Al-Baghdadi e a destruição da mesquita de Mossul

Não. Abu Bakr Al Baghdadi não proclamou a existência do “Califado” na mesquita de Al-Nuri, em Mossul, em Julho de 2014. Essa proclamação foi feita cinco dias antes, a 29 de Junho de 2014, pelo então porta voz do Estado Islâmico, Abu Muhammad Al-Adnani. Numa mensagem intitulada “Esta é a promessa de Alá”, traduzida para várias linguas e difundida na internet, foi Al-Adnani quem anunciou pela primeira vez a decisão do grupo terrorista de proclamar a existência do califado.

A 4 de Julho, Abu Bakr Al-Baghdadi apareceu na mesquita central de Mossul não para proclamar o Califado mas sim para dar o seu primeiro sermão como “Califa Ibrahim”. Nessa aparição pública – a única conhecida – Baghdadi usou a maior parte do tempo para apelar à hijra, a migração dos muçulmanos para o califado, que disse ser obrigatória. Apelou, sobretudo, à migração de quadros qualificados: professores, juízes, médicos, engenheiros, militares e pessoal com experiência em serviços e administração pública.

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O Estado Islâmico divulgou uma gravação de Abu Bakr al-Baghdadi

Divulgado ontem, o conteúdo da mensagem áudio foi traduzido e publicado em várias linguas: inglês, francês, russo, turco e alemão. Tem 34 minutos, refere-se a acontecimentos recentes – como os bombardeamentos sauditas no Iémen – e foi divulgado pelo departamento de comunicação do Estado Islâmico, Al Furqan.

No fundo, a gravação áudio de Abu Bakr al-Baghdadi terá um objectivo: pôr fim às especulações de que o auto-proclamado Califa teria morrido ou estaria incapacitado. Na mensagem ele incita os muçulmanos a emigrar para o EI e tenta mobilizar os seus combatentes após a derrota que foi a perda de Tikrit. Faz ainda ameaças à Arábia Saudita e condena a coligação internacional que reuniu dezenas de países no combate contra o grupo. A mensagem pode ser lida aqui.

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