Noam Chomsky e Tariq Ali debatem o futuro do planeta

Hoje, no décimo primeiro episódio desta série, Julian Assange entrevista o intelectual norte-americano Noam Chomsky e o historiador paquistanês, Tariq Ali. Os três conversam sobre as recentes mudanças políticas no planeta e analisam a direcção em que estamos a caminhar. O Mundo Amanhã é uma produção do WikiLeaks em colaboração com o canal Russia Today. Estas entrevistas são transmitidas por O Informador em parceria com a Agência Pública.

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Por Agência Pública

Ninguém poderia tê-las previsto. Mas ainda com o mundo sob o efeito das revoluções no Médio Oriente, Julian Assange reuniu-se com dois pensadores de peso para saber o que eles pensam sobre o futuro.

Noam Chomsky, conceituado linguista e pensador, e Tariq Ali, romancista de revoluções e historiador militar, encontram na Primavera Árabe questões sobre a independência das nações, a crise da democracia, sistemas políticos eficientes (ou não) e a legião de jovens activistas que se tem levantado em protesto por todo o mundo. ”A democracia é como uma concha vazia, e é isso que está a revoltar a juventude. Ela sente que, faça o que fizer, vote em quem votar, nada vai mudar. Daí todos esses protestos”, explica Ali.

“O que temos na política ocidental não é extrema esquerda nem extrema direita. É um extremo centro”, continua. “E esse extremo centro engloba tanto o centro-direita como o centro-esquerda, que concordam em vários fundamentos: travar guerras no exterior, ocupar países e punir os pobres, através de medidas de austeridade. Não importa qual o partido no poder, seja nos Estados Unidos ou no mundo ocidental…”

Segundo o próprio Tariq Ali, a grande crise da democracia está nas mãos das corporações. “Quando você tem dois países europeus, como a Grécia e a Itália, e os políticos a abdicar e a dizer ‘deixem os banqueiros comandar’… Para onde isso está a ir? Nós estamos a testemunhar a democracia a tornar-se cada vez mais despida de conteúdo”, critica o activista.

Mas após as revoluções, as conquistas vêm da construção de novos modelos políticos. Noam Chomsky cita a Bolívia como exemplo. “Eu não acho que as potências populares preocupadas em mudar suas próprias sociedades deveriam procurar modelos. Deveriam criar os modelos”. Para ele, a chegada da população indígena ao poder político através da figura de Evo Morales está a repetir-se no Equador e no Peru. “É melhor o Ocidente captar rápido alguns aspectos desses modelos, ou então ele vai acabar”, alerta Chomsky.

Por outro lado, segundo Tariq Ali, está na mãos dos jovens perceber a necessidade de agir. “Não desistam. Tenham esperança. Permaneçam cépticos. Sejam críticos com o sistema que nos tem dominado. E mais cedo ou mais tarde, se não for essa geração, então nas próximas, as coisas vão mudar”.

Veja a entrevista a seguir, ou clique aqui para fazer o download do texto na íntegra.

2 thoughts on “Noam Chomsky e Tariq Ali debatem o futuro do planeta

  1. Mais importante que ver o panorama e as suas ramificações é entender as possibilidades futuras. Séculos volvidos no planeta Terra, a realidade é, em linhas gerias, o que sempre foi. Sendo assim, um mau momento é e continua a ser o que sempre foi: um mau momento. No entanto, são as consequências dum mau momento e a sua sucessiva repetição que nos deve deixar em alerta. Um mau momento é um aviso, pois é composto, em iguais partes, de obstáculos e oportunidades. A mais importante das oportunidades, que não se deverá jamais desperdiçar, é retirar lições de TUDO quanto nos rodeia.
    Esta conversa e todas as que lhe antecederam compreendem um conjunto de lições interessantíssimas – quer se concorde ou não com os intervenientes – e, por isso, é em si mesma uma oportunidade.
    Sendo assim, destas conversas são estas as lições que retiro:
    A primeira lição é de que vivemos tempos de consciencialização individual. As nossas vidas contam. Viver dignamente não é um luxo, mas um direito contemplado na Carta dos Direitos Humanos. Mas viver dignamente pressupõe responsabilidade e o Estado não é (e nem lhe devemos permitir que seja) uma mãezinha sempre pronta a dar a mama a todos os seus bébés. As dores de crescimento moem o esqueleto, mas o Homem tem de se fazer Homem.
    A segunda grande lição a retirar destas conversas, é a de que o medo mata. E um Homem com medo é um Homem morto.
    Obrigada pela partilha destas conversas!

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