Está na hora de matar o borrego

Olá rapazes,

No próximo domingo vocês vão ter o jogo das vossas vidas. Não é contra o Real Madrid. Nem contra o Bayern de Munique. Nem sequer contra o Barcelona. É contra o Olhanense. Sim. Contra a equipa que ocupa o último lugar do campeonato, que tem menos 41 pontos que vocês, mais 28 golos sofridos e menos 36 golos marcados. O Olhanense. Ainda assim, esse é o jogo das vossas vidas.

Não sei o que o Jorge Jesus vos vai dizer antes de entrarem em campo. Não sei se vos vai mostrar algum vídeo. Presumo que vá falar do adversário. Das qualidades e das fraquezas. Dos pontos fortes e das vulnerabilidades. Mas eu gostava mesmo é que ele vos mostrasse algumas imagens em vídeo. Não estou a falar das obras de arte Markovic e do Gaitan. Da técnica superior do Enzo. Dos cortes e golos do Luisão e do Garay. Das arrancadas portentosas do Salvio e do Rodrigo. Da artilharia do Lima e do Cardozo. Das defesas do Oblak e do Artur. Da maravilha do André Gomes.

O que eu gostava mesmo que ele vos mostrasse eram as imagens do golo do Kelvin. Do vosso treinador de joelhos. Da cabeçada do Ivanovic. Das lágrimas do Enzo, do Rodrigo e do Artur. Do desespero do Cardozo. Dos milhares de pessoas que vos seguiram pelos estádios do país e que acabaram lavadas em lágrimas devido à desilusão do ano horrível de 2013. Gostava que revivessem no vosso interior cada um daqueles momentos. Para vos lembrar aquilo por que passaram. Por que nós passámos. E não queremos voltar a passar.

fotografia 1

Gostava que ele vos mostrasse as imagens de Eusébio. O homem que se tornou um mito. Um símbolo do querer, da vontade, do sacrifício e do talento que faz com que essa camisola vermelha só possa ser merecida por alguns. O único homem que teve direito a uma estátua em frente ao estádio e por quem vocês usam essas faixas negras no equipamento. Porque, onde quer que esteja, ele vai estar a olhar para vocês junto a nós. Nós que vamos estar nas bancadas, em frente ao televisor ou com os ouvidos colados à rádio. Sim, no domingo, às 18h, um pouco por todo o mundo, milhões de pessoas vão estar de olhos postos nos ecrãs de cachecóis enrolados ao pescoço e com o coração nas mãos à espera daquele momento em que vamos poder saltar, gritar e chorar de alegria com um ano de atraso.

Mas para isso é preciso que vocês, os nossos soldados, vençam mais uma batalha. Já o fizeram vezes sem conta este ano. No início da época, contra tudo e contra todos, vocês foram capazes de se levantarem das cinzas e voltar a voar até ao lugar que é nosso por direito. Sim, nosso. Dos adeptos. Nós que todos os anos, jogo após jogo, enchemos o estádio. Nós que percorremos quilómetros e guardamos horas da nossa vida para vos ver usar essa camisola vermelha. Nós que nos emocionamos em frente ao televisor com uma jogada, um golo, uma vitória. Nós que passamos noites em claro quando as coisas não correm bem. Nós que passamos horas em filas para comprar bilhete para os grandes jogos. Nós que gastamos parte do nosso salário para pagar quotas. Nós que vos vamos aplaudir à saída do centro de estágio. Nós que vos vamos apoiar durante um treino. Nós que vos pedimos um autógrafo ou uma camisola. Nós. Os adeptos.

Ontem foi mais um exemplo do que acabei de dizer. Quando alguns julgaram que tinham voltado a cair no tapete, vocês deram uma enorme demonstração de talento e alma. E nós, nas bancadas em casa, nos cafés ou nos automóveis, nunca deixámos de vos apoiar. Nunca desistimos. Porque um benfiquista nunca desiste. Mesmo quando está em causa apenas um jogo. Sim, porque ontem não se passou nada de especial. Foi apenas mais uma partida. Ganhámos e isso significa que vocês vão ter mais um jogo pela frente. Para lutar. Por vocês. Por nós.

No domingo é diferente. Tudo aquilo por que, vocês, nós, passámos trouxe-nos aqui. Às 18h do próximo domingo de Páscoa. Durante 90 minutos vocês vão ter a possibilidade de ficar na História deste grande clube. De serem recordados para sempre como parte de um todo. Como os soldados de uma nação. Não percam esta oportunidade. A História está a passar à vossa frente. Vão agarrá-la. Por vocês. Por nós.

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