A agente misteriosa de Paulo Portas

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No sábado, o embaixador Francisco Seixas da Costa publicou no seu blogue, duas ou três coisas, um brilhante texto sobre aquele que, durante algum tempo, foi um mistério no Ministério dos Negócios Estrangeiros: quem era e o que fazia Vânia Dias da Silva, a subsecretária de Estado adjunta do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.  Foi isto que escreveu:

Foi em 2011. Na lista da nova equipa governamental para o MNE surgia o nome de uma senhora, de seu nome Vânia, com a categoria de subsecretária de Estado. A casa, sempre à cata da novidade e da raridade de género, ficou curiosa. O título do cargo, muito comum no Estado Novo (que teve muito poucos secretários de Estado e bastantes subsecretários), lembrava, por ali, aquele que fora usado por Ruy Patrício, antes de ser nomeado último ministro “dos Estrangeiros” da ditadura. Passada a Revolução, a designação fora utilizada no MNE (se a memória me não trai) apenas por três vezes, sempre para um não confessado controlo político da administração da casa, por ministros desconfiados ou preguiçosos. Desta vez, com Vânia, nem sequer era esse o caso.
Mas, afinal, quem era Vânia? Que funções iria ter? Como não havia delegação de competências para ler, a interrogação prosseguiu por alguns dias. Até que um colega com responsabilidades institucionais, cumpridor dos formalismos, tentou pedir uma audiência a Vânia para lhe apresentar os seus respeitos. Logo percebeu que a senhora, saída do anonimato centrista da edilidade portuense, jamais aportaria às Necessidades, ficando “na Gomes Teixeira”, sede da presidência do Conselho de ministros, a coadjuvar o também ministro de Estado. Era uma espécie de deslocalização e, por isso, uma verdadeira “première” no MNE.

Nunca mais se ouviu falar de Vânia. Ou melhor, soube-se pela imprensa colorida que terá comemorado a sua permanência no governo dando à luz uma criança, o que não é um despiciendo contributo à pobre natalidade pátria. Espero bem que o nosso Protocolo se não tenha esquecido de lhe enviar um gentil ramo de flores. Em nosso nome e da casa em cujos anuários Vânia vai ficar para sempre, como diria Margareth Thatcher, como “one of us”.

Um dia, daqui a anos, a historiografia ficará confundida, através da leitura dos diplomas da época, pelo facto de ter existido uma Vânia no quadro oficial da política externa portuguesa. Dela não surgirá um simples despacho, atestando a designação de um chanceler para um consulado, ou uma foto sorridente junto aos candelabros de uma embaixada de charme, ou tão só a assinatura, com o ar compenetrado e a saia-e-casaco de rigor, de um qualquer convénio sobre um tema grave. Vânia vai ser, para os futuros coscuvilheiros da história diplomática, o mistério dos Negócios Estrangeiros.

Uma coisa Vânia talvez não saiba, mas eu vou revelar-lhe: não obstante nunca ter aparecido com frequência no largo do Rilvas, ela não vai ser, dentre os membros do governo que estiveram, até hoje e desde a primeira hora, ao lado do ministro que agora abandona “os Estrangeiros”, aquele que deixa menos saudades. E mais não digo, porque as charadas políticas não são de borla e eu ando muito dedicado a elas para entreter os ócios da reforma. “

No entanto, é preciso dizer que as funções de Vânia Dias da Silva eram muito claras e objectivas: funcionar como os olhos e os ouvidos de Paulo Portas na Presidência do Conselho de Ministros. No fundo, era uma espécie de ministro da Presidência do CDS – função que deverá continuar a desempenhar agora que foi nomeada subsecretária de Estado adjunta do Vice-Primeiro-Ministro. Tem de saber tudo o que se passa em termos de processo legislativo e depois comunicá-lo ao CDS e ao seu líder. Está tudo aqui:
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3 thoughts on “A agente misteriosa de Paulo Portas

  1. Meu Caro…
    Para quem não quer dizer mais, das duas uma ou não sabe ou não tem a certeza. Deixe-me dizer-lhe, não tenho qualquer tipo de cor politica nem de esquerda, nem do centro , nem da direita. Nestas coisas se é que lhe podemos chamar-lhe assim, burro não sou. Quando lhe for oportuno deve pesquisar outras Vânias (os) Dias da Silva que sempre existiram em Governos anteriores. Temos que ser imparciais, claros e concisos. Se a imagem dos jornalista está em baixo, deve-se à falta de ética profissional e à paga de favores passados e olhe que eu sei do que lhe estou a falar.
    C.AMARO

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