“Parem a guerra. Não queremos ficar na Europa”

Entre as discussões sobre políticas europeias, posições de líderes, falta de recursos e muitos outros problemas é bom que surjam vozes que nos foquem no que é realmente essencial. “Parem a guerra. Nós não queremos ficar na Europa. Só que parem a guerra”. Parece simples, não é? E aplica-se à Síria, ao Iraque, ao Afeganistão, ao Mali, ao Sudão, à Eritreia e a muitos outros países de origem dos milhares de refugiados que estão a tentar alcançar um porto seguro na Europa. É pena que tenha de ser dita por um rapaz. Chama-se Kinan Masalemehi. É sírio e fugiu à guerra. Um detalhe: tem 13 anos.

Coisas da Sábado

Amanhã nas bancas: entrevista a Mário Nunes, o militar que desertou para combater o Estado Islâmico; a marioneta escondida de Carlos Santos Silva; o dicionário da novilíngua do poder político; Ermias Ghermay, o maior traficante de pessoas do mundo; como as emoções influenciam a bolsa; a história do “Zé do Benfica”; Tomás Taveira, o arquitecto das Amoreiras e das cassetes; entrevista a Serena Williams; 1965, o ano em que a música mudou; e muito mais.

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A lista que nenhum jornalista quer fazer

É uma lista triste, mas que convém não esquecer: a dos jornalistas que morreram a fazer o seu trabalho em 2014.

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Coisas da Sábado

Amanhã nas bancas: Cruzeiros, a moda, os negócios, os destinos; as contas que definirão o próximo primeiro-ministro; vistos gold já valem 1500 milhões; o dia em que Estado não quis receber 36 mil euros – e teve de ser obrigado; os bastidores da formação da candidatura de Maria de Belém; as manifestações contra Dilma Roussef; Isabel dos Santos mostra a vida no Instagram; a Odebrecht no Monte Branco; Meco, a história da praia da liberdade; e muito mais.

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O regresso à normalidade

Caro Rui,

Escrevo-te esta carta apesar de saber que não és adepto de grandes protagonismos. Para ti, a equipa está sempre à frente de quem quer que seja. Se havia dúvidas em relação a isso, elas ontem ficaram desfeitas. No final, depois de todas as polémicas e críticas, quanto te perguntaram pelo jogo, respondeste simplesmente que o mérito é da qualidade da equipa e dos jogadores. É isso mesmo. Um bom treinador não é aquele que chama para si a responsabilidade das vitórias e atira para os outros a culpa das derrotas. É ao contrário. É aquele que assume as culpas das más decisões quando um jogo corre mal e deixa para os verdadeiros ídolos os louros das vitórias. Sim, as estrelas do futebol são os jogadores. Basta olhares para as bancadas para o perceberes. Por mais polémicas em que se envolva, está para chegar o dia em que os adeptos benfiquistas vão entrar no Estádio da Luz com o nome de um treinador nas camisolas.

Ontem gostei de muitas coisas. Gostei de ver a equipa calma, sem entrar no desespero do balão para a área à espera de um ressalto que decidisse o jogo, gostei da paciência com que enfrentaram a pressão de uma equipa que não foi à Luz estacionar o autocarro e, quase sem me aperceber, gostei de uma coisa que há muito não via: já perto do final, a estatística dizia que o Benfica tinha feito cinco faltas contra 15 do adversário. Cinco faltas em 90 minutos – e uma delas que deu direito a cartão amarelo nem sequer existiu. Poderão dizer que somos uma equipa menos agressiva. Eu prefiro pensar que deixámos de ser um grupo de caceteiros e passámos a ser inteligentes na procura da bola. Talvez por isso tenhamos chegado ao fim do jogo e continuássemos a correr como se estivéssemos no início.

Gostei de ver o Lisandro López, que há vários anos era classificado de jogador sem nível para o Benfica, assumir-se como patrão da defesa ao lado do Luisão. Gostei da classe do Júlio César. Gostei (gosto sempre) do talento do Gaitán. Gostei do golo do Mitroglou (que deixou de parecer apenas um personagem do filme 300 para se tornar um ponta-de-lança a sério). Gostei da aposta no Nelson Semedo e claro, do golo do miúdo. Mas sabes do que eu gostei mesmo? Gostei de ver a forma como o Victor Andrade celebrou o terceiro golo da equipa. Vai lá ver as imagens. Elas dizem tudo. Está o Jonas a celebrar do outro lado do campo e vê-se o miúdo, sozinho, de punhos cerrados, cabeça erguida, a desferir um grito que parece um misto de revolta, alegria e concretização de um sonho. Ele tinha acabado de fazer um centro perfeito, de primeira, após um passe do Nélson Semedo (que celebrava da mesma maneira), que foi teleguiado para a cabeça do Jonas. Tal como o do Gaitan tinha ido para a cabeça do Mitroglou. Não foi por acaso que em vez de ir festejar com o Jonas, o argentino tenha sido o primeiro a ir felicitar o “menino”. Mais: ele voltou a repetir o festejo minutos depois, quando o amigo Nelson fez o 4 a 0 na jogada que ele começou. Como se ele próprio tivesse marcado.

Sim, é verdade. Os jovens jogadores do Benfica não precisam de nascer 10 vezes para ganharem um lugar na equipa. Precisam de quem lhes “faça o parto” e os faça crescer, devagarinho, passo a passo, etapa a etapa. Porque eles não são piores do que os carregamentos de estrangeiros que têm chegado ao clube ao longo dos anos. Apenas dão menos dinheiro a intermediários, empresários e agentes que fazem fortuna à conta do futebol. Mas têm uma coisa fundamental que os outros não têm: o amor ao clube que os educou como homens e jogadores e que se torna uma parte do seu próprio ADN. Isso é algo que não tem preço. É algo pelo qual vão ser sempre acarinhados e aplaudidos pelos sócios. Porque eles não são apenas mais um jogador que chega a caminho de um qualquer lugar. Eles são como filhos. Os filhos que todos nós temos ou gostávamos de ter e que após anos de viagens até ao centro de estágio concretizam o sonho de vestir a camisola da equipa principal.

Isso leva-me à última coisa de que gostei: as tuas palavras acertadas no final. Não vamos pensar que o “Nelsinho” e o Victor já são estrelas. Não são. Como bem disseste, ainda são “protótipos” de jogadores. Projectos que precisam de crescer e aprender para se afirmarem. É que, sabes, nós já estamos fartos de estrelas instantâneas que não vão a lado nenhum. Assim de repente vieram-me à memória o Pepe, o Hugo Leal, o Bruno Caires, o Edgar, o Akwa, o Mawete e até o Nélson Oliveira. Elevados a estrelas imediatas, acabaram por nunca ter direito a um lugar na história do Benfica. Talvez o último ainda tenha uma hipótese. Cabe-te a ti dá-la – e a ele, aproveitá-la. Agora, #rumoao35

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Leitura para o fim-de-semana: o texto que ninguém quer ler

Querem saber o que é o mal? É isto

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ISIS Enshrines a Theology of Rape

Claiming the Quran’s support, the Islamic State codifies sex slavery in conquered regions of Iraq and Syria and uses the practice as a recruiting tool.

QADIYA, Iraq — In the moments before he raped the 12-year-old girl, the Islamic State fighter took the time to explain that what he was about to do was not a sin. Because the preteen girl practiced a religion other than Islam, the Quran not only gave him the right to rape her — it condoned and encouraged it, he insisted.

He bound her hands and gagged her. Then he knelt beside the bed and prostrated himself in prayer before getting on top of her.

When it was over, he knelt to pray again, bookending the rape with acts of religious devotion.

“I kept telling him it hurts — please stop,” said the girl, whose body is so small an adult could circle her waist with two hands. “He told me that according to Islam he is allowed to rape an unbeliever. He said that by raping me, he is drawing closer to God,” she said in an interview alongside her family in a refugee camp here, to which she escaped after 11 months of captivity.

The systematic rape of women and girls from the Yazidi religious minority has become deeply enmeshed in the organization and the radical theology of the Islamic State in the year since the group announced it was reviving slavery as an institution. Interviews with 21 women and girls who recently escaped the Islamic State, as well as an examination of the group’s official communications, illuminate how the practice has been enshrined in the group’s core tenets.

The trade in Yazidi women and girls has created a persistent infrastructure, with a network of warehouses where the victims are held, viewing rooms where they are inspected and marketed, and a dedicated fleet of buses used to transport them.

A total of 5,270 Yazidis were abducted last year, and at least 3,144 are still being held, according to community leaders. To handle them, the Islamic State has developed a detailed bureaucracy of sex slavery, including sales contracts notarized by the ISIS-run Islamic courts. And the practice has become an established recruiting tool to lure men from deeply conservative Muslim societies, where casual sex is taboo and dating is forbidden.

A growing body of internal policy memos and theological discussions has established guidelines for slavery, including a lengthy how-to manual issued by the Islamic State Research and Fatwa Department just last month. Repeatedly, the ISIS leadership has emphasized a narrow and selective reading of the Quran and other religious rulings to not only justify violence, but also to elevate and celebrate each sexual assault as spiritually beneficial, even virtuous.

“Every time that he came to rape me, he would pray,” said F, a 15-year-old girl who was captured on the shoulder of Mount Sinjar one year ago and was sold to an Iraqi fighter in his 20s. Like some others interviewed by The New York Times, she wanted to be identified only by her first initial because of the shame associated with rape.

“He kept telling me this is ibadah,” she said, using a term from Islamic scripture meaning worship.”

O artigo completo está aqui

Coisas da Sábado

Amanhã nas bancas: Sexo, o que escondem os nossos adolescentes; medo, o factor decisivo da campanha eleitoral; Paulo Portas não falhava um debate eleitoral há 20 anos; a ligação portuguesa ao sobrinho de Lula da Silva; as polémicas de Donald Trump; a ruína da Ongoing; a estranha história de um acusado de terrorismo em Portugal; entrevista de vida a Rogério Alves; e muito mais.

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