Al-Baghdadi e a destruição da mesquita de Mossul

Não. Abu Bakr Al Baghdadi não proclamou a existência do “Califado” na mesquita de Al-Nuri, em Mossul, em Julho de 2014. Essa proclamação foi feita cinco dias antes, a 29 de Junho de 2014, pelo então porta voz do Estado Islâmico, Abu Muhammad Al-Adnani. Numa mensagem intitulada “Esta é a promessa de Alá”, traduzida para várias linguas e difundida na internet, foi Al-Adnani quem anunciou pela primeira vez a decisão do grupo terrorista de proclamar a existência do califado.

A 4 de Julho, Abu Bakr Al-Baghdadi apareceu na mesquita central de Mossul não para proclamar o Califado mas sim para dar o seu primeiro sermão como “Califa Ibrahim”. Nessa aparição pública – a única conhecida – Baghdadi usou a maior parte do tempo para apelar à hijra, a migração dos muçulmanos para o califado, que disse ser obrigatória. Apelou, sobretudo, à migração de quadros qualificados: professores, juízes, médicos, engenheiros, militares e pessoal com experiência em serviços e administração pública.

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Coisas da Sábado

Hoje nas bancas: Os segredos das investigações policiais às fortunas ocultas dos ricos e famosos; entrevista a Bernard Kouchner; os deputados que andam com a casa às costas; Centeno e Novo, a dupla que enfrenta os técnicos da Comissão Europeia; as dívidas da Hollywood do Algarve; Arlene Foster, a mulher que tem nas mãos o governo britânico; o preço real dos produtos; a avó que vendeu o prédio que não era dela; juntas de freguesia com projectos originais; investigadores portugueses preparam vacina contra a malária; as aventuras do primeiro português a jogar na Rússia; No GPS: gelados novos e originais no Porto e em Lisboa; António Leal fala sobre o musical de Aristides de Sousa Mendes; entrevista ao músico Perfume Genius; e para guardar um mapa com todas – mesmo todas – as praias da costa portuguesa.

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Um encontro com Madeleine Albright

Quando entrei para o curso de Relações Internacionais, em Setembro de 1996, os Estados Unidos estavam em plena campanha eleitoral. De um lado, o presidente em funções, Bill Clinton. Do outro, o republicano Bob Dole. A eleição era, por isso, tema obrigatório de acompanhar. Tal como as teorias das relações internacionais que moldavam o mundo.

Aquela era ainda uma época de mudanças extraordinárias (não são todas?). O muro de Berlim tinha caído há sete anos e a Europa de Leste atravessava a chamada terceira vaga de democratização (que começou em Portugal, em 1974). Do outro lado do Atlântico, Bill Clinton era um defensor vocal da teoria da paz inter-democrática. Ou seja, da tese de que não há guerra entre democracias.

Depois de ser eleito para um segundo mandato, Clinton escolheu para secretária de Estado a mulher que tinha sido, até então, a representante dos EUA na Organização das Nações Unidas. Chamava-se Madeleine Albright. Natural da Checoslováquia – e por isso impedida de se candidatar à presidência -, foi a primeira mulher a ocupar o cargo. E nos anos seguintes tornou-se a grande artífice da expansão da NATO para a Europa de Leste e até hoje uma vocal defensora da paz entre democracias.

Nesse ano, Vasco Rato era o meu professor de Teoria das Relações Internacionais. Recordo-me que no fim do ano, durante o obrigatório exame oral, ele me perguntou o que achava da Teoria da Paz Inter-Democrática. Devo ter dito uma asneira qualquer porque ele respondeu-me com ar de poucos amigos: “então o senhor acha que o Bill Clinton é burro?” Lá balbuciei qualquer coisa, mas confesso que a partir daí não me lembro de muito mais. Só sei que passei com uma nota miserável e que nunca mais me esqueci do que é a paz inter-democrática e de quem foram os seus defensores.

Foi por isso engraçado ver o Vasco Rato, hoje presidente da FLAD, a moderar o debate com Madeleine Albright nas últimas conferências do Estoril (e sim, ela falou na paz entre democracias, teoria em que continua a acreditar). Mas melhor foi ter tido a oportunidade de a entrevistar em exclusivo, entre o fim do debate e o início da conferência de imprensa. Foram apenas 15 minutos, contados ao segundo pela assessora atenta que a acompanhava para todo o lado. No final, não lhe contei esta história. Mas não resisti em pedir-lhe para tirar com ela uma fotografia para a história. Obrigado, madam secretary.

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Foto original: Pedro Zenkl

Coisas da Sábado

Amanhã nas bancas: dietas radicais para ficar em forma num mês; entrevista com Madeleine Albright; (Santo) António Costa, o homem a quem tudo corre bem; o Ministério Público continua atrás dos milhões de Armando Vara; Manuel Pinho é o próximo alvo da investigação aos negócios da EDP; os novos retornados que vêm da Venezuela; quem são os ideólogos dos extremistas britânicos; as melhores histórias da biografia do juiz Carlos Alexandre; as mulheres portuguesas condenadas à morte; entrevista ao chef Vítor Sobral; a poderosa herdeira da Samsung; e entrevista a Pedro Lamy. No GPS: saiba onde comer a melhor sardinha assada; vem aí a febre dos festivais de Verão; entrevista a Arto Lindsay; o regresso literário de Arundhati Roy; e muito mais.

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Coisas da Sábado

Hoje nas bancas: A nova loucura das casas; os homens, a política e as fraldas; a maratona autárquica de Passos Coelho; a ligação líbia ao ataque em Manchester; o que acontece se Michel Temer deixar o Planalto?; o advogado que enganou o produtor de filmes para adultos; as histórias mais insólitas dos cruzeiros; as memórias do embaixador japonês em Portugal; guia de boas práticas para juízes e advogados ouvirem crianças; os vestidos da digressão europeia de Melania Trump; e muito mais.

No GPS: o que comem os filhos dos chefs; guia para tirar o melhor da Feira do Livro; os Guns N’ Roses em Lisboa e o mês das festas em Lisboa. Boas leituras.

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Será Angela Merkel a líder de uma nova Europa?

“One of the key purposes of NATO was to embed Germany in an international framework that would prevent it from becoming a threat to European peace as it had been in World War I and World War II. In the words of NATO’s first secretary general, NATO was supposed “to keep the Russians out, the Americans in, and the Germans down.” Now, Merkel is suggesting that the Americans aren’t really in, and, by extension, Germany and Europe are likely to take on a much more substantial and independent role than they have in the past 70 years.” 

A análise do The Washington Post ao discurso em que a chanceler alemã diz que a era em que podiamos confiar nos aliados terminou.

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Coisas da Sábado

Hoje nas bancas: 50 refúgios para descobrir Portugal; entrevista a Edward Snowden; Carlos Alexandre, Sérgio Moro, Baltazar Garzon e António Di Pietro defendem as denúncias premiadas no combate ao crime organizado e à corrupção; os candidatos autárquicos que mudam de poiso; a saída do procedimento de défice excessivo; o regresso do terror ao Reino Unido; Kakay, o advogado dos poderosos brasileiros; o polícia que fazia assaltos violentos; os testemunhos de quem está proibido de frequentar os locais preferidos; a incrível história do avô de José Avillez; fidget spinner, o novo brinquedo do ano; o casamento de Pippa e James; e todos os números de Cristiano Ronaldo. No GPS as novas pizzas e pizzarias de Lisboa e Porto; entrevista a Pedro Caldeira Cabral; o regresso de Twin Peaks; e muito mais.

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