“Invasão islâmica”? E que tal parar para pensar um bocado?

Quem tiver olhado para algumas páginas nas redes sociais  ou escutado atentamente os fóruns de opinião pode ficar tentado a pensar que não estamos perante uma das maiores crises humanitárias de que há memória mas sim a enfrentar uma enorme conspiração muçulmana. Ou como disse esta segunda-feira uma senhora no Fórum da TSF, perante “uma quinta coluna islâmica que está a invadir a Europa”.

Vamos lá pensar um bocadinho no assunto. No meio dos milhares de refugiados que chegam à Europa podem estar membros de organizações terroristas? Podem. Mas também podem estar entre os milhares de passageiros que todos os dias aterram nos aeroportos europeus; nos milhares que desembarcam em cruzeiros e barcos, nos milhares que viajam de comboio, ou nos que entram na Europa de carro. Em última instância, até podem vir de bicicleta. Mas não é por isso que se ouvem vozes a pedir para fechar aeroportos, portos ou vias ferroviárias e rodoviárias. Em última instância, dizer que no meio dos refugiados podem estar terroristas que nos querem fazer mal é o mesmo que dizer que pode chover no Verão ou que pode fazer sol no Inverno. Poder, pode, mas ninguém sabe se vai acontecer.

Para os mais distraídos, tenho uma novidade: nem a Al Qaeda (AQ) nem o Estado Islâmico (EI) precisam de enviar bombistas suicidas no meio dos refugiados. Eles já estão entre nós. Nasceram na Europa, são filhos de todos os géneros de classes e por qualquer razão acabaram por se radicalizar e converter a uma ideologia extremista. Apesar de mais de quatro mil já terem viajado para a Síria para lutar no conflito contra Bashar Al Assad, muitos outros continuam por cá. E é a esses que o EI e a AQ têm apelado para realizar atentados. Lembram-se do Charlie Hebdo? Pois. Mais um detalhe: pelo menos o Estado Islâmico considera o abandono do “califado” como um grave pecado. E já sabemos como eles lidam com as violações à “lei islâmica”.

Colocar a possibilidade de existirem infiltrados entre os refugiados e agir em conformidade é algo que deve, obviamente, preocupar Forças de Segurança e Serviços de Informações. Mas nós, enquanto comunidade, civilização que se diz portadora de um conjunto de valores e defensora dos direitos humanos não pode fazer outra coisa a não ser ajudar aquelas pessoas. Que não são migrantes. São refugiados. Gente que foi obrigada a abandonar a sua casa, o mundo que conhecia, para arriscar a vida numa viagem sem saber se seriam bem sucedidos. E não estamos apenas a falar da Síria. Estamos a falar do Afeganistão, Paquistão, Iraque, Líbia, Tunísia, Argélia, Sudão, Mali, Etiópia, Iémen, etc. Países em guerra civil ou onde a autoridade do estado é de tal forma inexistente que a lei do mais forte é a verdadeira palavra de ordem.

Quem tem dúvidas sobre a coisa certa a fazer, deve fazer as seguintes perguntas a si próprio: “Se vivesse num país em guerra civil e a morte rondasse as esquinas, o que faria para escapar? Para onde iria? Que tipo de ajuda gostaria de ter? Como gostava que me recebessem?” As respostas a estas perguntas dirão muito sobre a Europa enquanto projecto civilizacional. E também sobre nós mesmos.

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Sim, é um homem a tentar chegar a terra firme com o filho bebé numa pequena bóia

6 thoughts on ““Invasão islâmica”? E que tal parar para pensar um bocado?

  1. O problema é a religião deles que colide com a liberdade de pensamento , não aceita que alguém possa sair da mesma, querem a impor aos outros pela força e ameaça, tratam mal as mulheres, vivem de acordo com premissa pré históricas etc etc, enfim um perigo para o mundo e para a civilização .

  2. Incrível que se continue a esconder a verdadeira razão de toda esta crise: A super explosão demográfica no ME e África sub-sahariana. A população da Síria, entre 1960 e 2010, passou de 4,5 milhões para aproximadamente 23 milhões. Na Turquia, de 30 milhões para mais de 80 milhões. Na Arábia Saudita de 4 milhões para 28 milhões. A população do Iraq entre 1926 e 2010 cresceu 1100%. Na África sub-sahariana a população cresce com 30 milhões de pessoas por ano. Esta é a verdadeira calamidade. O enorme impacto sobre a natureza e os recursos naturais resultantes de uma política ideológica de hiper-natalidade cujos objectivos não irei aqui discutir. Abrir as fronteiras e importar uma explosão demográfica não é aconselhável. Não resolve o problema na origem e vai criar enormes problemas nos países de acolhimento. Incrivelmente, têm estado a esconder este facto da opinião pública.

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