O fotógrafo tarado por cuequinhas

Os norte-americanos são uma caixinha de surpresas. O país que quase demitiu um presidente por alegadamente ter tido sexo com uma estagiária na sala oval enfrenta uma nova ameaça sexual. Chamam-lhe “upskirting”. Não me parece que haja uma expressão em português para esta forma de assédio. Mas a definição é simples: o usar um telemóvel ou de um tablet para fotografar disfarçadamente a roupa interior de uma mulher que use saias.
Sim. É verdade. Pelo menos no estado do Massachusetts, parece que há uma onda de paparazzos amadores que se dedicam a tirar retratos pirata da roupa interior das mulheres em plena rua. A ameaça é tão grande que, em Março, o congresso estadual aprovou uma lei que ilegalizou o “upskirting”. Podia ser mais uma lei ridícula que nunca seria aplicada. Mas não foi.
Na passada terça-feira, às 17h45, uma mulher estava na estação de autocarros de Forest Hill, quando sentiu algo estranho. Um homem, que estava sentado num banco, tinha acabado de esticar o braço para apontar a câmara de um iPad na direcção das suas coxas. Depois entrou num autocarro e desapareceu.
De acordo com o chefe da polícia de trânsito, Paul MacMillan, citado pelo The Boston Globe, a vítima chamou as autoridades e indicou-lhes o veículo em que o fotógrafo amador tinha entrado. Eles pararam o autocarro, viram um homem com um iPad na mão que correspondia à descrição, e levaram-no de volta à estação. Segundo as autoridades, nessa altura, o suspeito disse-lhes que tinha visto nas notícias que não era ilegal fotografar a roupa interior de uma mulher e que, por isso, não só achava que era permitido fazê-lo, como o tem vindo a fazer. Nem valia a pena dizer que estavam a confundi-lo com outra pessoa: quando estava a entrar no autocarro, a vítima usou o seu próprio telemóvel para o fotografar.
Já na esquadra, tornou-se o primeiro norte-americano a ser preso e acusado pela prática de “upskirting”. Mas afinal o que é que isso nos interessa? Quando se identificou às autoridades, o suspeito mostrou um bilhete de identidade com o nome de Joshua Gonsalves. Não sei se o paparazzo amador será luso-descendente. Mas num estado com uma das maiores comunidades portuguesas dos Estados Unidos, a probabilidade é grande.
Para já, Gonsalves saiu em liberdade com uma fiança de 150 dólares e a proibição de se aproximar da estação de comboios. Mas no próximo dia 22 de Agosto voltará a tribunal para ser julgado. Se, até lá, forem encontradas mais imagens do género no seu iPad e no seu iPhone, o número de acusações poderá subir. De qualquer o primeiro acusado de “upskirting” ficará na história com um nome português.

Nuno Tiago Pinto, nos Estados Unidos

A SABADO viajou para os EUA com o apoio da FLAD

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