As perguntas que os deputados deviam fazer a Rui Machete

Esta tarde, Rui Machete vai à Comissão dos Negócios Estrangeiros da Assembleia da República. O ministro que chegou ao governo como um “peso pesado” que iria dar consistência a um executivo de jovens liberais depressa se tornou um peso morto que comete uma gaffe cada vez que sai à rua. Portanto, o risco de sair do Parlamento com uma nova crise em cima em vez de acabar com todas as dúvidas é grande. Não será por acaso que nos últimos dias o seu gabinete esteve numa enorme correria a preparar a audição de hoje.

Se olharmos para as audições anteriores, Rui Machete até nem teria muito com que se preocupar. Na última vez que foi à Comissão dos Negócios Estrangeiros, já demissionário, e logo após a crise diplomática provocada pela proibição da aterragem do avião de Evo Morales, Paulo Portas passou pelos pingos da chuva. Esquivou-se com uma facilidade impressionante às questões dos deputados que não conseguiram, nem souberam, encostá-lo à parede com questões concretas. Foi muito simples ao então MNE desarmá-los com termos técnicos e nomes de convenções que os parlamentares da oposição nem sabiam que existiam.

Mas – há sempre um “mas” – Rui Machete não é Paulo Portas. Um homem que se esquece que teve acções do BPN e que escreve uma carta a uma comissão de inquérito a dizer isso mesmo carrega com ele uma grande dose de imprevisibilidade. E perigo. É por isso que os deputados da oposição – se quiserem ser assim chamados – deviam deixar-se de grandes conversas e declarações indignadas, como é hábito, e ir direito ao assunto. Podiam, por exemplo, perguntar ao ministro:

  • Teve alguma informação privilegiada da Procuradoria-Geral da República ou do Departamento Central de Investigação e Acção Penal que lhe permitisse dizer à Rádio Nacional de Angola que, sobre as investigações a cidadãos angolanos em Portugal “não há nada substancialmente digno de relevo e que permita entender que alguma coisa estaria mal, para além do preenchimento dos formulários e de coisas burocráticas”?
  • Se não foi na Procuradoria Geral da República nem no Departamento Central de Investigação e Acção Penal, onde obteve essa informação?
  • Quando era consultor da sociedade de advogados PLMJ teve algum contacto com processos que envolvessem altos dignitários do regime angolano?
  • Se não tinha informações sobre o assunto porque fez aquelas declarações?
  • Pediu ou não desculpas diplomáticas ao Estado Angolano?
  • Sabendo que existe em Portugal um princípio da separação dos poderes, porque pediu desculpas ao Estado angolano por investigações que estão a ser feitas pelo Ministério Público português?
  • Não há memória de um partido com assento parlamentar apresentar uma queixa crime contra um membro do governo. Pondera demitir-se por ter mentido a uma comissão de inquérito?

Haveria mais algumas perguntas a fazer. Mas como o ministro muda de opinião de cada vez que fala o melhor é repeti-las. É provável que surja uma nova contradição.

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