O esloveno honesto e o português matreiro

Ao fim de duas horas todos os olhos estavam postos neles. No gigante esloveno e no baixote português. O primeiro, vestido de amarelo, com o número 41 nas costas, parecia um bloco de gelo. Passou os 120 minutos anteriores a resolver o que lhe aparecia pela frente como se estivesse num treino. Nada de especial. O segundo, vestido de laranja, com o 13 estampado no equipamento, era o oposto: cabelo espetado, ar rebelde, esteve duas horas a defender tudo e mais alguma coisa. A cada bola afastada da baliza soltava gritos de raiva que contagiavam a equipa. E agora estavam ali os dois. Não frente-a-frente, mas prestes a enfrentar a toda a equipa adversária.

No primeiro penálti, o baixote português, tirou as medidas ao árbitro. Quando Lima corria para a bola deu uns passos discretos para a frente. A bola entrou. Mas ele, matreiro, percebeu com o que podia contar. A seguir, foi a vez do esloveno honesto pisar a linha de baliza. Diz a lei do jogo que, num penálti, o guarda-redes não pode afastar-se daquela marca antes de a bola ser pontapeada. E o gigante de amarelo assim fez. Posicionou-se, adivinhou o lado para onde a bola ia, atirou-se, mas não chegou lá. Um a um.

Depois, o baixote português enfrentou outro gigante, mas paraguaio. Só que tinha um truque na manga. Quando Cardozo avançava para a bola ele aproveitou a corda que o árbitro lhe tinha dado e deu um passo para a frente e para o lado. Depois outro. E outro. Ao terceiro, já estava mais de um metro à frente da baliza e com isso conseguia reduzir o ângulo de remate. Assim, mesmo sendo baixote, era-lhe possível chegar a qualquer ponto da baliza. Atirou-se para o lado direito. E com uma mão afastou a bola. Depois foi para a zona lateral ver o esloveno honesto adivinhar outra vez o lado para onde o remate seguiu. Mas como não saiu da linha, mesmo sendo um gigante, não lhe conseguiu chegar.

Ao terceiro penálti, o baixote português sabia que podia fazer o que quisesse. Voltou a dar um, dois, três passos para a frente. Desta vez atirou-se para a esquerda e defendeu um novo remate. Cerrou os punhos, virou-se para os adeptos e gritou como se fosse um toureiro espanhol. Quando o gigante de amarelo continuou a cumprir as regras e a ver o adversário marcar, pela quarta vez, o baixote vestido de laranja foi abraçado pelos companheiros. Continuo a gostar mais do esloveno honesto. Mas foi o português matreiro quem levou a taça.

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