Paris não é uma cidade em guerra

A 11 de Janeiro milhões de pessoas concentraram-se na Praça da República, em Paris, numa manifestação em nome da liberdade de expressão e contra a violência, na sequência dos atentados ao semanário satírico Charlie Hebdo e ao Hiper Casher. Dez meses depois, o mesmo sentimento de repulsa ocupa o pensamento daqueles que rumaram ao mesmo local para prestar homenagem às vítimas daquele que já é considerado o maior atentado terrorista da história da França. Aí, bem na base da estátua, alguém escreveu num graffiti gigante: “Não matarás”.

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A mensagem é para aqueles – bem como para os seus “inspiradores” – que, esta sexta-feira, 13 de Novembro, lançaram o pânico na capital francesa e causaram mais de 128 mortos e centenas de feridos. O centro da carnificina foi ali perto, no Teatro do Bataclan, entre a Boulevard Voltaire e a Boulevard Richard Lenoir, onde cerca de 1500 pessoas assistiam a um concerto dos Eagles of Death Metal.

Um dia depois do massacre, as ruas em redor continuam bloqueadas ao trânsito. Em alguns locais espalham-se ramos de flores e mensagens como “Os franceses combatem os ladrões de vidas. Saibam-no terroristas.”

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Jornalistas e populares são mantidos a uma distância de segurança. Na verdade, a maioria são repórteres que partiram de todo o mundo assim que as notícias da dimensão do ataque se espalharam a toda a velocidade. Os outros são anónimos que ali se deslocaram para prestar a sua homenagem em silêncio. Alguns, como Phillipe, cujo amigo ficou ferido durante os ataques e está internado, mas estável. Outras, como Reem e Arline, duas amigas que vivem na zona e que foram deixar uma rosa branca e não conseguem esconder a perturbação. Ou ainda como Donate e o marido que estão de férias em Paris e que não quiseram deixar de passar pelo local da tragédia, fotografá-lo, ver com os próprios olhos as imagens do terror.

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Entre eles o sentimento é unânime. “A França não pode ter medo. Isso é o que os terroristas querem.” Talvez por isso, para além das zonas em redor dos atentados, a vida em Paris parece continuar normalmente. Apesar da atmosfera pesada, de cinemas, grandes lojas e serviços públicos que estão fechados, os cafés e os restaurantes continuam abertos a funcionar. Paris não é uma cidade em guerra. De todo. Apesar de ser nisso que alguns a querem tornar.

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