E que tal proibir os despedimentos no privado por uma questão de igualdade?

Nuno Duarte, mais conhecido por “Jel”, dos Homens da Luta, é candidato à presidência da Câmara Municipal de Cascais pelo Partido Trabalhista Português. Carlos Carreiras foi vice-presidente da autarquia e sucedeu a António Capucho quando este decidiu abandonar a política por motivos de saúde e, agora, recandidata-se ao principal cargo do concelho pela coligação PSD-CDS/PP. À primeira vista, os dois não têm nada em comum. “Jel” vai trazer alguma piada à campanha eleitoral mas pouco mais do que isso. Já Carlos Carreiras estará a ser avaliado pelos dois anos como presidente e os restantes como vice-presidente. Tal como os outros candidatos estarão a ser julgados pelo que fizeram na oposição. No entanto, para a Comissão Nacional de Eleições (que estará apenas a aplicar a lei em vigor), Jel e Carlos Carreiras devem ser tratados de igual forma pelos órgãos de comunicação social. Isto é um absurdo.

Sim, o caso de Nuno Duarte é particular (e acreditem que há muitos mais). Mas serve perfeitamente para ilustrar que os candidatos não são todos iguais, nem têm a mesma importância. Porque ao contrário do que veio dizer o Partido Comunista Português, através da deputada Carla Cruz o dever das direcções de informação não é exercer o “pluralismo”. É mesmo seleccionar quais as candidaturas que merecem cobertura jornalística em função da sua importância, interesse e, obviamente, dos meios que cada um tem à sua disposição. É isso que os órgãos de comunicação social fazem todos os dias. Em campanha e fora dela. Outra coisa diferente será avaliar a imparcialidade do trabalho jornalístico.

Dar o mesmo tempo ou espaço a todas as candidaturas seria abrir uma caixa de pandora que não teria fim. A partir daí, porque não haveremos de tratar de igual modo o Benfica e o Gil Vicente (ou o FCP, se falamos de clubes pequenos) durante todo o campeonato? Porque não ter um comentador do Belenenses nos programas desportivos? E já agora, porque não obrigamos o Pingo Doce a ter à venda todas as marcas de bolachas Maria em vez daquelas que o grupo seleccionou para pôr nas prateleiras? Ou melhor, porque não proibimos o sector privado de despedir trabalhadores em nome da igualdade com o sector público?

JEL

8 thoughts on “E que tal proibir os despedimentos no privado por uma questão de igualdade?

  1. Porque a política é bem mais importante do que a bola ou bolachas e porque a mudança política e o dever de bem informar as pessoas assim o exige. Já basta de quase quarenta anos de desinformação PS/PSD/CDS/PCP. O povo é ignorante e tem de aprender e perceber que há mais vida para além desses quatro estarolas que arruinaram Portugal.

    Não querem é fazer nenhum e estão na mão dos corruptores do costume, tão simples quanto isso.

    Quanto a mim, seria simples: ou se dá cobertura a TODOS ou a NENHUM. Se querem cobrir mais a escumalha do costume, tudo bem, mas os partidos mais pequenos, em particular aqueles que tenham 20 mil ou mais votos, não podem ficar votados ao esquecimento, sejam o PPM, o PCTP-MRPP, o PTP ou o PNR ou outro qualquer.

    Não perceber isto é negar a democracia e pretender continuar o regime de bastardos que tão bem tem feito a Portugal.

    P.S. – Para que conste, não votei em nenhum dos partidos que mencionei no meu comentário, estejam na AR ou não.

    • O dever de bem informar implica que a informação seja correcta, séria e imparcial. Não cabe aos órgãos de comunicação educar a população. Compete esclarecê-la. Para a educação existem as escolas e as universidades.
      Actualmente quem quer ter informação sobre pequenos partidos procura-a e contra-a facilmente. Obrigar uma televisão ou um jornal a dar o mesmo espaço a candidatos diferentes é que não faz nenhum sentido. E isso não significa votar os pequenos partidos ao esquecimento. Veja-se o caso do Bloco de Esquerda: o seu espaço foi crescendo à medida que o partido também cresceu.
      Tratar de igual forma um partido com maioria na Assembleia da República e outro com apenas dois deputados é que não é sério. E isso sim é negar a democracia

      • Bem pelo menos um critério de relevância social mínima tem que existir… e eu que nunca pensei defender a publicidade gratuita dos partidos instituídos 🙂

  2. E o Jel e o Coelho são palhaços sem circo que não devem ser confundidos com partidos políticos.
    O título é infeliz, porque realça, pela enésima vez, que os funcionários públicos (ou parte deles, porque boa parte está com contrato a termo, como é o meu caso) são uns pseudo-privilegiados e os trabalhadores do privado todos uns coitadinhos que vivem em tensão permanente de perder o emprego, sem excepção.

    • O título não tem nada contra os funcionários públicos. Pelo contrário. Sou contra generalizações de que eles são todos incompetentes e privilegiados e os do privado uns coitadinhos. Não são. Foi apenas uma comparação para mostrar que ambas as situações são absurdas.

      • É isso que todos concordamos em chamar à ignorância auto-induzida do acto eleitoral? “clubismo”?

        ps: Já agora não se trata de falta partidos (ou da cobertura dos mesmos), a questão está mesmo na falta de diferença. Os princípios que os regem são os mesmos (mais ódio irracional menos ódio irracional) e não há micro partido no mapa diferente disto que alterasse nada significativo.

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