Michelle roubou o espectáculo a Sanders

Mas que grande discurso. E são só 14m45s.

Estado Islâmico reivindica ataque em França

A agência noticiosa ligada ao autoproclamado Estado Islâmico reivindicou para o grupo terrorista a responsabilidade pelo ataque na igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray, próximo de Rouen, na Normandia. Tal como aconteceu em Orlando, Nice e esta semana na Alemanha a formulação utilizada foi que o atentado foi realizado por “dois soldados do califado”.

A reivindicação original, em árabe bem como a tradução para inglês citam “uma fonte”. A imagem em árabe e em francês contém um erro na data: 25 de Junho.

Depois desta reivindicação/apropriação resta aguardar se surgirá mais algum elemento de prova da ligação do grupo terrorista ao ataque.

A lista de alvos do Estado Islâmico

Um grupo de hackers ligado ao auto-proclamado Estado Islâmico divulgou uma lista com os dados pessoais de mais de 4000 pessoas com o seguinte conselho: “matem-nos”. Entre eles estão sete portugueses. Para ler, esta semana, na Sábado.

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Coisas da Sábado

Hoje nas bancas: Algarve, o melhor para cada idade; uma selecção sempre ligada à família; sete portugueses em lista de alvos do Estado Islâmico; Ramalho Eanes chegou a Belém há 40 anos; reportagem nos exercícios militares da NATO, na Estónia; entrevista de vida a Bruno Bobone; nova denúncia sobre ligações de polícias a traficantes de droga; um ano depois, onde estão os melhores alunos portugueses?; Palácio da Comenda, na Arrábida, à venda por 45 milhões; e muito mais.

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A Guio

Estava no jornalismo há menos de um ano quando uma senhora pequenina, que me habituei a ver na redacção de O Independente sempre de cigarro na mão ou com o dedo a repuxar o lábio inferior enquanto olhava para o velho ecrã Macintosh, me chamou para me dizer com voz doce e os olhos brilhantes que tinha gostado de uma entrevista que eu tinha feito. Jovem e ignorante no que diz respeito à história do jornalismo, na altura não me apercebi da dimensão daquele elogio. A Guio – Maria Guiomar Lima – era uma das mais antigas e respeitadas jornalistas da redacção. Na altura escrevia sobretudo sobre religião e sobre o Partido Comunista Português. Mas tinha todo um passado no Diário de Notícias e no Diário de Lisboa, entre outros, que eu desconhecia – mas que viria a descobrir com o passar dos anos.

Com o passar dos anos viemos a conhecer-nos melhor. Achava piada quando ela levantava a voz, furiosa, para nos dizer que a redacção, envolvida em guerras de bolas de papel (sim, é verdade) não era um jardim de infância. Ouvia-a, fascinado, a contar as suas histórias de jovem repórter e a proximidade que tinha tido das grandes figuras da democracia. De quando em quando ela chamava-me para desabafar sobre aquilo que, do alto dos seus 51 anos, via com preocupação: o futuro do jornal, o receio de ser despedida, aquilo de que gostava mesmo de fazer ou, simplesmente, para apontar uma asneira qualquer que tínhamos feito na edição dessa semana. Eu escutava-a com atenção. Infelizmente, não tinha respostas para lhe dar.

Atrás dela, colado nos enormes armários azuis, tinha uma folha A4 com uma frase que nunca esqueci: “O importante não é saber, mas ter o telefone de quem sabe”. E foram muitas as vezes que, depois de sair do Indy, lhe liguei a pedir ajuda. Porque ela era daquelas que sabia. Tinha a memória de tempos idos que nenhum de nós possuia, uma agenda telefónica disponível para todos e a generosidade que só os grandes sabem ter para com os novos.

Quando ela se reformou, almoçávamos regularmente. A mensagem que enviava para combinarmos era quase sempre a mesma: “Olá querido Nuno. Queres ir almoçar? Tenho saudades”. Lá nos encontrávamos onde calhava. Nas Amoreiras, na Casa da Imprensa – foi ela quem me convenceu a associar-me – na Av. de Berna. Não importava. Falávamos dos amigos do Indy que ela não via há algum tempo, de política, da Cândida (não está esquecido) e dos seus projectos e viagens pela Índia, Macau, Canadá e Açores. Nunca perdeu aquele brilho e alegria no olhar. Nem a voz doce. Ou o temperamento especial. Quando escrevi o meu primeiro livro ela disse-me sem rodeios, com o mau feitio que a caracterizava. “Escreveste um livro horrível sobre pessoas horríveis. Está bem escrito, mas não deixa de ser sobre pessoas horríveis. Esperava outra coisa de ti.” Na altura ri-me. Sabia que ela tinha toda a razão. Nunca mais o esqueci.

Com o passar dos anos, os almoços foram-se tornando mais raros. Continuávamos a falar-nos regularmente, mais por Facebook do que pessoalmente. O ano passado passei a correr pela apresentação do livro dela na Católica e, semanas depois, na apresentação do livro do Fernando ela levou o meu para eu assinar. Disse-lhe que tinha o dela guardado à espera de um autógrafo e ficámos de combinar um novo almoço para a semana seguinte. Nunca aconteceu. Trocámos mensagens pela última vez no fim do ano passado. Ironicamente, ela falou-me para me dizer que tinha gostado bastante da entrevista que tinha feito à Domicilia Costa, a filha da clandestinidade que tinha acabado de se tornar deputada pelo Bloco de Esquerda. Voltámos a agendar um almoço que nunca aconteceu. Despediu-se com um “beijinhos, vai ser engraçado vê-la na AR.”

Esta noite soubemos que a Guio nos deixou de repente. É um dia muito triste. E eu ainda não consigo acreditar. Merda, Guio. Merda. Um beijo. Onde quer que estejas, estarás com os grandes.

O cartoon da semana: observatório

Pelo Vasco Gargalo

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Coisas da Sábado

Hoje nas bancas: como a internet está a mudar o nosso cérebro; entrevista a Bruna Lombardi; entrevista a Gabriela Canavilhas; os nomes-chave da convenção do Bloco de Esquerda; a nova relação PSD-CDS; Brexit: as respostas possíveis depois do referendo; o futuro dos lesados do BES; investigação ao desaparecimento de mochila com um milhão de euros foi arquivada; entrevista de vida a Dionisio Pestana; o iraniano do cinema português; como Fernando Santos gere os amuos e as birras de balneário; e muito mais.

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