Em defesa da Joana Latino (não é que ela precise, mas pronto)

Nos últimos dois dias o mundo jornalístico indígena tem estado entretido em duas discussões: o “estilo” de José Rodrigues dos Santos (JRS) frente a José Sócrates e a reportagem da Joana Latino, sobre a vinda a Portugal de David Hasselhoff, o actor norte-americano que se celebrizou em O Justiceiro e depois em Marés Vivas.

Sobre JRS já aqui escrevi bastante. Mas confesso que hesitei em fazê-lo sobre a Joana Latino. Conheci-a há 12 anos quando cheguei como estagiário à redacção da SIC-Notícias. Ela era uma das principais jornalistas da Edição da Noite e uma das pessoas com quem passei a conviver durante longas horas – que se prolongavam bem para além do final da emissão. Ela provavelmente não se lembra, mas foi uma das que teve paciência para me ensinar a mexer pela primeira vez num programa de edição de imagem – sim, foi na SIC-N que os jornalistas começaram a editar as próprias peças – e das que mais me ajudou a entrar no ritmo infernal da televisão 24h por dia. Nessa altura, a Joana fazia tudo: despachava promos, destaques e seleccionava vivos à velocidade da luz, saia para fazer os directos que fossem precisos – fosse num tiroteio, num incêndio, numa urgência hospitalar ou na sede de um partido político. Quando regressava, ainda deixava uma peça pronta para entrar durante a madrugada e a manhã. Basicamente, era (e é) uma máquina. Uma das mais versáteis repórteres da SIC e que, por isso, teve por várias vezes o reconhecimento do Mário Crespo – em directo.

Já nessa altura, a Joana tinha uma grande qualidade: tentava pensar fora da caixa. Fazia coisas diferentes. Às vezes tão diferentes que não se sabia qual ia ser a reacção. E se há qualidade que ela manteve ao longo destes anos foi essa: tentar surpreender os telespectadores. Todos os dias. Umas vezes corre bem. Outras, nem por isso. Mas o trabalho da Joana tem esse grande mérito: não deixa ninguém indiferente. Que o diga o secretário de Estado da Cultura, Barreto Xavier, que, a propósito da polémica da colecção Miró, foi bombardeado pela Joana em directo com as perguntas mais certeiras que lhe podiam ter sido feitas - e com um grupo de jornalistas impávido a assistir.

Na última semana a Joana foi entrevistar o David Hasselhoff, que veio a Portugal promover o espectáculo que vai ter em Portimão. Quem conhecer minimamente o historial do actor, percebe que ele é, digamos, um cromo. E que a Joana não ia simplesmente fazer uma peça que poderia ter começado assim: “Nos anos 1980 foi a estrela de O Justiceiro. Nos 1990 de Marés Vivas. Agora está em Portugal para promover um espectáculo em que todos poderão reviver essas séries de sucesso”. Não isso seria demasiado fácil – e, lá está, pouco surpreendente.

Ela optou por uma solução arriscada. Que a expõe às críticas mais corrosivas. Mas que deve ter arrancado tantos sorrisos lá em casa, quantas as gargalhadas que devem ter sido dadas enquanto filmavam e editavam aquela peça. Sim, é uma peça divertida, sobre um tema divertido. Mas nem todo o jornalismo tem de ser sério - no sentido de chato. Tem de ser factual – e a peça é. Tem de ser verdadeiro – e a peça também o é. Não deve violar normas e regras deontológicas – e a peça não viola. Tem de ser interessante – e a discussão à volta do tema prova que o é. E também não deve enganar o telespectador - e a peça não engana. Mais: a Joana avisa logo ao que vem no início quando diz.

“Qual a relevância deste momento jornalístico? Nenhuma. A não ser que a peça seja sobre David Hasselhoff.”

E tem toda a razão. No fundo, toda a polémica resume-se a uma questão de gosto. Uns acham que é divertido. Outros acham que é de mau gosto e um péssimo serviço ao jornalismo. Eu confesso que comecei por pensar (desculpa, Joana) “olha, passou-se”. Mas depois de rever a peça, de passar os olhos pelo que é feito na comunicação social, de ler o que foi escrito e de pensar um bocado no assunto, já não tenho tantas certezas. E essa é a beleza do jornalismo. Não há uma verdade absoluta para todas as questões (nem para a do JRS). E quem se acha o dono da razão e tem dificuldade em aceitar outros pontos de vista tem um bom remédio: mudar de profissão. Força, Joana.

Já agora, esta é a peça da polémica.

Leitura para o fim-de-semana: Escravos durante 30 anos

Durante 30 anos um grupo de homens com problemas mentais trabalhou diariamente numa fábrica em troca de alojamento, comida e cerca de 65 dólares por mês. O caso era conhecido no Iowa. Há cinco anos, foi revelado. E em 2013 os responsáveis foram condenados a pagar 240 milhões de dólares de compensação. Agora, o The New York Times voltou ao assunto com a reportagem The Boys in the Bunkhouse. 

Foto: Nicole Bengiveno/The New York Times

Foto: Nicole Bengiveno/The New York Times

WATERLOO, IOWA — A man stands at a bus stop. He wears bluejeans, cowboy boots, and a name tag pinned like a badge to his red shirt. It says: Clayton Berg, dishwasher, county sheriff’s office.

He is 58, with a laborer’s solid build, a preference to be called Gene and a whisper-white scar on his right wrist. His backpack contains a jelly sandwich, a Cherry Coke and a comforting pastry treat called a Duchess Honey Bun.

The Route 1 bus receives him, then resumes its herky-jerky journey through the northeastern Iowa city of Waterloo, population 68,000. He stares into the panoramic blur of ordinary life that was once so foreign to him.

Mr. Berg comes from a different place.

For more than 30 years, he and a few dozen other men with intellectual disabilities — affecting their reasoning and learning — lived in a dot of a place called Atalissa, about 100 miles south of here. Every morning before dawn, they were sent to eviscerate turkeys at a processing plant, in return for food, lodging, the occasional diversion and $65 a month. For more than 30 years.

Their supervisors never received specialized training; never tapped into Iowa’s social service system; never gave the men the choices in life granted by decades of advancement in disability civil rights. Increasingly neglected and abused, the men remained in heartland servitude for most of their adult lives.

This Dickensian story — told here through court records, internal documents and extensive first-time interviews with several of the men — is little known beyond Iowa. But five years after their rescue, it continues to resound in halls of power. Last year the case led to the largest jury verdict in the history of theEqual Employment Opportunity Commission: $240 million in damages — an award later drastically reduced, yet still regarded as a watershed moment for disability rights in the workplace. In both direct and subtle ways, it has also influenced government initiatives, advocates say, including President Obama’s recent executive order to increase the minimum wage for certain workers.

Overall, the Atalissa case has been a catalyst for change, according to SenatorTom Harkin, Democrat of Iowa, a longtime champion of people with disabilities, who still struggles with what these vulnerable men endured in his home state.

“I hate to see what happened to them,” the senator says. “But, by gosh, something might happen from them.”

The dark tale of Mr. Berg and his work mates has spurred introspection in Atalissa and beyond about society’s perception of those with disability. About what is noticed, what is not and what remains in need of constant vigilance.

“The turkey plant case has really haunted all of us,” says Curt Decker, the executive director of the National Disability Rights Network. “This is what happens when we don’t pay attention.”

This Waterloo bus does not go to Atalissa. But the man in cowboy boots, rocking to its gentle sway, needs only to notice that telltale scar on his wrist, and he is instantly returned.

The Scene

A veteran social worker named Denise Gonzales drove past the winter-quiescent fields of 2009 to some town called Atalissa. She had to see for herself what subordinates were telling her.

She pulled uphill to an old schoolhouse, its turquoise exterior garish amid the sleeping acres of snow-dusted brown. She found an open door and stepped into a wonderland nightmare, with walls painted playhouse colors, floors speckled with roaches and the air rank with neglect.

From the squalid building’s shadows emerged its residents, all men, extending hands in welcome, their long fingernails caked with dried blood. A few hands looked almost forked. “From pulling crop,” they explained, a term that she soon learned referred to the yanking of craws from freshly killed turkeys.

You the boss lady? they asked, with grins of gaptoothed decay. You in charge of us now? A few led her on a tour past the soiled mattresses, the overloaded electrical outlets, the trash bins collecting the snow melt dripping from the ceiling — their home.

The schoolhouse was crime-scene crowded. Law enforcement investigators. Social workers. The nervous caretakers. A woman just up from Texas, identifying herself as a co-owner of Henry’s Turkey Service and describing these “boys” as employees who were like family.

“Dressed to the nines,” Ms. Gonzales recalls. “And right outside that room were these men needing medical attention, malnourished, with mice crawling in their rooms.”

Two decades on the front lines of human frailty had not prepared her for this. But Ms. Gonzales suppressed her panic to focus on the names of these 21 Texans soon to be in her care. Gene. Willie. Henry. Frank. Keith. The Penner brothers, Billy and Robert. Others.

All the while, she kept thinking: How in God’s name did they wind up here?

Goldthwaite, Tex.

On a dormant ranch outside the central Texas town of Goldthwaite, a man hunches over his walker to study a framed collage of faded photos. Dozens of young men in baseball caps, cowboy hats and even clown costumes smile back.

“Tiny, we called him, a colored boy who was here for several years,” he says, pointing. He studies their faces. “Uh, let’s see, who’s in there. Gene Berg …”

The man, Kenneth Henry, 73, directs his walker to a dim office that features an aerial photograph of the Atalissa schoolhouse. He takes a seat, then a breath, and tries to explain.

Back in the late 1960s, Mr. Henry, a turkey insemination expert, became partners with T. H. Johnson, the larger-than-life owner of this ranch. With the government’s blessing, the rancher was running a for-profit program that took in young men from state institutions and trained them in agricultural work — and some basic life skills.

He called his philosophy “the magic of simplicity.”

Unregulated arrangements like the Johnson ranch would later be derided as exploitative. But at the time they offered rare alternatives to institutions like the Abilene State School, where thousands with disabilities, from infants to the aged, lived in wards divided by need, often with little or no contact with families.

“A different time,” says Jaylon Fincannon, a consultant in developmental disabilities and a former Texas deputy commissioner for intellectual disability services. “Thank God it’s different now.”

More than 1,000 young men were chosen over the years to embody this magic of simplicity, including Gene Berg, from the Abilene State School, by way of a small town outside Dallas.

He had been a well-behaved boy whose profound learning issues left his parents feeling helpless. One day they took him, their only son, to the sprawling Abilene institution, and were told not to visit for a while so that he could become acclimated. Gene was 12.

“It killed him,” says his mother, Wanda Berg LaGrassa, her voice shredding. “It killed us.”

Also chosen was Willie Levi, from the Mexia State School, by way of the city of Orange. His mother cleaned hotel rooms, and his father drank. “Had to pour cold water on him,” the son recalls. “That’s the only way I get him up.”

Mr. Levi excelled in sports at Mexia. In 1970, the local newspaper reported that he had won the 880-yard race at the state championships for special schools.

“Gold medal,” he says.

Among the many others were Billy and Robert Penner, sons of a long-haul truck driver and a housewife in Amarillo. One day their older brother, Wesley, came home after a long absence and was told that the boys had been sent to the Abilene school. The reason given: “Mom couldn’t handle them anymore.”

Most turkeys are bred with breasts so unusually large that they cannot reproduce naturally. This requires that the toms be caught, stimulated and milked; the semen rushed to the henhouse; and the females caught, flipped and inseminated. The young men who went to Goldthwaite often worked in turkey insemination, catching the birds.

The workers lived in a bunkhouse, and spent most of the little money they received every month at the Johnson family’s roadside country store. “Hamburgers, and peanut brittle, and some soda water,” Mr. Levi says. “Them long candies, Butternut.”

The job could be difficult, and Mr. Johnson mercurial, but most of the men had nowhere else to go. At least in Goldthwaite, they were welcome at Johnson family gatherings — “Everybody was included,” Mr. Henry says — and were counted when the boss man, T. H., made bed checks at night.

“One of those people you could love real easy and hate at the same time,” Robert Womack, a former business partner, says. “The son of a bitch is dead and gone, but he cared about those boys, and he took care of them.”

Before long, Mr. Johnson and Mr. Henry had secured contracts in several states for their turkey-savvy crews, including one at a processing plant somewhere in Iowa.”

A história de Armando Rodrigues de Sá

Era tarde. Estava a chegar a casa depois de mais um dia de fecho quando me cruzei com um vizinho recente. À medida que subíamos a escada, fomos fazendo conversa de circunstância. O costume. Até que o António Muñoz Sánchez me perguntou se costumava escrever sobre história. Disse-lhe que sim, que já o tinha feito algumas vezes e que provavelmente o faria novamente. Então ele começou a contar-me a história de um homem de quem poucos tinham ouvido falar em Portugal mas que é muito conhecido na Alemanha: Armando Rodrigues de Sá.

O António é investigador do Instituto de Ciências Sociais. Está a estudar as relações políticas entre a República Federal Alemã e Portugal e Espanha nas décadas de 1960 e 1970. Em especial o apoio que foi dado aos Partidos Socialistas da Península Ibérica. Quando viveu na alemanha estudou também as relações laborais entre os três países. E foi nessa altura que se cruzou com a história de Armando Rodrigues de Sá, um carpinteiro de Vale de Madeiros que, em 1964, emigrou para a Alemanha e se tornou o trabalhador estrangeiro um milhão.

Nos dias seguintes voltámos a falar. Ele contou-me mais detalhes da história e explicou-me como o português se tornou um símbolo da imigração na Alemanha, deu-me o contacto de Arnd Kolb, o director do Domid, um museu e centro de documentação dedicado à emigração e revelou-me que a família de Armando Rodrigues de Sá ainda vive em Vale de Madeiros. Depois de alguns telefonemas consegui falar com a filha mais nova do carpinteiro, Rosa Pais de Sá, que só me disse uma coisa: “apareça quando quiser”. Foi o que fiz, no início de Fevereiro, com o Sérgio Azenha e o André Abrantes. Ela e o irmão, João, receberam-nos como velhos conhecidos. Contaram-nos a história do pai e levaram-nos a casa para falarmos com a mãe, Maria Emília, que mantém uma memória precisa daquela época. O resultado final apareceu na passada quinta-feira na Sábado e no dia seguinte na CMTV. Espero que gostem.

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O milionésimo trabalhador estrangeiro

Nuno Tiago Pinto

Estava tudo a postos. As bandeiras. Os cartazes de boas vindas. A banda. Os empresários. Os fotógrafos. As câmaras de televisão. Faltavam apenas os “convidados”. Um em especial. Era dia 10 de Setembro de 1964. Naquela manhã, chegavam à estação de Deutz, em Colónia, na Alemanha, dois comboios com 1106 trabalhadores estrangeiros: 933 espanhóis e 173 portugueses. E ao contrário do que acontecia habitualmente, iam ter direito a um comité de boas vindas. Motivo: assinalar a chegada do milionésimo gastarbeiter – trabalhador convidado, em alemão.

A primeira locomotiva entrou na estação pouco depois das 8h. A segunda cerca de duas horas mais tarde. Assim que o comboio parou, os passageiros desceram para o cais, intrigados com tanto aparato. Um intérprete começou então a percorrer as filas de trabalhadores e a gritar com um sotaque germânico: “Armando Rodrigues, Armando Rodrigues”.

Ao fundo da plataforma, Armando Rodrigues de Sá, 38 anos, não sabia o que fazer. “Ficou assustado”, conta à SÁBADO a viúva do português, Maria Emília Pais de Sá. “Achou que era a PIDE”, recorda. Nervoso, tentou esconder-se. Por alguma razão que desconhecia poderiam querer prendê-lo. Ou enviá-lo e volta para Portugal, tal como tinha acontecido a 24 parceiros de viagem que não tinham os papéis em ordem e que acabaram por na fronteira.

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A contragosto – e incentivado pelos companheiros de viagem que gritaram “está aqui, está aqui” – o carpinteiro português avançou. “Então o intérprete explicou-lhe que era o operário um milhão a chegar à Alemanha e que o governo tinha um prémio para ele”, recorda à SÁBADO, António da Silva Cravo, 74 anos, que fez a viagem com Rodrigues de Sá.

Levado para o centro da plataforma, Armando Rodrigues de Sá foi rodeado pelos representantes dos industriais alemães. A banda começou a tocar. Os fotógrafos aproximaram-se e dispararam as máquinas. Os operários gritaram vivas a Portugal e a Espanha. As câmaras de televisão captaram as imagens da festa. Apesar dos dois dias de viagem, o homenageado distinguia-se dos demais: de camisa, casaco e chapéu da cabeça, contrariava a imagem que havia sobre os povos do sul da Europa. Aos poucos, a tensão do seu rosto desapareceu. Foi substituída por um largo sorriso quando lhe deram para a mão – para além de um bouquet de flores e de um diploma que assinalava a ocasião – uma mota nova, da marca Zundap.

“Ele nem sabia andar”, recorda António Cravo. “Pegou-lhe com a mão e depois acabou por se montar nela, mas só para tirar fotografias”, diz. Envergonhado, agradeceu, e disse aos jornalistas que a recepção atenuava a dor da separação da família, mulher e dois filhos, que deixou em Portugal. Estava longe de imaginar que, 50 anos mais tarde, a sua fotografia faria parte dos manuais escolares germânicos e estaria exposta em museus como um símbolo da imigração alemã. 

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Armando Rodrigues de Sá nasceu em Vale de Madeiros, distrito de Viseu, a 4 de Janeiro de 1926. Aos 19 anos casou-se com Maria Emília Pais. Ela tinha 15 anos. “O meu pai era muito rico, tinha muitas terras. Como os pais dele eram pobres ele não o podia ver. Disse-me: ‘se deixares o Armando compro-te um cordão de ouro do teu tamanho’. Mas eu não queria o cordão, queria-o a ele. Era mesmo bonito”, recorda Maria Emília. Tiveram dois filhos. João e Rosa. Armando trabalhava na Companhia Portuguesa de Fornos Eléctricos. Era carpinteiro. E apesar de ter emprego decidiu tentar a sorte na Alemanha. “Havia mais gente daqui da zona a ir e ele também quis”, diz Maria Emília.

Naquela época, quem quisesse obter um passaporte válido para sair do País tinha que recorrer à Junta da Emigração (JE) e preencher uma série de requisitos: ter o serviço militar cumprido, apresentar uma certidão do registo criminal, documentar o grau de escolaridade, entregar uma certidão de nascimento, comprovar o estado civil e assinar uma declaração em que se responsabilizava pelo bem estar da família. Criada em 1947, a JE cooperava com entidades parceiras dos países que angariavam operários em Portugal. No entanto, o objectivo não seria incentivar a saída de trabalhadores do país. Seria controlá-la. De acordo com um artigo da historiadora Alexandra Ventura, em 1961, a embaixada alemã em Lisboa queixava-se, numa comunicação para Berlim: “Todo o processo é muito vagaroso e burocrático, o que atrasa a emigração. Isto é sem dúvida intencional por parte do governo que, se não pretende proibir a emigração para a Europa, pelo menos procura limitá-la”.

Para facilitar o processo, a 17 de Março de 1964 os governos de Portugal e da República Federal Alemã assinaram um acordo de destacamento de trabalhadores. Ao abrigo desse protocolo, o Departamento Federal do Trabalho germânico abriu dependências em Lisboa e no Porto. Mas o recrutamento continuou lento, apesar de a Alemanha estar a viver um período de grande crescimento económico. “Os alemães não percebiam porque não chegavam mais portugueses. Pensavam que era porque não conheciam a Alemanha. E decidiram então fazer uma cerimónia para mostrar que eram bem recebidos”, diz à SÁBADO o investigador do Instituto de Ciências Sociais, António Muñoz Sánchez. Havia ainda outro objectivo, para consumo interno. “Era preciso mostrar à sociedade alemã que eram necessários trabalhadores estrangeiros”, diz à SÁBADO Arnd Kolb, director do Domid, um centro de documentação e museu da imigração de Colónia. “Nesse ano chegou-se ao milhão de imigrantes. Mas não era possível saber qual era o milionésimo. Não havia uma lista. Armando Rodrigues de Sá foi escolhido. Foi uma decisão política e dos empresários para mostrar que a imigração era positiva”, concretiza António Muñoz Sánchez, que está a tentar organizar uma homenagem ao carpinteiro, em Setembro.

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Sem saber o que o esperava, Armando Rodrigues de Sá apanhou o comboio em Canas de Senhorim rumo a Lisboa. Com os requisitos preenchidos, embarcou para Colónia a 8 de Setembro de 1964 – o mesmo dia em que era publicado no jornal alemão Handelsblatt um artigo a lamentar a escassez de trabalhadores portugueses. Antes de deixar a capital portuguesa enviou um telegrama à mulher a pedir-lhe para ir ter com ele à estação de Canas de Senhorim (por onde passava o comboio). “Cheguei a casa e fui a correr para lá. Era para me dar a mala de ferramentas porque não era preciso levá-la”, conta Maria Emília Pais de Sá.

Daí, o carpinteiro seguiu para o Porto. António Cravo embarcou na estação de Campanhã e recorda uma viagem difícil. “Em Espanha juntaram-se muitos trabalhadores ao nosso grupo. Na fronteira com a França mudámos de comboio porque os carris eram diferentes e fomos para Paris. Aí mudámos novamente e seguimos para colónia. Foi uma viagem de 48h em bancos de madeira que faziam doer o rabo e com poucas casas de banho”, diz. Lembra-se de falar com Armando Rodrigues de Sá durante a viagem, mas já não recorda o assunto. “Éramos só homens. Conversávamos para passar o tempo. Uns tinham um realejo, outros concertina. Recebemos também uma espécie de ração de combate, com bolachas e atum”.

Quando chegaram a Colónia mandaram-nos sair do comboio. “Depois começaram a chamar pelo nome dele. Estava perto e ele não queria dizer nada”, recorda. Ao mesmo tempo, o grupo de empresários alemães esperava ansiosamente. O nome de Armando Rodrigues de Sá tinha sido seleccionado previamente de uma lista de 20 portugueses por corresponder ao imigrante ideal para a sociedade alemã: tinha 38 anos, era casado, com dois filhos e ficaria no país temporariamente. E, naquela altura, os industriais não sabiam se ele tinha sido um dos 24 a ficar retido na fronteira. “Por isso eles tinham outro nome de reserva, um português de apelido Varela”, diz Arnd Kolb.

Não foi necessário. Armando Rodrigues de Sá identificou-se, foi homenageado, deu entrevistas e depois seguiu para o seu destino. “Separámo-nos nessa altura”, diz António Cravo. “Os representantes das firmas com quem tínhamos contrato estavam à nossa espera. Eu fui para Noist. Ele para Estugarda”, lembra. A viagem do carpinteiro foi seguida pelas câmaras de televisão. E nas semanas seguintes continuou a dar entrevistas. Fosse na empresa onde trabalhava ou nas camaratas onde dormia – já de fato e gravata.

Assim que pôde, Armando Rodrigues de Sá avisou a família do que tinha acontecido. “Soubemos através de um telefonema”, recorda à SÁBADO o seu filho mais velho, João Pais de Sá. O governo português também foi informado, no dia seguinte, através de um telegrama enviado para o Ministério dos Negócios Estrangeiros pelo cônsul geral em Hamburgo: “As entidades deste país decidiram dar certo relevo à chegada do imigrante que completasse o número de um milhão de trabalhadores estrangeiros contratados para trabalhar na Alemanha. (…) [Armando Rodrigues de Sá] foi por isso alvo de várias homenagens, havendo discursos de boas vindas, várias ofertas de carácter pessoal, fotografias, etc. O acto foi transmitido pela televisão e os jornais de hoje referem-se largamente ao assunto.” E continua: “Devo acrescentar que o Sr. Sá Rodrigues [sic] deixou boa impressão, apesar de não poder esconder o seu espanto por uma recepção totalmente inesperada. Apresentou-se muito decentemente vestido, contrariamente a alguns imigrantes do grupo mas que foi impossível reconhecer se seriam portugueses ou espanhóis”.

João, Rosa e Maria Emília Pais de Sá Foto: Sérgio Azenha

João, Rosa e Maria Emília Pais de Sá
Foto: Sérgio Azenha

Nos seis anos seguintes, Armando Rodrigues de Sá passou várias temporadas na Alemanha. A primeira durou apenas três meses. “Ele voltou em Dezembro e despachou a mota para cá. Antes de regressar foi buscá-la a Lisboa. Mandava dinheiro todos os meses, quatro contos e tal”, recorda Maria Emília Pais de Sá. Provavelmente teria ficado mais tempo se não tivesse sofrido um acidente de trabalho em 1970. “A montar uns painéis de madeira apanhou com um no estômago”, recorda João Pais de Sá. “Nós escrevíamos três cartas por semana e de repente esteve uns 10 dias sem dar notícias. Como estava preocupada fui ao bruxo e ele disse-me: ‘vá descansada. O seu marido esteve no hospital mas já está bem. Quando chegar a casa já lá tem uma carta dele’. E foi verdade”, diz Maria Emília.

No entanto, o carpinteiro não estava totalmente bem. De regresso a Portugal, foi-lhe diagnosticado um cancro. Passou os anos seguintes em tratamentos. “Foi operado em Lisboa e ainda regressou para cá”, conta João Pais de Sá. O anonimato em Portugal contrastava com o reconhecimento de que era alvo na Alemanha. “Tornou-se um símbolo que representa a história da imigração”, diz António Muñoz Sánchez. “Aparece nos livros escolares, é frequentemente referido em documentários televisivos e há vários filmes que recuperaram as imagens da chegada dele a Colónia”, continua.

Maria Emília Pais de Sá confirma. “Ao longo dos anos vieram cá muitos jornalistas e historiadores alemães”, diz. “Portugueses nem por isso”, ri-se. No final da década de 1990, um grupo de responsáveis pelo museu de história contemporânea da RFA, em Bona, deslocaram-se a Vale de Madeiros com um objectivo: adquirir a mota que lhe foi oferecida em 1964. Hoje, o veículo está em destaque na secção dedicada à imigração junto a uma fotografia de Armando Rodrigues de Sá, que acabou por falecer a 5 de Junho de 1979. Longe das câmaras.”

A equipa:  André Abrantes (vídeo) Sérgio Azenha (fotografia)

A equipa:
André Abrantes (vídeo)
Sérgio Azenha (fotografia)

Os Jogos Olimpicos de Inverno mais caros de sempre

Antes de começarem, os Jogos Olímpicos de Inverno, em Sochi, já tinham estabelecido um novo recorde: ao custarem 50 mil milhões de dólares, tornaram-se os mais caros da história. A Vice foi a Sochi ver onde foi gasto o dinheiro, falar com os residentes e investigar as alegações de subornos e corrupção. Este é o resultado, no dia em que começa a competição.

Leitura para o fim-de-semana: o Papa pop

Ele não foi viver para o palácio. Anda num Ford Focus. Paga as contas de hotel. Mantém a sua agenda. Criticou a ostentação do Vaticano. está a investigar alegados esquemas de corrupção. E falou na pedofilia na Igreja. Tudo em menos de um ano. Agora, o Papa Francisco está na capa da Rolling Stone. É a leitura para o fim-de-semana de hoje.

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Pope Francis: The Times They Are A-Changin’

Inside the Pope’s gentle revolution

by MARK BINELLI

JANUARY 28, 2014
Nearly every Wednesday in Rome, the faithful and the curious gather in St. Peter’s Square for a general audience with the pope. Since the election of the former Jorge Mario Bergoglio last March, attendance at papal events has tripled to 6.6 million. On a recent chilly morning in December, the thousands of amassed pilgrims appear to gleam in the sunlight, covering the square like a pixelated carpet. Maybe it’s all the smartphones raised to the heavens.

Up close, Pope Francis, the 266th vicar of Jesus Christ on Earth, a man whose obvious humility, empathy and, above all, devotion to the economically disenfranchised has come to feel perfectly suited to our times, looks stouter than on television. Having famously dispensed with the more flamboyant pontifical accessories, he’s also surprisingly stylish, today wearing a double-breasted white overcoat, white scarf and slightly creamier cassock, all impeccably tailored.

The topic of Francis’ catechesis, or teaching, is Judgment Day, though, true to form, he does not try to conjure images of fire and brimstone. His predecessor, Benedict XVI, speaking on the topic, once said, “Today we are used to thinking: ‘What is sin? God is great, he understands us, so sin does not count; in the end God will be good toward all.’ It’s a nice hope. But there is justice, and there is real blame.”

Francis, 77, by contrast, implores the crowd to think of the prospect of meeting one’s maker as something to look forward to, like a wedding, where Jesus and all of the saints in heaven will be waiting with open arms. He looks up from his script twice to repeat key lines: avanti senza paura (“go without fear”) and che quel giudizio finale è già in atto (“the final judgment is already happening”). Coming from this pope, the latter point sounds more like a friendly reminder. His voice is disarmingly gentle, even when amplified over a vast public square.

Eventually, he moves to greet the crowd. Benedict, a dour academic, kept this portion of the general audience to a minimum. But Francis, like Bill Clinton, thrives on personal contact, and he spends the better part of an hour greeting believers. Next to the dais, a rowdy hometown team of Italians, a couple of whom spoke loudly on their cellphones throughout the pope’s sermon, have their cameras out like paparazzi. “Papa Francesco! Papa Francesco!” they shout, shrilly and incessantly, trying to get the Holy Father of the Catholic Church to gaze in their direction. The most shameless hold up children. “Papa Francesco!” they cry. “I bambini! I bambini!”

It’s a funny thing, papal celebrity. As the archbishop of Buenos Aires, Bergoglio had never been an especially gifted public speaker. But now that he’s Pope Francis, his recognizable humanity comes off as positively revolutionary. Against the absurd, impossibly baroque backdrop of the Vatican, a world still run like a medieval court, Francis’ election represents what his friend Elisabetta Piqué, an Argentine journalist who has known him for a decade, calls “a scandal of normality.” Since his election last March, Francis has consistently confounded expectations with the simplest of gestures: surprising desk clerks at the hotel where he’d been staying during the papal conclave by showing up to pay his own bill; panicking bodyguards by swigging from a cup of maté (the highly caffeinated tealike beverage popular throughout South America) handed to him by a stranger during a visit to Brazil; cracking up cardinals with jokes at his own expense hours after being elected (to those assembled at his first official dinner as pope, he deadpanned, “May God forgive you for what you’ve done”).

After the disastrous papacy of Benedict, a staunch traditionalist who looked like he should be wearing a striped shirt with knife-fingered gloves and menacing teenagers in their nightmares, Francis’ basic mastery of skills like smiling in public seemed a small miracle to the average Catholic. But he had far more radical changes in mind. By eschewing the papal palace for a modest two-room apartment, by publicly scolding church leaders for being “obsessed” with divisive social issues like gay marriage, birth control and abortion (“Who am I to judge?” Francis famously replied when asked his views on homosexual priests) and – perhaps most astonishingly of all – by devoting much of his first major written teaching to a scathing critique of unchecked free-market capitalism, the pope revealed his own obsessions to be more in line with the boss’ son.

The touchingly enduring Mr. Smith Goes to Washington/Bulworth/Aaron Sorkin fantasy in which a noble political figure finally tells the American people the truth tends not to happen in real-life democracy, you may have noticed. There’s too much money, too many special interests infecting electoral politics. Such a scenario could probably take place only in an arcane throwback of an institution like the Vatican, where secret ballots and an utter absence of transparency made the rise of an unknown quantity like Bergoglio possible. Had the race instead been for an obscure House seat in Kentucky, the opposition research team would have reduced his campaign to rubble within a couple of weeks.

By all accounts, the papal conclave that elevated Bergoglio assumed it was electing a fairly anodyne compromise candidate. Cardinals liked the idea of a pope from Latin America, one of the Church’s leading growth markets. They also responded well to a stirring three-minute speech Bergoglio gave during the conclave, in which he said the Church, in order to survive, must stop “living within herself, of herself, for herself.”

But he gave no other indication that he’d be any kind of change agent. In the days after his election, most newspapers described him as a safe, conservative choice. Bergoglio himself had already picked out a retirement spot back home in Argentina, where he fully expected to return after participating in the conclave as a voter. “When he first found out he was elected,” says Piqué, “he didn’t know if it was a dream or a nightmare. I’m sure he’s feeling like he’s in a cage.”

There would be many reasonable ways to respond to this new reality. Stoical Christian resignation. A cry of “Why me, Lord?” One could also be invigorated by the challenge, and maybe even decide to cause some trouble.”

A onda invisível de Fukushima

Quase três anos após o terramoto e o tsunami que provocou o desastre nuclear de Fukushima, a Al Jazeera regressou à localidade japonesa para tentar perceber quais os efeitos de longo prazo do incidente. O principal receio é o de uma nova onda gigante que ameaça sobretudo as crianças: o cancro na tiróide.

Leitura para o fim-de-semana: a batalha de Belo Monte

O Brasil está a construír a terceira maior central hidroeléctrica do mundo. Vinte e cinco mil operários trabalham noite e dia para cumprir o prazo e erguer um projecto controverso. A Folha de São Paulo enviou para Belo Monte uma equipa de cinco repórteres que produziram um gigantesco trabalho multimédia de cinco partes com texto, fotografia, 24 vídeos, 18 infografias e até um jogo. A Batalha de Belo Monte é o resultado final.

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Um projeto de R$ 30 bilhões

A explosão às 6h da manhã arranca uma camada de 9 m de espessura do bloco de migmatito numa área de 750 m² que já foi a morada de árvores centenárias na zona rural de Altamira e Vitória do Xingu (PA). Assentada a poeira, resta uma montanha de fragmentos dessa rocha dura, aparentada com o granito. À meia-noite, nem um pedregulho estará mais ali.

Duas escavadeiras se posicionam lado a lado, a 50 m uma da outra. Cinco levantamentos cada e, em menos de três minutos, enchem uma carreta com 32 toneladas de pedras. Sai um caminhão, encosta outro. Em 20 minutos, partem 18 caçambas cheias. Não há um segundo de descanso.

O ritmo frenético de homens e máquinas marca a construção de um canal de 20 km de comprimento, para dar passagem aos 14 milhões de litros de água por segundo desviados do rio Xingu –vazão quase 530 vezes maior que a do canal principal de transposição do São Francisco– que vão movimentar as turbinas da terceira maior hidrelétrica do mundo, e também uma das mais controversas: Belo Monte, da empresa Norte Energia S.A.

Quando estiver funcionando a toda força, a usina poderá produzir até 11.233 megawatts (MW) de eletricidade. Uma capacidade instalada suficiente para iluminar as casas de pelo menos 18 milhões de pessoas e ficar atrás só da hidrelétrica chinesa Três Gargantas (22.720 MW) e da paraguaio-brasileira Itaipu (14 mil MW).

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia, o Brasil precisa acrescentar 6.350 MW anuais de geração elétrica, até 2022, ao seu parque atual de 121 mil MW (70% produzidos por hidrelétricas). Se pudesse funcionar a toda carga o ano inteiro, Belo Monte garantiria quase um quinto da eletricidade adicional de que o país vai precisar, mas isso só tem chance de ocorrer em quatro meses do ano.

A maior parte da capacidade de geração (11.000 MW) da nova usina ficará instalada na casa de força principal, junto da vila de Belo Monte do Pontal, cuja obra já avançou 47%. A barragem propriamente dita, contudo, ficará 60 km rio acima, do outro lado da Volta Grande do Xingu, no sítio Pimental, pouco depois do ponto em que o canal captará água para encher os 130 km² do reservatório intermediário. Junto ao vertedouro da barragem de Pimental, seis turbinas poderão produzir até 233 MW na casa de força auxiliar.

O pico de 11.233 MW só poderá ser alcançado entre fevereiro e maio, quando o Xingu atinge suas vazões máximas. Nos outros meses, as turbinas serão progressivamente desligadas. Entre altos e baixos, espera-se que Belo Monte garanta uma média de 4.571 MW, ou apenas 41% de sua capacidade instalada.

“Para começar a gerar, isso tudo tem de estar concluído”, diz a engenheira civil Roberta Martinelli Pimentel Pereira, 35, apontando para o canal onde poderiam acomodar-se facilmente 60 caminhões, lado a lado.

Belo Monte precisa começar a produzir energia em fevereiro de 2015, com a primeira turbina da casa de força auxiliar, mas isso vai atrasar uns três meses. Depois, de março de 2016 até janeiro de 2019, entram em linha as 18 turbinas da casa de força principal. Neste caso, nada pode atrasar. Na realidade, a Norte Energia trabalha com a hipótese de antecipar a montagem das turbinas principais, a partir da quarta ou quinta máquina, de modo a que todas estejam em operação antes do prazo contratual –o que trará ganhos consideráveis para o empreendedor.

No presente, o maior desafio de Roberta Pereira é domar as águas dos igarapés que cortam o curso do grande canal e completar, ainda em dezembro de 2013, a ensecadeira (barragem provisória, para manter a construção isolada do rio Xingu). A engenheira comanda 7.000 empregados e tem 12 anos “no trecho”, como se refere às grandes obras de infraestrutura por que passou. A ensecadeira já tem fundações prontas e a maior parte do aterro alcançou a cota de segurança, 95 m.

Belo Monte fervilha 24 horas por dia, dois anos e meio após o início oficial de sua construção, em junho de 2011. Com um custo estimado em R$ 30 bilhões, o prazo para começar a produzir energia é apertado, apenas 44 meses. Em Itaipu foram 120 meses; a previsão para a hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira (RO), era de 52 meses, mas a usina começou a gerar energia nove meses antes.

O artigo completo está aqui.

A invasão da fortaleza europeia

Os 74 cidadãos sírios que chegaram a Portugal no último avião da TAP que partiu de Bissau são apenas alguns entre os milhares que, devido à guerra civil, tentam entrar na Europa todos os dias. Uma equipa de reportagem do The Guardian acompanhou duas famílias nesta dura viagem que envolve contrabandistas, guardas fronteiriços e condições sub-humanas em campos de refugiados. No fundo, saem de uma guerra para entrar noutra menos mortal – mas longe de casa.

O exército de pobres de uma terra muito rica

O deserto do Saara ocupa partes do Mali, Niger, Argélia, Líbia e Burkina Faso. O centro tem dos maiores depósitos energéticos de África. O seu povo – os Tuaregues – ambicionam uma pátria independente. Durante anos, foram contidos por Muammar Khadaffi: deu-lhes emprego e contratou-os como mercenários. Com a queda do líder líbio, muitos voltaram a casa, no Niger e no Mali, ao fim de várias décadas. O que encontraram? Fome, seca e pobreza. A solução? Uma rebelião para criar o seu próprio Estado. Esta é a primeira de três partes de um documentário da Al Jazeera, que acompanhou o regresso a casa dos soldados tuaregues.  

 

O documentário da revolução está a chegar

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Em Janeiro de 2012, o Tiago Carrasco, o João Fontes e o João Henriques começaram a percorrer os 15 mil quilómetros que separam Istambul, na Turquia, de Sidi Bouzid, na Tunísia. Ao atravessarem 10 países, testemunharam no terreno os acontecimentos da Primavera Árabe. No final de Outubro desse ano, foi publicado o livro A Estrada da Revolução. O trabalho valeu-lhes a distinção com o Prémio Gazeta de Jornalismo de 2013. Só faltava mesmo o documentário – que tem a antestreia marcada para o próximo dia 26 de Janeiro, às 16h, no Teatro Municipal de Vila do Conde. Parabéns!

O boom de drogas na China

O aumento brutal do consumo de dorgas sintéticas na China está a transformar a vizinha Birmânia num autêntico laboratório gigante de metanfetaminas que são depois transportadas clandestinamente para o destino. A Al Jazeera conseguiu entrar neste complexo sistema.

A vida de Kim Dotcom, o ex-hacker que se diz empresário

Há dois anos as autoridades entraram na casa de “Kim Dotcom”, o criador e proprietário do site de partilha de ficheiros Mega Upload. Acusaram-no de ter provocado prejuízos de centenas de milhões de dólares à indústria do entretenimento por permitir a partilha de filmes, vídeos, músicas e livros – de graça. O assalto, feito por forças especiais, foi digno de um filme. Kim Dotcom esteve preso durante um mês e o site foi encerrado. Hoje, ele continua a viver na mesma mansão, na Nova Zelândia. A diferença: não pode saír do país. Mas continua a gostar do papel de vilão de Hollywood. O 60 Minutes falou com ele.

Leitura para o fim-de-semana: a luta interior de Michael Jordan contra si próprio

O texto fará um ano em Fevereiro. Mas é uma das mais notáveis peças jornalísticas de desporto que li nos últimos anos. A propósito do 50º aniversário de Michael Jordan, o jornalista Wright Thompson escreveu para o site da ESPN a reportagem Michal Jordan Has Not Left The Building. É uma viagem incrível ao círculo mais íntimo do melhor jogador de basquetebol de todos os tempos – e dos demónios competitivos que ainda vivem dentro dele.

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Five weeks before his 50th birthday, Michael Jordan sits behind his desk, overlooking a parking garage in downtown Charlotte. The cell phone in front of him buzzes with potential trades and league proposals about placing ads on jerseys. A rival wants his best players and wants to give him nothing in return. Jordan bristles. He holds a Cuban cigar in his hand. Smoking is allowed.

“Well, s—, being as I own the building,” he says, laughing.

Back in the office after his vacation on a 154-foot rented yacht named Mister Terrible, he feels that relaxation slipping away. He feels pulled inward, toward his own most valuable and destructive traits. Slights roll through his mind, eating at him: worst record ever, can’t build a team, absentee landlord. Jordan reads the things written about him, the fuel arriving in a packet of clips his staff prepares. He knows what people say. He needs to know, a needle for a hungry vein. There’s a palpable simmering whenever you’re around Jordan, as if Air Jordan is still in there, churning, trying to escape. It must be strange to be locked in combat with the ghost of your former self.

Smoke curls off the cigar. He wears slacks and a plain white dress shirt, monogrammed on the sleeve in white, understated. An ID badge hangs from one of those zip line cords on his belt, with his name on the bottom: Michael Jordan, just in case anyone didn’t recognize the owner of a struggling franchise who in another life was the touchstone for a generation. There’s a shudder in every child of the ’80s and ’90s who does the math and realizes that Michael Jordan is turning 50. Where did the years go? Jordan has trouble believing it, difficulty admitting it to himself. But he’s in the mood for admissions today, and there’s a look on his face, a half-smile, as he considers how far to go.

“I … I always thought I would die young,” he says, leaning up to rap his knuckles on the rich, dark wood of his desk.

He has kept this fact a secret from most people. A fatalist obsession didn’t go with his public image and, well, it’s sort of strange. His mother would get angry with him when he’d talk to her about it. He just could never imagine being old. He seemed too powerful, too young, and death was more likely than a slow decline. The universe might take him, but it would not permit him to suffer the graceless loss and failure of aging. A tragic flaw could undo him but never anything as common as bad knees or failing eyesight.

Later that night, standing in his kitchen, he squints across his loft at the television. His friend Quinn Buckner catches him.

“You gonna need to get some glasses,” Buckner says.

“I can see,” Jordan says.

“Don’t be bulls—-ing me,” Buckner says. “I can see you struggling.”

“I can see,” Jordan insists.

The television is built into the modern stone fireplace in his sprawling downtown condo, the windows around them overlooking Tryon Street. An open bottle of Pahlmeyer merlot sits on an end table. Buckner, a former NBA guard from near Chicago and a Pacers broadcaster, is in town for an upcoming game. They’ve been talking, about Jordan’s birthday and about the changes in his life, all seeming to happen at once. Jordan feels in transition. He moved out of his house in Chicago and is moving into a new one in Florida in three weeks. He’s engaged. Inside he’s dealing, finally, with the cost of his own competitive urges, asking himself difficult questions. To what must he say goodbye? What is there to look forward to? Catching an introspective Jordan is like finding a spotted owl, but here he is, considering himself. His fiancée, Yvette Prieto, and her friend Laura laugh over near the kitchen island. Jordan relights his cigar. It keeps going out.

“Listen,” Buckner says, “Father Time ain’t lost yet.”

The idea hangs in the air.

“Damn,” Buckner continues. “Fifty.”

He shakes his head.

“Can you believe it?” Jordan says quietly, and it sounds like he’s talking to himself.

A DAY BEFORE, Jordan had flown to Charlotte from Chicago, a trip he’s made many times. This flight was different from all the others. When his Gulfstream IV, which is painted to look like a sneaker, took off and turned south, he no longer lived in the city where he had moved in 1984. The past months had been consumed with a final flurry of packing, putting the first half of his life in boxes. He has felt many emotions in his 50 years: hope and anger, disappointment, joy and despair. But lately there’s been a feeling that would have disgusted the 30-year-old version of himself: nostalgia.

The packing and cataloging started several years ago, after his divorce. One night at his suburban Chicago mansion, he sat on the floor of his closet with Estee Portnoy. She manages his business enterprises and, since the divorce, much of his personal life — his consigliere. It was 1 in the morning. They were flummoxed by a safe. Jordan hadn’t opened it in years, and he couldn’t remember the combination. Everything else stopped as this consumed him. After 10 failed attempts, the safe would go into a security shutdown and need to be blown open. None of the usual numbers worked. Nine different combinations failed; they had one try left. Jordan focused. He decided it had to be a combination of his birthday, Feb. 17, and old basketball numbers. He typed in six digits: 9, 2, 1, 7, 4, 5. Click. The door swung open and he reached in, rediscovering his gold medal from the 1984 Olympics. It wasn’t really gold anymore. It looked tarnished, changed — a duller version of itself.

The memories came to him, how he felt then. “It was very pure, if I can say it right,” he’d explain later. “It was pure in 1984 … I was still dreaming.” During the Olympics, he was deep in negotiations with Nike for his first shoe contract. He traded pins with other athletes. Eight years later, when he was the most famous person in the world and the Dream Team was forced to stay outside the Olympic Village, he’d be disappointed when that separation kept him from swapping pins again.

Jordan saw an old pair of shorts that didn’t fit anymore. He found first-edition Air Jordans. In his cavernous Nike closet, he counted nearly 5,000 boxes of shoes, some of which he marked to keep, others to give to friends. There was his uniform for the Dream Team. An employee found letters he’d written his parents as a college student at North Carolina, and what struck her as she flipped through the pages was how normal he seemed. Despite all the things that had been gained in the years since, that person had been lost. The kid in the letters hadn’t yet been hardened by wealth and fame and pressure. He told his parents about grades, and practice, and the food in the dining hall. He always needed money. One letter ended: P.S. Please send stamps.

For a rage-filled day and a half, he thought he’d lost two of his Bulls championship rings, No. 3 and No. 5. He tore the house apart screaming, “Who stole my rings? Who stole No. 5?”

“You talk about a mad f—ing panic,” he says.

Following the final title, the Bulls presented him a case with room for all six rings, but Jordan had never put them together. Now as he found them spread around the house, he slipped each one into its slot. He began plotting amendments to his will that if the missing rings emerged for sale after his death, they should be returned immediately to his estate. Buying a duplicate wouldn’t be worth it, because even if he didn’t tell anyone, he’d know. Finally the missing rings were found in a memorabilia room, and the set of six was complete. He could exhale and continue packing.

He discovered old home movies, seeing his young kids. They’re all in or out of college now. Warmups had collected dust alongside his baseball cleats and a collection of bats and gloves. The astonishing thing to him was how much he enjoyed this. “At 30 I was moving so fast,” he says. “I never had time to think about all the things I was encountering, all the things I was touching. Now when I go back and find these things, it triggers so many different thoughts: God, I forgot about that. That’s how fast we were moving. Now I can slow it down and hopefully remember what that meant. That’s when I know I’m getting old.”

He laughs, knowing how this sounds, like a man in a midlife crisis, looking fondly at something that’s never coming back.

“I value that,” he says. “I like reminiscing. I do it more now watching basketball than anything. Man, I wish I was playing right now. I would give up everything now to go back and play the game of basketball.”

“How do you replace it?” he’s asked.

“You don’t. You learn to live with it.”

“How?”

“It’s a process,” he says.”

O artigo completo está aqui.

Leitura para o fim-de-semana: o verdadeiro lobo de Wall Street

Até há pouco tempo poucos em Portugal terão ouvido falar em Jordan Belfort. Tudo mudou nos últimos dias com a estreia de O Lobo de Wall Street nos Estados Unidos e com a chegada aos ecrãs nacionais marcada para a próxima quinta-feira. Realizado por Martin Scorcese e protagonizado por Leonardo Di Caprio, conta a história de um corrector que ganhou milhões de dólares em Wall Street até ser preso, acusado e condenado por fraude e lavagem de dinheiro. Nesta reportagem, a Bloomberg Businessweek acompanhou o verdadeiro Jordan Belfort que conta o seu passado, fala da escolha entre Di Caprio e Brad Pitt, recorda os dias na prisão, a escrita do livro e a forma como agora ganha milhares de euros a dar palestras.

Foto: Jeff Brown para a Bloomberg Businessweek

Foto: Jeff Brown para a Bloomberg Businessweek

Jordan Belfort, the Real Wolf of Wall Street

“Jordan Belfort, aka the Wolf of Wall Street, hates it when people describe him as a criminal. “‘Convicted stock swindler’—it’s like it hurts my heart,” he says, practically shuddering. “I know it was true, but it’s not who I am. I say to my son, I say it to everybody who I try to mentor: We are not the mistakes of our past. We’re the resources and capabilities that we glean from our past. And it’s so true.”

It’s a delicate argument for Belfort to make. He will forever be associated with Stratton Oakmont, the Long Island penny-stock boiler room he ran in the 1990s. Stratton employed more than 1,000 brokers at its peak, before the Securities and Exchange Commission shut down the company and the FBI arrested Belfort, in 1998. Convicted of money laundering and securities fraud in 2003, he received a four-year prison sentence—he served only 22 months—and was ordered to repay $110.4 million to a victim compensation fund. Other terms for the kind of outfit he built and ran are “pump and dump” and “chop-shop.” The words “fraud” and “crook” come up frequently as well. “It chokes me up a little when I think about it. … I was a bad guy. And it wasn’t like I started that way,” he says, his voice becoming tight. “You can get desensitized to your own actions—it’s easy on Wall Street. Before you know it, it’s like everyone’s just a number.” He goes on: “I shouldn’t really care what people think of me. … I know I’m good. But of course I do care.”

Belfort, 51, is in Fort Worth for two days in October speaking to the Young Presidents’ Organization, a secretive networking group for CEOs and other senior executives under the age of 45. His theme, as usual, is what he’s learned from his experiences about how others can avoid the pain he caused and suffered. Sporting a John Boehner-caliber tan, Belfort delivers a slick, self-deprecating performance describing how he drove his life into the gutter with greed and drugs and excess, how he stole millions from people and went to jail for it, and how he reinvented himself as a legitimate businessman. He’s a natural performer, and in spite of his tarnished background—or more likely because of it—audiences appear genuinely moved by what he says. It doesn’t hurt to open appearances with a trailer for The Wolf of Wall Street, the movie based on his story, which is due to open, after some editing hiccups, on Christmas Day.

“To my shock it got picked up, with this bidding war between Leonardo DiCaprio and Brad Pitt,” Belfort says, “and I chose Leo and Martin Scorsese.” In addition to several million dollars that have flowed from book and movie deals, Belfort gets paid in the neighborhood of $30,000 for a speech—not bad for an hour’s work, although it requires him to spend the night in Fort Worth. A portion of his income will go to repay the investors whose money he lost.

Belfort makes a very good living, but it’s crumbs compared with the millions he says he once generated every day, pushing crappy $4 stocks on retirees in Orlando. In addition to traveling the world speaking, he works as a consultant to individual companies, talking about business ethics or teaching his sales techniques—the same ones that fueled his brokerage firm—which he argues can also be put to good use. Belfort says he’s been hired to do work for Delta Air Lines (DAL), Symantec (SYMC), Virgin Airlines, Wyndham (WYN), Telstra (TLS:AU), Deutsche Bank (DB), Fairfax Media (FXJ:AU), Southern Cross Austereo, and Absa Bank, among others. So far, almost all of his corporate clients have been abroad; in the U.S., the baggage of his criminal case may have created too much of a minefield for him to navigate, although he hopes this will change.

“From the letters and things we get, I think a lot of people in the U.S. think Jordan is thrilled about what he did, and that he partied hard and all that,” says Belfort’s fiancée, Anne Koppe, who runs his business with him out of Hermosa Beach, Calif. “He’d love [the U.S.] to be his main market, but he wanted to make sure that his message was pure and that people responded properly to it.”

Belfort says he doesn’t want to profit from his crimes, but of course without them there would be no Wolf of Wall Street, no notoriety, no redemption story, no one paying him to talk about his life, and no fraternizing with Leo, about whom Belfort sounds a little star-struck. “You can’t change what you’ve done, you can only learn from it and try to be a better person for it and embrace it and grow. I’m not saying I’m Gandhi or I’ve discovered the cure for everything that ailed me emotionally or my insecurities. But, you know, I try really hard to be the best person I can be every single day.”

Belfort’s $30,000 atonement speech is very earnest. His books, The Wolf of Wall Street and its sequel, Catching the Wolf of Wall Street, revel in crime and the high life. They recount in loving detail every pill he popped, every Concorde flight he took, and every prostitute he hired as he built his empire of sleaze, Stratton Oakmont, into “one of the largest and by far the wildest brokerage firms in Wall Street history.” The over-the-top antics depicted in the books read like submissions to Penthouse Forum: A young female sales assistant takes turns servicing the men at the office, like a shoeshiner; there are drugged-out helicopter rides and blitzed trips on private jets; Belfort goes hooker shopping with buttoned-up Swiss bankers. All of it happens against a backdrop of Belfort’s specially trained brokers making millions selling worthless stocks to gullible investors. “F-‍-‍- this and f-‍-‍- that! S-‍-‍- here and s-‍-‍- there! It was the language of Wall Street,” Belfort writes, describing the din inside his firm’s cavernous, crowded office. “It was the essence of the mighty roar, and it cut through everything. It intoxicated you. It seduced you! It f-‍-‍-ing liberated you! It helped you achieve goals you never dreamed yourself capable of! And it swept everyone away, especially me.” Consistent throughout is shameless bragging about how much money he was making and how ostentatiously he was spending it.

O artigo completo está aqui.

“Não aconteceu. Está a acontecer”

O Diogo Pereira é um estudante de jornalismo da Universidade de Coimbra. Para além de trabalhar na Rádio e na televisão online da universidade e de manter o blogue Quimera, ainda conseguiu fazer, sozinho, esta grande reportagem sobre o futuro do jornalismo. Em Portugal e no mundo. Para isso conseguiu pôr a reflectir sobre o assunto um conjunto de jornalistas retirados e no activo e um grupo de académicos. Não é pouco. Pelo contrário. É um sinal de que há jovens jornalistas com futuro.

Por dentro do Al Shabab

O Al Shabaab é um dos mais radicais grupos com ligações à Al Qaeda. Na Somália, tem verdadeiros campos de treino que recebem candidatos a mártires de todo o mundo. Alguns deles participaram no ataque recente ao centro comercial de Nairobi, no Quénia. O Channel 4 News obteve o acesso em exclusivo a um destes campos. Esta é a reportagem dessa visita.

O taxista

Entre 1945 e 2013, Johnnie Footman, conhecido por Spider, conduziu um taxi pela cidade de Nova Iorque. Chegou a ser o mais velho condutor dos famosos carros amarelos. No passado dia 11 de Setembro, faleceu. Tinha 94 anos. Antes, falou para este mini documentário do The New York Times, presta-lhe uma pequena homenagem.

Uma boa semana para o jornalismo português

Está a ser uma boa semana para o jornalismo indígena. No domingo, o Ricardo J. Rodrigues publicou na Notícias Magazine uma excelente reportagem sobre os portugueses que combateram o Apartheid ao lado do ANC. É um trabalho extraordinário porque consegue destacar-se do turbilhão de artigos que têm saído nas últimas semanas sobre Nelson Mandela – o que só prova que um bom repórter, no terreno, pode fazer a diferença. O Ricardo estava na África do Sul em trabalho para a revista Volta ao Mundo. Mas conseguiu perceber que tinha ali uma oportunidade única para outra reportagem. E aproveitou-a, sem saber que a morte de Nelson Mandela se aproximava. Aliás, ele voltou a Lisboa dois dias antes da morte do líder histórico do ANC. O resultado está a vista.

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Na segunda-feira de manhã, o José António Cerejo, publicou mais um capítulo do chamado caso Tecnoforma. A notícia, que fez o destaque do Público, relata como Agostinho Branquinho, então deputado do PSD, conseguiu, através da sua empresa de publicidade NTM ganhar um concurso para a promoção do Foral – um programa criado com fundos europeus para promover a formação profissional dos funcionários das autarquias – que era gerido por Miguel Relvas. A maiora parte do negócio do Foral foi parar à Tecnoforma, empresa que teve como administrador Pedro Passos Coelho. Já a promoção, no valor de 450 mil euros, foi concedida à empresa do actual secretário de Estado num concurso que teve uma particularidade: ganhou a proposta com o valor mais alto e com menor capacidade técnica. O trabalho vai directo para a página dos recortes de imprensa.

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À noite, na SIC, a Ana Sofia Fonseca apresentou a grande reportagem Tráfico de Pessoas – os novos escravos. O trabalho – na verdade, um documentário – foi filmado em Portugal, no Brasil e na Roménia, e conta com o testemunhos de vítimas de tráfico humano de várias partes do globo (incluíndo Portugal), polícias e responsáveis de organizações não governamentais que lidam todos os dias com situações destas. A edição é exemplar. O resultado está ao nível do que é feito em muitos países onde este tipo de trabalhos é uma autêntica tradição. Assim que conseguir, vou colocá-la aqui.

Mais uma vez: está a ser uma boa semana para o jornalismo nacional.