O que se passa nos Açores?

Primeiro, os factos: os Estados Unidos reduziram a presença militar nas Lajes, tal como fizeram em muitas outros locais da europa, numa reformulação da presença de tropas americanas no mundo; a redução desse contingente na base das Lajes, teve efeitos directos na economia local; o governo regional e o governo nacional têm toda a legitimidade para procurar alternativas.

Ora, nas últimas semanas, uma delegação de várias dezenas de responsáveis chineses estiver na região a avaliar as possibilidades de investimento. Segundo o congressista americano, Devin Nunes, que escreveu uma carta ao secretário da Defesa dos Estados Unidos sobre o assunto, essas hipóteses centram-se na Base das Lajes e no porto de águas profundas da Praia da Vitória.

Ontem, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, aterrou na ilha Terceira para uma escala técnica – que dura dois dias  – com a mulher e oito ministros, após um périplo pelo continente americano, que incluiu visitas à sede da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque, Canadá e Cuba. Passaram a noite em Angra, foram a um concerto e, pelo meio, foram recebidos pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva e pelo presidente do governo regional dos Açores, Vasco Cordeiro.

Três dias antes do encontro, o MNE enviou uma informação às redacções a informar que o encontro com o líder chinês se enquadrava na preparação da visita do primeiro-ministro, António Costa, à China, em Outubro. Admito estar enganado, mas a experiência diz-me que, normalmente, esta preparação ocorre ao mesmo nível: director de política externa com director de política externa; secretário de Estado com secretário de Estado; ministro com ministro. Mas claro que podem haver excepções.

Questionados sobre um eventual investimento chinês nos Açores, ou sobre eventuais negociações a decorrer, o MNE e o Governo Regional optaram, deliberadamente, por ignorar as perguntas e remeter-se ao silêncio. Não confirmam, mas também não negam. O que permite deixar a pergunta no ar: o que se está a passar nos Açores, longe de todas as atenções?

Actualização: citado pela agência Xinhua, a agência oficial do governo chinês, Li Keqiang, disse que “Portugal é um bom amigo da China na União Europeia” e que as  relações entre os dois países foram intensificadas nos anos recentes com esforços de ambos os lados. Afirmou também que a China está disponível para “aprofundar a confiança política, aumentar o entendimento mútuo, aumentar a cooperação pragmática, estabelecer uma comunicação civil mais próxima com Portugal e diversificar a parceria estratégica entre os dois países”. O primeiro-ministro chinês disse ainda esperar que os dois lados continuem a “explorar o potencial para cooperar nas áreas da “energia, finança e oceanos”.

Em resposta, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, manifestou o desejo de Portugal aumentar as exportações de produtos agrícolas para a China e também “fortalecer a cooperação com a China nas áreas da energia, infraestruturas de transportes e logística” e, para além disso, cooperar com a China como parceiro em outras regiões como, por exemplo, em África. (sublinhado meu).

Actualização II: O governo negou, oficialmente, qualquer negociação com a China sobre as Lajes.

 

China's Prime Minister Li Keqiang visits Portugal

epa05558268 Chinese Prime-Minister, Li Keqian (2-R), with Azores Regional Government President, Vasco Cordeiro (R), during a visit to Terceira Island, Azores, Portugal, 27 September 2016. Li Keqian is on an official visit to Portugal. EPA/ANTONIO ARAUJO

 

Anúncios

Os 25 anos de Tiananmen

Em 1989, milhares de estudantes chineses juntaram-se em protesto na praça de Tiananmen. Um desses jovens, que enfrentou sozinho uma fila de tanques, tornou-se um ícone mundial – mesmo que não se saiba quem foi ele. Amanhã assinalam-se os 25 anos do massacre que pôs fim aos protestos – e que levou a uma série de reformas rumo ao capitalismo por parte do regime comunista.

Tiananmen: os chineses nunca viram esta fotografia

dont-try-searching-for-tiananmen-square-in-china-today

Amanhã assinalam-se os 25 anos do massacre de Tiananmen – um acontecimento que, segundo a história oficial do governo chinês, nunca ocorreu. Uma simples pesquisa na internet com termos relacionados com o massacre não leva a lado nenhum: eles foram bloqueados nos motores de busca. Por isso, um quarto de século depois, a maioria dos chineses nunca viram a imagem icónica de um estudante desconhecido a fazer frente a uma fila de tanques. Queremos fazer algo sobre isso: é assinar a petição da Repórteres Sem Fronteiras.

25anstiananmen-fr_bd-73b92

 

O reino das pequenas pessoas

É uma das atrações turísticas mais polémicas da China: uma comunidade de duendes. Fundado em 2009 nos arredores da cidade de Kunming, o parque já foi comparado a um jardim zoológico de humanos: os seus habitantes cantam, dançam e exibem as suas habilidades diariamente para os turistas. A revista Vice visitou-o. E mostra o que encontrou.

O novo ano chinês em 50 factos

Hoje, 31 de Janeiro, começa o ano do cavalo. Aqui ficam 50 factos interessantes sobre uma celebração que está a tornar-se mundial.

50 Unbelievable Facts About Chinese New Year [Infographic]

Explore more infographics like this one on the web’s largest information design community – Visually.

Leitura para o fim-de-semana: a fortuna escondida dos comunistas chineses

Há seis meses um pequeno grupo de jornalistas de várias nacionalidades reuniu-se em Hong Kong. Muitos não se conheciam. Tinham apenas uma coisa em comum: pertenciam ao International Consortium of Investigative Journalists. Estavam ali com uma missão: investigar os registos de cidadãos chineses numa base de dados gigantesca com os dados de clientes de offshores. Desde então tiveram de ultrapassar dificuldades linguísticas, diferenças horárias e a pressão das autoridades chinesas. O resultado foi publicado esta semana: quase 22 mil chineses – incluíndo 15 dos mais ricos do país – acumularam fortunas que esconderam em paraísos fiscais. A notícia foi divulgada pelos jornais portugueses, mas vale a pena ler o original.

w640

Leaked Records Reveal Offshore Holdings of China’s Elite

By Marina Walker Guevara, www.icij.org
“Close relatives of China’s top leaders have held secretive offshore companies in tax havens that helped shroud the Communist elite’s wealth, a leaked cache of documents reveals.

The confidential files include details of a real estate company co-owned by current President Xi Jinping’s brother-in-law and British Virgin Islands companies set up by former Premier Wen Jiabao’s son and also by his son-in-law.

Nearly 22,000 offshore clients with addresses in mainland China and Hong Kong appear in the files obtained by the International Consortium of Investigative Journalists.  Among them are some of China’s most powerful men and women — including at least 15 of China’s richest, members of the National People’s Congress and executives from state-owned companies entangled in corruption scandals.

PricewaterhouseCoopers, UBS and other Western banks and accounting firms play a key role as middlemen in helping Chinese clients set up trusts and companies in the British Virgin Islands, Samoa and other offshore centers usually associated with hidden wealth, the records show. For instance, Swiss financial giant Credit Suisse helped Wen Jiabao’s son create his BVI company while his father was leading the country.

The files come from two offshore firms — Singapore-based Portcullis TrustNet and BVI-based Commonwealth Trust Limited — that help clients create offshore companies, trusts and bank accounts. They are part of a cache of 2.5 million leaked files that ICIJ has sifted through with help from more than 50 reporting partners in Europe, North America, Asia and other regions.

Since last April, ICIJ’s stories have triggered official inquiries, high-profile resignations and policy changes around the world.

Until now, the details on China and Hong Kong had not been disclosed.

The data illustrates the outsized dependency of the world’s second largest economy on tiny islands thousands of miles away.  As the country has moved from an insular communist system to a socialist/capitalist hybrid, China has become a leading market for offshore havens that peddle secrecy, tax shelters and streamlined international deal making.

Every corner of China’s economy, from oil to green energy and from mining to arms trading, appears in the ICIJ data.

Chinese officials aren’t required to disclose their assets publicly and until now citizens have remained largely in the dark about the parallel economy that can allow the powerful and well-connected to avoid taxes and keep their dealings secret. By some estimates, between $1 trillion and $4 trillion in untraced assets have left the country since 2000.

The growing onshore and offshore wealth of China’s elites “may not be strictly illegal,” but it is often tied to “conflict of interest and covert use of government power,” said Minxin Pei, a political scientist at Claremont McKenna College in California. “If there is real transparency, then the Chinese people will have a much better idea of how corrupt the system is [and] how much wealth has been amassed by government officials through illegal means.”

Top-level corruption is a politically sensitive issue in China as the country’s economy cools and its wealth gap continues to widen.  The country’s leadership has cracked down on journalists who have exposed the hidden wealth of top officials and their families as well as citizens who have demanded that government officials disclose their personal assets.

In November, a mainland Chinese news organization that was working with ICIJ to analyze the offshore data withdrew from the reporting partnership, explaining that authorities had warned it not to publish anything about the material.”

O artigo completo está aqui.

Olá, o meu nome é XXX e sou viciado em… internet

Sim, a internet pode ser um vício.  Tanto que na China há centros de reabilitação para aqueles que não conseguem largar o computador – sobretudo para jogar online. A maioria dos pacientes são jovens, rapazes e são lá colocados pelos pais contra a sua vontade. Isto significa que estão presos. E seguem um regime quase militar. Este documentário do The New York Times, China’s Web Junkies, levanta um pouco o véu sobre essa realidade.