Pela liberdade e pela democracia

É uma petição pública. O seu valor jurídico será nulo. Nem sequer será vinculativo. Mas pode ser um sinal forte para quem de direito: de que não vamos ficar parados perante mais um ataque ao direito à informação.

Para: Administração e Acionistas da Controlinveste

A democracia faz-se com uma comunicação social livre. A liberdade constrói-se com uma comunicação social plural. Quarenta anos depois do 25 de Abril, num momento em que a crise social e económica atinge com inusitada violência os portugueses, não é possível aceitar de braços cruzados que a Controlinveste desfira mais um golpe (“este processo não é possível de realizar sem dor”, diz a Administração) no “Diário de Notícias”, no “Jornal de Notícias”, na “Notícias Magazine”, na TSF, na Global Imagens e em “O Jogo”.

Numa operação relâmpago, a empresa avançou com a intenção de despedimento coletivo de 140 trabalhadores, entre eles 64 jornalistas no DN, JN, TSF, NM, GI e “O Jogo” e a rescisão de contrato com outros 20. Como pode defender a Administração que “continuará a informar as pessoas onde quer que estas se encontrem”, com a dispensa de 160 trabalhadores? Como pode insistir que este processo tornará o “grupo mais plural, mais forte, o mais influente e respeitado do país”? É querer fazer mais com muito menos, depois de se cortar a eito, com critérios de despedimento pouco claros e desenhados numa sacrossanta folha de excel.

O DN e o JN ficaram reduzidos às suas sedes: o “Diário de Notícias” assume-se como jornal da capital e o “Jornal de Notícias” queda-se por Porto-Gaia. Num e noutro, o País ficou reduzido a quase nada, a Política levou forte machadada, sobretudo no JN, com o argumento de que é área que não interessa aos leitores e a Cultura no DN foi quase esvaziada. Na TSF, há défice óbvio nas equipas que coloca cada vez mais em causa a emissão de continuidade de uma “rádio jornal”. A Global Imagens fica dependente de colaboradores e deixa de poder entrar a sério no mercado de agências de fotografia.

Em todas as redações quem fica, ficará a fazer mais, com muitos numa situação de precariedade, outros obrigados a uma lista de tarefas que inibe o tempo e o espaço para um jornalismo de qualidade e rigor que faça diferença e traga mais leitores e ouvintes.

Desde há muito que o “plano” para as publicações da Controlinveste encerra uma breve, mas fecunda, história de despedimentos, extinção de títulos, de perda e de perdas. Em 2009, foi o primeiro despedimento coletivo com a dispensa de 119 trabalhadores (60% de jornalistas) e o encerramento, em junho de 2010, do diário “24 Horas” e do gratuito “Global”.

A intenção deste novo despedimento coletivo e o que a Administração diz na sua justificação deixam poucas dúvidas: a empresa precipita uma fusão do DN e do JN, uma perda de identidade dos jornais, sem que se perceba onde quer a empresa reforçar a “diversidade” e “pluralidade” de vozes.

Consideramos ser um gesto de cidadania assinar este manifesto:

* Contra o despedimento coletivo/seletivo no “Jornal de Notícias”!
* Contra o despedimento coletivo/seletivo no “Diário de Notícias”!
* Contra o despedimento coletivo/seletivo na revista “Notícias Magazine”!
* Contra o despedimento coletivo/seletivo na Global Imagens!
* Contra o despedimento coletivo/seletivo em “O Jogo”!
* Contra o despedimento coletivo/seletivo na rádio TSF!

Porto/Lisboa, Julho de 2014

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