Mário Jardel já tem ocupação: é deputado estadual

É verdade. Mário Jardel, o avançado de má memória que passou por Portugal ao serviço daquele clube cujo nome não deve ser mencionado (e também do SCP), foi eleito deputado estadual em Rio Grande do Sul. Isso, por si só, já seria um feito incrível para alguém com o seu percurso. Ainda o é mais depois desta entrevista dada antes das eleições. Entre outras pérolas diz que concorre porque precisava de ocupação, que se tornou evangélico, que é de direita porque é um “cara direito” e muito mais. Ah, e parece estar bêbado.

Leitura para o fim-de-semana: uma reportagem sobre exploração sexual em cartoon

Durante três meses, uma equipa de reportagem da Pública – Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo colocou um equipa a investigar a teia de exploração sexual que levou milhares de raparigas para os locais onde se ia realizar o Campeonato do Mundo de Futebol. O resultado dessa reportagem não foi um texto escrito. Ou um trabalho em vídeo. Na procura de novas formas de contar uma história, a Pública decidiu contar esta história numa banda desenhada em que o leitor acompanha a acção do repórter, as entrevistas, os locais. Ao todo são cinco capítulos para além do prólogo que deixo aqui.

Os restantes capítulos estão aqui. 

O vídeo perfeito

Se não viram, vale muito a pena ver.

O resumo do Campeonato do Mundo

World Cup Brazil 2014

by sounas.
Explore more visuals like this one on the web’s largest information design community – Visually.

Os números do campeonato que começa amanhã

O campeonato do mundo está a chegar. Estes são apenas alguns factos interessantes

Imagem

Interesting Facts of FIFA World Cup 2014 Brazil

As meninas do general: Brasil, Angola e Portugal

A reportagem foi emitida pelo programa Fantástico, da televisão brasileira. E recupera o caso do tráfico de mulheres do Brasil para Angola, através de Portugal. Para além de entrevistar polícias e procuradores, os jornalistas tiveram acesso a escutas telefónicas obtidas durante o processo ou a carros apreendidos. Uma postura completamente diferente daquela a que estamos habituados por cá.

No entanto, os jornalistas brasileiros omitiram uma parte da história: grande parte dos encontros ocorreram em hotéis de Lisboa, uma vez que a maioria das mulheres viajava para Luanda através de Portugal.

Bento1 bento2

Presos por engano

Pelo menos 56 pessoas foram presas por engano em São Paulo desde 1994. Algumas foram por ter um nome parecido com o dos verdadeiros criminosos. Outros por os seus documentos terem sido roubados. Algumas chegaram mesmo a cumprir pena. A reportagem é da Folha de São Paulo.

O melhor do mundo…

… vai ao mundial do Brasil. Cristiano Ronaldo. Como tinha que ser. Aqui, aqui e aqui.

Foto: MARIO CRUZ (EFE)

Foto: MARIO CRUZ (EFE)

Os preparativos para o campeonato do mundo continuam, sobretudo entre os traficantes de droga

Há medida que a data de início do campeonato do mundo de futebol no Brasil se aproxima, os traficantes do Rio de Janeiro estão a ficar cada vez mais ansiosos: para eles, se tudo correr bem, poderão duplicar o negócio com a chegada de 500 mil pessoas. Até lá tentam escapar aos raides policiais. Um repórter do Channel 4 News conseguiu acompanhar as patrulhas dos agentes e entrar em alguns esconderijos de traficantes – que dizem qual o ingrediente secreto usado no “corte” da droga.

O discurso de Dilma Roussef na Assembleia Geral da ONU

A presidente do Brasil inaugurou ontem as intervenções dos líderes mundiais na 68ª Assembleia Geral da ONU. Para além de condenar o atentado da Al Shabbab em Nairobi, no Quénia, Dilma Roussef levou a plenário as recentes revelações sobre espionagem electrónica levada a cabo pela National Security Agency. “Imiscuir-se dessa forma na vida de outros países fere o Direito Internacional e afronta os países que devem reger as relações entre  eles, sobretudo entre nações amigas”, disse.

Brasil: a copa dos protestos

Leitura para o fim-de-semana: os índios invisíveis

Sebastião Salgado é uma espécie de Deus da fotografia. O veterano repórter brasileiro já ganhou uma quantidade incrível de prémios de fotografia e publicou inúmeros livros com o seu trabalho. Para o seu último projecto, registar a resistência dos cerca de 400 Awá que vivem no que resta da floresta Amazónia no Maranhão ao avanço dos madeireiros, convidou a jornalista Miriam Leitão a viajar até à aldeia de Juriti. O resultado foi a publicação de uma série de reportagens na edição dominical de O Globo. Agora, o jornal disponibilizou na sua versão online um site especial que complementa essas reportagens. Chamou-lhe Paraíso Sitiado. Além dos textos, há fotografias e vídeos sobre índios Awá, o seu quotidiano e a sua cultura. As imagens, como não podiam deixar de ser, roçam a perfeição.

© Sebastião Salgado/Amazonas Images / O Globo

© Sebastião Salgado/Amazonas Images / O Globo

Com vandalismo: no meio dos protestos no Brasil

600x379xvand.png.pagespeed.ic.5M1OBUyxNr

Por Coletivo Nigéria

Em  Junho e Julho, o Coletivo Nigéria, parceiro da agência Pública – à qual O Informador se associou no ano passado -, acompanhou as manifestações de rua em Fortaleza, no Ceará, e registou depoimentos e cenas dos protestos. O resultado é um documentário jornalístico, em que o narrador pouco interfere nos factos, que mostra todos os tipos de manifestantes, o que move cada um, e de que modo a violência – policial e/ou da sociedade – participa dessas manifestações.

Um relato/reflexão realizado no calor do momento, em que a cronologia dos factos, a variedade de ângulos e de entrevistados, e a sobriedade dos jornalistas, contribuem para criar um panorama completo das manifestações em Fortaleza, revelador para os que buscam compreender quem é e o que deseja essa juventude que está nas ruas das capitais brasileiras.

“Querida mãe, porque me abandonaste?”

Ana Raquel tem 14 anos. Como muitas outras crianças brasileiras, foi abandonada pelos pais e forçada a viver na rua. Neste documentário da Al Jazeera, conta como está a tentar construir uma vida – e como sobreviveu. Num momento de intensidade brutal, ela regressa a casa, apenas para descobrir que a mãe não consegue olhar para ela e que nem sequer tem uma fotografia de quando era pequena.

As manifestações no Brasil pela objectiva do João Pina

No início desta semana o João Pina chegou a São Paulo para fotografar os protestos que desde então se espalharam a outras cidades brasileiras. Algumas fotos dele foram agora publicadas no blogue Photo Booth da revista The New Yorker.

@João Pina

@João Pina

Está aqui uma explicação para os protestos no Brasil

A culpa é da classe média. Sim. Leu bem. Ao longo dos últimos anos – e a tendência é para continuar – centenas de milhões de pessoas deixaram a pobreza e tornaram-se classe média. Isto está a provocar uma enorme mudança no equilíbrio social, impulsionada, claro, pelas alterações na China, Índia e América Latina – sobretudo no Brasil.

A explicação é simples. À medida que o nível de vida da população vai aumentando, as pessoas passam a ter preocupações diferentes. Em vez de pretenderem chegar vivas ao fim do dia, querem ter melhores cuidados de saúde. Ao invés de ambicionarem morar numa favela, querem um sistema de educação que funcione. Depois de terem saneamento básico, exigem mais segurança nas ruas – e por aí fora. A nova classe média torna-se menos tolerante à corrupção, à impunidade dos poderes instituídos e mais exigente em relação à forma como o dinheiro dos seus impostos é gasto. Isto numa sociedade vibrante e inconformada, claro. A BBC está a dedicar a sua atenção a este fenómeno. Para ver aqui.

O mundial das remoções forçadas, violência, exclusão e tráfico sexual

Falar do Brasil é falar de futebol – pronto, para além do samba, mulheres e Carnaval. Talvez por isso seja surpreendente para muitos que os recentes protestos contra o aumento dos preços dos transportes públicos se tenham transformado num grito generalizado de revolta contra o crime, a corrupção e… contra a realização do Campeonato do Mundo de Futebol de 20014 (e já agora dos Jogos Olímpicos de 2016) no Brasil.

O protesto não é contra o evento em si. Qualquer brasileiro é louco por bola. Eles são contra os investimentos monstruosos que, no futuro, não terão retorno (lembram-se dos estádios em Portugal?), contra as remoções forçadas sem aviso prévio, contra o aumento do tráfico e turismo sexual, contra a falta de diálogo e informação política, contra a violência policial, contra a legislação de excepção destinada a cumprir as exigências da FIFA e, também, contra uma Copa do Mundo (é assim que eles lhe chamam) onde a maioria dos brasileiros não vai poder ir ao estádio. Podem perceber tudo através deste texto da agência Pública, da qual o O Informador é parceiro.

POR QUE PROTESTAM CONTRA A COPA

Em Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba e Fortaleza protestos contra a Copa se misturam às bandeiras por participação política, transporte e serviços públicos de qualidade. Veja aqui 7 razões para que a festa esteja se transformando em manifestação. 

Por Marina Amaral

CUSTO X LEGADO Foto: Tasso Marcelo / AFP

Já foram gastos 27,4 bilhões de reais na Copa e a previsão atual é de custo total de 33 bilhões, uma quantia que se aproxima do total do orçamento federal em educação para este ano: 38 bilhões de reais. Uma priorização de recursos que a população questiona nas ruas, assim como a concentração do dinheiro público na construção de estádios, em muitos casos, como em Manaus e Cuiabá, “elefantes brancos” sem futuro aproveitamento.

Além disso, as obras de mobilidade urbana – apresentadas pelo governo como o principal legado para as cidades-sede – atualmente orçadas em 12 bilhões de reais – privilegiam os acessos viários para carros (viadutos, alargamentos de avenidas) e a rota aeroportos-hoteis-estádios que não é necessariamente a prioritária para a mobilidade urbana no cotidiano das cidades. Um exemplo claro é Itaquera, onde as obras reivindicadas pela comunidade foram suspensas enquanto se investe a todo vapor nas obras de acesso ao estádio. Promessas em investimento em transporte público, como a construção do metrô de Salvador e o Monotrilho da linha Ouro em São Paulo foram retiradas da Matriz de Responsabilidades (o orçamento federal para a Copa) e o transporte público chegou a ser prejudicado no Rio de Janeiro, onde os moradores e comércio sofrem com a falta do tradicional bondinho – que não circula desde 2011 – depois de um acidente denunciado pelos moradores como resultante de um projeto equivocado de modernização (que teve de ser refeito e ainda não está pronto)

Por fim, as obras de mobilidade urbana são as principais responsáveis pelas remoções de comunidades, ameaças ambientais e perda de equipamentos públicas.

REMOÇÕES VIOLENTAS E DEMOLIÇÕES INDESEJÁVEIS Foto: Reuters

Os movimentos sociais contabilizam 170 mil pessoas ameaçadas ou já removidas e/ou recebendo indenizações de 3 a 10 mil reais, para os que comprovam a propriedade do lote, e bolsas-aluguel de menos de 1 salário mínimo para os demais. Não raro os despejos são feitos de forma violenta, sem transparência nem diálogo entre poder público e moradores.  No morro da Providência no Rio de Janeiro, por exemplo, as pessoas descobriram que seriam expulsas quando suas casas apareciam marcadas, sem nenhuma negociação prévia.

Além das casas, os moradores perdem também suas comunidades, em alguns casos centenárias, amigos, vizinhos, tradições. Via de regra são enviados para longe de suas raízes e cotidiano e perdem a infraestrutura urbana dos bairros mais centrais, caso por exemplo, da ameaçada comunidade da Paz, em Itaquera, São Paulo. As indenizações recebidas são muito menores que os preços de aluguéis e imóveis nos bairros atingidos pelas obras da Copa, forçando a ida para longe também dos que podem decidir seu rumo. A especulação imobiliária em torno dos estádios e melhorias feitas para tornar a cidade mais atraente para os turistas expulsam moradores que seriam beneficiados pela evolução, dos morros  Rio de Janeiro à zona leste de São Paulo, agravando o problema extenso de carência de moradias nas grandes cidades brasileiras.

O patrimônio social e cultural também foi prejudicado, como mostrou a expulsão de representantes das etnias indígenas que ocupavam o antigo Museu do Índiono Rio de Janeiro,reconhecido pelos antropólogos como marco da relação entre indios e brancos no Brasil, o histórico estádio do Maracanã foi descaracterizado por uma reforma que já custou 1,2 bilhões aos cofres públicos e acompanhado da destruição de equipamentos públicos esportivos, como o ginásio Célio Barros para construir estacionamentos e acessos viários em torno do estádio.

LEGISLAÇÃO DE EXCEÇÃO PARA CUMPRIR AS EXIGÊNCIAS DA FIFA

Foto: Getty Images

Desde que o Brasil fechou o acordo com a FIFA, o governo vem criando leis por Medidas Provisórias para assegurar os interesses da FIFA e de seus parceiros (Lei Geral da Copa), permitir que Estados e Municípios se endividem além do exigido pela Lei de Responsabilidade Fiscal para investir em obras da Copa, abreviar licenciamento ambiental e dispensar licitações.

Alguns exemplos do prejuízo que essa legislação traz para a população:

– as zonas de exclusão: a FIFA estabelece uma área em um raio de até 2 quilômetros em volta do estádio –  a zona de exclusão –  como seu território. Ali controla a circulação de pessoas, a venda de produtos, fiscaliza o uso de marcas que considera suas – o próprio nome do evento Copa 2014 e o mascote, entre outros –  protege a exclusividade de venda dos produtos de seus patrocinadores – da cerveja ao hamburger – e se encarrega da segurança. Segundo a ONG Streetnet, na África do Sul 100 mil ambulantes perderam a fonte de renda durante a Copa e situação semelhante  – caracterizada como violação ao direito ao trabalho e perseguição por trabalhar em espaço público – está prevista no Brasil onde mais de mil ambulantes já perderam postos de trabalho por causa das obras da Copa, principalmente em Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Fortaleza e Porto Alegre

– isenções fiscais, exceções legais: a criação de punições e tipificação de crimes para proteger os interesses da FIFA e seus parceiros – que pune por exemplo, quem utiliza símbolos da Copa para promover eventos em bares e restaurantes ou que fere a exclusividade das marcas da FIFA – é um dos  abusos permitidos pela Lei Geral da Copa, que também isenta de impostos uma série de entidades e indivíduos indicados pela FIFA prejudicando as receitas do país que arca até com toda a responsabilidade jurídica em acidentes/incidentes, danos e processos, incluindo o pagamento dos advogados da FIFA e parceiros.

– obras estaduais e municipais faraônicas e/ou contra os interesses da população: o caso mais gritante é da construção de um Aquário em Fortaleza , sem laudo arqueológico e com diversas falhas no EIA-Rima, a um custo superior a 280 milhões de reais enquanto o Ceará vive uma de suas piores secas. Em São Paulo, no Rio de Janeiro, Salvador e outras cidades-sede os governos estaduais e municipais também participam do investimento em dinheiro público em estádios que serão posteriormente explorados pela iniciativa privada . Em Natal, a construção do estádio põe em risco as dunas, e em Recife uma área até então preservada está sendo completamente alterada para instalar equipamentos relacionados à Copa, como hotéis e centros de apoio ao estádio.

– superfaturamento, custos elevados e desvios de recursos públicos: as sete maiores empreiteiras do Brasil – que são também as principais doadoras de recursos eleitorais para os principais partidos e políticos – beneficiaram-se da Lei 12.462/2011 RDC – Regime Diferenciado de Contratações Públicas – para determinar preços, aumentá-los através de cláusulas e aditivos frequentemente justificados pelo ritmo das obras e pela reformulação de projetos equivocados. O TCU já comprovou irregularidades na arena Amazonas, na reforma do Maracanã, na construção do estádio em Brasília, no aeroporto de Manaus. O Ministério Público do Distrito Federal entrou com ação contra superfaturamento e outras irregularidades no VLT de Brasília.

VIOLAÇÃO AO DIREITO À INFORMAÇÃO E À PARTICIPAÇÃO POLÍTICA Imagem: divulgação ANCOP

Os movimentos sociais denunciam no Dossiê de Violações de Direitos Humanos que também o direito à informação e à participação nos processos decisórios são “atropelados por autoridades FIFA, COI e comitês locais” porque “projetos associados à Copa e às Olimpiadas não são objeto de debate público”. A falta de informações e debate sobre os projetos, que não raro desrespeitam os planos diretores aprovados nas câmaras municipais, que atingem comunidades e bairros é denunciada por movimentos sociais em todas as cidades-sede. Associações de moradores também se queixam de audiências públicas pró-forma e da inexistência de mecanismos mais eficazes para a participação da sociedade nos projetos que atingem suas casas, bairros, cidades.

RECRUDESCIMENTO DA VIOLÊNCIA POLICIAL E DOS SEGURANÇAS DA FIFA

Foto: Pedro Kirillos / OGlobo

O orçamento da área de segurança da Copa prevê investimentos de R$ 1,8 bilhão do governo federal. O Ministério da Justiça declara ter investido 562 milhões de reais até agora e o Ministério da Defesa, a 630 milhões de reais para gastos relativos ao evento. Por um total de 49,5 milhões, o governo federal fechou a compra de milhares de armamentos não-letais da empresa Condor – a mesma que forneceu as bombas usadas contra manifestantes – da Turquia às capitais brasileiras– para a Copa das Confederações, em andamento, e a Copa do Mundo de 2014

O contrato, com vigência até 31 de dezembro de 2014, prevê o fornecimento de 2,2 mil kits não-letais de curta distância (sprays de pimenta, granadas lacrimogêneas com chip de rastreabilidade, granadas de efeito moral para uso externo e indoors e granadas explosivas de luz e som); 449 kits não-letais de curta distância com cartuchos de balas de borracha e cartuchos de impacto expansível (balas que se expandem em contato com a pele, evitando a perfuração); 1,8 mil armas elétricas para lançamentos dardos energizados  (as pistolas “taser”), e mais 8,3 mil granadas de efeito moral, 8,3 mil granadas de luz e som, 8,3 mil granadas de gás lacrimogêneo fumígena tríplice e 50 mil sprays de pimenta. Dentro dos estádios e na zona de exclusão a segurança é privada, escolhida e orientada pela Fifa mas paga pelo governo federal. Nas recentes manifestações no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte a quantidade  de equipamentos e munição chamou a atenção, exatamente por já estar sendo usado o material de segurança da Copa das Confederações.

Além da legislação de exceção abordada no item anterior – que inclui a tipificação de novos crimes para proteger marcas e exclusividade dos parceiros da FIFA e a zona de exclusão – o PL 728/2011, no fim de sua tramitação, inclui a tipificação do crime de “terrorismo”, algo que não existe na nossa legislação desde a ditadura militar, e prevê penas duras para quem promover “o pânico generalizado” . Para os movimentos sociais, o texto do projeto, bastante vago, pode criminalizar as manifestações desde que essas sejam enquadradas como causadoras de pânico generalizado.

ELITIZAÇÃO DOS ESTÁDIOS E DOS INGRESSOS PARA OS JOGOS DA COPA 

Foto: Heuler Andrey / AGIF/AFP

As reformas nos estádios brasileiros para seguir as recomendações da FIFA reduziram ou extinguiram lugares populares nos estádios, ampliando a área de camarotes e lugares marcados, principalmente no Maracanã e no Mineirão, que perderam quase 50% da capacidade. Como resultado, o preço dos ingressos subiram mesmo nos jogos comuns – passando de 40 a 60 reais cobrados nas arquibancadas para preços mínimos de 160 reais no Maracanã, por exempo.

Quanto aos ingressos para a Copa 2014, enquanto 200 mil pessoas assistiram a partida final contra o Uruguai em 1950 no Maracanã, apenas 74 mil ingressos serão colocados à venda para a final no mesmo estádio em 2014. Em 1950, 80% dos ingressos eram populares (arquibancada e geral) extintas para dar lugar a assentos alcochoados nas área Vips.

A FIFA também impôs padrões de comportamento aos torcedores completamente avessos à cultura da alegria e da participação da torcida brasileira de futebol, com platéia sentada, sem as coreografias, as baterias percussivas, o baile das bandeiras a que estamos acostumados.

INCREMENTO AO TRÁFICO E VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES, ADOLESCENTES E CRIANÇAS

Foto: blog O Povo

Fortaleza, Natal e Salvador estão entre os principais destino do turismo sexual, que traz homens para o país em busca de mulheres, travestis, adolescentes e crianças, o que deve se agravar com a Copa. O Esplar, ONG que trabalha com mulheres cearenses e participa da Articulação dos Comitês Populares da Copa, lançou em parceria com a Fundação Heinrich Boll, um folheto informativo em um DVD para chamar a atenção para o esperado aumento do turismo sexual na Copa. Segundo a advogada Magnolia Said, que coordenou a produção desse material, já se detectou um aumento de tráfico interno (do interior para as capitais do Nordeste) de mulheres e adolescentes por causa dos preparativos da Copa do Mundo. Reportagem da agência Pública também detectou o trânsito de travestis de Fortaleza para São Paulo para colocar próteses de silicone em troca de trabalho gratuito para as cafetinas que bancam as cirurgias.

Ela não vai ao campeonato do mundo de futebol – mas podia ter ido às manifestações

O aumento dos preços dos bilhetes dos transportes públicos foi apenas a gota que fez transbordar o copo dos brasileiros. Neste vídeo – feito pouco antes dos protestos da última semana – a fotógrafa brasileira Carla Dauden explica a insatisfação de muitos brasileiros com as decisões dos seus governantes e porque é que ela não vai ao campeonato do mundo de futebol. Vejam. É muito bom.