A “herança envenenada” de Paulo Portas a Rui Machete

Há um ano, o então ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, decidiu cancelar a presença na 67ª Assembleia Geral das Nações Unidas. O pretexto foi a situação de crise interna no país. Ao fazê-lo deixou a cargo do embaixador português a representação do país quer na própria AG, quer nos encontros bilaterais e multilaterais que a ocasião proporciona e que são preparados durante meses pelas equipas diplomáticas. Na altura, foi um embaraço mais ou menos resolvido pela perícia diplomática de José Filipe Morais Cabral. Mas teve um custo: este ano a diplomacia portuguesa teve uma dificuldade acrescida em conseguir encontros relevantes para as prioridades da política externa portuguesa.

Ao contrário do que aconteceu em 2012, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, lidera a comitiva que, entre 24 e 28 de Setembro vai estar em Nova Iorque. E provavelmente por causa da decisão de Portas, na comunicação que enviou à imprensa sobre a agenda da viagem, o gabinete do ministro não pôde destacar mais do que o encontro “com o Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon” e as reuniões com os “ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia e o almoço de trabalho dos ministros da CPLP, entre outros eventos de alto nível e encontros bilaterais”.

Ora, Ban Ki-moon reúne-se com toda a gente; os ministros da União Europeia encontram-se regularmente (se comparecerem nas reuniões marcadas, o que nem sempre acontece) e os ministros da CPLP tem várias ocasiões para almoçar. Os restantes “encontros bilaterais” resumem-se aos ministros do Uruguai, Argélia, Senegal, Turquia, Indonésia, Ucrânia, Tunísia, Andorra, Cabo Verde, Brasil, Mauritânia, Cazaquistão, Emirados Árabes Unidos, Moçambique, Marrocos, Rússia e o secretário-geral da Liga Árabe.

Para além dos membros da CPLP, serão verdadeiramente importantes para a diplomacia nacional Marrocos, Argélia, Rússia e agora o el dorado do Cazaquistão. É pouco. E não foi por falta de tentativas. Pelo contrário. Nisto, Rui Machete e a equipa do Palácio das Necessidades não têm culpa. Mas Paulo Portas tem. Talvez devesse ser ele a reunir-se com o representante de Andorra. 

Foto: Reuters

 

 

2 thoughts on “A “herança envenenada” de Paulo Portas a Rui Machete

  1. Pena que a transparencia na informação sobre o que fazem os nossos jokers esteja ausente dos media mais “publicos”.Obrigado por estes apontamentos.

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