O que eu vi e ouvi nas ruas de Lisboa

Vi policias a serem apedrejados durante uma hora. Vi miúdos de cara tapada a insultarem a PSP. Ouvi um pedido para haver civismo e bom comportamento. Vi um petardo rebentar no escudo de um agente. Vi dezenas de polícias a correr na minha direcção de cacetete em punho. Vi os tais miúdos de cara tapada a fugir para as ruas à volta da Assembleia da República. Vi pessoas mais velhas que não conseguiram fugir. Vi agentes descontrolados. Vi homens a sangrar da cabeça. Vi senhoras caídas no chão.

Vi os mesmos miúdos a continuarem a apedrejar a polícia. Ouvi agentes com um ar nervoso a implicar com mulheres que passavam na rua. Vi polícias a falar agressivamente com pessoas que estavam a sair do trabalho. Vi espanhóis, italianos e um grego a tentar organizar os distúrbios. Ouvi ordens num português mal amanhado. Vi estudantes universitários a cortar a Avenida D. Carlos com caixotes do lixo e ecopontos. Vi-os a incendiá-los. Ouvi os mesmos desordeiros a pedir cuidado com os carros. Vi um tipo com uma navalha “ponta e mola” a furar os pneus de todos os automóveis estacionados por que passava.

Vi um adolescente a destruir a Caixa Geral de Depósitos. Vi arquitectos, professores e “artistas” (sim, perguntei-lhes o que faziam) a apedrejar a polícia. Vi bombeiros a tentar apagar os fogos. Vi menores de idade a arrancar sinais de trânsito e a destruir mupis com anúncios do McDonalds. Vi um casal a enrolar um charro junto às fogueiras. Vi um espanhol a fugir quando percebeu que a polícia estava a cercar os desordeiros na Av. 24 de Julho. Vi desordeiros a trocar informações ao telefone sobre a localização da PSP.

Vi polícias à paisana a correr junto ao rio. Vi adolescentes encostados ao gradeamento da estação do Cais do Sodré e algemados junto ao passeio. Ouvi a PSP a organizar equipas para procurar os grupos responsáveis pelos desacatos. Vi os agentes a cercar os últimos manifestantes no Cais do Sodré. Vi dezenas de incêndios nas ruas de Lisboa. Vi as escadas da Assembleia da República cobertas de pedras, latas e garrafas. Vi que algo muito pior está para vir.

21 thoughts on “O que eu vi e ouvi nas ruas de Lisboa

  1. Concerteza que este não é o caminho,mas como se tira de lá a corja de abutres ladrões? Os seres humanos que estão debaixo das fardas têm que fazer algo,o futuro dos seus filhos também depende disso!

  2. é muito mais fácil o povo culpar a policia do que ele mesmo se culpar. acho engraçado que a senhora que conta essa historia diz que foi vitima e viu as pessoas serem vitimas da policia. mas no videos que tem em cima postado por alguem, mostra uma outra realidade. acho engraçado que é mais fácil ao povo culpar a policia por eles mostram a cara ao publico e assim sendo é fácil de culpar, enquanto o povo COVARDE esconde o corpo todo e até mesmo os olhos é quase mpossivel de ver. Aposto que se esse POVO COVARDE nao tivesse arremessado as centenas de pedras na policia que arrancou da calçada, se nao tivesse vandalizado pelas ruas pegando fogo nos lixos, destruindo a propriedade de pessoas inocentes, eu tenho certeza que a policia nao tinha feito o que fez. e digo mais, todo esse vandalismo É SEMPRE, MAS SEMPRE ORGANIZADO. e chega mesmo ao cumulo de ser organizado por pessoas de outros paises. Eu nao estou a defender a policia nem nunca defendi, mas sou a favor da BOA VERDADE. só tenho pena que aqueles vandalos que deram encentivo a toda aquela violencia, nao tenham apanhado mais e terem sido colocados para queimar junto com os contentores de lixo que eles encendiaram. No video até aparece um PORCO MISERAVEL com uma garrafa de gasolina a atiar o fogo. Me digam muito sinceramente, isso é culpa da policia?

    • caro amigo…o que vi foi uma duzia de teenagers organizados, que se aproveitaram de uma manifestação para mostrar a sua rebeldia para com a policia e para com a sociedade…e tem voçê a lata de chamar POVO????? não tem olhos na cara?

      • Se não pertencem ao povo…a quem pertencem? E quem é o povo? São só pessoas correctas, com valores morais e uma cidadania imaculada? Desconhecia que, para alguém ser considerado do “povo”, tinha de ter certos requisitos tão específicos. Aposto que não era o dono de nenhum dos automóveis danificados pelos “teenagers organizados”…senão duvido que caracterizasse de “rebeldia” aquilo que andaram a fazer…

  3. Viu tudo isso como eu vi, mas pergunto-lhe: viu também quando a polícia atacou idosos e idosas e crianças e manifestantes pacíficos e meros transeuntes encurralando-os junto ao muro no fim do largo ao pé da travessa da peixeira? viu que a única hipótese era saltar ou levar cacetadas independentemente de estar ou não a ameaçar quem quer que seja? viu pessoas caídas no chão por tentarem fugir e/ou levarem cacetadas e a polícia continuar a bater? se não viu, então não esteve no mesmo sítio que eu.

    Condeno que se atirem pedras e garrafas e petardos à polícia e muito me esforcei para demover esses inergumenos cobardes de cara tapada. Tal como discordo dos distúrbios e vandalismos que se seguiram e considero que os responsáveis por tais desacatos. Mas as detenções têm de ser legais, sem coacção para assinar papéis em branco e não permitir que os detidos contactem um advogado como alegadamente aconteceu. E muito menos é justificável que a polícia carregue indiscriminadamente sobre toda a gente.

    Se lá estava saberá também que grande parte dos manifestantes não agiu dessa forma revoltante e que quem estava longe da linha da frente nã poderia ouvir qualquer aviso. Tal como qualquer pessoa conseguirá perceber que avisar que se vai intervir não significa legitimidade para bater em tudo o que mexa. Tal como é curioso que uma polícia tão treinada para controlar manifestações e para isolar elementos desordeiros e com polícias à paisana não tenha tentado fazê-lo como já vi fazer em outras manifestações.

    Assim, o que me interessa é que seja feita justiça e que os arruaceiros sejam condenados e a intervenção policial sujeita a inquérito.

    E não, não aceito que toda a gente seja metida no mesmo saco, nem de um lado nem do outro. E não, não aceito que não se apure o que realmente aconteceu de forma imparcial. E parece-me que essa reivindicação é legítima.

    E com todo este circo se esquece o mais importante no meio de tudo isto: o que motivou a greve geral e a manifestação pacífica.

    • Claro que vi. Também eu tive de fugir apesar de ter ouvido o aviso da polícia. Fiquei porque era o meu dever. E tem toda a razão: os motivos da greve e da manifestação ficaram esquecidos. E de quem é a culpa?

    • Alguem que apresenta bom senso e coerencia.
      eu ate arrisco a ir mais longe , esta atitude da policia sofrer durante 1 hora com pedras arremesadas por meia duzia de pessoas , foi tempo suficiente para por cobro a situação. apenas este esquema bem montado serviu para dividir o povo, quando se começava a unir , e jamais podemos admitir que um aviso sirva para agredir pessoas, e que as coisas sao simplesmente assim e nao olham a quem, para mim sao pessoas com probelmas graves!!

    • Ana!
      Quem lá ficou foram os mirones, aqueles que gostam de ver desacatos, que se deleitam cm qualquer pinga de sangue. A manifestação da CGTP há muito que tinha acabado e já tinha dispersado. Quem são os pais que levam cianças e ali ficam a ver o vandalismo? A isto chamo “child abuse”. Já pensaram nos nervos de aço que estes polícias tiveram? Já pensaram nas famílias destes polícias?
      Ali não se tratava de um qualquer filme de índios e cowboys, mas de uma realidade. Era previsível, durante uma hora e meia era mais que previsível que, se aqueles bravos encapuzados e tímidos, a polícia seria obrigada a carregar. É para isso que ela serve; para repôr a ordem pública.
      Quem se “pôs a jeito”, pode ter levado.
      É o que dá o voyeurismo…

  4. Ou seja, és deus e viste tudo.
    Com o que se passa neste pais,o que é importante é falarem sobre atirar pedras aos policias.
    Policias a defenderem os criminosos,incompetentes que afundaram, e afundam diariamente o nosso pais.
    Afinal para o que serve a policia? para servir? para agir na justiça?
    Este pais não tem justiça (tem só para alguns), e posso ate lhe dizer que as pessoas que foram capturadas pela policia nesse dia, não vão ter direito a advogado.
    Mas o que falam é da policia a levar com pedras, e a bater em tudo e todos.
    Sabe os direitos de um ser humano? como pode ver neste pais não temos esse direito.
    Continuem a defender quem vos rouba, e ajudem a a imprensa a tapar com estas noticias o que se passa.
    No dia que todos sentirem bem a serio que estão a ir ao bolso, eu quero ver a Policia, sabendo que não temos nada a perder.
    Sou totalmente contra a violência, e concordo que a policia tenha agido, e quem la ficou, só ficou porque quis, pois foram avisados, e nao iam andar a perguntar, “olhe atirou pedras?”.

  5. É curioso.
    Todo o mundo fala dos cobardes, dos apedrejadores, dos velhos, do povo, dos policias, dos avisos, da carga policial, etc…
    Mas ninguém fala de quem foi o causador da manifestação.
    Afinal, se tudo estivesse bem, teria havido manifestação?
    Os manifestantes estavam lá… porque alguém que se esconde atrás da autoridade “estado” anda a fazer mal, muito mal mesmo, a todo um povo que ali se encontrava representado, bem por uns mal por outros.
    A exploração da violência mostrada nas TV’s, onde só apareceram os efeitos maus, não mostraram as más causas que a tudo aquilo levaram.
    Enquanto se continuar a eleger gente que ninguém sabe quem é (por acaso conhecem 2 terços dos deputados presentes na assembleia?) (por acaso sabem o que de bom já houveram feito pelo “povo” /”sociedade” antes de serem eleitos?), isto nunca vai funcionar.
    Levar gente a governar a nação que nunca deu provas de nada não resulta hoje e não vai resultar nunca.
    Não é por se dizer que “eu sei governar” que se sabe.
    Esta nação precisa de “ESTADISTAS” e não de gente dos partidos.
    Existem para cima de 360 mil pessoas na “MISÉRIA” neste País.
    Não é no limiar da pobreza. É na miséria mesmo.
    Ontem foram pedras e petardos… a continuar assim… amanhã vai ser bem pior.
    Ninguém é apologista da violência mas… a barriga vazia ou cheia de restos dos lixos… levará a situações bem piores.
    Os próximos capitulos pelo que se vai vendo nas grandes cidades, se as coisas não mudarem, esão aí à porta.

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    • Boa tarde caro José Serrão.
      Posso garantir-lhe que este blogue não é amigo de ninguém e muito menos faz propaganda por encomenda para quem quer que seja.
      De qualquer forma, obrigado pelo seu comentário.
      NTP

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