O ano que passou em 13 números

A NPR escolheu uma forma diferente de fazer o balanço do ano de 2013: os jornalistas da rádio pública norte-americana escolheram um número que para eles representou um acontecimento durante o ano que passou. O resultado foram 13 números que ilustram um pouco de tudo.

O louco do ano

Em vez de eleger a personalidade do ano 2013, a revista The New Republic preferiu escolher o louco do ano. A distinção coube ao presidente sírio Bashar Al Assad. O título do artigo que acompanha a capa é claro: Profile of Syria’s Mass Murderer.

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2013 foi assim. Venha lá 2014. Feliz Ano Novo

Para festejar o novo ano, o WordPress ofereceu-me um relatório sobre o ano que passou. Perceber que em 2013 fui lido em 176 países dá-me uma responsabilidade extra para 2014. Por isso, obrigado a todos os que por aqui passaram e até já.

Feliz ano novo

Here’s an excerpt:

The Louvre Museum has 8.5 million visitors per year. This blog was viewed about 320,000 times in 2013. If it were an exhibit at the Louvre Museum, it would take about 14 days for that many people to see it.

Click here to see the complete report.

O momento “desculpem lá qualquer coisinha” do ano

A 18 de Setembro, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, deu uma entrevista à Rádio Nacional de Angola onde revelou ter pedido “diplomaticamente desculpas” a Angola pelos processos judiciais em curso em Portugal que envolvem altas figuras do regime angolano. “Quanto sei houve um problema puramente técnico de não preenchimento de alguns documentos que (…) se as pessoas preencherem com algumas deficiências ou não forem suficientemente informadas há sinais de alerta gerais”, afirmou. “Depois (…) há sempre quem goste de aproveitar a situação para empolar as coisas que são normais e sem importância nenhuma”. As declarações só foram conhecidas em Portugal a 4 de Outubro através de uma manchete do Diário de Notícias e provocaram uma acesa discussão interna.

O momento “não abandono o meu país e tu também não” do ano

No dia 2 de Julho de 2013, Paulo Portas apresentou a Pedro Passos Coelho a demissão do cargo de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros. Classificou-a de irrevogável. Depois, emitiu o seguinte comunicado:

1. Apresentei hoje de manhã a minha demissão do Governo ao Primeiro-Ministro.
2. Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.
3. São conhecidas as diferenças políticas que tive com o Ministro das Finanças. A sua decisão pessoal de sair permitia abrir um ciclo político e económico diferente. A escolha feita pelo Primeiro-Ministro teria, por isso, de ser especialmente cuidadosa e consensual.
4. O Primeiro-Ministro entendeu seguir o caminho da mera continuidade no Ministério das Finanças. Respeito mas discordo.
5. Expressei, atempadamente, este ponto de vista ao Primeiro-Ministro que, ainda assim, confirmou a sua escolha. Em consequência, e tendo em atenção a importância decisiva do Ministério das Finanças, ficar no Governo seria um acto de dissimulação. Não é politicamente sustentável, nem é pessoalmente exigível.
6. Ao longo destes dois anos protegi até ao limite das minhas forças o valor da estabilidade. Porém, a forma como, reiteradamente, as decisões são tomadas no Governo torna, efetivamente, dispensável o meu contributo.
7. Agradeço a todos os meus colaboradores no Ministério dos Negócios Estrangeiros a sua ajuda inestimável que não esquecerei. Agradeço aos meus colegas de Governo, sem distinção partidária, toda a amizade e cooperação.

A resposta de Pedro Passos Coelho foi surpreendente: não aceitou a demissão de Paulo Portas, promoveu-o a vice-primeiro-ministro, manteve Maria Luís Albuquerque e prendeu o líder do CDS ao seu próprio destino. Irrevogável? Nada disso.

O momento “eu estou aqui” do ano desportivo

Hat trick de Cristiano Ronaldo frente à Suécia. O melhor comentário à exibição do avançado português foi feito por Zlatan Ibrahimovic logo após o segundo golo: um aplauso. Reparem. Ao minuto 1:35.

Os 13 posts mais lidos de 2013

  1. A entrevista de Judite de Sousa a Lorenzo Carvalho levou-me a escrever este texto que, inesperadamente, se tornou o mais visto do ano, com quase 40 mil visualizações. Chama-se Judite de Sousa, a pivot moralista que usa sapatos Loubotin.
  2. 13209216Tecnicamente, este post é ainda de 2012. Mais precisamente de 2 de Novembro. No entanto, só a meio deste ano, na altura da “demissão irrevogável” de Paulo Portas começou a ser partilhado. Obrigado, Paulinho. Trata-se de um excerto da entrevista de vida que Manuel Monteiro deu à Sábado. Chama-se As revelações de Manuel Monteiro sobre Paulo Portas.
  3. fotografia-1A separação de Bárbara Guimarães e a chuva de acusações feitas por Manuel Maria Carrilho motivaram-me a fazer um único post. Muito simples. Não me deu muito trabalho. Tinha o título A roupa suja de Manuel Maria Carrilho e a queixa de Bárbara Guimarães. Mas entrou directamente para o Top três deste ano.
  4. ng2834506A nomeação de Rui Machete como ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros causou surpresa. Foi uma boa ocasião para recordar o que os sucessivos embaixadores norte-americanos em Lisboa escreveram nos vários telegramas enviados para Washington sobre o então presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. O post intitula-se O que os Estados Unidos pensavam de Rui Machete. A imagem não é boa.

    Foto: Tiago Miranda

    Foto: Tiago Miranda

  5. O quinto post do Top13 foi um alerta: em Setembro um qualquer indivíduo começou a colocar no facebook fotografias de crianças portuguesas, retiradas dos perfis dos pais, com comentários impróprios (é a palavra mais educada que me ocorre). O tema de Tirem as fotografias dos vossos filhos da internet. Já! acabou por ser manchete no Correio da Manhã do dia seguinte. images
  6. Logo em Janeiro escrevi na Sábado um dos textos que mais gozo me deu fazer este ano. Foi a história – em que tropecei por acaso – de como Marco Borges, o antigo concorrente do Big Brother – mudou de vida e se tornou um profissional da segurança privada com reputação internacional. O post A nova vida de Marco Borges como treinador de guarda-costas relata a forma como cheguei ao Marco e inclui o texto publicado na Sábado.

    ©Ed Jones/AFP/Getty Images

    ©Ed Jones/AFP/Getty Images

  7. Também em Janeiro, a revista Forbes noticiou que Isabel dos Santos se tornou a mulher mais rica de África. A filha de José Eduardo dos Santos foi a primeira africana a alcançar uma fortuna de mil milhões de dólares. is
  8. Janeiro foi um bom mês. Fabrizio Corona, um paparazzo italiano condenado a uma pena de prisão em Itália decidiu fugir para Portugal. O texto sobre a fuga e a vida do próprio fotógrafo chegou ao oitavo lugar da lista dos mais lidos. Na verdade, há um motivo para isso: Corona fugiu para Portugal para casa de… Lorenzo Carvalho, o entrevistado favorito de Judite de Sousa. As pesquisas na internet em nome do piloto trouxeram muitos leitores a O paparazzo que nunca tirou uma fotografialorenzo-insta
  9. Há cerca de um mês e meio, a revista Visão entrevistou Fernando Moreira, um consultor de comunicação e blogger que participou na equipa que levou Passos Coelho ao poder, primeiro no PSD e depois no país. Foi a primeira vez que um participante activo numa campanha de promoção e comunicação política revelou tão claramente a forma alguns grupos se dedicam a tentar controlar a mensagem passada em blogues, redes sociais e fóruns de ouvintes. Chama-se Como a comunicação de Passos Coelho passou do 80 para o 8.  fotografia-11
  10. O concurso de acesso à carreira diplomática deste ano teve alguns momentos peculiares. O mais importante deu-se logo na primeira prova: a de cultura geral. Para além de questões extremamente relevantes como “o que é um prognata?” ou “qual o caminho mais curto até Urano?”, várias irregularidades levaram o Ministério dos Negócios Estrangeiros a repetir o exame. No entanto, os resultados foram igualmente desastrosos. O post Prova de cultura geral para diplomatas, parte dois com as perguntas e as respectivas respostas foi um dos mais vistos. fotografia (40)
  11. A filha de Miguel Sousa Tavares é casada com o filho de Ricardo Salgado. Em Abril, o humorista José Diogo Quintela escreveu que é por isso que o escritor e comentador nunca disse ou escreveu uma palavra sobre o presidente do BES – ao contrário do que fez em relação a todos os outros banqueiros. Sousa Tavares respondeu que Quintela é um mediocre e acusou-o de ter negócios com Dias Loureiro. A polémica José Diogo Quintela vs Miguel Sousa Tavares obteve alguns milhares de visualizações. 65375_10151515944979588_738013265_n
  12. A decisão tomada por Barack Obama de alterar toda a estratégia norte-americana em relação à África Ocidental e, em particular, aos países da CPLP deu origem a uma longa análise no The Huffington Post. No entanto, o que mais impressionou foi a ausência da palavra Portugal em todo o texto. Chama-se A batalha americana pelo mundo lusófono – e a ausência portuguesa da equação. africa-usa-preview
  13. A fechar a contagem está um post que podia estar lá no cimo: a entrevista integral de Manuel Monteiro com todas as revelações do político sobre as mentiras, as traições e também o apoio dado pelo Paulo Portas jornalista à tomada de poder do CDS. fotografia-1