A resposta de Angola

Após a publicação, pelo Expresso, de que três figuras próximas de José Eduardo dos Santos – Manuel Vicente, vice-presidente de Angola e ex-director-geral da empresa petrolífera nacional Sonangol, o general Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, ministro de Estado e chefe da Casa Militar da Presidência da República, e o general Leopoldino Nascimento “Dino”, consultor do ministro de Estado e ex-chefe de Comunicações da Presidência da República – estão a ser investigados em Portugal por suspeitas de fraude fiscal e branqueamento de capitais mereceu uma resposta por parte do poder angolano. A via, o editorial do Jornal de Angola.

Jogos perigosos

Camões, faminto de tudo, até de pão, na hora da partida desta vida, descontente, ainda foi capaz de um último grito de amor. Morreu sem nada, mas com a sua ditosa e amada pátria no coração. Ele que sofreu as agruras do exílio e foi emigrante nas sete partidas, escorraçado pelos que se enfeitavam com a glória de mandar e a vã cobiça, morreu no seu país.

O mais universal dos poetas de língua portuguesa deixou-nos uma obra que é o orgulho de todos os que falam a doce e bem-amada língua de Camões. Mas também deixou, seguramente por querer, a marca das elites nacionais que o desprezaram e atiraram para a mais humilhante pobreza. O seu poema épico acaba com a palavra Inveja. Desde então, mais do que uma palavra, esse é o estado de espírito das elites portuguesas que não são capazes de compreender a grandeza do seu povo e muito menos a dimensão da sua História. Nós em Angola aprendemos, desde sempre, o que quer dizer a palavra que fecha o poema épico, com chave de chumbo sobre a masmorra que guarda ciosamente a baixeza humana. A inveja moveu os primeiros portugueses que chegaram à foz do Rio Zaire e encontraram gente feliz, em comunhão com a natureza. Seres humanos que apenas se moviam para honrar a sua dimensão humana e nunca atrás de riquezas e honrarias.

A inveja fez mover os invasores estrangeiros nesta imensa terra angolana. Inveja foi o combustível que alimentou os beneficiários da guerra colonial. Inveja foi o estado de alma de Mário Soares quando entrou na reunião do Conselho da Revolução, que discutia o reconhecimento do novo país chamado Angola, na madrugada de 10 para 11 de Novembro de 1975. Roído de inveja e de cabeça perdida porque a CIA não conseguiu fazer com êxito o seu trabalho sujo contra Angola, disse aos conselheiros, Capitães de Abril: não vale a pena reconhecerem o regime de Agostinho Neto porque Holden Roberto e as suas tropas já entraram em Luanda. Uma mentira ditada pela inveja e a vã cobiça.

A inveja alimentou em Portugal o ódio contra Angola todos estes anos de Independência Nacional. E já lá vão 37! Os invejosos e ingratos para com quem os quer ajudar estão gastos de tanto odiar. Que o diga a chanceler Angela Merkel, que ajudou a salvar Portugal da bancarrota, mas é todos os dias insultada. Recusam aceitar que foram derrotados depois de alimentarem décadas de rebelião em Angola, de braço dado com as forças do apartheid de uma África do Sul zelosa guardiã da humilhação de África.

As elites políticas portuguesas odeiam Angola e são a inveja em figura de gente. Vivem rodeadas de matilhas que atacam cegamente os políticos angolanos democraticamente eleitos, com maiorias qualificadas. Esse banditismo político tem banca em jornais que são referência apenas por fazerem manchetes de notícias falsas ou simplesmente inventadas. E Mário Soares, Pinto Balsemão, Belmiro de Azevedo e outros amplificam o palavreado criminoso de um qualquer Rafael Marques, herdeiro do estilo de Savimbi.

Os angolanos estão em festa pela Independência Nacional. Em Portugal, a nova Procuradora-Geral da República foi a Belém onde deve ter explicado a Cavaco Silva as informações que no mesmo dia saíram na SIC Notícias e no Expresso, jornal oficial do PSD, que fizeram manchetes insultuosas e difamatórias visando o Vice-Presidente da República, Manuel Vicente, que acaba de ser eleito com mais de 72 por cento dos votos dos angolanos. Militares angolanos com o estatuto de Heróis Nacionais e ministros democraticamente eleitos foram igualmente vítimas da inveja e do ódio do banditismo político que impera em Portugal, neste 11 de Novembro, o Dia da Independência Nacional. A PGR portuguesa é amplamente citada como a fonte da notícia. A campanha contra Angola partiu do poder ao mais alto nível. Mas como a PGR até agora ficou calada, consente o crime. As relações entre Angola e Portugal são prejudicadas quando se age com tamanha deslealdade. A cooperação é torpedeada quando um ramo mafioso da Maçonaria em Portugal, que amamentou Savimbi e acalenta o lixo político que existe entre nós, hoje determina publicamente o sentido das nossas relações, destilando ódio e inveja contra os angolanos de bem. Da boca para fora, são sempre amigos de Angola e dos angolanos, da Alemanha e dos alemães. Enchem os bornais de dinheiro, à custa de Angola, comem à custa da Alemanha. Sobrevivem à miséria, usando como último refúgio a antiga “jóia da coroa”, feliz expressão do capitão de Abril Pezarat Correia. Mas na hora da verdade, conspiram e ofendem angolanos e alemães, usando a sua máquina mediática.“De sorte que Alexandre em nós se veja,/ sem à dita de Aquiles ter inveja.” Estes são os dois últimos versos de Camões no seu poema épico. Os restos do império, que estrebucham na miséria moral, na corrupção e no embuste, deviam render-se à evidência. Angola não é um joguete! Nós somos Aquiles! Tão grandes e vulneráveis como ele. Mas não tenham Inveja do nosso êxito, porque fazemos tudo para merecê-lo.

 

10 thoughts on “A resposta de Angola

  1. Sou português,fiquei chateado com o comentário,mas sou obrigado a concordar…A inveja desses políticos desqualificados,é evidente…Parabéns aos angolanos por esta data que agora comemoram.

  2. O que para aqui vai! Angola terra maravilhosa, de gentes maravilhosas não merece tais editoriais. Em Portugal os jornalistas também estão vendidos, infelizmente. Quando não obedecem “à voz do dono” são despedidos, mas em Angola são presos, torturados ou mesmo mortos. Correto?

    Lisboa

    • Caro “João o Invejoso”, sou jornalista e até agora nunca encontrei “jornalistas vendidos” ou que tenham sido “despedidos por não obedecerem à voz do dono”, pelo contrário. Agradeço que seja concreto nos comentários

      • 1. O jornalista e comentador do programa ‘Zona Mista’ celebrou o golo da vitória do Benfica e … [dispensado de imediato e posteriormente readmitido tal foi escândalo]
        http://www.dn.pt/inicio/tv/interior.aspx?content_id=2401007&seccao=Televis%E3o

        2. Uma crónica crítica em relação a Angola, do jornalista Pedro Rosa Mendes, terá levado a RDP a acabar com o espaço de opinião “Este Tempo”, da Antena1.
        http://www.publico.pt/Media/rdp-acaba-com-espaco-de-opiniao-que-serviu-de-palco-a-criticas-duras-a-angola-1530455

        3. O semanário “Sol” dispensou cinco jornalistas dos quadros da empresa e não renovou o contrato a cinco outros. Ao contrário do que o diretor prometera.
        http://expresso.sapo.pt/jornal-sol-dispensa-jornalistas=f752828

        4. Publicação da Sonaecom avança com reestruturação. Dos 48 trabalhadores que serão dispensados 36 são jornalistas.
        http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=583317

        ————————————-

        Caro ntp, mais exemplos basta procurar no google. Reconheço que a palavra “vendidos” poderá ser forte, Troque então e por favor “vendidos” por “isentos”.

        Perante esta onda avassaladora de despedimentos considera que o trabalho de um jornalistas português, hoje, será totalmente isento?

        Contudo e mormente os problemas de isenção no jornalismo português actual, felizmente que não são comparáveis aos problemas de Angola. Tivemos sim com Salazar e durante 40 anos os mesmos problemas, mas foram resolvidos em 1974.

        Felicidades para Angola. Felicidades para Portugal. São os meus desejos.

        João em Lisboa

      • Caro João,
        Os despedimentos no Sol e no Público são terríveis para ambos os jornais. Mas não aconteceram como retaliação a qualquer notícia publicada.
        Em relação ao João Gobern, ele está ali como comentador, não como jornalista, há uma diferença.
        Apenas em relação ao Pedro Rosa Mendes lhe dou razão. Mas, mais uma vez, era um espaço de opinião.
        O trabalho dos jornalistas portugueses pode ter muitos defeitos e incorrecções. Mas não conheço nenhum que tivesse a informação da existência de uma investigação a altas figuras do estado angolano que não a publicasse. O problema não está no mensageiro. A questão é saber se as suspeitas têm fundamento. E isso é algo que veremos em breve.
        Um abraço
        NTP

  3. Caros irmãos Angolanos . Eu sou guineense. vcs tem que perceber uma coisa, os portugueses estão simplesmente a mostrar os seus curto níveis politico,social e cultural. porq portugal também comparando com EUROPA não ” euro-espera” é um piolo no corpo da EUROPA. O mario soares quando mataram o NINO VIEIRA . Esqueceu esqueceu que ele .é um europeuzinho desse “”O NINO VIEIRA FOI VIOLENTO E MORREU DE FORMA VIOLENTA ” Quer dizer gostou do acontecido ou não estava contra. mas a Guine é um estado de direito apesar dos pesais nao podemos em nenhuma circunstancia apoiar coisas do género…… Portanto um grande símbolo de portugal mostrou o seu nível é basta…………………………..

    • Amigo Valodia, não acredite no editorial. São problemas entre Angolanos e Portugal como mensageiro “foi morto”. Percebeu?

      Meu caro, acredite que em Portugal todos nós gostamos dos angolanos, dos guineense, dos cabo verdianos …

      Cada um que resolva os seus próprios problemas e que não impute a terceiros dores que à muito deveriam de estar saradas.

      • Pois, todos vós gostam “dos guineense”! Isso será do acordo ortográfico!?
        Então toma lá: “Me engana que eu gosto”!
        P.S.: Deviam respeitar a Guiné-Bissau por ter sido a base fundamental para a vossa tão aclamada “Revolução de Abril”! Sim, falo do 25 de Abril, Claro!
        Se deixei alguém confuso, que siga um esboço que envio brevemente para publicação no “Ditadura do Consenso”.
        Bem-haja,
        De um cabralista.

  4. Pingback: As elites portuguesas dinamitadas em Angola | O Informador

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