Das desigualdades da morte.

Um texto de leitura obrigatória.

cinco dias

Morreu António Borges.

Certamente morreram muitos mais. Aqueles cujo nome não é passível de aparecer nos jornais. Nem nas televisões.

Mas o importante não é ele ter morrido, como morreu, como viveu (sobre isso os meus companheiros de blogue dirão bem melhor do que eu). O que eu quero sublinhar é a desigualdade da morte, de como se morre.

Não se pode dizer, para não ferir susceptibilidades, que me choca a forma como se morre em Portugal. Como um rico, com cancro, morre melhor do que um pobre. Aparentemente isto é raiva, ódio aos ricos. É falar sem racionalidade. Pois racionalidade é algo que nunca vi no tratamento de doentes crónicos, nomeadamente oncológicos, no nosso país.

E descrevo uma história que não é a minha. Tem todos os nomes, ou quase todos.

Em 22 de Março foi diagnosticado um cancro de pulmão, carcinoma de pequenas células, estágio IV ao meu…

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