Insultos a Portugal continuam no Jornal de Angola

A campanha e os insultos a Portugal e aos portugueses continuam em força no Jornal de Angola. Depois do editorial e dos artigos de opinião do director, José Ribeiro (aqui e aqui), no passado dia 28 de Novembro, foi publicado um novo texto, desta vez assinado por um Rui Ramos que, entre outras coisas, acusa os portugueses de “racistas”, classifica-os de “desgraçados”, “miseráveis”, “candongueiros” e dedica especial atenção a Pacheco Pereira (o “Pereirinha gorduxoso e esquisito”) e a Ana Gomes (“uma gaja de Sintra que está bem instalada na Europa e vem aqui cuspir perdigotos”). Sendo o Jornal de Angola o órgão oficial do MPLA, o partido no poder, estas sucessivas críticas e acusações assumem especial relevância no relacionamento entre os dois Estados. No entanto, não se conhecem reacções por parte das autoridades portuguesas. Fica aqui o texto em questão:

“Privilegiados contra desesperados

28 de Novembro, 2012

 

Milhares de portugueses desesperados formam diariamente filas intermináveis nos Centros de Emprego e outros largos milhares ainda é noite e lá vão para Alcântara na tentativa esperançosa de conseguir um visto para Angola, a nova Terra da Promissão.
O povo português é tradicionalmente um povo pobre, povo de olhar o chão para ver se encontra centavos, tostões ou cêntimos. Mas de repente votou num poder que lhe abriu as portas do paraíso artificial. Desatou a contrair empréstimos para comprar primeira, segunda e terceira habitação, carros para cada membro da família, computador para cada membro da família, cão para cada membro da família, um telemóvel por cada operadora para cada membro da família.
Os bancos fizeram o seu trabalho de casa, deram empréstimos a cada membro da família, deram cartões de crédito, cinco para cada membro da família, até bebé tem cartão de crédito e empréstimo bancário em Portugal.
Narizes empinados, até pareciam ricos. Parecia que estavam a crescer, a subir. Tinha até motorista de autocarro 463 que não parava na paragem quando trabalhadora cabo-verdiana tocava. Trabalhar para pretos?
Menina mais castanha era chamada de “suja”, vai para a tua terra. Presidente da Câmara de Lisboa apanhou sol desde os tempos dos avós e muitas pessoas chamavam-lhe “o preto da Câmara”. Gostam muito de chamar “pretinho”, gostam mesmo.
De repente acabou a teta da loba, secou, voltou ao que era, como sempre foi: país muito pobre. Quase dois milhões no desemprego para o resto da vida. Prosperam negócios ilegais, nas cervejarias trafica-se droga na cara da polícia, à luz do dia assaltam-se pessoas e supermercados impunemente, a polícia diz que não pode fazer nada.
Então chegam notícias, não de Preste João, mas da teta angolana: tem leite enriquecido.
Chiu, não chama mais preto, eles não gostam e não te dão visto. E então a procissão de nossa senhora da esperança avança para Alcântara, enche o passeio como uma jibóia. Marcam lugar, vão rápido no bar, menina, uma bica bem escura, eu não sou racista. Na bicha só se ouve “eu não sou racista, nunca fui, eu nunca chamei preto a ninguém, acho que me vão dar visto…
Esses são os desgraçados, arruinados, miseráveis de um país no abismo. Outros vivem desses. Os candongueiros, os fugitivos dos impostos, mas também os intelectualóides que já foram paridos com um livro na mão. Passam lá de madrugada quando voltam para casa e ao verem aquela bicha espumam como cão vadio, põem cara de podre e murmuram “pretos da merda”, passam na bicha e trombeiam “aquilo lá é uma ditadura, os chineses comem pessoas…”.
Ninguém liga a esses pereiras gayvotas de rabo gordo. Depois quando acordam a meio da tarde voltam lá – e lá está a bicha – outra bicha interminável, para recolher os vistos, os intelectualóides trombilham de novo, despenteados, casposos e com a boca suja (intelectualóide lusitano não lava os dentes): “ide lá, ide, ide lá fazer filhos mulatos…”
Derrotada em Sintra, à beira da exaustão nervosa, depois de três horas no IC19, Ana Gomes chega a Alcântara e fala de longe aos desesperados de migalhas: “Eu sou amiga de Angola, eu nunca falei mal de Angola, quem falou mal foi o doutor Pacheco Pereira, eu nunca fui à Jamba, eu nunca vi o Savimbi, eu não pus nome de Savimbi no meu filho, quem pôs foi o João…” Os zombies lusitanos não a ouvem, nem a ela nem ao tal Pereira, os ciumentos, os despeitados, os preconceituosos, os vozinhas finas, cheios de raiva por causa daquelas bichas longas, cada pessoa que ali chega desesperada que chega à bicha é mais uma cárie naqueles dentes sujos: “não, não, não estão a chegar mais, doutor, diga-me que não estão a chegar mais…”.
Quem chega atrasado à interminável bicha diária e não ouviu, pergunta quem é aquela nervosa com aqueles tiques esquisitos. Um desesperado lhe diz, desinteressado: é uma gaja de Sintra que está bem instalada na Europa e vem aqui cuspir perdigotos gozando connosco, como aquele Pereirinha gorduxoso esquisito que brinca com a nossa miséria.
Então o desesperado alcança a porta e uma luz se abre, chora de alegria pela primeira vez há muito tempo, sai do mundo escuro dos mortos e entra no mundo luminoso da esperança.”

@Lusa

@Lusa

13 thoughts on “Insultos a Portugal continuam no Jornal de Angola

  1. Para quê tanto ódio?
    Quem lhe fez mal sr. Rui Ramos?
    É a incitar ao racismo, ao ódio, fazendo afirmações terriveis sobre todos os portugueses que teremos uma vida melhor? Não sei escrever bonito mas ao ler este editorial a tristeza de sentir que ainda há muitos espíritos empedernidos, injustos e maldizentes tomou conta de mim.
    Quem sou eu? Ninguém!
    Namastê para si

  2. Bom, em nada se pode comparar este aos textos de José Ribeiro, que polémicas (muito) aparte, consegue dar um parecer fundamentado.
    Este é um amontoado estranho de frases! Não entendo a sua razão de ser, não entendo a visão que quer expôr, não entendo o conceito, nem sequer o objectivo de quem o escreve, acima de tudo não entendo o chorrilho de ofensas. É um texto confuso, atabalhoado. Um texto cujas pretensões literárias e poéticas se transformam numa espécie de lamúria, velha, angustiada, frustrada e convulsiva. É um texto, sem dúvida, movido por alguma antipatia contra os portugueses (?), Portugal (?), Pacheco Pereira (?), Ana Gomes (?) e decerto o Sr Rui Ramos terá as suas razões para tanto queixume. Mas essas razões não se entendem, nem sequer e descodificam porque este é um texto doente na sua génese. Diria mesmo, bipolar.
    Li duas vezes para ter a certeza de que algo me tinha falhado. É provável que seja de mim, mas não percebi patavina e, gostava muito, que alguém mo explicasse. De preferência o autor…confiando que quem escreve sabe o que faz, claro!

  3. Pensava que o “Jornal do Crime” era dos piores exemplos de mau jornalismo alguma vez visto, mas afinal, parece que há pior. Pois um jornal que deixa passar um “artigo” como este, apesar da liberdade de expressão dever vingar, só pode mesmo ser pior.

    O Snr. Rui Ramos, ou não vive em Angola ou é rematadamente estúpido.

    Talvez deva ir a um hospital público angolano onde crianças morrem desnecessariamente só porque certas vacinas (cá, ainda felizmente gratuitas) não lhes são ministradas porque custam 250 dólares, um valor que só está ao alcance dos ricos.
    Com certeza este senhor ainda não se apercebeu que Luanda é um descomunal bairro de lata, sem saneamento básico, por exemplo.
    E quanto a negócios fraudulentos, corrupção e abismo social é melhor mesmo nem se tocar no assunto.
    Os “pobretanas” dos portugueses que querem ir para Angola têm de ter 2500 euros numa conta bancária para conseguirem um visto. Provavelmente será realmente uma “miséria” se compararmos com o que o Snr. Rui Ramos aufere no Jornal de Angola para escrever alarvidades como esta.
    Os “pobretanas” dos portugueses que vão para Angola, vão muita vez, para cargos que o país do Snr. Rui Ramos, tantos anos após a descolonização, não conseguiu formar pessoas capazes de os ocupar.

    Infelizmente (ou diria antes desavergonhadamente) há por cá vários “portugueses” sem honra que pretendem vender partes deste país a gente (muito provavelmente) similar ao Snr. Rui Ramos. E isso mete-me nojo, como Português !

  4. Seguramente que nos esquecemos, ou fazemo-lo propositadmente, de que Angola deixou para trás quarenta anos de guerra, a colonial e a civil. Que se saiba ambas deixaram profundas e terríveis feridas, muitas delas nunca fechadas devido a algum sal e cianeto para lá atirado por alguns portugueses ressabiados por grandes percas! Não será realmente com ofensas aos portugueses que a situação melhora, pelo menos do lado de cá. Mas as dores, as canalhices e os tratamentos antigos por lá deixados e que geraram os ultimos quarente anos, vão ser para já difíceis de esquecer no prazo de tempo que todos nós gostaríamos. Convém não continuar a utilizar a mesma cartilha se não quisermos receber as ofensas que não gostamos. Não estamos em situação de nos arvorarmos em moralistas, coisa que não somos. E atenção aos duzentos e tal mil compatriotas nossos a receberem aquilo que por cá não têm direito.

  5. Pingback: O cinismo das relações entre Estados | O Informador

  6. Pingback: A narrativa de Eduardo dos Santos e as muitas questões que ficaram por fazer | O Informador

  7. Pingback: A “reciprocidade” segundo o Jornal de Angola | O Informador

  8. Este artigo é vergonhoso. Qual é o problema deste Senhor com os Portugueses ? Conhece a História de Angola ? Só tenho pena que os tais desgraçados que estão na Bicha em Alcântara não possam ler este artigo antes de partir…é de facto uma amostra do que infelizmente existe em Angola, e de que são vítimas especialmente os próprios Angolanos. A publicação no Jornal de Angola é um insulto grave aos emigrantes em geral e aos Portugueses em particular feita com crueldade e refinada maldade ética e moral. Indigno duma publicação oficial escrita na nossa língua.

Deixe uma Resposta para Guilherme Morgado Cancelar resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s