A banalização da violência

Horário nobre. Abertura de telejornal. Notícia da queda de um avião na Ucrânia. Pode ter sido abatido, dizem. A televisão russa foi rápida a chegar ao local. As imagens correram mundo através das agências internacionais. São postas no ar. Sem filtros. À hora de jantar, uma família olha para o ecrã. Destroços. Mortos. Corpos amontoados. Ali à mesa. Os adultos indignam-se. As crianças impressionam-se. O jornalismo levou mais um golpe.

Ontem foi a queda de um avião. Há dois dias as imagens de crianças mortas em Gaza. Há três as vítimas da guerra na Síria. Imagens explícitas. Desnecessárias. Desde quando é que a violência nos órgãos de comunicação social se tornou banal? Jonas Savimbi apareceu morto na capa de um jornal. Saddam Hussein e Bin Laden também. Mas mostrar os seus corpos podia ser necessário para que o mundo visse que tinham realmente desaparecido. As crianças em Gaza? Gratuito. Mais uma vez: quando é que se tornou banal? Os bombardeamentos no Iraque também foram transmitidos em directo. Parecia um filme. Não era. Lá em baixo estavam pessoas a morrer. Em directo. Outra vez: quando é que deixou de haver filtro? É hora de parar. E pensar.

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