É propaganda? É! É importante? Claro! Deve ser divulgado? Sem dúvida!

Era sexta-feira 13. Preparava-me para sair para um encontro quando um link colocado numa conta do auto-proclamado Estado Islâmico (EI) no Twitter me chamou a atenção. Dava conta da presença, pela primeira vez, de jihadistas suecos num vídeo de propaganda do EI. Mas um dos frames partilhados mostrava dois combatentes negros. As suas feições eram-me familiares. Seria aquele o primeiro vídeo com os dois irmãos de Massamá de cara descoberta?

Passei os 20 minutos seguintes à procura de um link que funcionasse. O vídeo tinha sido colocado online na noite de quinta-feira mas estava a ser sucessivamente removido pelo You Tube e pelos outros sítes de partilhas de vídeo existentes na internet. Quando consegui fazer o download, não tive dúvidas de que tinha nas mãos um documento importante.

Depois de confirmar a identidade de Celso e Edgar, dois dos cerca de 15 portugueses que se juntaram ao EI, foi preciso decidir o que fazer. Publicar? Não publicar? Afinal, trata-se de um vídeo de propaganda do EI, ainda que não mostre qualquer execução ou tortura. É um dos muitos vídeos colocados diariamente online que pretendem mostrar o dia-a-dia na Síria e no Iraque. No caso tratava-se do dia de Eid al-Adha (a festa de sacrifício), que assinala a disponibilidade de Abrão em seguir as ordens de Deus e sacrificar o seu filho Ismael. Depois dos três minutos em que surgem os dois portugueses, seguem-se 14 minutos de sacrificio de cordeiros e da distribuição da sua carne pelos pobres. Ou seja, nada que interessasse os leitores ou as autoridades.

Já no que diz respeito aos minutos iniciais do vídeo, não é assim. Pela primeira vez, os dois irmãos criados em Massamá surgem num vídeo do EI de cara destapada. Ou seja, aquelas imagens são uma prova concreta da sua presença na Síria. Estão armados. Fazem a apologia da jihad. Para as autoridades, que têm a correr um processo por terrorismo no Departamento Central de Investigação e Acção Penal, é o elemento que faltava para provar sem sombra de dúvida a sua presença num palco de conflito. Porque se até agora nada os impedia de regressar à Europa e dizer que tinham estado na Síria mas longe de combate, em acções humanitárias, que caberia às autoridades provar o contrário. A prova está aqui. É por isso que tinha de ser divulgado.

Celso e Edgar_o

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