A primeira década

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Há exactamente 10 anos o primeiro número da Sábado chegou às bancas. Tinha na capa José Mourinho, o treinador sensação do momento que levara o F.C. Porto à final da Liga dos Campeões. Não me recordo de muito mais. Apenas que inaugurava uma espécie de combate que se prolongaria na vida política portuguesa: um debate semanal entre José Sócrates e Pedro Santana Lopes.

O tempo passou e a Sábado mudou. Para melhor. No grafismo, nos conteúdos, na inovação. Ao longo da última década publicou várias histórias exclusivas: sobre a Maçonaria e o Opus Dei; sobre processos judiciais como o caso Freeport, a operação furacão, o processo Monte Branco, o caso BPN, o escândalo de Duarte Lima e os processos que envolvem altos dignitários angolanos em Portugal; fez várias investigações históricas sobre o pré e o pós 25 de Abril; tudo sem perder a irreverência e o ar desempoeirado de fazer jornalismo. O pensamento dominante é: como podemos dar a informação de forma diferente e interessante?

Os repórteres da Sábado foram os primeiros a fazer um treino com atletas olímpicos, a jogar ténis com Frederico Gil ou a submeter-se a experiências gastronómicas estranhas (aqui o mérito é do Ricardo Dias Felner). Ao longo dos anos conseguimos convencer algumas pessoas a fazer coisas, à partida, improváveis: o Tim, dos Xutos e Pontapés, tocou as próprias canções no Chiado, disfarçado, para ver se alguém o reconhecia; o Nuno Markl aceitou fazer a experiência de andar de saltos altos; o Paulo Futre aceitou ser entrevistado por toda a redacção – que foi transformada por várias bandas nacionais num pequeno palco.

Trouxemos também para as páginas da revista alguns nomes feitos como Rui Ramos, Miguel Esteves Cardoso e Maria Filomena Mónica e tentámos sempre inovar: fomos os primeiros a realizar um ranking dos hospitais públicos; a aplicar em Portugal a tecnologia da realidade aumentada e recentemente a imprimir a capa em papel com sementes. Muitos, sobretudo políticos, não gostaram do que fizemos. O expoente máximo foi o deputado do PS, Ricardo Rodrigues, que acabou por roubar os gravadores dos jornalistas que o entrevistavam por não gostar das perguntas – acto pelo qual foi condenado em tribunal. José Sócrates também mudou de opinião e de colaborador desde o primeiro número passou a não falar com a revista. Claro que haveria muito mais para dizer dos últimos anos. Isto é apenas aquilo de que me lembro sem grande sem grandes pesquisas.

Graças à sugestão do Fernando Esteves, o Miguel Pinheiro e o Gonçalo Bordalo Pinheiro acabaram por me contratar em Novembro de 2005. A Sábado tinha um ano e meio. E desde então que todos os dias tento dar o meu modesto contributo para fazer dela uma revista melhor. Há dias que correm bem, outros nem por isso. Mas no geral, o balanço é positivo. Parabéns à Sábado, aos camaradas e amigos que a fazem e a todos os leitores que nos têm acompanhado. É para eles que trabalhamos.

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