O mistério de Pansau N’Tchama

A 21 de Outubro de 2012, acordámos com a notícia de que haveria uma nova tentativa de golpe de Estado em Bissau. O governo de transição guineense foi lesto em acusar Portugal de apoiar o ataque. Tudo parecia estranho. Um grupo de homens teria atacada uma caserna em Bissau, feito alguns mortos, com o objectivo de recolocar Carlos Gomes Júnior no poder. Dias depois, os militares capturavam o alegado cabecilha: capitão Pansau N’Tchama, que já teria estado envolvido no assassinato do presidente Nino Vieira, em 2009. Levado de Bolama para Bissau, foi envolvido numa bandeira portuguesa. Os militares exigiram depois  explicações a Lisboa sobre o estatuto de Pansau N’Tchama em Portugal. E nunca mais se soube nada dele.

@AFP

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Agora, o Ditadura do Consenso, revela como Pansau N’Tchama obteve um passaporte biométrico guineense e regressou ao país. Mais: garante que o militar voltou à Guiné Bissau com a cobertura do Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas – e líder do golpe de 12 de Abril de 2012 – António Indjai.

“Pansau Intchama saiu de Banjul por terra e passou legalmente nas fronteiras do Senegal antes de chegar à Guiné-Bissau. Já em território guineense, foi levado ao encontro do CEMGFA António Indjai, que o despachou para Bolama para aguardar o evoluir dos acontecimentos. Num comunicado antes da noite de 21 de outubro, o governo, através do seu porta-voz Ferando Vaz, denunciara uma hipotética instabilidade no país… promovida do exterior. Dizia ainda o comunicado estar tudo em alerta, apelando à calma da população… Na madrugada desse fatídico dia, enquanto se carregavam as espingardas para o massacre, Fernando Vaz bebia um copo na companhia da namorada e de um amigo, numa discoteca de Bissau. O esquema estava montado, e o famoso assalto ao quartel dos páracomandos não passou de um mau argumento que custou a vida a mais de uma dezena de cidadãos guineenses.”

Resta contar a história de Pansau N’Tchama em Portugal. O Informador apurou junto de várias fontes que o capitão guineense chegou a Lisboa no primeiro semestre de 2010 para fazer um curso de formação na Escola Prática de Infantaria em Mafra. Essa formação era feita ao abrigo da cooperação técnico-militar que existe entre Portugal e a Guiné Bissau. Quando o curso terminou, o capitão inscreveu-se numa segunda formação  - que já não chegou a frequentar. Entretanto, obteve uma autorização de residência em França e viajou para lá. É dessa data o último registo que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras tem da passagem dele por uma fronteira nacional.

As autoridades portuguesas nunca souberam que Pansau N’Tchama tinha abandonado o país. Nem se preocuparam muito com isso. “Ele não estava cá como exilado político nem como refugiado, por isso o Estado não tinha que saber onde ele estava”, conta fonte diplomática. Só quando, já em 2011, chegou a Portugal uma carta rogatória da Procuradoria-Geral da República da Guiné Bissau a pedir a audição do militar é que o ministério da Administração Interna português o foi procurar. Sem sucesso. Pansau N’Tchama estava há muito em França de onde, segundo revela agora o Ditadura do Consenso, partiu para a Gâmbia.

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