Como?

Como se despede alguém? Melhor: como se escolhe quem deve ser despedido? Quais são os critérios objectivos? Eles existem? Vão embora aqueles que ganham mais? Vão os que não produzem? Vão aqueles que recusam fazer favores? Vão os que não passam todos os dias no gabinete para dizer olá? Vão os amigos? Os inimigos? Aqueles por quem a chefia nunca teve especial simpatia? Vão os calados? Os tímidos? Vão os barulhentos? Os atrasados? Os que cheiram mal?

Como se despede alguém? Em teoria é simples. A administração de uma empresa decide que é preciso cortar custos, estabelece um valor e encarrega a direcção de um jornal – porque é disso que se trata – de o atingir. Isso pode ser feito de várias formas: reduzir a dimensão do papel e alterar a sua qualidade para pior, diminuir o número de páginas, cortar colaboradores externos, etc. Quando nada mais resta, só há uma solução para diminuir custos fixos: cortar salários. Ou seja, despedir pessoas.

Em seguida os directores reúnem-se e fazem uma lista daqueles a dispensar. Não importa quanto tempo das suas vidas elas deram àquele jornal. Quantas horas perderam em prol de uma notícia, uma reportagem, uma crónica. Quanto tempo roubado à familia ali foi investido. Quantas vezes os filhos ficaram por deitar porque o fecho atrasou. Quantas noites foram passadas fora de casa. Não. Há um número a atingir. Houve uma ordem. É preciso cumpri-la. E salvar o próprio lugar.

Como se despede alguém? Faz-se uma ronda pela redacção e pinta-se um alvo nas costas dos jornalistas? Fica-se a olhar através dos vidros de um gabinete para o que se passa lá fora e decide-se em função de quem parece estar menos ocupado? Aquele que está no Facebook?

Como se despede alguém? Como se opta conscientemente por enfraquecer um jornal? Como é que se consegue dizer aos leitores que aquelas páginas vão continuar a ter a qualidade suficiente? Como se pode garantir que aquele órgão de comunicação social vai continuar a cumprir os seus deveres de informar, vigiar, denunciar? E nós? Como é que podemos ficar calados enquanto continuam a pregar pregos no caixão do jornalismo?

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“Dias de queda”

A Fernanda Câncio, ontem, no Diário de Notícias. Tiro-lhe o chapéu.

“Dias de queda

Houve o deslumbrante, comovente até, elogio de Teresa Leal Coelho ao Tribunal Constitucional, em forma de milagre das rosas: a maioria confessando que quis e acreditou nomear comissários políticos descobrindo, atónita e vingativa, que lhe saíram juízes do regaço. Houve a reação vagal de quem há muito vagou o lugar e que, 20 minutos de ausência depois, achou, apesar (por causa?) dos diretos de todas as TV, não dever uma palavra, uma justificação, um módico de boa educação, ao País no dia dele – decerto crendo que, neste caso como nos outros, se fingir que não se passou nada, é como se nada se tivesse passado.

Tanta coisa nesta semana. Mas não vou, como o desmaiado vacante, retomar o discurso como se não tivesse caído. Os nomes das pessoas que esta semana receberam notificação de despedimento no grupo editorial do DN ocupariam esta coluna toda – pensei usá-la assim. Mas seria uma outra forma de não me obrigar a falar sobre isso. De guardar o silêncio envergonhado, embaraçado, que os jornalistas guardam sobre as suas tragédias, nós que corremos a “cobrir” as dos outros, os despedimentos dos outros, as lágrimas, desalento e desespero dos outros, para fazer delas posto de espreita sobre o mundo.

Somos isso, temos essa missão: espécie de guarda avançada, cega, lenta, à procura de sinais. De vez em quando, os sinais vêm ter connosco. Abalroam-nos. Inevitável, diz a gestão deste grupo: que é “a única forma”. Posso vir a acreditar nisso. Mas preciso que me expliquem. Que me demonstrem. Que me oiçam; quem sabe tenho, temos, ideias para ajudar a resolver o problema. A lei, esse tão infrequentável luxo nos tempos que correm, diz que os jornalistas “têm o direito de participar na orientação editorial do órgão de comunicação social para que trabalhem, bem como a pronunciar-se sobre todos os aspectos que digam respeito à sua actividade profissional”. A lei diz isto porque reconhece aos jornalistas uma natureza específica, especial: somos fundamentais para a democracia. Mas poderemos sê-lo, com o que isso implica de independência, de segurança, de intrepidez e resistência, se formos tratados, nós que somos supostos averiguar sobre tudo, investigar sobre tudo, ter uma perspetiva sobre tudo, uma narrativa sobre tudo, afrontar tudo e todos, como se não tivéssemos capacidade de perceber o que nos acontece e porquê, riscar uma palavra sequer sobre isso?

E, o que é mais, se nos deixarmos assim tratar. Será assim tão impossivelmente heróico cumprir os nossos deveres e exigir os nossos direitos? Com que cara pediremos amanhã a alguém que dê a cara no nosso jornal, se não damos a cara por ele, pelo jornalismo, por nós? Com que cara continuaremos como se nada se tivesse passado, à espera de cair de vez?”

“Uma reportagem não é um iogurte. Uma redacção não é uma fábrica”

Este texto da Sarah Adamopoulos foi publicado em Janeiro no Aventar. Recupero-o hoje, um dia depois de conhecido o despedimento de 160 pessoas na Controlinveste, 65 dos quais jornalistas.

“Um jornal que ainda não foi inventado

Vi (ouvi) com interesse os participantes no Prós&Contras de ontem, dedicado aos «conteúdos» jornalísticos do futuro (devir próximo, sem dúvida). Mas também com tristeza, por verificar a que ponto os jornalistas profissionais da minha geração andam de facto «aos papéis», como bem disse Ana Sá Lopes. E andam aos papéis porque, creio eu, têm andado demasiadamente preocupados com o «modelo de negócio» e insuficientemente com o jornalismo propriamente dito. O que é compreensível, atendendo àquela que tem sido a realidade da generalidade dos jornalistas desde a morte anunciada da imprensa que constituiu a massificação do acesso à Internet.

De costas largas, a Internet tem desde há vários anos servido para justificar a destruição dos jornais, o despedimento de jornalistas, a reconstituição das redacções com recurso a jornalistas precários e estagiários, a redução de todos os meios, humanos uns e financeiros outros, a dispensa de revisores (tão importantes para a manutenção da qualidade dos textos) e outras etapas que paulatinamente têm vindo a ser queimadas, suprimidas no processo de produção da informação jornalística. Acrescente-se a esse panorama, já de si desolador, o «tráfico» de crónicas, por vezes a soldo zero, que cria espaço nos jornais para a defesa de interesses particulares e/ou de classes específicas da sociedade portuguesa.

Mas mais largas ainda do que as da Internet serão as costas do «novo paradigma», à boleia do qual se têm cometido todo o tipo de «erros estratégicos», aceitando (com voluntarismo até) que se acordizem os textos dos jornalistas que escrevem em bom português, dessa forma sujeitando-os (amiúde contra a sua vontade, como é natural em escreventes profissionais da Língua) à novilíngua disforme que é o AO90, ou aceitando que nos jornais se corra prevalecentemente atrás da notícia que morre no dia seguinte e será reproduzida em toda a parte, em vez de fazer jornalismo de investigação, e de fazer o que não há e tem de ser feito: um jornalismo de fundo (apenas ele pode competir com o chamado «jornalismo do cidadão», seja lá o que isso for para além de um «mercado» criado pela espectacular liberdade de expressão que a Internet propiciou), mediante uma leitura atenta, profunda e incessante da sociedade (que só pode ser assegurada pela reportagem e pela investigação realizadas por profissionais), leitura necessariamente independente relativamente aos interesses particulares das administrações, e, finalmente, por uma diferenciação do «produto» jornalístico.

«Produto», «conteúdos», eis duas palavras que não podem continuar a definir o jornalismo, nem a ocupar o lugar central de todos os debates sobre como salvá-lo. Um jornal é um negócio, é inquestionável, mas não é um negócio qualquer. Uma reportagem não é um iogurte. Uma redacção não é uma fábrica. Uma sociedade não é um hipermercado. Um leitor não é um cliente qualquer. O universo de leitores de um jornal não é um «mercado» indistinto de consumidores indiferenciados, como grandemente acontece no caso do sector alimentar (apesar de haver grandes diferenças entre os supermercados dos armazéns El Corte Inglés e os da cadeia lower-cost Minipreço).

Devagarinho, sem querer dar por isso, os jornalistas foram aceitando muita coisa inaceitável – tiros no pé em nome da manutenção de um emprego ou de uma colaboração precária que de modo algum valeu esse baixar de braços, essa aceitação, tantas vezes calada, de tudo o que foi transformando o jornalismo numa actividade indefinida, sujeita a imperativos de cariz essencialmente financeiro e comercial, grandemente dominada pelo discurso económico dos tempos, a que se acrescentou a «austeridade» que obrigou à redução das redacções, com as consequências que conhecemos. Muitos, aliás, vieram a perder o seu emprego, as suas colaborações, apesar de tudo o que se dispuseram a aceitar ao longo dos anos. Dupla amargura, de quem imaginou que o barato não saía caro.

Portugal está cheio de jornalistas e fotojornalistas desempregados. Alguns conseguiram arranjar outros modos de vida, abraçaram outras «escritas», alguns tornaram-se funcionários de empresas de «comunicação», outros relações públicas, outros assessores de imprensa (contra entrega da carteira profissional de jornalista), alguns são agora professores, outros tradutores, revisores, escritores-fantasma, autores disto e daquilo, fotógrafos de casamentos e baptizados, freelancersrecibo-verdistas de tudo e mais alguma coisa, etc, etc. Mas nunca mais deixarão de ser jornalistas, lá dentro deles, no lugar da verdade profunda de quem intrinsecamente são. E todos, ou muitos, sonham aos quarenta ou aos cinquenta anos com um novo projecto, anseio que ultrapassa em muito o desejo de voltar a ter trabalho.

O esquecimento a que na nossa sociedade se votam os mais experientes, por vezes os melhores, votou também esses jornalistas ao desprezo. Nenhum centro de emprego lhes arranjou ou arranjará trabalho, as contratações no jornalismo jamais se fizeram por essa via (o que de resto seria interessante estudar). E no entanto, apenas eles podem mudar para melhor o estado actual das coisas. Porque embora se tenham feito jornalistas na era analógica, experimentaram a mudança tecnológica, que aplicaram, pior ou melhor, mais ou menos depressa, ao chamado «novo paradigma». São aquilo a que gosto de chamar «tradutores», porque apenas eles dominam a um tempo as linguagens analógica e digital, que constituem duas culturas distintas, coexistindo ambas na actual sociedade global – habitada no Ocidente por um crescente número de leitores mais velhos, e não apenas pelos jovens dos países (e «mercados») emergentes.

Voltando ao caso português. Penso que os jornalistas mais jovens, os recém-licenciados a recibos verdes de 500 euros que proliferam nas redacções, transportam (muitas vezes por via da formação que tiveram nas escolas de jornalismo que espelham os equívocos a que o ofício foi sujeito) muitas das fragilidades que têm vindo a minar o sector: a prevalência da forma (do produto, do packaging, da embalagem) sobre o conteúdo (e não disse «conteúdos»), da vertigem sobre a reflexão, do acessório sobre o essencial. Mas na essência, o jornalismo é sempre a mesma coisa: informação, conhecimento, memória também. A pergunta é pois: como fazer uma informação diferenciada, que viabilize, pela qualidade profissional (distinta de tudo o que pode ser encontrado no vasto pântano de informação irrelevante que é a Internet dos «cidadãos» do Facebook e das caixas de comentários de toda a parte) novos projectos jornalísticos que a um tempo possam ser: a) editorialmente inovadores; b) financeiramente viáveis? Resposta: com a contribuição de ao menos uma parte desses tantos bons jornalistas nascidos nos «Trinta Gloriosos» e que naufragam hoje nos muitos mais anos «Desastrosos» que lhes calharam na rifa cósmica, societal, europeia, política. Há em cada um deles um jornal que ainda não foi inventado.

Projectos que serão sem dúvida ancorados na Internet, disponibilizando ao segundo a actualidade noticiosa colhida, seleccionada e editada por profissionais, mas também informação de fundo, que pense este mundo, que o interrogue, que o desconstrua para construí-lo mais adiante, de uma outra forma, e com outros «conteúdos» – alguns impressos em papel, com textos e imagens que não há na Internet.”

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Sem título

Pela Fernanda Câncio, no Jugular

“é a segunda vez em cinco anos. da outra, estava na redacção no dia em que os escolhidos foram informados. desta, não. calhou estar de férias. calhou que a primeira informação que tive foi de um amigo de fora do jornal, por sms, quando ainda nem tinha olhado para as notícias.

não, não era uma surpresa. sabiamos há meses, após a entrada de novos accionistas, e sobretudo depois de o jornal ter reduzido o número de páginas, que era expectável um despedimento colectivo. cada um fez as suas contas de cabeça — ou no site da autoridade das condições de trabalho onde, sinal dos tempos, existe já até um simulador para indemnizações –, pensou nas hipóteses que tinha, nas despesas fixas, naquilo de que poderia prescindir, talvez até (pensamos essas coisas) que há males que podem vir por bem. e esperou. não há muito mais a fazer, pensámos (não haveria?).

uma das pessoas que foi hoje despedida esteve comigo na grande reportagem, o meu segundo emprego. conheço-a há 23 anos. não somos propriamente amigos, mas quando recebi a primeira nota de culpa da minha vida, ofereceu-se para testemunhar por mim. e eu, que posso fazer hoje por ela?

duas das outras pessoas que foram despedidas estiveram comigo na notícias magazine. há 17 anos. as outras conheço-as do dn. excepto uma. essa conheci-a em 1992, numa reportagem. conheci-a a fazer aquilo que faz: resistir. jornalismo, se for a sério, é sempre uma forma de resistência, mas no lugar onde ela está é preciso resistir só para manter a cabeça direita.

não vou pôr nomes aqui, porque não pedi autorização para isso e porque não faz sentido — todas as pessoas a quem ontem comunicaram o despedimento têm um nome, uma história, uma vida, não apenas aquelas de quem gosto mais, que admiro mais, de quem me sinto mais próxima ou que fazem mais parte da minha narrativa pessoal.

não tenho a pretensão de perceber o que estão a sentir, o que estão a passar; não sei o que lhes dizer. eu, como todos os — por enquanto — poupados só posso saber o que sente quem sabe que ficou: uma espécie de traição, tanto mais traidora quando sabemos que, mesmo que eventualmente de nada servindo fazer alguma coisa, não há coisa alguma que nos ocorra fazer a não dizer porra, ou merda, ou outro palavrão qualquer, sabendo que do outro lado só se pode pensar ‘pois, estás muito sentida  e solidária e tal mas tens o teu emprego, não é? e porque é que tens o teu emprego e eu deixei de ter?’

e têm razão. porque é só isso que lhes oferecemos: um ombro, um abraço de adeus. e um não tão secreto suspiro: não foi ainda connosco. e a vertigem de saber que podia ser, que só por acaso não é, o quase desejo que fosse, para não sentir esta culpa, esta responsabilidade, este peso. talvez invejemos a liberdade — é fácil invejar a liberdade com um ordenado ao fim do mês.

quando foi que nos habituámos a aceitar que somos impotentes? que as coisas são o que são? que as decisões dos conselhos de admnistração, como ‘dos mercados’, são tão inelutáveis como as forças da natureza? quando foi que ficámos tão cobardes?

que aconteceu às comissões de trabalhadores, às negociações entre trabalhadores e empresas, aos compromissos, aos acordos, à divisão de forças? que aconteceu à nossa voz? que aconteceu connosco?

colectivo, nisto, só o despedimento. é bom que pensemos nisso — porque, na nossa hora, teremos por nós exactamente o que agora oferecemos. “

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“Um dia na vida”

Pelo Pedro Santos Guerreiro, ontem, no Expresso diário.

«Um dia na vida

Hoje. Ao fundo, um homem sai de um gabinete. O gabinete do chefe. Do ex-chefe. Do ex-chefe que ainda é chefe, ex é ele: ex-empregado. Acaba de ser despedido. É um de um rol de muitos, um nome a mais numa lista, uma fila a menos numa folha de cálculo. Sai calado, pelo espaço aberto, outros olhos viram-se primeiro para ele, depois para baixo. Outro nome é chamado, lá vai ele, o mesmo gabinete, o mesmo destino. Hoje a empresa não é uma empresa, é um matadouro. Morrem empregos. Saiu nas notícias e tudo. É um dia na vida.

A vida já continuará, mas hoje não. “Fui eu? Foram eles? O que fiz de errado? O que farei agora? Como vou dizer? Como vou fazer? Quero um abraço. Não quero ver ninguém. Quero viver. Quero morrer. Merda para isto. Respira fundo. Mas para quê? Rosna. Chora. Põe-te de pé! Desaba… Com esta idade? Com esta idade.”

Todos os dias são um dia na vida. De quem é chamado para sair. De quem não é chamado e fica, às vezes com mais culpa que alívio. Ou mais raiva que tristeza. Fuma-se lá fora, conversa-se lá dentro, recebe-se chamadas aflitas, “não, eu safei-me”. O que se faz aos braços, esmurra-se, cruzam-se? Num jogo de cadeiras, só os que tocam música não estão a jogar. De manhã, a empresa fora sacudida pelo comunicado. Alguns diretores são chamados para a consumação. Outros diretores tiraram férias, fugindo à notícia da razia. Veio o administrador, despedimento coletivo, reestruturação, corte de custos, a crise.

Ontem. Dez de Junho. “Portugueses, este ano de 2014 abre um caminho de esperança. Mas, para ter esperança no futuro, devemos continuar a trabalhar no presente. Não podemos ficar à espera, passivamente, que a situação se altere por si mesma.” Passivamente.

O discurso político é o mesmo desde 2011. É tudo muito difícil, é tudo sem alternativa, é preciso reformas estruturais, é preciso um largo consenso entre partidos e que inclua também os parceiros sociais. Tirando o não-há-alternativa, o discurso fazia sentido em 2011 e faz sentido em 2014 e é isso que não faz sentido nenhum. A devastação económica e social destes três anos tinha de ter tido um propósito de regeneração que não teve. Se tivesse tido, o discurso já seria outro. Isso é o imperdoável. Esse é o falhanço. Se ainda precisamos do que precisávamos ainda estamos como estávamos. Tirando estarmos mais pobres. E mais desiguais. E mais desempregados. “A vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor”.

Todos os dias são um dia na vida de alguém. Hoje foi naquela empresa, ontem foi noutra, e tudo seria compreensível se fizesse parte do ciclo da vida. Faz parte do ciclo da morte. O desemprego de longa duração, o desemprego de jovens e de velhos, a redução dos apoios sociais (flexisegurança sem segurança) não é sentido de justiça nem uma sociedade a funcionar. É uma nação que exclui. Quem perde sai. Às vezes até é notícia. Hoje foi. Um dia de cada vez. Um dia é de vez.

Amanhã?

 

“I read the news today oh boy

About a lucky man who made the grade

And though the news was rather sad

Well I just had to laugh

I saw the photograph

He blew his mind out in a car

He didn’t notice that the lights had changed

A crowd of people stood and stared

They’d seen his face before

Nobody was really sure

If he was from the House of Lords”

A Day in the Life, The Beatles»

Compreender a guerra na República Centro Africana em 5m22s

Em Portugal só temos ouvido falar da crise na República Centro Africana quando está em causa a caótica decisão do governo de ora enviar para lá, como integrante de uma missão de paz, uma força da GNR, ora de optar por uma equipa da Força Aérea. Mas há muito mais do que isso: há uma série de anos que o conflito provoca a morte a milhares de pessoas. Esta é uma explicação rápida mas detalhada (para aquilo a que estamos habituados) que permite compreender o conflito.

“A Alemanha precisa de fazer as reformas que Portugal já fez”

Bruno Maçães é um secretário de Estado português dos Assuntos Europeus. Não o conhecem? Não faz mal. Poucos sabem quem ele é. Na Grécia é conhecido como “o alemão” por aderir incondicionalmente às políticas ditadas por Berlim. No Conselho de Assuntos Gerais e no Conselho dos Negócios Estrangeiros da União Europeia – onde já substituiu o ministro Rui Machete – é conhecido por falar em inglês, posição que contraria a política oficial do governo português. No Twitter, mantém uma conta alimentada em inglês, que se tornou célebre depois de publicar uma fotografia tirada nas celebrações do dia da independência da Polónia e onde esta segunda-feira escreveu que “a Alemanha precisa de implementer muitas das reformas estruturais que Portugal implementou nos últimos anos”. A frase faz parte de um discurso feito por Maçães a 11 de Março no segundo fórum Alemanha-Portugal, em Berlim. Resta saber de que reformas estava ele a falar.

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