“Temos que vencer o medo pelos nossos filhos. O teu medo de hoje vai ser a tragédia dele amanhã”

Ouvi falar do Luaty Beirão pela primeira vez em 2012. Acho que foi quando ele foi preso à chegada a Lisboa depois de “alguém”, no aeroporto de Luanda, que lhe colocar um pacote de cocaína na bagagem. Mas a coisa foi tão mal feita que ele foi libertado no dia seguinte. O processo, obviamente, não deu em nada.

No mesmo ano voltei a vê-lo. Agora como um dos protagonistas de um documentário da Al Jazeera sobre o nascimento de um movimento de jovens inspirado na Primavera Árabe que pedia reformas democráticas. Um dado saltava à vista: as manifestações que tinham começado no ano anterior tinham sido as primeiras em 32 anos em Angola. Fui rever esse documentário para escrever o artigo sobre o Luaty Beirão que há 26 dias está em greve de fome em protesto contra o prolongamento da prisão preventiva de 16 jovens (por estarem a ler um livro, diga-se), passados que estão todos os prazos legais. Nele podemos recordar a origem dos protestos em Angola, percebemos a importância do rap como forma de luta e contestação social, encontramos todos os motivos que levaram este “filho do regime” a contestar a situação em Angola e as dificuldades com que eles se deparam.

#liberdadejá!

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O dia-a-dia dos espiões mundiais

Depois das revelações de Edward Snowden sobre a espionagem electrónica levada a cabo pelos serviços secretos norte-americanos e britânicos, um novo conjunto de novas revelações promete abalar a estruturas de espionagem: a Al Jazeera teve acesso a um conjunto de documentos dos principais serviços de informações mundiais que, em vez de estarem centrados na vigilância electrónica, tratam, sobretudo, de relações humanas. São um olhar inédito sobre o dia-a-dia de pessoas cujas vidas devem ser secretas. Nalguns casos, muito longe do glamour dos filmes. Chamaram-lhe, os Spy Cables

O recrutador de Jihadistas

As autoridades francesas acreditam que Omar al-Diaby – conhecido como Omar Omsen – é o principal recrutador de jihadistas franceses. A Al Jazeera entrevistou-o.

A minha casa, a favela

A previsão é da ONU: em 2050, uma em cada três pessoas vão viver numa favela. Com este número em mente, a Al Jazeera realizou uma série documental em seis partes sobre o bairro de Tondo, em Manila – uma das zonas mais pobres do mundo – e a luta de alguns dos seus habitantes para contrariar as probabilidades. Chama-se My Home e neste episódio, o sexto, uma bailarina, um lutador e uma modelo falam das suas ambições e do que fazem para as alcançar. Fora da favela.

As novas máfias que vieram da Europa de Leste

Estão ligadas a todos os tipos de crime: roubos, clonagem de cartões bancários, pirataria informática, mas tambémextorsão, prostituição e tráfico. São gangues organizados itinerantes cujas lideranças estão nos seus próprios países mas cujos “soldados” se espalham pela Europa para fazer dinheiro para o grupo. Neste trabalho para a Al Jazeera, os franceses Jerome Pierrat e Barbara Conforti entrevistaram criminosos em vários países da Europa de Leste, incluíndo os chamados Ladrões em Lei – uma organização criada nos gulags soviéticos. É um mundo obscuro, regulado por códigos próprios, de honra.

Os exilados sirios de classe média

A guerra civil na Síria começou há cerca de três anos. Desde então milhões de pessoas deixaram o país. Muitos deles, milhares, pertenciam a uma classe média educada e com poder de compra. Alguns passaram recentemente por Portugal vindos através da Guiné-Bissau com destino ao norte da Europa. A Al Jazeera entrevistou vários destes exilados para perceber o que eles pensam da revolução, do caminho que se seguiu – e o que acham de um eventual regresso a casa.

O interrogador

Quando a Wikileaks divulgou os documentos norte-americanos sobre a guerra no Iraque, em 2010, houve um termo que chamou a atenção da realizadora Maggie O’Kane: “Frago 242”, uma abreviatura de “Fragmentary Order 242”, uma directiva para os militares ignorarem a tortura a iraquianos feita por iraquianos. A investigação que se seguiu – e divulgada agora pela Al Jazeera – mostra como o Pentágono enviou um veterano da guerra do Vietname e das operações clandestinas na América Central para coordenar as unidades especiais da polícia cuja missão era obter informações de rebeldes através de detenções secretas e tortura. A certa altura, estes esquadrões da morte chegaram a ter 17 mil elementos que ajudaram à eclosão de uma guerra civil que já fez milhares de vítimas.