Isabel Jonet e as redes sociais

“O pior inimigo dos desempregados são as redes sociais. Muitas vezes as pessoas ficam desempregadas e ficam dias e dias inteiros agarradas ao Facebook, ou agarradas a jogos, agarradas a amigos que não existem e vivem uma vida que é uma total ilusão”.

Quem disse esta frase? Algumas pistas: é mulher, pertence a uma classe privilegiada, lida com a pobreza há vários anos, tem uma grande falta de tacto linguístico e uma enorme capacidade de se pôr a jeito para apanhar pancada verbal… nas redes sociais. Já adivinharam? Não? Bom, a resposta está no título deste post: Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome.

Depois da polémica em redor dos bifes que podemos ou não comer, Isabel Jonet voltou a cometer o mesmo erro. Generalizou. Desta vez não foi na televisão. Foi na rádio – mas há um vídeo. Que, tal como da última vez que falou em público (não sei se foi realmente a última, agora sou eu que estou a generalizar. Percebeu, Isabel?) se está a tornar viral nas… redes sociais.

Sim, Isabel Jonet. As redes sociais têm um grande potencial de alienação. Podemos perder horas do nosso dia a ver coisas que não interessam. Mas partir do princípio que todos os desempregados estão a viver uma vida que é uma ilusão é um, digamos, exagero. E um insulto. A presidente do Banco Alimentar esquece, ou não sabe, qual é a principal função das redes sociais: colocar em contacto pessoas que não se conhecem e que de outra forma teriam ligação entre si. E isso, cara Isabel Jonet é inestimável.

Há inúmeros casos de pessoas desempregadas que montaram um negócio com base numa página numa… rede social. Há incontáveis exemplos de desempregados que obtiveram emprego através de contactos feitos pelas… redes sociais. Há vários casos de pessoas que potenciaram os seus negócios graças às … redes sociais. Há vidas que mudaram de rumo graças às … redes sociais. Ou seja, as redes sociais, se bem utilizadas, podem ser um instrumento de trabalho bastante útil. Era bom que Isabel Jonet percebesse isso. Caso contrário, passará a ser um alvo de chacota (e também de insulto) com lugar marcado naquilo que parece abominar. Sim, as redes sociais (onde este post vai ser, obviamente partilhado).

Foto: Bruno Simões Castanheira

Foto: Bruno Simões Castanheira

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