Os riscos

Pela boca do José Pedro Castanheira.

O jornalista José Pedro Castanheira alertou para a crise nos media, com despedimentos colectivos, cortes na Lusa e o anúncio de venda de títulos históricos a empresas cujos donos se desconhecem, acarretando “riscos” para a Democracia.

Referindo-se concretamente ao Diário de Notícias, ao Jornal de Notícias e à TSF, José Pedro Castanheira considerou que “a posse destes títulos por grupos estrangeiros ou de empresas cujos titulares se desconhecem pode acarretar riscos para a liberdade de informação e, nesse sentido, para a própria Democracia”.

O jornalista defendeu que um título como o Diário de Notícias “devia ser classificado como património nacional”.

“A semana passada foi especialmente devastadora, com o encerramento de vários títulos, um despedimento colectivo de 50 profissionais, um corte assustador no orçamento de uma agência [noticiosa Lusa] e o anúncio da venda de vários títulos históricos a um grupo não português”, defendeu José Pedro Castanheira.

O Diário Económico avançou na quinta-feira que o empresário Joaquim Oliveira vendeu a Controlinveste, grupo que detém o Diário de Notícias, Jornal de Notícias, TSF, O Jogo e 23 por cento da Lusa a um grupo angolano.

José Pedro Castanheira falava na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, na apresentação da biografia que escreveu do ex-Presidente da República Jorge Sampaio, cujo primeiro volume levou cinco anos de investigação, cerca de 150 entrevistas e a consulta de arquivos em Portugal e no estrangeiro.

O jornalista e antigo presidente do Sindicato dos Jornalistas considerou que “é preciso recuar muitos anos, mesmo décadas, para encontrar uma crise de dimensões semelhantes” na comunicação social portuguesa.

“A instabilidade e a incerteza, são dos piores inimigos do jornalismo. As redacções carecem de um mínimo de tranquilidade para poderem trabalhar e servir bem a opinião pública”, afirmou.

“O bom jornalismo requer tempo para a investigação, memória para a contextualização, qualidade na escrita e na imagem, profissionais cultos, especializados e competentes, uma opinião plural e diversificada, direcções capazes de imprimir uma orientação editorial autónoma”, sublinhou.

Para o jornalista, “é nos momentos de crise que mais se sente a falta dos verdadeiros empresários do ‘métier’, que saibam investir no médio e no longo prazo, que apostem na qualidade, que acreditem no valor supremo que é a liberdade de informação, que privilegiem o diálogo como principal instrumento de gestão dos recursos humanos”.

“Com o desemprego galopante e um sistema de ensino que todos os anos inunda o mercado de jovens jornalistas dispostos a tudo em troca de uma oportunidade, nunca como agora o trabalho teve tanto valor, e como bem escasso que é, provavelmente, o trabalho tem de ser mais partilhado”, sustentou.

“Estarão os governantes, os empresários, as direcções editoriais e as estruturas sindicais, dispostas a um esforço de diálogo permanente para salvar o jornalismo de qualidade, acautelar postos de trabalho, garantir o serviço público e o interesse da opinião pública? Fica a pergunta, para a qual, infelizmente, não tenho resposta”, expôs.

José Pedro Castanheira fez ainda “votos para que o bom senso e o espírito de decência prevaleçam na condução do dossier RTP, reconduzindo a rádio e a televisão do Estado à sua função essencial e insubstituível de serviço público”. (Lusa)

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