“Temos que vencer o medo pelos nossos filhos. O teu medo de hoje vai ser a tragédia dele amanhã”

Ouvi falar do Luaty Beirão pela primeira vez em 2012. Acho que foi quando ele foi preso à chegada a Lisboa depois de “alguém”, no aeroporto de Luanda, que lhe colocar um pacote de cocaína na bagagem. Mas a coisa foi tão mal feita que ele foi libertado no dia seguinte. O processo, obviamente, não deu em nada.

No mesmo ano voltei a vê-lo. Agora como um dos protagonistas de um documentário da Al Jazeera sobre o nascimento de um movimento de jovens inspirado na Primavera Árabe que pedia reformas democráticas. Um dado saltava à vista: as manifestações que tinham começado no ano anterior tinham sido as primeiras em 32 anos em Angola. Fui rever esse documentário para escrever o artigo sobre o Luaty Beirão que há 26 dias está em greve de fome em protesto contra o prolongamento da prisão preventiva de 16 jovens (por estarem a ler um livro, diga-se), passados que estão todos os prazos legais. Nele podemos recordar a origem dos protestos em Angola, percebemos a importância do rap como forma de luta e contestação social, encontramos todos os motivos que levaram este “filho do regime” a contestar a situação em Angola e as dificuldades com que eles se deparam.

#liberdadejá!

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