Da Somália à Europa, passando pela África do Sul

Há 17 anos, Jamal Osman deixou a Somália em direcção à África do Sul. O objectivo era chegar à Europa. O Quénia foi a primeira paragem. Depois seguiu-se a Tanzânia e Moçambique e muitos outras paragens. Hoje, ele é um dos repórteres do Channel 4 News. E para contar a história dos muitos imigrantes africanos que todos os dias arriscam a vida numa viagem sem destino certo, resolveu reconstituir a sua própria caminhada rumo a Londres. Esta é a primeira parte dessa reportagem.

Um genocídio com 20 anos

Há duas décadas, cerca de 800 mil pessoas foram assassinadas no Ruanda em pouco mais de 100 dias. Keith Richburg foi o repórter do The Washington Post que cobriu o conflito. Hoje, ele olha para o que foi o conflito – e para o que o mundo não aprendeu desde então.

A reunião que pode ser decisiva sobre a Guiné Equatorial

O site da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) não lhe faz qualquer referência. O do governo – ou a página do Ministério dos Negócios Estrangeiros – também não. Mas na próxima quinta-feira, dia 20 de Fevereiro, realiza-se em Maputo a XXII Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da CPLP. Uma reunião que poderá ser decisiva para a adesão da Guiné Equatorial à organização dos países de língua portuguesa. A única confirmação oficial de que o encontro vai mesmo ocorrer é a agenda do ministério das Relações Exteriores brasileiro.

Basicamente, os ministros dos Negócios Estrangeiros vão sentar-se à mesa e discutir os avanços no roteiro aprovado em 2010 para a adesão à CPLP do regime liderado há 34 anos por Teodoro Obiang Nguema. Esse acordo previa o cumprimento de três condições fundamentais: o português ser uma língua oficial do país, haver um ensino efectivo da língua e ser aprovada uma moratória à pena de morte. Se fossem satisfeitas, a Guiné Equatorial deixava de ter o estatuto de observador associado para se tornar membro de pleno direito. Os opositores da entrada do país na CPLP dizem que está aqui a génese do problema: se a adesão tivesse sido simplesmente rejeitada o assunto estaria terminado. O roteiro aprovado pelo governo de José Sócrates e pelo Presidente Cavaco Silva serviu apenas para adiar o problema.

A primeira condição foi a mais fácil de cumprir: bastou um decreto presidencial. A segunda levou algum tempo. Em 2012 ainda não tinha atingido níveis satisfatórios e até os telegramas que o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) de Malabo enviava para a CPLP e para o MNE português eram escritos em espanhol. No final do ano passado houve uma evolução: Lisboa afirmou estar disposta a colaborar com Malabo e, em seguida, a Guiné Equatorial pediu ajuda a Portugal para a introdução da língua no sistema curricular e para a entrada da RTP África e RTP Internacional no país. O resultado foi a assinatura, no início deste ano, de cinco protocolos durante a visita a Malabo do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Luís Campos Ferreira: um sobre a formação de professores; outro para a formação de pessoal da administração pública; um terceiro que estabelece a colaboração com a Universidade da Guiné Equatorial; um quarto para o apoio e tradução de documentos oficiais; e um quinto que prevê a colocação de um técnico em Malabo para acompanhar a introdução da língua portuguesa. Só faltou assinar o da entrada da RTP no país.

Ou seja, o capítulo relacionado com o ensino do português está a evoluir. Resta o último e decisivo: a moratória (uma suspensão) da pena de morte. Para Portugal este é um ponto inegociável: apesar da posição dos restantes Estados membros, sem a medida, Lisboa assume o risco de isolamento na organização e não votará a favor da adesão da Guiné Equatorial na cimeira de Julho, em Díli. Para além do Governo, é esse o entendimento do Presidente da República, que é quem representa o país nas cimeiras de chefes de Estado da CPLP que se realizam a cada dois anos. Ou seja, esta é uma das competências partilhadas do país em termos de política externa.

E isto leva-me ao início deste texto. Esta semana, há uma reunião que pode ser decisiva para este assunto. Na perspectiva de que a Guiné Equatorial pudesse anunciar a aprovação da moratória no início deste ano, o ministério dos Negócios Estrangeiros esteve a trabalhar numa eventual visita de Rui Machete a Malabo no próximo dia 21 – no regresso da ministerial da CPLP, em Maputo. Depois o Palácio das Necessidades tentou antecipar o encontro para 18 ou 19 – na ida para Moçambique. Mas a visita só faria sentido se houvesse algo para anunciar. Ou um sinal para ser transmitido. Que até agora ainda não surgiu. E a viagem ficou suspensa. Claro que a moratória ainda pode ser aprovada até Julho. Mas tudo ficará mais complicado. E a pressão sobre Cavaco Silva será maior.

Foto: Luís Filipe Catarino

Foto: Luís Filipe Catarino

Actualização: Às 14h58m o gabinete de informação à imprensa do MNE enviou o seguinte email:

“O Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, chefia a delegação portuguesa à XII Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que se realizará em Maputo, Moçambique, a 20 de fevereiro.

Na agenda estão, entre outros temas, o acompanhamento da situação política na Guiné-Bissau, a apresentação do relatório sobre o processo de adesão da Guiné Equatorial à CPLP e a Aprovação do Plano de Ação de Lisboa. Será também abordada a institucionalização das reuniões de ministros da Energia da CPLP.

Esta reunião terá início com a cerimónia de apresentação da campanha ‘Juntos contra a fome’, na presença de altas entidades moçambicanas.

O programa da deslocação de Rui Machete a Maputo começa a 19 de fevereiro, dia em que o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros irá encontrar-se com o seu homólogo, Oldemiro Baloi, e com outras personalidades políticas moçambicanas.”

As enfermeiras “paralegais”

Cuidar de pessoas à beira da morte requer mais do que o alívio da dor. É necessário cuidar das famílias e prepará-las para o que aí vem.

Leitura para o fim-de-semana: os nossos telemóveis têm sangue de crianças africanas

A explosão dos smartphones e tablets deu-nos um grande conforto: podemos ver as notícias em qualquer lado, consultar o email, ir ao facebook e até actualizar um blogue. No entanto, os recursos naturais necessários a esta tecnologia tornaram-se bens raros… e caros. Matéria prima por que vale a pena lutar, ou obrigar outros a lutar. Como crianças pequenas, no Congo. O artigo é da National Geographic deste mês. 

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The Price of Precious

The minerals in our electronic devices have bankrolled unspeakable violence in the Congo.

By Jeffrey Gettleman
Photograph by Marcus Bleasdale

The first child soldier pops out of the bush clutching an AK-47 assault rifle in one hand and a handful of fresh marijuana buds in the other. The kid, probably 14 or 15, has this big, goofy, mischievous grin on his face, like he’s just stolen something—which he probably has—and he’s wearing a ladies’ wig with fake braids dangling down to his shoulders. Within seconds his posse materializes from the thick, green leaves all around us, about ten other heavily armed youngsters dressed in ratty camouflage and filthy T-shirts, dropping down from the sides of the jungle and blocking the red dirt road in front of us. Our little Toyota truck is suddenly swarmed and immobilized by a four-and-a-half-foot-tall army.

This is on the road to Bavi, a rebel-controlled gold mine on the Democratic Republic of the Congo’s wild eastern edge. Congo is sub-Saharan Africa’s largest country and one of its richest on paper, with an embarrassment of diamonds, gold, cobalt, copper, tin, tantalum, you name it—trillions’ worth of natural resources. But because of never ending war, it is one of the poorest and most traumatized nations in the world. It doesn’t make any sense, until you understand that militia-controlled mines in eastern Congo have been feeding raw materials into the world’s biggest electronics and jewelry companies and at the same time feeding chaos. Turns out your laptop—or camera or gaming system or gold necklace—may have a smidgen of Congo’s pain somewhere in it.

The mine in the Bavi area is a perfect example. It’s controlled by a potbellied warlord called Cobra Matata, though “controlled” may be a strong word. There are no discernible front lines out here marking where government rule definitively ends and Cobra’s territory definitively begins, no opposing troops hunkered down in trenches or foxholes eyeballing each other through their scopes. Instead there are just messy, blurry degrees of influence, often very marginal influence, with a few Congolese government guys lounging under a mango tree in one place, and maybe two miles down the road a few of Cobra’s child soldiers smoking pot, and nothing in between but big, vacant, sparkling green wilderness.

“Sigara! Sigara!” the child soldiers yell, seeking cigarettes. Photographer Marcus Bleasdale and I quickly push fistfuls of Sportsmans, a local brand, out the window, and they are instantaneously gobbled up by feverish little hands. That seems to do the trick, along with a few thousand crumpled Congolese francs, worth less than five bucks, and then we’re on our way again, rumbling down an excruciatingly bumpy dirt road, past thatched-roof villages and banana trees. In the distance giant mountains nose the sky.

When we get to Bavi, we sit down with the village elders and talk gold. The world gold price has quadrupled over the past ten years, but there’s no sign of development or newfound prosperity out here. Bavi has the same broken-down feel of any other village in eastern Congo: a clump of round huts hunched by the road, a market where the shops are made of sticks, shopkeepers torpidly selling heaps of secondhand clothes, and glassy-eyed men reeking of home brew stumbling down the dirt footpaths. There’s no electricity or running water, and the elders say they need medicine and books for the school. The kids are barefoot, their bellies pushed out like balloons from malnutrition or worms or both.

“We’re broke,” says Juma Mafu, one of the elders. “We’ve got a lot of gold but no machines to get it out. Our diggers use their hands. No big companies are ever going to come here unless we have peace.” Which they clearly don’t.

The birds are chirping, and the afternoon sun is slanting behind us as we walk down the hill toward the gold mine. First stop is to say hello to the “minister of mines,” who is at a pub in the market, sitting Buddha-like with his eyes half closed behind a forest of freshly polished-off Primus beer bottles. He is an enormous man and wears a cheap, silvery blazer stretched awkwardly over the thick rolls of fat on his back.

“Hujambo, mzee,” I say, giving him a respectful Swahili greeting.

He burps—loudly. I tell him we’re journalists and we’d like to see the gold mine.

He laughs a nasty little laugh and then says, “How do I know you’re journalists? Maybe you’re spies.” The word “spies” shoots through the market like a spark, igniting a crowd of people, who suddenly flock around us. A one-eyed child soldier glares at us menacingly and fingers his gun. Another young man abruptly announces that he works for the Congolese government intelligence service and wants to see our documents.

Time to leave, I think. Time to leave, right now. As casually as I can manage at this point, though my voice is beginning to crack, I say, “Fine … uh … no problem. Then we’ll just … um … go home.”

But the minister of mines shakes his fat head. “No, no, you won’t. You’re under arrest.”

“For what?” I ask, my throat parched.

“For being in a zone rouge.

Isn’t most of eastern Congo a red zone, controlled by armed groups? I think. But I don’t say anything, because the next minute we’re marched into a car for a five-hour drive to the larger town of Bunia, where we will be held at gunpoint and interrogated in a dark, little house with mysterious stains on the floor.

Uma muralha verde para salvar as cidades africanas

O crescimento do deserto do Sahara há muito que preocupa os ambientalistas e as populações a sul do deserto. Agora, uma medida ambiciosa planeia não só conter o avanço do Sahara como melhorar as condições de vida dos habitantes dessa zona fronteiriça: a construção de uma grande muralha verde. Basicamente trata-se de plantar uma enorme faixa de árvores que atravesse 11 países do continente e ligue o Senegal ao Djibuti. É um projecto difícil de concretizar. Muito. Por todos os motivos. Este vídeo da Time explica porquê.

Uma entrevista ao “melhor dos presidentes” africanos

A intervenção no Mali, a ameaça dos islamitas da Al Qaeda, o crime organizado que afecta toda a região da África Ocidental, a questão de Casamansa, o neocolonialismo e a situação do Senegal são temas abordados por Macky Sall nesta entrevista à Al Jazeera.

A batalha americana pelo mundo lusófono – e a ausência portuguesa da equação

Aos poucos, a administração de Barack Obama, tem voltado as suas atenções para a África Ocidental. Mais concretamente, para os países lusófonos. De acordo com o que, ontem, Nikolas Kozloff escreveu num blogue do The Huffington Post, Washington quer instalar uma base em Cabo Verde e outra em São Tomé e Príncipe. O objectivo será combater o tráfico de droga na região – sobretudo na Guiné-Bissau -, ter pontos de apoio para enfrentar a expansão do radicalismo islâmico em África, mas também estar numa boa posição para assegurar aos Estados Unidos uma parte do petróleo que pode ser descoberto no Golfo da Guiné e, dessa forma, diversificar as suas fontes energéticas. Neste último ponto, os norte-americanos têm a concorrência da China que nos últimos anos investiram fortemente em África e estão a usar a comunidade macaense que ainda fala português para chegar ao mundo lusófono. Mas o mais impressionante nesta análise é a ausência de Portugal como um actor relevante nesta estratégia de aproximação americana aos países da CPLP. Para parceiro privilegiado, Washington escolheu… o Brasil. O melhor é ler.

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“Washington and the Battle for the African Lusophone World”

With the winding down of the wars in Iraq and Afghanistan, Washington is turning its sights elsewhere. Quietly, the Obama administration is building up a vast array of military resources in West Africa, and specifically in Portuguese-speaking Lusophone countries. Reportedly, the Pentagon wants to establish a monitoring station in the Cape Verde islands, while further south in the Gulf of Guinea U.S. ships and personnel are patrolling local waters. Concerned lest it draw too much attention to itself, the Pentagon has avoided constructing large military installations and focused instead on a so-called “lily pad” strategy of smaller bases. In São Tomé and Príncipe, an island chain in the Gulf of Guinea and former Portuguese colony, the Pentagon may install one such “under the radar” base, and U.S. Navy Seabees are already engaged in construction work at the local airport.

Just why has the Obama administration invested so much time and effort in this corner of the globe? To be sure, controlling remote “lily pads” may come in handy in the battle against Islamist militants operating farther inland in such countries as Mali and Niger. Washington also wants to counteract drug smuggling emanating from West Africa, a volatile and politically unstable region. Guinea-Bissau, a former Portuguese colony, has in recent years turned into a cocaine hub, and the United Nations has called the country a “narco-state.” Guinea-Bissau is geographically situated at Africa’s most westerly point, and South American smugglers are thought to transport drug shipments from here on to Cape Verde and then to Europe.

Reportedly, Brazil has become South America’s largest net exporter of drugs to Africa. However, in recent years African traffickers have begun to produce methamphetamines and have muscled in on their Latin counterparts, wresting an increasingly large portion over the drug smuggling business. The Africans ship cocaine by sea and have assumed international control over cocaine exports as far away as the Brazilian city of São Paulo. Brazilian drug traffickers, meanwhile, are left with the domestic side of the business and are forced to sell coke to locals.

Oil Intrigue in the Gulf of Guinea

To be sure then, the U.S. is interested in patrolling West African waters in an effort to stem the tide of drug traffic. There may be other, less public reasons for the U.S. military buildup in the region, however. In an effort to ease its dependence on the volatile Middle East, the U.S. is looking elsewhere for its oil and is likely to receive a whopping 25 percent of its imported petroleum from Africa by 2015. Former American Vice Admiral and Deputy Commander of the U.S. Africa Command Robert Moeller has stated that protecting “the free flow of natural resources from Africa to the global market” is highly important, as well as forestalling oil disruption. What is more, the U.S. must now confront a rising China, a nation which is also interested in securing oil deposits in West Africa.

In its drive to acquire natural resources, China has been pursuing offshore oil exploration contracts in the politically unstable nation of São Tomé and Príncipe. In 2009, Chinese petroleum corporation Sinopec acquired Swiss company Addax which gave Beijing control over four oil blocs in the São Tomé and Príncipe-Nigeria joint development zone. The Sinopec purchase in the Gulf of Guinea made China the leading player in the São Tomé and Príncipe oil sector. Whether the islands will actually take off as a major oil producer is still unclear, though drilling is under way and commercial production is expected to begin within a few years.

If São Tomé and Príncipe take off as a major oil supplier, China will certainly be well positioned to reap maximum reward from the petroleum bonanza. However, Beijing will also have to reckon with a growing U.S. military profile on the islands. Recently, U.S. Navy Seabees have been renovating a boat ramp on São Tomé’s coast guard base and building a guard house on the premises. Meanwhile, the Pentagon and State Department have installed a new surface surveillance system on the islands. São Tomé and Príncipe is the first African nation to install the program and to integrate such technology into its overall maritime safety program.

A Growing Role for São Tomé and Príncipe

Meanwhile, politicians on the island have broached the idea of deepening security ties, and Washington is reportedly receptive to the notion. U.S. officials see the island chain as a lily pad or forward operating base staffed by several hundred troops. São Tomé and Príncipe could be a promising site, the Americans believe, since the islands are heavily Catholic and have no history of Islamic militancy. Recently, American Coast Guard cutters have been patrolling local waters in an effort to assess threats to oil access. Coming ashore, the crewmen then fix door hinges no less in a blatant public relations maneuver.

Needless to say, not everyone is thrilled about the contingency plans. Speaking to the Associated Press, one local legislator was under no illusions about the growing American presence. “Unfortunately,” he remarked, “Americans are interested in São Tomé because of oil, but São Tomé existed before that.” Former Prime Minister Guilherme Posser, meanwhile, says there should be greater transparency when it comes to military discussions. The notion of a base should be submitted to a national referendum, he argues.

The China-Macau Connection

Faced with a growing U.S. profile in West Africa, the Chinese have busily sought to counteract such influence. According to a sensitive U.S. diplomatic cable, Chinese immigrants advance the Asian Tiger’s business interests in the region by forming joint ventures with African firms. The influx of new Chinese entrepreneurs has been accompanied by “organized crime elements, which are involved in trafficking, smuggling, and other illegal activities.” Moreover, in a specific effort to counteract the U.S. in African Lusophone countries, Beijing has appealed to its own business community in Macau, a peninsula connected to the southern Chinese mainland. A former Portuguese colony, Macau reverted to Chinese rule in 1999.

Speaking with American diplomats, local contacts told the U.S. Consulate in Hong Kongthat Macau could be useful to China due to the former colony’s ties to the Catholic Church. To be sure, “more than a few” of Macau’s ethnically Portuguese residents had relocated to Portugal after the colony’s handover to Beijing, and only a very small percentage of local residents spoke Portuguese. Nevertheless, diplomats reported that “a comparatively high 7.6 percent of civil servants in the Macau government claim that Portuguese is their primary language [and] this has helped maintain the Macau government’s capacity to interface with Lusophone counterparts on behalf of Beijing.”

According to diplomatic cables, China hopes to take advantage of such cultural links and believes that Macau should “expand its economic and trade links with overseas Chinese communities” while also providing “a stable platform for China’s trade ties and linkages” with such Lusophone countries as São Tomé and Príncipe, Cape Verde and Guinea-Bissau. Beijing also hopes that Macau will extend ties to the tiny nation of Equatorial Guinea, a former Spanish colony located in the Gulf of Guinea and Africa’s only Spanish-speaking nation. Though American diplomats report that overall volume of trade between China and the Lusophone countries remains low, Macau could prove quite useful for Beijing in the coming struggle for West African resources.

Enter Brazil

Overstretched and facing budgetary constraints, the Pentagon may have difficulties containing China in far-flung corners of the globe. In an effort to overcome such disadvantages, the Obama administration has been turning to Brazil, a nation which has common cultural and historical ties to former Portuguese colonies in West Africa [for a longer discussion about the politics surrounding Brazil’s rising role see my earlier al-Jazeera column here]. Though Brazil has not been able to rival China’s economic presence, the South American newcomer has been deploying its corporations to Africa in the hope of cashing in on Africa’s oil boom and deepwater petroleum exploration.

Establishing cordial ties to Brasilia may be a shrewd move for Washington. Under former President Lula, Brazil did its utmost to establish links with São Tomé and Príncipe and recently the South American powerhouse wrote off the impoverished island’s debt. During his tenure, Lula traveled to Cape Verde to attend a summit meeting of the so-called Portuguese speaking countries, otherwise known as Comunidades dos Paises de Lingua Portuguesa [or CPLP]. While in Cape Verde, Lula sought to highlight Brazil’s long-standing social and economic ties and assistance programs with the island. In a further effort to extend its cultural influence, Brazil is backing Equatorial Guinea’s desire to join the CPLP.

Washington seems to hope that Brazil will act as an assistant policeman in West Africa so the Obama administration can avoid unnecessary political entanglements. There are some signs that Brazil, which seeks to guarantee its investments and the free flow of commerce, might just oblige. According to a recent article in the New York Times, Brazil has been training elite African forces at a remote military base in the Amazon. Meanwhile, the Brazilian Ministry of Defense, which wants to halt the spread of piracy, has pledged to donate aircraft to Cape Verde for maritime patrol duties.

Washington’s Wary Ally?

In West Africa, the Pentagon needs all the help it can get. The U.S. Coast Guard has been paying visits to Cape Verde and Equatorial Guinea, but oil facilities are considered vulnerable. In politically unstable Equatorial Guinea, some American oil platforms are protected not by the local government’s insignificant Navy but by private unarmed guards. Interviewed by the Associated Press, one U.S. military officer described Equatorial Guinea’s military authorities as “distant and standoffish,” speculating that the estrangement had to do with increasing Chinese influence in the troubled West African nation.

Coming to the aid of an ally, Brazil has trained U.S. military personnel at its own jungle warfare center. Meanwhile, U.S. ships perform joint exercises with the Brazilian Navy and both countries patrol the waters stretching from Rio de Janeiro to the Gulf of Guinea. Presumably, Brazil carries out such collaboration because it is concerned with maritime security and drug trafficking, though perhaps this South American newcomer also shares Washington’s concern over rising Chinese influence.

Whatever the case, Brazil seems perfectly happy for the time being to act in concert with the Obama administration. The question, however, is whether Brazil will view such collaboration as desirable in the long-term. Already, there have been strains in the U.S.-Brazilian relationship, and there may come a time when this up and coming South American nation may wish to carve out its own sphere of influence in the Lusophone world without any interference from outside powers.

Nikolas Kozloff is the author of Revolution! South America and the Rise of the New Left. Follow him on Twitter here.

Os dinheiros da Mota-Engil no Malawi

O jornal i faz hoje manchete com a alegada oferta de 40 mil euros por parte da Mota-Engil ao ex-presidente do Malawi, o falecido Bingu wa Mutharika. A notícia do diário foi feita com base na investigação do jornal The Nation à riqueza do antigo chefe de Estado. De acordo com o diário malawiano, a empresa fundada por António Mota – e actualmente presidida por Jorge Coelho – chegou ao país em 1990 e, desde então, facturou centenas de milhões de euros em obras adjudicadas pelo governo. Segundo o The Nation, a primeira obra executada pela Mota-Engil no país foi a auto-estrada M5. Mas a empresa portuguesa só se tornou um dos principais construtores locais durante o consulado de Mutharika. Entre as suas obras mais emblemáticas estão a Villa pessoal do antigo presidente e o local onde ele acabou por ser enterrado.

Ao i, a Mota-Engil garantiu que não houve pagamentos ilegais:

“Os donativos foram efectuados em actos públicos, como é o caso de uma prenda de casamento no valor de 10 milhões de kwachas (29 mil euros) e do apoio no lançamento de um livro, ‘O Sonho Africano: da Pobreza à Prosperidade’, no valor aproximado de 3,5 milhões de kwachas (cerca de 10 mil euros), pelo que não existiu ou existe qualquer outro montante pago.”

No entanto, estas declarações divergem das que o director da empresa no país africano fez ao The Nation. Antonmarco Zorzi explicou que os três cheques emitidos serviram para pagar três dos livros do antigo presidente num leilão.

“Um dos livros custou 10 milhões de kwachas (29 mil euros), o outro 2,5 milhões de kwachas (7800 euros) e o outro um milhão (3100 euros)”.

Quem fala a verdade?

 

Os cinco fabulosos de África

Caso vença as eleições do próximo dia 31 de Agosto, José Eduardo nos Santos continuará na corrida ao título de líder africano há mais anos no poder. O presidente angolano já só tem à sua frente o presidente da Guiné Equatorial.

Teodoro Obiang Nguema Mbasogo. Nascido a 5 de Junho de 1942, tornou-se presidente em Agosto de 1979 depois de liderar um golpe de estado que depôs o seu tio, Francisco Macías Nguema. O seu regime é considerado um dos mais opressivos e corruptos do mundo. Em 2003 a rádio estatal declarou-o o “Deus do país” que estava permanentemente em contacto com o “todo-poderoso” e que “podia matar quem quisesse sem prestar contas nem ir para o inferno.

José Eduardo dos Santos. Nasceu a 28 de Agosto de 1942, estudou em Baku, na antiga União Soviética e tornou-se presidente a 21 de Setembro de 1979 após a morte de Agostinho Neto. É o comandante das Forças Armadas Angolanas e presidente do MPLA. 

Robert Gabriel Mugabe. Foi um dos líderes dos movimentos de libertação contra a minoria branca no Zimbabwe. Nasceu a 21 de Fevereiro de 1924, foi primeiro ministro entre 1980 e 1987 e é presidente desde 1987. É o responsável pela ocupação de terras que transformou aquele que era um dos “celeiros” de África, num país à beira da fome.

Paul Biya. Presidente dos Camarões desde 6 de Novembro de 1982, nasceu a 13 de Fevereiro de 1933. Teve vários cargos executivos até chegar à chefia de Estado.

Yoweri Museveni. O presidente do Uganda nasceu a 15 de Agosto de 1944 e chegou ao poder a 26 de janeiro de 1986. Esteve na guerra que depôs Idi Amin Dada e na rebelião que terminou com o consulado de Milton Obote.

Se a lista incluísse líderes fora do continente africano, apenas o Supremo líder iraniano Ali Hosseini Khamenei entraria na tabela – e para o quarto lugar.