Da Somália à Europa, passando pela África do Sul

Há 17 anos, Jamal Osman deixou a Somália em direcção à África do Sul. O objectivo era chegar à Europa. O Quénia foi a primeira paragem. Depois seguiu-se a Tanzânia e Moçambique e muitos outras paragens. Hoje, ele é um dos repórteres do Channel 4 News. E para contar a história dos muitos imigrantes africanos que todos os dias arriscam a vida numa viagem sem destino certo, resolveu reconstituir a sua própria caminhada rumo a Londres. Esta é a primeira parte dessa reportagem.

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Um genocídio com 20 anos

Há duas décadas, cerca de 800 mil pessoas foram assassinadas no Ruanda em pouco mais de 100 dias. Keith Richburg foi o repórter do The Washington Post que cobriu o conflito. Hoje, ele olha para o que foi o conflito – e para o que o mundo não aprendeu desde então.

A reunião que pode ser decisiva sobre a Guiné Equatorial

O site da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) não lhe faz qualquer referência. O do governo – ou a página do Ministério dos Negócios Estrangeiros – também não. Mas na próxima quinta-feira, dia 20 de Fevereiro, realiza-se em Maputo a XXII Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da CPLP. Uma reunião que poderá ser decisiva para a adesão da Guiné Equatorial à organização dos países de língua portuguesa. A única confirmação oficial de que o encontro vai mesmo ocorrer é a agenda do ministério das Relações Exteriores brasileiro.

Basicamente, os ministros dos Negócios Estrangeiros vão sentar-se à mesa e discutir os avanços no roteiro aprovado em 2010 para a adesão à CPLP do regime liderado há 34 anos por Teodoro Obiang Nguema. Esse acordo previa o cumprimento de três condições fundamentais: o português ser uma língua oficial do país, haver um ensino efectivo da língua e ser aprovada uma moratória à pena de morte. Se fossem satisfeitas, a Guiné Equatorial deixava de ter o estatuto de observador associado para se tornar membro de pleno direito. Os opositores da entrada do país na CPLP dizem que está aqui a génese do problema: se a adesão tivesse sido simplesmente rejeitada o assunto estaria terminado. O roteiro aprovado pelo governo de José Sócrates e pelo Presidente Cavaco Silva serviu apenas para adiar o problema.

A primeira condição foi a mais fácil de cumprir: bastou um decreto presidencial. A segunda levou algum tempo. Em 2012 ainda não tinha atingido níveis satisfatórios e até os telegramas que o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) de Malabo enviava para a CPLP e para o MNE português eram escritos em espanhol. No final do ano passado houve uma evolução: Lisboa afirmou estar disposta a colaborar com Malabo e, em seguida, a Guiné Equatorial pediu ajuda a Portugal para a introdução da língua no sistema curricular e para a entrada da RTP África e RTP Internacional no país. O resultado foi a assinatura, no início deste ano, de cinco protocolos durante a visita a Malabo do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Luís Campos Ferreira: um sobre a formação de professores; outro para a formação de pessoal da administração pública; um terceiro que estabelece a colaboração com a Universidade da Guiné Equatorial; um quarto para o apoio e tradução de documentos oficiais; e um quinto que prevê a colocação de um técnico em Malabo para acompanhar a introdução da língua portuguesa. Só faltou assinar o da entrada da RTP no país.

Ou seja, o capítulo relacionado com o ensino do português está a evoluir. Resta o último e decisivo: a moratória (uma suspensão) da pena de morte. Para Portugal este é um ponto inegociável: apesar da posição dos restantes Estados membros, sem a medida, Lisboa assume o risco de isolamento na organização e não votará a favor da adesão da Guiné Equatorial na cimeira de Julho, em Díli. Para além do Governo, é esse o entendimento do Presidente da República, que é quem representa o país nas cimeiras de chefes de Estado da CPLP que se realizam a cada dois anos. Ou seja, esta é uma das competências partilhadas do país em termos de política externa.

E isto leva-me ao início deste texto. Esta semana, há uma reunião que pode ser decisiva para este assunto. Na perspectiva de que a Guiné Equatorial pudesse anunciar a aprovação da moratória no início deste ano, o ministério dos Negócios Estrangeiros esteve a trabalhar numa eventual visita de Rui Machete a Malabo no próximo dia 21 – no regresso da ministerial da CPLP, em Maputo. Depois o Palácio das Necessidades tentou antecipar o encontro para 18 ou 19 – na ida para Moçambique. Mas a visita só faria sentido se houvesse algo para anunciar. Ou um sinal para ser transmitido. Que até agora ainda não surgiu. E a viagem ficou suspensa. Claro que a moratória ainda pode ser aprovada até Julho. Mas tudo ficará mais complicado. E a pressão sobre Cavaco Silva será maior.

Foto: Luís Filipe Catarino

Foto: Luís Filipe Catarino

Actualização: Às 14h58m o gabinete de informação à imprensa do MNE enviou o seguinte email:

“O Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, chefia a delegação portuguesa à XII Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que se realizará em Maputo, Moçambique, a 20 de fevereiro.

Na agenda estão, entre outros temas, o acompanhamento da situação política na Guiné-Bissau, a apresentação do relatório sobre o processo de adesão da Guiné Equatorial à CPLP e a Aprovação do Plano de Ação de Lisboa. Será também abordada a institucionalização das reuniões de ministros da Energia da CPLP.

Esta reunião terá início com a cerimónia de apresentação da campanha ‘Juntos contra a fome’, na presença de altas entidades moçambicanas.

O programa da deslocação de Rui Machete a Maputo começa a 19 de fevereiro, dia em que o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros irá encontrar-se com o seu homólogo, Oldemiro Baloi, e com outras personalidades políticas moçambicanas.”

As enfermeiras “paralegais”

Cuidar de pessoas à beira da morte requer mais do que o alívio da dor. É necessário cuidar das famílias e prepará-las para o que aí vem.

Leitura para o fim-de-semana: os nossos telemóveis têm sangue de crianças africanas

A explosão dos smartphones e tablets deu-nos um grande conforto: podemos ver as notícias em qualquer lado, consultar o email, ir ao facebook e até actualizar um blogue. No entanto, os recursos naturais necessários a esta tecnologia tornaram-se bens raros… e caros. Matéria prima por que vale a pena lutar, ou obrigar outros a lutar. Como crianças pequenas, no Congo. O artigo é da National Geographic deste mês. 

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The Price of Precious

The minerals in our electronic devices have bankrolled unspeakable violence in the Congo.

By Jeffrey Gettleman
Photograph by Marcus Bleasdale

The first child soldier pops out of the bush clutching an AK-47 assault rifle in one hand and a handful of fresh marijuana buds in the other. The kid, probably 14 or 15, has this big, goofy, mischievous grin on his face, like he’s just stolen something—which he probably has—and he’s wearing a ladies’ wig with fake braids dangling down to his shoulders. Within seconds his posse materializes from the thick, green leaves all around us, about ten other heavily armed youngsters dressed in ratty camouflage and filthy T-shirts, dropping down from the sides of the jungle and blocking the red dirt road in front of us. Our little Toyota truck is suddenly swarmed and immobilized by a four-and-a-half-foot-tall army.

This is on the road to Bavi, a rebel-controlled gold mine on the Democratic Republic of the Congo’s wild eastern edge. Congo is sub-Saharan Africa’s largest country and one of its richest on paper, with an embarrassment of diamonds, gold, cobalt, copper, tin, tantalum, you name it—trillions’ worth of natural resources. But because of never ending war, it is one of the poorest and most traumatized nations in the world. It doesn’t make any sense, until you understand that militia-controlled mines in eastern Congo have been feeding raw materials into the world’s biggest electronics and jewelry companies and at the same time feeding chaos. Turns out your laptop—or camera or gaming system or gold necklace—may have a smidgen of Congo’s pain somewhere in it.

The mine in the Bavi area is a perfect example. It’s controlled by a potbellied warlord called Cobra Matata, though “controlled” may be a strong word. There are no discernible front lines out here marking where government rule definitively ends and Cobra’s territory definitively begins, no opposing troops hunkered down in trenches or foxholes eyeballing each other through their scopes. Instead there are just messy, blurry degrees of influence, often very marginal influence, with a few Congolese government guys lounging under a mango tree in one place, and maybe two miles down the road a few of Cobra’s child soldiers smoking pot, and nothing in between but big, vacant, sparkling green wilderness.

“Sigara! Sigara!” the child soldiers yell, seeking cigarettes. Photographer Marcus Bleasdale and I quickly push fistfuls of Sportsmans, a local brand, out the window, and they are instantaneously gobbled up by feverish little hands. That seems to do the trick, along with a few thousand crumpled Congolese francs, worth less than five bucks, and then we’re on our way again, rumbling down an excruciatingly bumpy dirt road, past thatched-roof villages and banana trees. In the distance giant mountains nose the sky.

When we get to Bavi, we sit down with the village elders and talk gold. The world gold price has quadrupled over the past ten years, but there’s no sign of development or newfound prosperity out here. Bavi has the same broken-down feel of any other village in eastern Congo: a clump of round huts hunched by the road, a market where the shops are made of sticks, shopkeepers torpidly selling heaps of secondhand clothes, and glassy-eyed men reeking of home brew stumbling down the dirt footpaths. There’s no electricity or running water, and the elders say they need medicine and books for the school. The kids are barefoot, their bellies pushed out like balloons from malnutrition or worms or both.

“We’re broke,” says Juma Mafu, one of the elders. “We’ve got a lot of gold but no machines to get it out. Our diggers use their hands. No big companies are ever going to come here unless we have peace.” Which they clearly don’t.

The birds are chirping, and the afternoon sun is slanting behind us as we walk down the hill toward the gold mine. First stop is to say hello to the “minister of mines,” who is at a pub in the market, sitting Buddha-like with his eyes half closed behind a forest of freshly polished-off Primus beer bottles. He is an enormous man and wears a cheap, silvery blazer stretched awkwardly over the thick rolls of fat on his back.

“Hujambo, mzee,” I say, giving him a respectful Swahili greeting.

He burps—loudly. I tell him we’re journalists and we’d like to see the gold mine.

He laughs a nasty little laugh and then says, “How do I know you’re journalists? Maybe you’re spies.” The word “spies” shoots through the market like a spark, igniting a crowd of people, who suddenly flock around us. A one-eyed child soldier glares at us menacingly and fingers his gun. Another young man abruptly announces that he works for the Congolese government intelligence service and wants to see our documents.

Time to leave, I think. Time to leave, right now. As casually as I can manage at this point, though my voice is beginning to crack, I say, “Fine … uh … no problem. Then we’ll just … um … go home.”

But the minister of mines shakes his fat head. “No, no, you won’t. You’re under arrest.”

“For what?” I ask, my throat parched.

“For being in a zone rouge.

Isn’t most of eastern Congo a red zone, controlled by armed groups? I think. But I don’t say anything, because the next minute we’re marched into a car for a five-hour drive to the larger town of Bunia, where we will be held at gunpoint and interrogated in a dark, little house with mysterious stains on the floor.

Uma muralha verde para salvar as cidades africanas

O crescimento do deserto do Sahara há muito que preocupa os ambientalistas e as populações a sul do deserto. Agora, uma medida ambiciosa planeia não só conter o avanço do Sahara como melhorar as condições de vida dos habitantes dessa zona fronteiriça: a construção de uma grande muralha verde. Basicamente trata-se de plantar uma enorme faixa de árvores que atravesse 11 países do continente e ligue o Senegal ao Djibuti. É um projecto difícil de concretizar. Muito. Por todos os motivos. Este vídeo da Time explica porquê.

Uma entrevista ao “melhor dos presidentes” africanos

A intervenção no Mali, a ameaça dos islamitas da Al Qaeda, o crime organizado que afecta toda a região da África Ocidental, a questão de Casamansa, o neocolonialismo e a situação do Senegal são temas abordados por Macky Sall nesta entrevista à Al Jazeera.