A notória falta de juízo de Bruno Maçães

Ontem foi um dia em cheio para o secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães. Para além de Daniel Oliveira, o antigo assessor de Pedro Passos Coelho teve direito a uma crónica escrita por Viriato Soromenho Marques no Diário de Notícias. O problema é que esta falta de juízo não é de agora. Será a mesma que o levou a decidir – contra a política oficial do governo português – falar em inglês nas reuniões do Conselho de Assuntos Gerais e do Conselho dos Negócios Estrangeiros da União Europeia. Mesmo indo contra o conselho do embaixador português em Bruxelas e do próprio director geral dos assuntos europeus do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

“Servidão voluntária

por VIRIATO SOROMENHO-MARQUES

Apesar de anticomunista, Churchill não hesitou em apoiar a URSS em 1941, dizendo: “Se Hitler invadisse o Inferno, eu faria, pelo menos, uma referência favorável ao Diabo na Câmara dos Comuns.” Leio pelos jornais que um membro do Governo de Passos Coelho, chamado Maçães, foi à Grécia envergonhar o nosso país. Apesar de, a acreditar pelo CV publicado no sítio do Governo, ele ter alguma escolaridade em matéria de Direito e Ciência Política, a sua recusa perentória de uma frente de países do Sul (onde se incluiriam até a França, a Itália e a Espanha) contra a política que Merkel está a impor à Europa inteira revela que, no mínimo, ainda não atingiu aquele grau de estabilidade emocional e hormonal a que uns chamam maturidade e outros, simplesmente, juízo. A indigência intelectual deste Governo está a ultrapassar todos os limites. Desde quando um secretário de Estado vincula o seu país numa situação tão estrategicamente delicada? Desde quando um país em hemorragia aberta pode descartar alianças com aqueles, mesmo que sejam “diabos”, que têm objetivos comuns (interromper a austeridade destrutiva)? Desde quando é sensato aderir incondicionalmente a uma política (do Governo de Berlim) que é diametralmente oposta ao interesse nacional? A imprensa grega não tem razão ao chamar “alemão” a Maçães. Os alemães não se confundem com o seu Governo conjuntural, como os portugueses não podem ficar ostracizados pelo trágico episódio desta coligação. O seu problema foi diagnosticado por La Boétie, no século XVI: só há tirania porque há demasiada gente pronta à “servidão voluntária”. Este Governo é um equívoco dos “lugares naturais”. Os lacaios passaram do anexo para o palácio. Importa devolvê-los ao seu lugar, antes que a pilhagem seja irreversível.”

O secretário de Estado, obviamente descontraído, nas celebrações do dia da independência da Polónia, na embaixada polaca em Lisboa

O secretário de Estado, obviamente descontraído, nas celebrações do dia da independência da Polónia, na embaixada polaca em Lisboa

1 thought on “A notória falta de juízo de Bruno Maçães

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