Concurso diplomático: restam 38 candidatos para 20 vagas

Na passada sexta-feira foram anunciados os resultados das provas de português e inglês no concurso de ingresso na carreira diplomática. Dos 50 que entraram nas salas do Palácio das Necessidades, 12 não obtiveram, pelo menos, 14 valores num dos exames e, por isso, foram excluídos da próxima etapa. A divulgação dos resultados coincidiu com a explicação para a presença de 50 candidatos nas provas, em vez dos 44 que tinham sido anunciados como aprovados no exame de cultura geral: os seis apresentaram um recurso hierárquico que foi despachado favoravelmente pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros a 16 de Maio – dois dias antes das provas de português e inglês. É interessante constatar que, destes, quatro foram agora excluídos. O próximo exame, de conhecimentos, realiza-se no próximo dia 7 de Junho, uma sexta-feira.

Nota: inicialmente, este post dava conta de que tinham sido excluídos 13 candidatos e que, por isso, restavam 37. Os números foram corrigidos depois de alertado por um leitor para o erro. A todos, as minhas desculpas.

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14 thoughts on “Concurso diplomático: restam 38 candidatos para 20 vagas

  1. Absolutamente patético dar menos de quinze dias aos candidatos restantes para estudarem as matérias da prova escrita mais difícil de todas. Se bem me lembro, no último concurso o prazo era bem maior.

    O medo de que o Governo caia e que o próximo MNE venha a anular o concurso (lixando o pessoal da cunha) é muito, é. Para mais que quem entrar ainda pode ser exonerado.

    Espero que também nesta fase algum candidato excluído tenha interposto uma reclamação.

    • Meu caro,

      A esta hora já há processos judiciais em curso nos tribunais administrativos. Não vale a pena fazer contra-relógio ou estar na ideia de que com o passar do tempo “já não toca nada”. Estas 44+6 cunhas não percebem nada de Direito, nem de retroactividade. Destrói-se tudo se o concurso for anulado (menos a incompetência claro).

      O sr. das feiras está metido nisto até ao tutano e se as televisões estiveram caladas até agora é por cumplicidade, até porque acho que as televisões deixaram de estar ao serviço da verdade pública, da transparência e dos cidadãos para estar ao serviço dos interesses mais perversos.

      Só que isto pode mudar esta semana ou na próxima… está na hora de tirar a limpo esta história mal contada e de haver responsabilidades.

      • *** Correção: ao serviço da verdade pública, da transparência e dos cidadãos e não ao serviço dos interesses mais perversos

      • Folgo em saber as notícias que aqui deixa, caro João Bento. Quanto ao Nuno Pinto, elogio (novamente) a sua dedicação em continuar a dar notícias sobre este concurso, visto que mais ninguém o faz, pelo menos que eu saiba.

        Sim, a ideia de contra-relógio é evidente, que, a não ser que toda aquela gente esteja exclusivamente dedicada ao concurso, aquelas matérias são demasiado importantes e exigentes para serem “condensadas” em apenas duas semanas.

        Pelo que li na página do MNE, chumbou mais gente na prova de português do que na de inglês. Estranho, visto que costumava ser ao contrário.

        Mistérios.

  2. Sou candidato e sem cunha, mesmo que não se acredite nesta “narrativa”. Do lado de “cá”, acreditem o Nuno e os restantes comentadores que estudar os temas, para quem não teve possibilidade de frequentar um curso de preparação e para quem trabalha, equivale aos 12 trabalhos de Hércules. Daí estranhar muito o curto intervalo para as próximas provas. Ou o objectivo é acelerar para garantir um status quo qualquer, o que não faz sentido, até pelo que já foi referido acima ou, o poderá ser para que o concurso fique o mais rapidamente possível deserto e se tenha que reiniciar. Certo, certo é que acredito que a larga maioria dos candidatos, como eu, se interrogue se vale a pena continuar.

    • ” Certo, certo é que acredito que a larga maioria dos candidatos, como eu, se interrogue se vale a pena continuar.”

      Têm bom remédio, meu caro: não comparecerem nas provas.

      Boa sorte.

    • Aproveitaria o ensejo para “carpir” mágoas, igualmente. Sou também candidato, sem cunha, jeitinho, conhecimento, recomendação ou similar e receio bem que vá, em breve, culminar a minha participação no referido concurso.

      Não se encare este “lamento” como uma desculpa mas efectivamente o prazo concedido para um tão vasto leque de matérias é muito curto, para dizer o mínimo. De facto também trabalho e tenho aproveitado os possíveis tempos livres para me dotar, minimamente, de alguns conhecimentos face às matérias, porém estou plenamente ciente que são insuficientes para o que será pretendido (e bem note-se, concordo que o concurso deva ser exigente).

      Ainda pensei, de início, se não seria uma gralha de escrita, a data indicada… Porém 7 de Julho é um domingo, pelo que dúvidas não restam.

      Espero ao menos que reembolsem o estacionamento…

      • Meus caros,

        Esta marcação e o prazo concedido não é sério e pressuponho que é roça a ilegalidade. Senão vejamos:
        No regulamento, no artigo 6.º n.º4 consta: “Da lista provisória consta igualmente a indicação do local, data, horário e demais condições da prestação da primeira prova do concurso, a qual nunca poderá ter lugar antes de decorridos 20 dias úteis sobre a data de publicitação da lista.
        Já o artigo 10.º, referente às Listas de Candidatos prevê que: Das mesmas listas constam as indicações do local, data, horário e demais condições de prestação da prova seguinte pelos candidatos
        aprovados.
        Apenas pergunto porque razão não aplicam por anlogia o prazo de 20 uteis previsto para primeira prova?
        Nesta parte parece-me que a marcação de apenas 14 de dias de antecedência, viola o Regulamento.
        De referir ainda que quer dizer a prova de cultura geral que durou 1,5h foi avisada com 20 dias uteis de antecedencia. Mas a prova de conhecimentos com 3h de duração é comuncada com 14 dias de antecedencia. Desiguladade.
        De resto parece-me ainda que atenta a lista de temas a estudar, o prazo de 14 dias é manifestamente desproprorcionado. O que também pode constituir ilegalidade, por violaçao de principios de direito publico que regem este concurso.

  3. Cara Ana, o seu raciocínio apesar de processualmente lógico tem muitas carências substantivas. A Ana está a reduzir-se a questões formais, como se igualdade existisse apenas em sentido formal. Aconselho-a estudar a dimensão material do art. 13 da CRP.

    A Ana podia ter referido a questão da primeira prova. O vício começa aí: perguntas de escolha múltipla de temas sem qualquer utilidade para o exercício de funções de diplomacia; as entidades administrativas podem ter uma margem e digo UMA margem balizada de livre discrionariedade, não uma margem de livre arbítrio. Perguntar os candidatos sobre qual o caminho de urano a saturno é um caso concreto de como o poder administrativo foi exercido para além das margens da lei. Ou – caso da repetição da «prova de cultura geral» – perguntar aos candidatos sobre qual a residência do presidente americano em que esteve hospedado um abade português, obscuridades que em nada revelam em termos de relações de diálogo civilizacional, negocial ou compromissório de quem pretenda exercer essas funções de representação.

    Claro que há sempre algumas e alguns sras e sras travestidos de batinas em tribunais administrativos que vilipendiam a sociedade mantendo sempre a ideia nas suas sentenças que o Estado nunca se pode portar mal e que, quando se porta mal, nunca é em questões de discricionariedade. Já vimos que a margem de livre arbítrio está disseminada também na justiça, sendo a separação de poderes algo puramente formalista (comentário à parte).

    Claro que o interesse prático é obter a anulação de concurso, seja ele por razões formais (incumprimento de prazos por ex), mas não exclusivamente! Mais, mesmo que esses sres e sras façam orelhas mocas dos argumentos materiais devemos por todos os argumentos. Uma sentença não acaba só quando transita em julgado. O processo pode ser muito humilhante para os srs e sras envolvidos no ragabophe que resolveram fechar os olhos.

    Acho por isso que as ilegalidades do concurso não podem em circunstância alguma ser analizadas apenas de um ponto de vista formalista, mas atendendo aos princípios materiais que regem a atividade administrativa: princípio da igualdade, da transparência, garantias de imparcialidade… Mais não digo, porque há casos em litispendência, litispendência que não deverá demorar nem 3 anos nem 3 meses…

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