Os ficheiros secretos do Estado Islâmico

É mais um capítulo da saga dos jihadistas portugueses. Depois de as cadeias de rádio e televisão públicas alemãs NDR, WDR e o jornal Sueddeutsche Zeitung terem revelado, a 7 de Março, a existência de milhares de fichas com dados pessoais de voluntários estrangeiros do Estado Islâmico, em Portugal, todos, polícias, serviços secretos e jornalistas, quiseram saber se haveria portugueses nas listas. Uma parte estava acessível na internet, no site sírio Zaman Al Wasl, que a partir dessa data começou a colocar os documentos online – mas rasurados de informação relevante: nomes, contactos, datas, etc.

O editor do site sírio estava disponível para os partilhar nessas condições. Mas para averiguar da veracidade dos documentos – verificar se os nomes e contactos de familiares, que não estão disponíveis publicamente, estavam correctos – era preciso acedê-los na íntegra. Foi isso que os colegas jornalistas alemães, que viram os ficheiros pela primeira vez em Janeiro e os obtiveram, sem pagar, entre Fevereiro e Março, aceitaram fazer: partilhar comigo quaisquer referências que fossem encontradas a Portugal, num trabalho em parceria.

O resultado está hoje na Sábado. Para já, foram encontrados cinco nomes: Nero, Sadjo, Sandro, Micael e Fábio – este último é mencionado como o recrutador de um combatente marroquino. Outros poderão aparecer, apesar de a convicção das autoridades portuguesas ser a de que não haverá surpresas. Ou seja, todos os jihadistas lusos estão identificados e será pouco provável que apareça um novo nome, ao contrário do que já aconteceu, por exemplo, em França. Mas há milhares de ficheiros para analisar, em árabe, cuja tradução é muitas vezes dificultada pelas diferentes grafias usadas para uma mesma palavra. E que apesar de não serem 22 mil, como chegou a ser notíciado, são alguns milhares. Um trabalho para continuar nos próximos tempos.

Por uma questão ética, optámos por rasurar os nomes e os contactos telefónicos dos familiares mencionados nos ficheiros que publicamos. Ninguém deve ser exposto apenas porque um filho ou um sobrinho decidiu aderir a uma organização terrorista. Pelo contrário.

Mundo

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