Das cartas em papel ao correio electrónico seguro

Em tempos, a comunicação dos leitores com um órgão de comunicação social fazia-se por carta. As publicações divulgavam uma morada para onde todos podiam escrever. Chegavam cartas com protestos, elogios, insultos, sugestões e, esporadicamente, notícias para serem investigadas. Mais raramente ainda apareciam documentos confidenciais. A evolução tecnológica reduziu gradualmente a quantidade de correio que chega às redacções. Primeiro foi o telefone. Depois o email. É verdade que ainda hoje continuam a aparecer denúncias anónimas, escritas à máquina, sem assinatura, nem remetente, numa tentativa de proteger a identidade de quem envia essas missivas. Mas a progressiva desmaterialização de documentos reduziu o seu número.

Actualmente, os grandes órgãos de comunicação social estão a dar um novo passo para este contacto indispensável entre jornalistas e cidadãos interessados: a criação de caixas de correio totalmente seguras. A revista The New Yorker foi uma das últimas a criar um sistema para a entrega de documentos. Chamou-lhe StrongBox e foi desenvolvido por Aaron Swartz, o génio informático que se suicidou em Janeiro, e Kevin Poulsen. É um sistema aparentemente simples: torna impossível identificar o endereço IP de quem envia informação. Nem na própria revista conhecerão o remetente. Mais tarde ou mais cedo, as publicações portuguesas terão de se adaptar a esta realidade. É assim que funciona.

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