Louis van Gaal in the 4×4 at United’s Carrington training ground. Radamel Falcao, whose €40m (£32m) sale by Porto to Atlético Madrid in 2011 was brokered by Mendes – Gestifute shared €3.7m (£3m) “intermediation service costs” with another company, Orel – moved to Monaco last year for £50m, then Mendes brought him to United this summer on an extraordinarily costly loan. Eliaquim Mangala, for whom Manchester City paid £32m to Porto – 33% of Mangala’s “economic rights” had been owned by the Malta-based third-party ownership fund Doyen – was another Mendes move.

Costa brought his goalscoring eye from Atlético Madrid, where Mendes boasts of powerful influence, to Mourinho at Chelsea, who paid £32m. Reports have stated that 30% of Costa’s “economic rights” were owned by an offshore fund but sources close to the signing say in fact there was no third‑party ownership of Costa.

Unquestionably true, however, is that Mendes, as well as acting as an agent for these and many other players, and being paid by clubs as a transfer “intermediary”, is serially involved with Kenyon in advising on the third‑party ownership of economic rights in players.

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