Coreia do Norte: um relatório que é um murro no estômago

O Estado decide o que um cidadão pode ter, onde pode viver, para onde pode viajar, o que pode ler, qual a classe social a que pertence, o que pode comer e em que quantidades, com quem se pode casar e de quem é permitido ter filhos. Quem violar as regras pode sofrer uma de duas consequências: desaparecer sem deixar rasto ou ser preso. No caso da segunda opção restam alguns destinos: ser torturado ou condenado a trabalhos forçados, ser executado ou morrer à fome e, no caso das mulheres, serem violadas, obrigadas a abortar ou a assassinar os próprios filhos. O país onde isto acontece: a Coreia do Norte.

As conclusões constam do relatório da comissão de inquérito à situação dos direitos humanos no país líderado por Kim Jong-un. Ao todo terão morrido centenas de milhares de pessoas nos inúmeros campos de concentração espalhados pelo país. Estarão ainda detidos entre 80 mil e 120 mil pessoas. Entre os testemunhos incluídos no relatório destaca-se o de Jee Heon, uma mulher que foi enviada para um campo de concentração depois de ser repatriada da China e que recorda a história de uma mulher que conseguiu dar à luz apesar de ter engravidado de um chinês (normalmente elas são obrigadas a abortar para manter a pureza da raça):

“…there was this pregnant woman who was about 9 months pregnant. She worked all day. The babies who were born were usually dead, but in this case the baby was born alive. The baby was crying as it was born; we were so curious, this was the first time we saw a baby being born. So we were watching this baby and we were so happy. But suddenly we heard the footsteps. The security agent came in and this agent of the Bowibu said that… usually when a baby is born we would wash it in a bowl of water, but this agent told us to put the baby in the water upside down. So the mother was begging. ‘I was told that I would not be able to have the baby, but I actually got lucky and got pregnant so let me keep the baby, please forgive me’, but this agent kept beating this woman, the mother who just gave birth. And the baby, since it was just born, it was just crying. And the mother, with her shaking hands she picked up the baby and she put the baby face down in the water. The baby stopped crying and we saw this water bubble coming out of the mouth of the baby. And there was an old lady who helped with the labour, she picked up the baby from the bowl of water and left the room quietly. So those kind of things repeatedly happened. That was in the detention centre in the city of Chongjin of Hamgyong Province.”

Para a ONU, as atrocidades cometidas pelo regime norte coreano são crimes contra a humanidade pelos quais os seus responsáveis devem ser julgados. Até quando o mundo vai ficar calado?

Desenho do antigo prisioneiro Kim Kwang-il

Desenho do antigo prisioneiro Kim Kwang-il

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