Os Miró: uma polémica “surreal”

A expressão é do blogger da Bloomberg, James Tarmy, num texto sobre a “colecção que ninguém viu”. O artigo está aqui.

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Duarte Lima libertado

O advogado e ex-líder parlamentar do PSD vai deixar de estar em prisão domiciliária com pulseira electrónica. A notícia é da Lusa.

“O tribunal decretou hoje a libertação de Duarte Lima, que se encontrava em prisão domiciliária, por considerar que o perigo de fuga está diminuído, disse à Lusa o advogado do arguido.

“Houve reapreciação da medida de coação e considerou-se que o perigo de fuga e outros do género estão diminuídos”, disse Raul Soares da Veiga, que se mostrou de acordo com a decisão judicial, embora a tenha considerado “tardia”.

O advogado disse ainda que Duarte Lima, que se encontrava em casa com pulseira eletrónica, já foi notificado da decisão.

Em meados de março, a 7.ª Vara Criminal de Lisboa manteve a prisão domiciliária aplicada a Duarte Lima, um dos seis arguidos em julgamento no processo relacionado com aquisição de terrenos no concelho de Oeiras, através de empréstimo concedido pelo BPN.

Duarte Lima está acusado de três crimes de burla qualificada, dois crimes de branqueamento de capitais e um crime de abuso de confiança na forma agravada, esteve em prisão preventiva até maio de 2012, altura em que foi alterado o regime.”

Duarte Lima BPN

A Fraude: soube a pouco, muito pouco

Após a emissão da primeira parte da Grande Reportagem da SIC, A Fraude, escrevi aqui um post sobre esse episódio. Em resumo, dizia que me tinha sabido a pouco, mas que esperava que os capítulos seguintes dessem um novo impulso àquele que foi um dos trabalhos jornalísticos de televisão mais promovidos dos últimos tempos. Infelizmente, não deram.

Após a transmissão do segundo capítulo – A Anatomia de um Golpe – dei por mim com a mesma sensação de que a reportagem tinha continuado a tratar o assunto pela rama. Ficou-me na retina uma explicação dada por Honório Novo, deputado do PCP e um dos mais destacados membros da Comissão Parlamentar de Inquérito ao BPN, que, com um papel e uma caneta, esquematizou em traços gerais como funcionava o banco de Oliveira e Costa. E pouco mais. Na altura, não voltei ao assunto. Disse para mim próprio: “amanhã é que é”. Mais uma vez, não foi.

O título do 3º capítulo até prometia: No rasto do dinheiro. Esperava que a reportagem do Pedro Coelho nos levasse mais além do que aquilo que já sabíamos. Que apontasse beneficiários. Contas. Empresas. Qualquer coisa de concreto. Mas não. A SIC foi até à Holanda falar com um “farejador de dinheiro”, que nada tem a ver com o caso BPN e que apenas apontava um suposto caminho alternativo a seguir pelas autoridades.

Nesta altura, já não esperava grande coisa de A Caixa Negra, a última parte da reportagem. Vi-a quase que por obrigação – e para ter a garantia de que não tinha ficado com a ideia errada. Não fiquei. A Fraude revelou-se um bom trabalho jornalístico, muito bem editado, que traça a evolução temporal do banco liderado por Oliveira Costa. Mas pouco mais.

Sei que o assunto é muito complexo e que traduzi-lo numa linguagem perceptível em televisão não será fácil. No entanto, fiquei com a impressão de foi tratado pela rama, muito aquém da capacidade do Pedro Coelho. Sofre de um mal de base: de todas as pessoas contactadas, apenas cinco tiveram alguma ligação ao caso BPN. Neste ponto é preciso ser justo: conseguir que alguém fale em “on”, para uma televisão, num caso destes, não é tarefa fácil. Melhor: é quase impossível.

Para além disso, A Fraude toca ao de leve no caso do Presidente da República – que lucrou milhares de euros com um acordo de recompra de acções da SLN e que ao contrário de todos os outros não teve direito a um carimbo de “recusado” – e nem menciona a polémica da Casa da Coelha. Por outro lado não refere a investigação do Ministério Público (como é possível fazer um trabalho destes sem consultar o processo?) nem o que se passou no julgamento de Oliveira e Costa até agora. Passa ao lado da responsabilidade do Banco de Portugal e não deixa claro qual o circuito do dinheiro nem em que negócios ruinosos foi investido. O melhor: as explicações de Honório Novo e de João Semedo, que dominam o dossier como ninguém. No fim, soube a pouco. Muito pouco.

A Fraude: por enquanto, ficou abaixo das expectativas

Talvez as expectativas estivessem muito altas. Tão altas que depois de ver ontem a primeira parte da Grande Reportagem da SIC, A Fraude, perguntei: “Já acabou? Foi só isto?”. Hoje revi-a. E fiquei com a mesma sensação. O capítulo “A linha do tempo” era suposto mostrar como, durante dez anos de gestão, Oliveira Costa conseguiu “esconder prejuízos e apresentar lucros crescentes”. E lançar-nos para os restantes episódios. À primeira vista, não conseguiu. Para além da óptima edição de imagem e de enumerar os lucros anuais do BPN, não explicou como o banco foi criado, quais os seus fundadores, como os prejuízos foram escondidos e revelou várias fragilidades. A maior: contactadas 51 pessoas, só 13 aceitaram falar sem restrições e apenas cinco tiveram alguma ligação ao BPN. Ficaram-me na memória outros detalhes, como o uso de várias imagens de Oliveira e Costa na Comissão Parlamentar de Inquérito ao BPN sempre a mastigar uma sandes. O segundo capítulo é hoje. Espero que a ideia seja ver os quatro episódios em conjunto. E que o de logo à noite recupere o fôlego. Mesmo.

“A fraude” vai hoje para o ar

Não me lembro de ver um canal de televisão investir tanto na promoção de uma grande reportagem. Por isso, mas sobretudo por o autor de “A fraude” ser o Pedro Coelho, um dos melhores jornalistas televisivos portugueses, estou muito curioso para ver a série de trabalhos que a SIC começa hoje a emitir. Ou muito me engano ou está aqui um dos grandes candidatos ao Prémio Gazeta de 2013. É descrito assim:

“A investigação será emitida em quatro capítulos, nos jornais de terça, quarta, quinta e sexta-feira.

A Fraude mergulha no BPN e desvenda os pormenores que estiveram por detrás do mais gigantesco e complexo buraco aberto por gestão ruinosa em Portugal.

No primeiro capítulo, “A linha do tempo”, fazemos um sobrevoo aos dez anos de gestão de Oliveira Costa e mostramos como foi possível esconder prejuízos e apresentar lucros crescentes; em “Anatomia de um golpe”, o segundo capítulo, descemos aos meandros da fraude e explicamo-la; o terceiro capítulo abre a porta a uma possibilidade nunca antes explorada: seguimos o rasto do dinheiro perdido e desviado do banco através de uma complexa rede de offshores; no quarto capítulo analisamos à lupa a gestão nacionalizada entregue à Caixa Geral de Depósitos. Afinal o buraco deixado pela gestão de Oliveira Costa quase duplicou durante os quatro anos de gestão pública.

A Fraude é uma grande reportagem de investigação de Pedro Coelho, com imagem de Luís Pinto e edição de imagem de Ricardo Tenreiro. Estreia amanhã, no Jornal da Noite.”

O negócio que fez cair Duarte Lima

Duarte Lima foi recentemente acusado pelo Ministério Público de burla e branqueamento de capitais, num processo em que o lesado foi o BPN. O esquema começou com a obtenção de um empréstimo para financiar a compra de vários terrenos em Oeiras, junto ao local onde esteve para ser construído o novo edifício do IPO. Tudo foi feito através de um fundo criado para o efeito, o Homeland, do qual Pedro Lima, filho do advogado, era o principal titular – apesar dos seus parcos rendimentos. É interessante comparar a acusação do Ministério Público – que, por motivos legais, não pode ser aqui reproduzida -, com as notícias publicadas na Sábado pelo António José Vilela  em Janeiro de 2010. Está lá tudo. Resta saber porque o processo levou tanto tempo a ser concluido.