Coisas da Sábado

Amanhã nas bancas: Depressão e ansiedade – é preciso conhecê-las para as vencer; Melissa Fleming, a refugiada que salvou dois bebés num naufrágio; reportagem com Isaltino Morais em Oeiras; Speed Dating com deputados (sim, isso mesmo); a provocação entre claques que acabou em tragédia; o amor atípico de Emmanuel Macron e Brigitte; as estratégias dos supermercados para vender; reportagem e entrevista com Gonçalo Amaral; a nova vida dos McCann; as histórias dos 75 anos das Pousadas de Portugal; como foi o maior surto de sarampo das últimas décadas; um jogo de futebol sem a regra de fora-de-jogo; no GPS conheça quais os restaurantes de hotel que tem mesmo que experimentar; leia a entrevista a Jim Kerr, vocalista dos Simple Minds e muito mais.

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Concurso diplomático: estão abertas as candidaturas

Post com uns dias de atraso: desde o passado dia 18 de Abril que estão abertas as candidaturas para o mais recente concurso de ingresso na carreira diplomática. Este ano estarão disponíveis 30 lugares de adido de embaixada e as candidaturas podem ser apresentadas num prazo de 15 dias úteis a contar da data de abertura do concurso. Ao contrário do que aconteceu nas anteriores edições, o Ministério dos Negócios Estrangeiros decidiu prescindir da prova de cultura geral, que tanta polémica provocou. Todas as informações para um dos mais exigentes concursos da administração pública portuguesa estão na página do Instituto Diplomático.

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Coisas da Sábado

Amanhã nas bancas: as novas dietas da moda; Orlando Figueira: o Opus Dei e os amigos de Angola; entrevista a Carlos Coelho; a roleta russa das eleições francesas; as taxas e taxinhas do nosso descontentamento; as ligações suspeitas a traficantes de dois inspectores da PJ; o doente que deixou a fortuna à UNICEF; sete dias a ligar à EMEL… e nada; pais que não vacinam os filhos; as 11 melhores histórias do derby Sporting-Benfica; e duas entrevistas a não perder no GPS: Anthony Bourdain e Rui Horta.  Boas leituras.

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A União Europeia vale a pena?

Sim, vale.

Coisas da Sábado

Hoje nas bancas: os segredos da visita do Papa a Fátima; entrevista a Neill Lochery; como Dias Loureiro escapou às autoridades; a nova imagem de Mário Centeno na Europa; o que Alberto João Jardim diz dos políticos na sua autobiografia; as crianças que levaram Trump a bombardear a Síria; os restauradores de notas queimadas; a cocaína que chegou legalmente num avião da TAP; entrevista de vida a Francisco José viegas; a aventura de Pedro Hipólito na Somália; confissões políticamente incorrectas de duas mães; o planeamento do funeral da rainha de Inglaterra; entrevista a Ricardinho; e muito mais.

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Coisas da Sábado

Amanhã nas bancas: Toda a prova do Ministério Público contra José Sócrates; entrevista a Diogo Medina; Pedro Nuno Santos, o homem que faz funcionar o governo; as leis que deixaram de fazer sentido; a familia que gere a Câmara Municipal do Sobral de Monte Agraço; Rússia, o novo alvo do terror islâmico; os bastidores da venda do Novo Banco; contrabandistas de tabaco acusados pelo DIAP de Lisboa; a polémica fundadora da Cáritas; os truques para aguentar dias inteiros na sala de operações; pré-publicação do livro Peregrinos; a estreia da crónica de João Pereira Coutinho; e muito mais.

Nota: este é o primeiro número liderado pela nova direcção da Sábado, Eduardo Dâmaso e João Carlos Silva. Começa aqui um novo ciclo, que se quer longo. Como escreve o Eduardo no editorial desta semana, “por si e para si, cara leitora, caro leitor, como referência exclusiva do nosso trabalho”.

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Mitos sobre os atentados do Estado Islâmico na Europa

Publicado originalmente aqui.

“O Estado Islâmico reivindica tudo e mais alguma coisa”
Nem por isso. Por norma, o autoproclamado Estado Islâmico (EI) reivindica apenas aqueles atentados com os quais teve algum tipo de ligação, por mais ténue que seja. Normalmente acaba por apresentar provas: geralmente um vídeo dos autores dos atentados a declarar a sua fidelidade a Abu Bakr al-Baghdadi. Foi assim, por exemplo, com Anis Amri, o autor do ataque ao mercado de Natal, em Berlim, ou com os dois terroristas que, em Julho de 2016, degolaram um padre no norte de França. Até agora não foi divulgado qualquer vídeo do género relacionado com o atentado desta quarta-feira, em Londres. Se tal vier a acontecer, poderemos distinguir entre um ataque “inspirado” e um ataque “dirigido”, mesmo que à distância.

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“Estes tipos são uns amadores”
Não importa. A maioria dos atentados ocorridos nos últimos anos na Europa foi realizada por terroristas que nunca estiveram na Síria ou no Iraque mas que se prepararam através da internet. Como tal, não têm a mesma eficácia do grupo que, por exemplo, em Novembro de 2015 realizou os atentados de Paris. No entanto, quase sempre os autores receberam instruções sobre como agir do chamado serviço de informações externo do EI: a Amn al-Kharji. Um relatório da Henry Jackson Society, divulgado esta semana, conclui que 75% dos 148 atentados realizados na Europa e nos Estados Unidos entre 2002 e 2016 foram de alguma forma dirigidos por responsáveis ou intermediários do EI. Apenas 15% (22 ataques) foram cometidos pelos chamados lobos solitários.

“Esta é uma nova realidade”
Nem por isso. Em Setembro de 2014, o então porta-voz do EI, Abu Muhammad Al-Adnani, num discurso áudio partilhado na internet, já apelava a ataques indiscriminados contra cidadãos ocidentais. Pedia-o de uma forma bastante explicita:

“Se não forem capazes de encontrar um EEI [Engenho Explosivo Improvisado] ou uma bala, então ataquem os infiéis directamente – sejam americanos, franceses ou qualquer dos seus aliados. Esmaguem a cabeça [dos infiéis] com uma pedra, cortem-lhes a garganta com uma faca, ou atropelem-nos com o vosso carro, ou atirem-nos de um lugar alto, ou sufoquem-nos ou envenenem-nos. (…) Se não forem capazes de fazer isso, então incendeiem as suas casas, carros ou negócios. Ou destruam as suas colheitas. Se não forem capazes de fazer isso, então [pelo menos] cuspam na sua face.”
A ideia geral era a de que era dever de todos os muçulmanos fazerem a hijra (migração) para o Califado. Todos aqueles que não fossem capazes de o fazer deviam atacar os ocidentais onde quer que estivessem. Desde então que este apelo é repetido incessantemente, seja em discursos, seja nas publicações oficiais do EI.

“A maioria dos terroristas vieram da Síria”
Nem por isso. Pelo contrário. A maioria nasceu na Europa. Khalid Masood, o responsável pelo atentado de Londres, é apenas o último exemplo. Junta-se aos autores dos atentados terroristas de Londres, em 2005; ao responsável pelo ataque ao museu judaico de Bruxelas, em Maio de 2014; ao homem que decapitou o patrão em Saint-Quentin-Fallavier, perto de Lyon, em Junho de 2015; à dupla que degolou o padre da igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray, na Normandia, em Julho de 2016; ao assassino de um casal de polícias na véspera do Euro 2016, nos arredores de Paris; aos responsáveis pelo ataque ao Charlie Hebdo e ao Hiper Cashier, em Paris, em Janeiro de 2015; aos autores dos atentados ao Bataclan, ao Stade de France e a dois cafés de Paris, em Novembro de 2015; e aos suicidas que levaram a cabo os atentados no aeroporto de Bruxelas e na estação de Maalbeek, em Março de 2016.“As polícias e os serviços de informações falharam”
Nem por isso. É fácil apontar o dedo a uma instituição quando algo falha. Sobretudo quando é divulgado que o responsável por um ataque era “conhecido das autoridades”. No entanto, se mais de cinco mil cidadãos ocidentais viajaram para a Síria e para o Iraque, muitos outros ficaram nos países de origem. Seja como apoiantes, seja como voluntários para realizar atentados futuros. É impossível às forças de segurança seguir todos os potenciais suspeitos 24h por dia. Fazê-lo implicaria ter uma equipa de 20 agentes permanentemente dedicada a apenas uma pessoa (com seguimentos físicos e monitorização telefónica e electrónica). A perspectiva é a oposta: com tantos apoiantes, o surpreendente é que não haja mais atentados – e aqui o mérito é das polícias e dos serviços de informações.

“Os terroristas são uns desgraçados com problemas mentais”
É duvidoso. A grande dificuldade do combate à radicalização é que não existe um perfil de um terrorista. Qualquer um pode ser aliciado. Seja um estudante universitário, um adolescente, um desempregado ou um médico. Existem todo o tipo de casos e os mais variados motivos para alguém decidir tornar-se um terrorista. No entanto, existem alguns indícios. Há estudos que indicam que existe uma relação entre a radicalização e o crime. Mais que isso: jovens com problemas com a lei são muitas vezes os alvos preferidos das redes jihadistas que lhes apresentam a radicalização como uma oportunidade de redenção. Nos últimos anos as prisões tornaram-se, com sucesso, autênticos pontos de recrutamento.

“A capacidade de propaganda do Estado Islâmico diminuiu”.
Nem por isso. Apesar de as redes sociais como o Twitter e o Facebook terem encerrado milhares de contas de jihadistas e apoiantes do EI nos últimos anos, elas continuam a surgir. Mais do que isso, os terroristas direccionaram a sua actividade para canais encriptados no Telegram. É aí que as organizações oficiais do grupo terrorista continuam a fazer as reivindicações, a divulgar vídeos de propaganda e é também aí que os apoiantes do EI partilham imagens a apelar a novos atentados. Se dúvidas houvesse em relação à vitalidade mediática do grupo, o atentado de ontem em Londres voltou a recordar que ela está para durar.