O adeus do Mário Crespo

Gosto do Mário Crespo. Ele não é unânime. Isso é uma qualidade. Tem opiniões e embarca nas causas em que acredita. É polémico e às vezes ultrapassou os limites. Mas, apesar disso, tem credibilidade. É imprevisível e, por isso, surpreendente. Nunca se sabe o que dali pode sair. Tanto pode ser uma manifestação de cultura durante a divulgação do estado do tempo para o dia seguinte como algumas das mais acutilantes perguntas que poderiam ser feitas num estúdio televisivo. Poucos terão levado Valentim Loureiro a perder as estribeiras com o nível com que ele o fez. Ao mesmo tempo, sabe ouvir as respostas e deixar os entrevistados falar – não é por acaso que Lobo Antunes era uma presença regular no seu Jornal das Nove. Por aquele espaço, passaram, nos últimos anos, todos aqueles que têm ou tiveram alguma relevância na vida portuguesa. Ao mesmo tempo, o Mário Crespo tem sentido de humor e não se leva demasiado a sério, apesar do estatuto que lhe advém da idade e experiência. Ontem, ele despediu-se dos telespectadores ao seu estilo, numa mensagem sentida. Parecia não querer abandonar os ecrâs. E eu tenho pena que ele se vá embora. A televisão – e o jornalismo – vão ficar mais pobres.

One thought on “O adeus do Mário Crespo

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s