Rui Costa Reis: o rei das farinhas que chegou a Hollywood e quer comprar os Miró

O empresário angolano Rui Costa Reis ofereceu-se para comprar as obras de Miró que, no Verão, deverão ser leiloadas pela Christies e para as manter em Portugal durante 50 anos – concretamente, no Porto, de onde a sua mãe é natural. Um milionário praticamente desconhecido, em Julho do ano passado foi entrevistado em Los Angeles pelo jornalista Rui Pedro Tendinha a propósito da estreia do primeiro filme produzido pelo seu próprio estúdio em Hollywood: Phantom – O Submarino Fantasma. O trabalho foi publicado na Notícias Magazine. Está aqui.

Lisboa:  Rui Costa Reis, Chairman do RCR Media Group

E a mala diplomática enviada para Luanda desapareceu

A notícia é do Jornal de Negócios: 

“A mala diplomática portuguesa foi extraviada, a semana passada, em Luanda, soube o Negócios.

A mala com o correio do Estado português terá sido furtada no aeroporto 4 de Fevereiro e as responsabilidades são apontadas à empresa que assegura o transporte deste tipo de malas em Luanda. O incidente já foi reportado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).

 

Uma fonte diplomática contactada pelo Negócios não quis fazer mais comentários sobre este caso. A segurança desta mala, assim como de toda a outra bagagem diplomática portuguesa é assegurada em Angola pela empresa Transportes Joaquim Guerra Logística. Apesar deste extravio, tudo indica que o MNE não irá rescindir o acordo com a referida empresa, por se tratar de uma situação isolada. O conteúdo da referida mala é naturalmente desconhecido. Contudo, por natureza, uma mala diplomática contém informação que um Governo classifica como importante e de natureza confidencial.

 

Uma mala diplomática é um envelope, uma caixa, um contentor ou qualquer outro volume utilizado pelas missões diplomáticas para o envio e recepção de documentos e objectos destinados a uso oficial a coberto da imunidade diplomática. Este tipo de mala não pode ser aberta ou retida pelas autoridades alfandegárias.

 

O actual embaixador de Portugal em Angola é João da Câmara.”

Carta selada

O general bilionário

Leopoldino do Nascimento, um general angolano próximo de José Eduardo dos Santos comprou, em 2010, 18,75% de uma subsidiária da Trafigura – a terceira maior empresa mundial na área do comércio de petróleo e metais precisosos – por 213 milhões de dólares. O negócio, feito através de uma companhia registada em Singapura, foi mantido em segredo. Hoje, essa participação vale 750 milhões de dólares. A revelação foi feita pela revista Foreign Policy, numa investigação do jornalista Michael Weiss. E pode ser lida, aqui.

Ao mesmo tempo, a Trafigura desenvolveu uma relação com o regime angolano que a transformou no principal fornecedor de produtos derivados do petróleo do país. A maioria dos investimentos foi feito através da DTS Holdings, cujos únicos directores são Leopoldino do Nascimento e o principal responsável da Trafigura, o bilionário francês Claude Dauphin. De acordo com a revista, ficou por esclarecer como é que um general conseguiu obter o dinheiro para o investimento inicial que o transformou num dos novos bilionários angolanos.

General-Dino

Isabel dos Santos e os diamantes das estrelas

Apesar de a filha do presidente de Angola ter comprado os direitos de publicação da Forbes para os países africanos de língua portuguesa, a revista norte-americana continuou a investigar os negócios da empresária. Na edição de Fevereiro, a Forbes conta como Isabel dos Santos adicionou um joalheiro suíço famoso entre as estrelas de Hollywood à sua carteira de negócios. O texto é assinado por Rafael Marques e Kerry Dolan.

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Diamonds For Daddy’s Girl: How Angola’s Isabel Dos Santos Snared A Swiss Jeweler

By Rafael Marques de Morais with Kerry A. Dolan

Back in August FORBES detailedhow the richest woman in Africa, by the tender age of 40, had increased her net worth from zero to $3 billion: You have your father, the president of Angola, direct those who want to do business in the country to cut you in on their action. FORBES has learned, however, that Isabel dos Santos has added a more legitimate jewel to her crown: de Grisogono, a Swiss jeweler renowned among the Hollywood A-list for its extravagant, celebrity-studded parties in Cannes and Miami Beach and fans like Heidi Klum and Sharon Stone.

Newly uncovered documents show that a shell company called Victoria Holding Ltd. acquired 75% of de Grisogono in 2012 for more than $100 million through a subsidiary. The documents show that ownership of Victoria Holding Ltd. is evenly split between the Angolan state-owned diamond company, Sodiam, and a Dutch-registered company, Melbourne Investments. Dos Santos’ husband, Congolese businessman Sindika Dokolo, is listed as the sole beneficial owner of Melbourne Investments.

It is not clear whether Dokolo made any financial investment in Melbourne Investments or whether Melbourne contributed any cash to the purchase. Sodiam, as a state-owned company (its board, chair and CEO are all appointed by President Jose Eduardo dos Santos), is required to publicly disclose all its relevant ventures at home and abroad, but until now its partnership with Dokolo had remained a secret.

Sodiam, through its parent company, did not return calls to provide its side of the story. The chairman of de Grisogono said “no public funds or resources, namely from the Angolan State or Angolan State-owned companies, have been involved, directly or indirectly.” Dokolo has told the Portuguese press, “The mentioned investment … makes sense from a strategic point of view. …Any dollar that enters Switzerland or Europe is the object of an exhaustive verification process.” Perhaps, but it’s hard to figure out what the president’s daughter doesn’t have a stake in in Angola; even the publishing company that owns the right to license FORBES in Portuguese-speaking Africa, it turns out, is owned 70% by Isabel dos Santos, according to a press release from its co-owner, the Portuguese Zon Media. She had no comment for us.

O momento “desculpem lá qualquer coisinha” do ano

A 18 de Setembro, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, deu uma entrevista à Rádio Nacional de Angola onde revelou ter pedido “diplomaticamente desculpas” a Angola pelos processos judiciais em curso em Portugal que envolvem altas figuras do regime angolano. “Quanto sei houve um problema puramente técnico de não preenchimento de alguns documentos que (…) se as pessoas preencherem com algumas deficiências ou não forem suficientemente informadas há sinais de alerta gerais”, afirmou. “Depois (…) há sempre quem goste de aproveitar a situação para empolar as coisas que são normais e sem importância nenhuma”. As declarações só foram conhecidas em Portugal a 4 de Outubro através de uma manchete do Diário de Notícias e provocaram uma acesa discussão interna.

Mariah Carey recebeu um milhão de dólares por um espectáculo privado em Angola

A cantora norte-americana terá recebido um milhão de dólares para actuar durante duas horas numa gala privada da Cruz Vermelha Angolana, presidida por Isabel dos Santos. O evento, que contou com a presença do presidente de Angola e da mulher, Ana Paula dos Santos, terá sido patrocinado pela Unitel (propriedade de Isabel dos Santos) e serviu para angariar fundos para a instituição. No total, foram arrecadados 60 mil dólares.

A revelação foi feita pela organização Human Rights Foundation, que não poupou críticas à cantora: “Há apenas cinco anos ela actuou para a família do dictador líbio Muammar Gaddafi. Agora, passou de actuações privadas para declarações públicas de apoio e credibilidade a um dos mais corruptos e principais violadores dos direitos humanos de África”, disse o presidente da organização, Thor Halvorssen. “É o triste espectáculo de uma artista internacional comprada por um estado policial implacável para entreter e lavar a cleptocracia de pai e filha que acumulou biliões enquanto a maioria dos angolanos vive com menos de dois dólares por dia”, disse Halvorssen

A artista interpretou 12 músicas e manifestou-se satisfeita com a visita a Angola:  “Estou feliz por estar aqui nesta sala e sinto-me honrada por partilhar este espectáculo com o Presidente de Angola. Obrigado a todos.” Durante a actuação, Mariah Carey cantou a música Hero e dedicou-a a Nelson Mandela. Nessa altura foi exibido um retrato do líder histórico sul africano e outro de José Eduardo dos Santos. Para angariar os tais 60 mil dólares, foi leiloado, entre outras coisas, um relógio masculino de marca “Grisogono”, uma jóia feminina, modelo Matassa, dois bilhetes VIP para um dos jogos dos quartos-de-final do Campeonato do Mundo de Futebol, no Brasil, e um vestido da própria Mariah Carey.

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As meninas do general: Brasil, Angola e Portugal

A reportagem foi emitida pelo programa Fantástico, da televisão brasileira. E recupera o caso do tráfico de mulheres do Brasil para Angola, através de Portugal. Para além de entrevistar polícias e procuradores, os jornalistas tiveram acesso a escutas telefónicas obtidas durante o processo ou a carros apreendidos. Uma postura completamente diferente daquela a que estamos habituados por cá.

No entanto, os jornalistas brasileiros omitiram uma parte da história: grande parte dos encontros ocorreram em hotéis de Lisboa, uma vez que a maioria das mulheres viajava para Luanda através de Portugal.

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