O deputado que podia trabalhar no eléctrico 28

Lembro-me como se fosse ontem. Pouco depois da hora de almoço a Maria Henrique Espada e o Fernando Esteves voltaram à redacção da Sábado. Tinham saído para entrevistar o deputado do PS Ricardo Rodrigues que nas ultimas semanas “brilhara” numa comissão parlamentar de inquérito. Quando voltaram, fiz a pergunta do costume, provavelmente sem tirar os olhos do computador.

– Então, correu bem?
– Êh, pá. O gajo foi-se embora a meio da entrevista.
– A sério?
– Sim. Mas melhor. O gajo roubou-nos os gravadores.
– Ya, hãhã. Foi mesmo isso. Conta lá como correu.
– A sério. O gajo levou-nos os gravadores quando se levantou e nem reparámos. Só quando os íamos parar é que percebemos.

Até aí não estava a acreditar no que me diziam. Eles também não conseguiam dizer o que tinha acontecido com uma cara séria. Talvez isso tenha ajudado. Mas a verdade é que um dos episódios mais surrealista do jornalismo português tinha acontecido as pessoas que se sentam ao meu lado na redacção. Foi em Maio de 2010. Então o porquê deste post? Porque o Fernando Esteves conta aqui todos os pormenores da conversa. O lado que só ele e a Maria Henrique Espada viveram.
Desde então o deputado Ricardo Rodrigues foi julgado e condenado por atentado à liberdade de imprensa. Mas continua a exercer funções na Assembleia da República como se nada fosse. Pior: pertence à Comissão Parlamentar para a Ética, a Cidadania e a Comunicação. É por casos destes que todos temos direito à indignação. O PS também tem os seus Relvas.

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