A algarvia que deixa todos a sorrir

Liliana de Sousa é uma algarvia de sorriso fácil e contagiante. Nascida em Olhão em 1959, imigrou para os Estados Unidos quando tinha 12 anos. Foi morar para Provincetown, uma localidade piscatória na costa leste dos Estados Unidos. “Na altura isto era quase tudo de portugueses. Cerca de 80% dos três mil habitantes”, diz à SÁBADO, no último dia do festival português de Provincetown.

Tal como a maioria dos filhos dos imigrantes que quiseram estudar, acabou por deixar a localidade e mudar-se para Boston. Tirou um curso universitário e tornou-se administradora da TAP quando a companhia aérea portuguesa ainda tinha voos directos para a capital do estado norte-americano do Massachusetts. Hoje dirige uma clínica.

Apesar de já não ter casa na localidade, passa muitas vezes o fim-de-semana junto ao local onde cresceu e que se transformou num destino de artistas e escritores. Liliana recorda-se de se cruzar diariamente com o actor Richard Gere (com quem uma amiga dela garante ter tido um namoro) ou com o escritor Norman Mailler. “Ele estava sempre bêbado. Frequentava um pub no centro da cidade onde só vão os locais e sentava-se ao balcão onde acabava com a cabeça apoiada nos braços. Andava sempre descalço, excepto no Inverno, altura em que calçava umas sandálias”, recorda.

O estilista Marc Jacobs tem lá uma casa (e uma loja). O apresentador de televisão Anthon Bourdain também. “Ele foi chef num restaurante que já fechou”, conta num português perfeito onde ainda se nota o sotaque algarvio.  Fala da evolução da cidade com paixão. “Dizem que os gays vieram para cá por causa dos portugueses. Ao contrário de outros povos não se importavam com eles desde que não chateassem”, afirma. “No Verão, os artistas acampavam nos nossos terraços e os pescadores davam-lhes baldes com peixes”, lembra.

Juntamente com mais seis pessoas, é Liliana quem organiza o festival ano após ano. Na verdade, ela é considerada a alma do evento. Para além de ser a única portuguesa do grupo, é com ela que os participantes gostam de falar. Ela conhece-os. Depois de liderar o desfile do passado sábado, ficou à espera que os últimos elementos percorressem a Comercial Street – a principal da cidade. Cumprimentou-os quase todos pelo primeiro nome. Deu indicações. Dançou melodias tradicionais. E foi a ela que os visitantes da cidade se dirigiram para dar os parabéns pela organização do evento. Ela agradeceu a todos com um sorriso: “Obrigado. Não sabe o que isso significa para mim”.

Ela sabe. Todos os anos pensa que não consegue mais. Os preparativos para o ano seguinte começam em Setembro. “Quando chego a Maio digo que já não aguento e que não vou fazer nada. Mas depois acabo por mudar de ideias e é muito gratificante”, diz. Até ao próximo. Sempre com um sorriso.

A SÁBADO viajou para os EUA com o apoio da FLAD

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