O palavreado singular da diplomacia portuguesa

Edward Snowden viajou de Hong Kong para Moscovo. Desde então que está retido na zona de trânsito do aeroporto, à espera de uma oportunidade para abandonar a Rússia. Para isso, pediu asilo a vários países, entre os quais a Bolívia. Evo Morales, o presidente boliviano, estava de visita a Moscovo para participar numa conferência e disse ao canal espanhol da televisão RT que estaria disponível para receber Snowden. Quando o seu avião descolou rumo a La Paz, parece que alguém desconfiou que o antigo analista norte-americano era um dos passageiros. Vários países europeus cancelaram então a autorização de sobrevoo do seu espaço aéreo que tinha sido concedida quando Morales viajou para Moscovo. Outros, como Portugal, cancelaram a autorização de aterragem em Lisboa. Motivo: “considerações técnicas”.

Agora, a Bolívia queixou-se à Organização das Nações Unidas do tratamento sofrido pelo seu presidente. Já teve o apoio da Venezuela, Argentina e Brasil, países extremamente importantes para a economia portuguesa. Este é o comunicado emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros. Alguém pode dizer-me o que são considerações técnicas?

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COMUNICADO

 

1.     Foi concedida autorização de sobrevoo e aterragem ao avião presidencial da Bolívia no dia 28 de junho, às 19h03, para o percurso La Paz/Moscovo e regresso;

2.     Essa autorização foi exercida no trajeto La Paz/Moscovo no dia 30 de junho, com aterragem e reabastecimento em Lisboa no mesmo dia;

3.     No dia 1 de julho, 2ª feira, às 16h28, foi comunicado às autoridades da Bolívia que a autorização de sobrevoo e aterragem, solicitada para o percurso de regresso Moscovo/La Paz, estava cancelada por considerações técnicas.

4.     Perante o pedido de esclarecimento das autoridades bolivianas, recebido às 19h19 desse dia, foi esclarecido às 21h10 que as considerações de ordem técnica não obstavam ao sobrevoo do espaço aéreo nacional, tendo para tal sido expressamente concedida nova autorização de sobrevoo. Apenas a aterragem não seria possível por considerações técnicas.

5.     As autoridades bolivianas continuaram a insistir na aterragem do avião presidencial em Lisboa.

6.     Apesar de múltiplos contactos por via diplomática durante o dia 1 e durante o dia 2 de julho,  as autoridades bolivianas insistiram inicialmente em submeter junto das autoridades aeronáuticas internacionais um plano de voo que previa a aterragem em Lisboa para reabastecimento, plano que sabiam não seria possível cumprir como, repetidamente, fora em tempo comunicado.

7.     Foram tomadas as necessárias medidas junto das autoridades aéreas internacionais para evitar que fosse efectuada uma aterragem não autorizada em Lisboa.

8.     Finalmente, ao final da tarde do dia 2 de julho, a Bolívia submeteu um plano de voo junto das autoridades internacionais prevendo apenas o sobrevoo do espaço aéreo nacional, de acordo com a autorização já  concedida, e com aterragem em Las Palmas.

9.     Após a aterragem do avião presidencial em Viena, as autoridades portuguesas foram hoje, dia 3, informadas de que aquela aeronave vai prosseguir agora a sua viagem de regresso para a Bolívia, efetuando escala para reabastecimento em Las Palmas. Está autorizado hoje, como sempre esteve, o sobrevoo do território nacional. 

10.  Portugal lamenta qualquer incómodo junto das autoridades bolivianas, mas considera-se totalmente alheio a esse incómodo, visto que foram as autoridades bolivianas que durante quase 24 horas não aceitaram estudar um percurso alternativo e insistiram num procedimento que teria violado a soberania portuguesa.

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