Leitura para o fim-de-semana: as armas químicas iraquianas

Quando decidiu invadir o Iraque, em 2003, o governo de George W. Bush apontou como objectivo a destruição dos programas de armas de destruição massiva de Saddam Hussein – apesar de a Agência Internacional de Energia Atómica garantir que eles tinham sido desmantelados. Com as tropas no terreno, a administração norte-americana foi forçada a admitir que as armas não existiam. Mas, entre 2004 e 2011, os militares dos Estados Unidos acabaram por ter contacto com milhares de ogivas que continham agentes químicos. Eram restos de programas há muito abandonados e que tinham sido apoiados pelo Ocidente.

A existência destes agentes – e os ferimentos provocados aos soldados que com eles lidaram – foi mantida em segredo durante anos. Revelá-los seria admitir mais uma vez que a invasão teve falsos pretextos. Pior: seria reconhecer que o Ocidente colaborara com Saddam nestes programas. Mas a verdade acabou por vir ao de cima, através de uma investigação do The New York Times, que encontrou 17 militares norte-americanos que estiveram expostos a químicos como gás mostarda – agentes que podem estar agora na posse do grupo terrorista Estado Islâmico.

Erica Gardner/United States Navy, via Getty Images

Erica Gardner/United States Navy, via Getty Images

The Secret Casualties of Iraq’s Abandoned Chemical Weapons

Eliminar armas químicas não é nada fácil

Depois da I Guerra Mundial o uso de armas químicas e biológicas foi proibido. No entanto, os países ocidentais continuaram a fabricá-las – para serem usadas no Oriente, África e Médio Oriente. Em 1993 foi assinada a convenção de armas químicas. Vários países, como a Síria, não a ratificaram. Outros, como os EUA, ainda estão a destruir os seus arsenais. Algo que demora tempo – e custa muitos milhões de dólares.

O poder do jornalismo: a BBC encontrou provas do uso de armas químicas na Síria

A televisão britânica parece ter encontrado provas de que, no mês passado, o governo sírio utilizou armas químicas na cidade de Saraqeb. Inúmeros testemunhos dão conta de que dois helicópteros largaram pelo menos dois engenhos com gás venenoso. Aviso: algumas imagens podem ser chocantes.