Concurso diplomático: estão abertas as candidaturas

Post com uns dias de atraso: desde o passado dia 18 de Abril que estão abertas as candidaturas para o mais recente concurso de ingresso na carreira diplomática. Este ano estarão disponíveis 30 lugares de adido de embaixada e as candidaturas podem ser apresentadas num prazo de 15 dias úteis a contar da data de abertura do concurso. Ao contrário do que aconteceu nas anteriores edições, o Ministério dos Negócios Estrangeiros decidiu prescindir da prova de cultura geral, que tanta polémica provocou. Todas as informações para um dos mais exigentes concursos da administração pública portuguesa estão na página do Instituto Diplomático.

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Concurso diplomático: estão escolhidos os 25

Chegou ao fim. Depois de uma maratona de provas e entrevistas, estão escolhidos os 25 melhores classificados no concurso de ingresso na carreira diplomática. A lista foi publicada esta segunda-feira em Diário da República com a classificação final, como manda o regulamento, em ordem decrescente. Um detalhe salta à vista: entre os 25 estão apenas três mulheres. As restantes que chegaram à última fase ficaram nas três últimas posições: 28º, 29º e 30º. No entanto, para os novos adidos o processo ainda não acabou. Nos próximos dois anos terão de mostrar o que valem. Só então será confirmada – ou não – a sua entrada na carreira diplomática. Mas, para já, é altura de celebrarem. Parabéns a todos.

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Concurso diplomático: só cinco mulheres chegaram à última fase

O concurso de ingresso na carreira diplomática chegou à derradeira etapa. No total, 36 candidatos foram admitidos à entrevista profissional, a última e mais subjectiva de todas as fases daquele que é um dos mais exigentes processos de admissão na função pública portuguesa. Detalhe: só cinco mulheres terão a hipótese de lutar por uma vaga.

Inicialmente eram 43. Mas após os recursos sobre os resultados da prova escrita de conhecimentos, 46 candidatos chegaram à prova oral, na qual tiveram de fazer uma exposição de cerca de 20 minutos sobre um tema por eles sorteado quatro horas antes, seguido de um debate com os membros do júri. Quem reprovou (10 candidatos) até pode ter feito uma boa prova. Mas não o suficiente para atingir o mínimo de 15 valores necessário para passar à fase seguinte: a entrevista profissional.

Nesta fase, os candidatos vão enfrentar os membros diplomatas do júri e um não diplomata. Em cerca de 30 minutos, eles vão avaliar “para além da adequação do candidato ao perfil de representação exigido pela função diplomática, a sua capacidade de expressão e argumentação, a sua vocação, o seu interesse profissional e conhecimentos gerais considerados relevantes para o exercício das funções diplomáticas”.

No final serão automaticamente admitidos 10 candidatos e 15 ficarão numa espécie de lista de espera para preencher as vagas que surjam (reformas) num prazo de 18 meses.

Informação acidional: afinal, os 25 candidatos deverão ser todos admitidos. Quando concurso foi lançado, 20 dos 30 lugares no mapa de pessoal destinados a adidos estavam preenchidos pelos admitidos no concurso anterior. Nesta fase eles já foram todos confirmados como conselheiros secretários de embaixada. Como tal, os lugares estão todos disponíveis.

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Concurso diplomático aproxima-se da fase final

Dos 96 candidatos que chegaram à prova escrita de conhecimentos do concurso de ingresso na carreira diplomática, apenas 43 foram admitidos na fase seguinte: a prova oral de conhecimentos. Dos restantes, 48 chumbaram, dois faltaram e três, que tinham sido admitidos provisoriamente, viram os seus recursos sobre os resultados da prova escrita de lingua portuguesa e inglesa indeferidos. Detalhe: apenas nove dos aprovados são mulheres.

Os resultados foram publicados esta segunda-feira, dia 5 – e as primeiras provas começam já dia 12 para quatro candidatos. Nesta prova, terão de fazer uma exposição de cerca de 20 minutos sobre um tema por eles sorteado quatro horas antes do exame. Depois seguir-se-á um debate com os membros do júri. Quem sobreviver será admitido à prova decisiva: a entrevista profissional.

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Concurso diplomático: as 90 perguntas do “trivial pursuit”

Sabe o que aconteceu após a batalha de Solferino? Ou qual foi a teologia criada por Gustavo Gutierrez, Bernardo Boff e Juan Luis Segundo? Sabe quem escreveu “As mãos de Abraão Zacut? Ou quem foi António Francisco Lisboa, o “Aleijadinho”? Então provavelmente passariam na prova de cultura geral do concurso de ingresso na carreira diplomática.

Este ano, a prova oscilou entre perguntas muito fáceis e outras mais complicadas. A taxa de aprovação reflectiu isso mesmo: dos que compareceram, 188 passaram, e 639 reprovaram. Fica sempre uma pergunta: como se prepara um exame deste género?

Para quem quiser testar os seus conhecimentos, a Prova de cultura geral está aqui.

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Concurso diplomático: 639 candidatos chumbaram na prova de cultura geral

Começou a corrida: 188 candidatos sobreviveram à primeira prova do concurso de ingresso na carreira diplomática, a de cultura geral, que há dois anos tanta polémica causou. A prova realizou-se no passado sábado, na faculdade de direito e foi considerada “mais normal” pelos candidatos presentes.Tal como as anteriores, foi de escolha múltipla, e continha 90 perguntas.

Dos 1693 inscritos, 639 chumbaram por não terem conseguido um mínimo de 14 valores – não acertaram num mínimo em 63 respostas – e 866 reprovaram por falta de comparência. Os resultados foram publicados esta segunda-feira na página do MNE e os candidatos aprovados não terão tempo para descansar: no próximo sábado, dia 27, realiza-se a prova de português e de inglês.

Detalhe: na prova de lingua portuguesa os candidatos terão de optar entre responder na nova ou na antiga ortografia – apesar de o enunciado estar “em conformidade com o Acordo Ortográfico”. Escolha múltipla, portanto.

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Carreira diplomática: está aberto concurso de ingresso

O aviso foi publicado esta segunda-feira, 30 de Março em Diário da República. Os interessados têm 15 dias para apresentar as candidaturas.

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Carreira diplomática: vai abrir um novo concurso

Os interessados em seguir a carreira diplomática vão ter nova oportunidade. O Ministério dos Negócios Estrangeiros prepara-se para abrir um novo concurso. Desta vez numa nova modalidade: serão admitidos 10 candidatos e 15 ficarão numa espécie de lista de espera para preencher as vagas que surjam num prazo de 18 meses. A nova modalidade de recrutamento foi divulgada esta quinta-feira, em Diário da República, por ocasião da nomeação do júri do concurso. O regulamento tinha sido divulgado no início da semana e foi elaborado com base nas alterações introduzidas nos últimos concursos.

Espera-se que desta vez o processo seja mais pacífico. O último concurso ficou marcado pela polémica em torno da prova de cultura geral (que foi anulada) e o anterior por uma majoração das notas em 5% após a prova escrita de conhecimentos – o que fez com que candidatos que teriam reprovado acabassem por ser admitidos e levou os prejudicados a impugnar o concurso em tribunal, processos que ainda hoje decorrem.

O regulamento do concurso, bem como exemplos das provas elaboradas nos anteriores, estão aqui.

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Concurso diplomático: os 20 novos diplomatas estão escolhidos

A lista final dos 20 candidatos admitidos no concurso de ingresso na carreira diplomática foi publicada ontem, num suplemento do Diário da República. Vários detalhes a realçar:

  1. O 21º classificado ficou a apenas 0.124 valores de conseguir entrar na carreira.
  2. O candidato excluído foi também o único a ter uma classificação média inferior a 15 – o que dá uma ideia do valor dos admitidos.
  3. O primeiro classificado conseguiu uma média de notas de 17,280.
  4. A única mulher a chegar à lista final ficou em 20ª lugar.

Apesar de ainda existirem uma série de questões por esclarecer, nomeadamente no que diz respeito à realização da prova de cultura geral, os recém nomeados merecem os parabéns por ter conseguido ser admitidos naquele que é um dos mais exigentes concursos da função pública. Alguns fizeram inúmeros sacrifícios pessoais e profissionais para se prepararem e até para comparecerem aos exames. No entanto, o processo ainda não acabou: os agora adidos de embaixada têm  pela frente uma espécie de período experimental. Nos próximos dois anos vão ser postos à prova e só no final serão confirmados, ou não, como secretários de embaixada. Boa sorte. O País precisa de funcionários competentes.

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Concurso diplomático: apenas um candidato ficará de fora

Foram divulgados os resultados da última fase do concurso de ingresso na carreira diplomática. Dos 25 candidatos que chegaram à prova oral de conhecimentos, 21 conseguiram ser aprovados pelo júri. Isso significa que nos próximos dias apenas um deles ficará a saber que “morreu na praia”. Os resultados foram publicados na página do governo por ordem alfabética e a lista final dos futuros adidos de embaixada será divulgada por ordem decrescente da média das notas.

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Concurso diplomático: 25 candidatos chegam à fase final

Foi ontem publicada na página do Ministério dos Negócios Estrangeiros a lista de candidatos admitidos à última fase do concurso de ingresso na carreira diplomática: a prova oral de conhecimentos. Apesar de, inicialmente, terem chegado à entrevista profissional 20 candidatos para 20 vagas, passaram ao exame decisivo 25 potenciais diplomatas – para já.

O aumento do número explicar-se-á através do deferimento dos recursos interpostos por candidatos que, inicialmente, teriam sido excluídos das fases anteriores do concurso. Este número poderá ainda aumentar já que há ainda candidatos com recursos pendentes cuja aprovação ou exclusão será publicada se os mesmos forem deferidos.

Duas notas:primeiro, não houve candidatos excluídos na entrevista profissional; segundo, continua a “sobreviver” uma única mulher nesta lista. O resto do processo está aqui.

A prova oral de conhecimentos é, por tradição, a etapa mais difícil de todo o concurso. No dia do exame os candidatos chegam ao Palácio das Necessidades quatro horas antes. É-lhes depois sorteado um tema que poderão preparar na biblioteca do ministério. Nesse espaço de tempo não poderão contactar ninguém para além dos elementos da organização do concurso. Em frente ao júri farão uma exposição de 20 minutos sobre o tema que lhes foi sorteado – sem recurso a apontamentos – e depois submetem-se às questões de diplomatas e professores catedráticos. Os que sobreviverem farão parte da nova fornada de adidos de embaixada. Boa sorte a todos.

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Concurso diplomático: um balanço factual

No dia em que se iniciam as entrevistas profissionais do concurso de ingresso na carreira diplomática, parece-me uma boa altura para fazer um balanço factual de todo o processo.

O concurso foi aberto com quase um ano de atraso. Apesar de há muito existir autorização do ministro de Estado e das Finanças, o anúncio da abertura do concurso só foi publicado em Diário da República a 27 de Dezembro de 2012. Para alguns juristas levanta desde longo um problema: o de não poder ser aberto um concurso para determinados lugares quando ainda estão a decorrer em tribunal acções relativas a procedimentos anteriores. E neste caso, ainda há processos a aguardar decisão do Tribunal Administrativo.

O concurso deste ano teve desde logo uma inovação: em vez do habitual teste psicotécnico, os candidatos sujeitaram-se inicialmente a uma prova de Cultura Geral. Para afastar as habituais alegações de favorecimento, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) decidiu entregar a elaboração do teste – bem como da de língua portuguesa – à Faculdade de Letras. A ideia era boa. O resultado nem por isso. A 16 de Março, cerca de 2000 candidatos receberam um enunciado com respostas de escolha múltipla a 90 perguntas. Entre elas estavam as já célebres questões sobre o qual o planeta por que passaríamos se viajássemos da Terra até Urano pelo caminho mais curto, o que é uma pessoa prognata ou o que eram os Guelfos.

No meio da indignação de vários candidatos, o MNE decidiu anular o exame porque não foram garantidas “condições de igualdade a todos os candidatos”. Mais concretamente: “em algumas salas, foi autorizada a substituição do enunciado da prova e, em consequência, a correcção de respostas rasuradas”. O comunicado foi publicado na página do governo, juntamente com a convocatória para uma nova prova a 20 de Abril, nas instalações da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Na altura, a 9 de Abril, enviei uma série de questões ao gabinete do ministro:

– Em que salas ocorreram as ditas irregularidades?

– A quem foram atribuídas as responsabilidades por essas irregularidades?

– Antes de serem anuladas, as provas dos candidatos foram avaliadas?

– Quem foram os avaliadores?

– Porque motivo a decisão de anulação foi tomada apenas a 2 de Abril – uma vez que as ditas irregularidades terão sido detectadas no próprio dia da realização da prova?

Pedi ainda – ao abrigo da legislação aplicável enquanto jornalista – a consulta de:

– Dos enunciados rasurados que motivaram a anulação da prova de Cultura Geral do Concurso de Ingresso na Carreira Diplomática

– Das classificações dos candidatos que compareceram à referida prova

Até hoje, e após várias insistências, não obtive qualquer resposta por parte do MNE.

Na data marcada, realizou-se pela segunda vez a prova de Cultura Geral. Não compareceram os dois mil inscritos. Terão sido cerca de metade. No entanto, só 44 – 4,4% – obtiveram mais do que o mínimo de 14 valores que lhes permitia passar à fase seguinte: os exames de língua portuguesa e inglesa.

A repetição da prova levanta ainda outras questões

– Se os candidatos excluídos tiverem sido aprovados na prova que foi anulada terão direito a optar pelo melhor resultado?
– No anterior concurso, que ainda tem acções a correr em tribunal, o júri majorou as notas em 5% após o exame de conhecimentos com o argumento de que, a duas provas da decisão final, não podiam ficar com uma possibilidade de escolha limitada a 40 candidatos. E agora?

Depois de interporem um recurso hierárquico, seis candidatos conseguiram ser readmitidos em concurso. No entanto, foram apenas avisados a 48h da prova. Talvez por isso, quase todos tenham sido excluídos. No entanto, ainda ninguém me conseguiu explicar como é que uma prova com respostas de escolha múltipla, portanto, objectivas, pode dar duas notas diferentes. Vários candidatos – aprovados e excluídos – partilharam neste blogue o que pensavam de todo o processo. Os seus textos podem ser lidos aqui.

A meio do concurso, a composição do júri foi também alterada: a ida de Pedro Lomba para o governo forçou a sua substituição e a da sua suplente, Patrícia Martins, respectivamente, pelos professores Nuno Piçarra e Francisco Coutinho.

Na fase seguinte, a prova escrita de conhecimentos, deviam ter-se apresentado 38 candidatos. Mas o número foi superior. Explicação: haverá candidatos com recursos pendentes e que realizaram o exame à condição. Os seus resultados ainda não foram divulgados. Só se sabe que, para a etapa que hoje começa, a entrevista profissional, deverão comparecer 20 candidatos para 20 vagas.

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Concurso diplomático: restam 20 candidatos para 20 vagas

Foi hoje anunciado no site do Ministério dos Negócios Estrangeiros o resultado da prova escrita de conhecimentos do concurso de ingresso na carreira diplomática. Dos 38 candidatos que se apresentaram, 20 passaram à fase seguinte: a entrevista profissional, que se realiza nos próximos dias 1, 2 e 3 de Julho.

Nessa entrevista, os candidatos a diplomatas vão encontrar os membros diplomatas do júri e ainda um elemento não diplomata. Os quatro vão avaliar “para além da adequação do candidato ao perfil de representação exigido pela função diplomática, a sua capacidade de expressão e argumentação, a sua vocação, o seu interesse profissional e conhecimentos gerais considerados relevantes para o exercício das funções diplomáticas”.

Até à data das entrevistas, o número de candidatos pode ainda aumentar: houve alguns que realizaram a prova a título condicional porque ainda têm recursos pendentes das fase anterior. Se as contestações forem deferidas e tiverem tido mais de 14 valores na prova escrita de conhecimentos, serão contactados para marcar a data da entrevista profissional.

Os candidatos que conseguirem obter mais de 14 valores passarão à última fase deste concurso: a prova oral de conhecimentos. Daí sairão os 20 (ou menos) novos adidos de embaixada que vão reforçar as fileiras da diplomacia portuguesa.

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Concurso diplomático: restam 38 candidatos para 20 vagas

Na passada sexta-feira foram anunciados os resultados das provas de português e inglês no concurso de ingresso na carreira diplomática. Dos 50 que entraram nas salas do Palácio das Necessidades, 12 não obtiveram, pelo menos, 14 valores num dos exames e, por isso, foram excluídos da próxima etapa. A divulgação dos resultados coincidiu com a explicação para a presença de 50 candidatos nas provas, em vez dos 44 que tinham sido anunciados como aprovados no exame de cultura geral: os seis apresentaram um recurso hierárquico que foi despachado favoravelmente pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros a 16 de Maio – dois dias antes das provas de português e inglês. É interessante constatar que, destes, quatro foram agora excluídos. O próximo exame, de conhecimentos, realiza-se no próximo dia 7 de Junho, uma sexta-feira.

Nota: inicialmente, este post dava conta de que tinham sido excluídos 13 candidatos e que, por isso, restavam 37. Os números foram corrigidos depois de alertado por um leitor para o erro. A todos, as minhas desculpas.

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Concurso diplomático: seis candidatos foram readmitidos

Foi hoje publicada na página do Ministério dos Negócios Estrangeiros a distribuição por salas do candidatos que amanhã irão prestar provas de português e inglês no Concurso de Ingresso na Carreira Diplomática. E, surpresa: em vez dos 44 candidatos admitidos na prova de Cultura Geral cuja lista foi publicada a 29 de Abril, amanhã vão prestar provas no Palácio das Necessidades 50 concorrentes. Seis candidatos que tinham sido excluídos voltaram a entrar na lista sem que o ministério de Paulo Portas tivesse dado qualquer explicação ou fosse publicada na página do concurso uma eventual reavaliação. Sendo que a prova era de escolha múltipla – e logo de avaliação linear – é estranho que possa ter havido algum tipo de reavaliação. Aguarda-se por uma explicação.

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Concurso diplomático: a visão de quem passou a cultura geral

Um dos 44 candidatos que tiveram mais de 14 valores na prova de cultura geral do concurso de ingresso na carreira diplomática decidiu partilhar a sua visão sobre o exame e o processo em si. É um outro lado, equilibrado e de quem não se sente privilegiado, que vale a pena conhecer. Por motivos compreensíveis, o autor assina apenas com uma inicial – mas como de costume, a sua identidade foi verificada.

“Sou um dos 44 que passou no teste de cultura geral. Passei porque acertei em mais de 63 perguntas e por nenhum outro motivo. Errei perguntas e nalgumas tive dúvidas, sendo que foi possível, nalgumas dessas usar alguma lógica e outros conhecimentos. No mencionado exemplo da flor com nome de aparente influência germânica, a lógica foi escolher o único dos 4 países mencionados que fazia fronteira com uma ex-colónia alemã, que no caso seria Angola que faz fronteira com a Namíbia, antigo Sudoeste Africano. Só depois confirmei que estava correcto. Certezas não tinha, mas a minha “paixão” por Geografia ajudou a uma escolha que estava correcta. Mas podia estar errado, já que o explorador e naturalista Humboldt também andou por meio mundo e a Argentina também teve muita imigração vinda da Alemanha. Noutras perguntas, nada me podia ajudar. E não ajudou. Sobre as provas, tendo ido a ambas, admito que não separar logo as folhas de rosto das folhas de resposta possa levantar dúvidas. Penso que as antigas provas psicotécnicas salvaguardavam esse aspecto. Mas não as outras em concursos anteriores, segundo estive a ver. O que não percebo é que se a questão é recorrente, porque não rever-se o procedimento, melhorando-o. Já que os enunciados existem, independentemente do número de candidatos que aparecem, podia atribuir-se logo um número para a folha de rosto e texto e separá-los logo após a aposição dos dados de identificação. Assim reduziam-se quaisquer tipo de desconfianças. Entendo que só há tantas dúvidas por tudo o que aconteceu com os contornos da primeira prova bem como a sua repetição. Não conheço mais nenhum candidato, mas creio que todos os que passaram tiveram igual mérito. Sobre o conteúdo da prova, posso dizer que achei esta mais lógica e próxima do regulamento que a primeira, mas não considero que esteja melhor preparado, sem mais, do que aqueles que chumbaram, ou melhor, do que aqueles que não ultrapassaram a fasquia dos 14. Com efeito, não será este tipo de avaliação, ainda que numa fase inicial, que define as bases de uma excelente preparação para ser diplomata. Nesse sentido, quer o Nuno Pinto, quer o Embaixador Francisco Seixas da Costa têm razão. Percebo a aposta numa prova que evidencie se há mais “mundo” além da nossa formação de base ou dos conhecimentos mais técnicos tratados nas provas escrita e oral de conhecimentos, mas deveria ser sem nos perdermos em questões, factos ou episódios que apenas em contextos muito específicos necessitaremos de demonstrar que conhecemos, se é que alguma vez necessitaremos de demonstrar. O melhor exemplo, para mim, é o do nome da pessoa que não foi assassinada na Noite Sangrenta. O que eu não veria com maus olhos era a introdução (ou reintrodução) de provas de raciocínio abstracto e numérico, já que as de português já absorvem o raciocínio lógico, tal como acontece no recrutamento para o funcionalismo comunitário. No entanto, cheguei aqui de forma transparente e sem violar regra nenhuma. E se aqui cheguei assim, continuo. A minha maior dificuldade está longe de provar aos outros que mereço estar aqui. Eu sei que mereço. A maior dificuldade agora é conseguir atingir um patamar de domínio muito competente dos temas “específicos”, dada a sua multiplicidade e a fasquia existente. Encaro as provas de português e de inglês com relativa tranquilidade, tendo em conta os exemplos de provas anteriores. Não é uma lógica de desprezar etapas, mas comecei a preparação, embora não a todo a vapor, a pensar não nas duas primeiras provas (não posso dizer que me preparei, no sentido de estudar, para a prova de Cultura Geral, tendo usado essencialmente um livro do género “Resposta a Tudo” para abordar alguns temas a que não ligo normalmente), mas nas provas de conhecimento. Se algo corresse mal, e ainda pode correr, pelo menos sempre aprofundo conhecimentos. Em suma, se quero chegar ao Palácio das Necessidades com outra qualidade que não a de “mero” candidato, tenho de continuar trabalhar para isso. É difícil conciliar os meus compromissos já existentes com este desafio. Mas também não tinha ilusões que fosse fácil. E ainda mal começou. Q.”

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Concurso diplomático: um manifesto pró-transparência

Texto enviado pela Zaida Fernandes, candidata excluída na prova de cultura geral do concurso de ingresso na carreira diplomática.

MANIFESTO ANTI-OPACIDADE, ANTI-FATALIDADE E PRÓ TRANSPARÊNCIA DOS CONCURSOS PÚBLICOS PORTUGUESES

O texto que se segue relata, com os comentários que me aprouveram, a experiência enquanto candidata no Concurso Externo de Acesso à Carreira Diplomática 2012/2013. Sem qualquer intenção de atingir um grau de star quality, este é um manifesto contra a perpetuação de processos e procedimentos que vampirizam a cidadania e a meritocracia em Portugal.
– Palavras-chave
Opacidade s. f. 1. Qualidade de opaco. 2. Sombra; escuridão.
Fatalidade s. f. 1. Força que predispõe os acontecimentos. 2. Destino inevitável. 3. Qualidade de fatal. 4. [Figurado] Grande desgraça (que influi em sucessos futuros).
Transparência (transpar[ecer] + -ência) s. f. 1. Qualidade do que é transparente. = DIAFANEIDADE
Cidadania (cidadão + -ia) s. f. Qualidade de cidadão.
– Percurso e expectativas face à candidatura ao concurso
Licenciei-me em Relações Internacionais (RI). Uma das saídas profissionais do curso, embora muitos cidadãos portugueses o desconheçam, é o trabalho no corpo diplomático. Sim, o curso de RI dota os seus estudantes para a carreira diplomática e, não, nem sequer deviam ser sujeitos a humilhações públicas como exames de cultura dita «geral» que de geral pouco evidenciam. De qualquer modo, muitos dos licenciados em RI sujeitam-se a este concurso externo com a expectativa de poderem exercer uma profissão para a qual foram, prévia e minimamente, preparados. Curiosamente, foi aberto um Curso de Especialização em Estudos Diplomáticos pelo Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, curso esse adequado para efeitos de preparação para o concurso externo de ingresso na categoria de adido de embaixada da carreira diplomática. Saliente-se a clara oportunidade deste curso, logo pelo facto de ser lecionado por uma série de figuras de destaque da Diplomacia Portuguesa, incluindo o Senhor ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros Luís Amado. Lamentável é, no entanto, o valor exigido – € 1 300 – para frequentar as aulas de iluminação para exames tão peculiares. Parece-me, afinal, que se justificava a criação do curso pelo grau de exigência das provas, sobretudo a de cultura «geral». Curioso, também, é existir um Instituto responsável pela preparação, a posteriori, dos candidatos admitidos.
No concurso de 2008/2009 fui eliminada, à semelhança de muitos (ou não fosse esse o objetivo), nos testes psicotécnicos, depois de passar nos exames de português e de inglês. Este ano fiquei motivada pela alteração nas provas. Não esperava, porém, que a cultura «geral» constituísse uma «pescada de rabo na boca».
– Preparação para a primeira prova
Não investi muito tempo em estudo intensivo até porque, na minha opinião, a cultura geral não é obtida dessa forma, ou não o deveria ser. Leio jornais de referência, observo a realidade nacional e internacional de forma interessada e crítica, gosto de Literatura, de Arte e de Música. Claro que não sei tudo, não vejo tudo e não memorizo datas para ganhar jogos de Trivial Pursuit.
– «Primeira» prova de cultura «geral» e anulação
A primeira prova foi surpreendente pela presença de questões mais específicas. Não me espantaram tanto as perguntas sobre o significado de cefalópode ou de prognata mas mais as que versavam sobre temas típicos de Relações Internacionais.
Fiz opções e errei demasiado. Tive dúvidas na questão da autoria do Retábulo de Eisenheim – mais conhecido por Altar de Eisenheim – e errei mas, nunca depois de ter assinalado a esferográfica a resposta, e por saber das regras – para mim perfeitamente claras e imutáveis -, entrei em contraordenação, incentivei ou assisti a delitos no anfiteatro que ocupei. A prova não correu muito bem mas mantinha alguma esperança. Qual não foi o espanto quando li o Comunicado do Júri. Anulada uma prova depois da correção porque não foram cumpridas as regras DURANTE a prova?! Sou minimamente perspicaz para ter percebido de imediato que outro fator era a causa da anulação naquele ponto do processo. Afastadas especulações, aquele não foi o verdadeiro motivo da anulação, «todos o sabemos» e merecemos resposta pública a essa e a outras dúvidas. Aprecio muito a transparência e o respeito. A opacidade do processo e a ausência de respeito para com milhares de pessoas provocaram-me insónias e ansiedade. Durante dias sujeitei muitos amigos à minha
desesperada catarse. Mas, quem não foi alvo de uma tortura não pode ter os mesmos sintomas ou queixas. Fui ao encontro de outras «vítimas» nos blogues. Encontrei comentários de candidatos que se deslocaram de avião gastando muito dinheiro e que não podiam dar-se ao luxo de repetir a «brincadeira».
– Repetição da prova e análise de resultados da «segunda» tentativa
Percorri a pé 3 km até à Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa para realizar o exame por não poder gastar dinheiro em transportes públicos, não ter boleias, carro ou motorista, e lá fiz 3 km no regresso, cansada e desmotivada. Felizmente não moro muito longe e nessa manhã não chovia a potes. Já tinha feito um percurso semelhante dias antes para poder consultar na Biblioteca Nacional dicionários e compêndios de Arte, Religião e Música. Rendi-me, enfim, ao «estudo» da cultura geral e ao jogo! Terá sido pior a emenda que o soneto.
Desta vez tinha saído de casa munida com uma lapiseira. Mal sabia que estava prestes a «dar um tiro no pé». O exame começou da pior maneira possível. Onde cresce a Welwitschia mirabilis?! «No idea, at all!», pensei (às vezes penso em inglês). Claro que coloquei em dúvida se seria em Angola mas… Afinal de contas, eu conheço muito da flora portuguesa mas não da africana… Alterei a estratégia e assinalei respostas em que estava certa a esferográfica e as em que tinha dúvidas a lápis. No final revi todas as respostas inseguras e, fruto de dilemas perante nomes e datas muito próximos da possibilidade (esta sensação deve ser das que mais adrenalina descarrega na corrente sanguínea humana), alterei respostas. Depois apercebi-me que em muitos casos agi contra mim. Dou um exemplo: entre Willy Brandt e Helmut Schmidt optei pelo segundo depois de refletir sobre datas; uma diferença de meses – ambos foram chanceler no ano em causa mas foi com o primeiro que Mário Soares se encontrou em Bona em 25 de abril de 1974.
Entre muitos defeitos a apontar à construção frásica das questões, e até à efetividade na utilização do Acordo Ortográfico, saliento a irrelevância de que o Cinema e a Cultura Visual parecem sofrer nestes exames. Parece que para os responsáveis pelas questões não vivemos num mundo em que a cultura visual marca, não vemos documentários, não existem mensagens poderosas na cinematografia, na fotografia e no design e na imprensa. E, a música clássica continua a ser o gold stantard da História da Música…Devíamos discutir, desde logo, que conceito de cultura foi a raiz do leque de questões e qual a qualificação dos responsáveis pelas mesmas.
– O papel da Comunicação Social e da Opinião Pública portuguesas
A verdadeira história tem outros contornos. Consigo traçar e tenho matéria para um verdadeiro roteiro da opacidade neste processo e em outros. Tiros no escuro, informações dúbias, elementos pouco transparentes que não se coadunam com um Estado que se quer democrático e meritocrático. Que fatalidade dinástica é esta a dos concursos públicos em Portugal. Há sempre alguém com mérito que é afastado, há mentes brilhantes e criativas a fugir do país e temos dementes a fazer comentários políticos na televisão quando precisamos de salvar o que resta de uma Nação.
À Comunicação Social dirigi, de resto, um comunicado manifestando revolta contra a análise incorreta feita a propósito dos resultados da segunda prova. A reportagem divulgada pela SIC no dia 1 de maio de 2013 – http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2013/05/01/98-dos-candidatos-a-carreira-diplomaticachumbaram-no-teste-de-cultura-geral – afirma que 98% dos 2 300 candidatos foram reprovados por não saberem responder a três questões fulcrais. Parafraseando: «Foi uma razia na cultura geral dos aspirantes a diplomatas, 98% dos candidatos à carreira diplomática chumbaram no teste de cultura geral. Dos mais de 2 mil pretendentes apenas 44 souberam responder, num teste de cruzinhas, a questões consideradas essenciais.» Pois eu faço parte do grupo dos 98% reprovados que responderam acertadamente a questões «fundamentais» e que, média feita, não foram «chumbados», apenas não atingiram os 14 valores exigidos. Além disso, corrijam-se os números porque na segunda prova não estiveram presentes 2 300 candidatos. O Ministério dos Negócios Estrangeiros devia, aliás, para evitar equívocos e humilhações públicas, divulgar números precisos e oficiais, incluindo percentagem de candidatos que atingiram e ultrapassaram os 10 valores.
Também o questionário, as opções e as respostas corretas deviam ser publicados para que não se extrapole num universo de 90 questões a partir de três que são facilmente denunciáveis. As notícias divulgadas por serem baseadas em dados errados e em assunções, remetem para um discernimento desviante, constituindo, talvez, uma manobra de diversão. E, além dos números, os jornalistas isentos deviam investigar os verdadeiros motivos da anulação da primeira prova já que aí havia, com certeza, mais candidatos e menos reprovações. Já devíamos ter aprendido a lição indo mais longe e mais fundo na apreciação.
O Jornal de Negócios também publicou a notícia tendo em conta dos dados fornecidos pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros –
http://www.jornaldenegocios.pt/economia/cultura/detalhe/apenas_44_dos_mais_de_2300_candidatos_a_diplomatas_passaram_no_exame_de_cultura_geral.html Nesta notícia levanta-se o véu para questões que mostram sobre que alicerces se constroem edifícios ruinosos: «A polémica em torno do exame levou também o ex-embaixador Francisco Seixas da Costa a questionar a eficácia da prova. “Quem tem a pretensão de vir a representar Portugal pelo mundo deve possuir uma razoável cultura geral, bem para além das temáticas da profissão. Resta saber se é a através de testes americanos, e especificamente dos que foram aplicados, que isso se avalia”, escreveu no seu blogue.»
– Princípios fundamentais, direitos, liberdades e garantias
Encontro no procedimento concursal mencionado um espelho das contradições entre o Direito e a sua praxe em Portugal. Basta fazermos um exercício fundamental de cidadania e ler alguns artigos da Constituição da República Portuguesa.
TÍTULO II
DIREITOS, LIBERDADES E GARANTIAS
Capitulo II – Direitos, liberdades e garantias de participação política
Artigo 48.º
Participação na vida pública
1. Todos os cidadãos têm o direito de tomar parte na vida política e na direção dos assuntos públicos do País, diretamente ou por intermédio de representantes livremente eleitos.

2. Todos os cidadãos têm o direito de ser esclarecidos objetivamente sobre atos do Estado e demais entidades públicas e de ser informados pelo Governo e outras autoridades acerca da gestão dos assuntos públicos.
Comentário:
O n.º 2 deste artigo dá-nos a oportunidade de solicitar esclarecimento, por exemplo, sobre a despesa implicada na repetição de uma prova pública. Tenhamos em consideração que falamos de economato mas também de pagamento de horas extraordinárias aos diplomatas que estiveram novamente presentes para assegurar a vigilância. Este facto constituirá mais uma contribuição para a dívida do Estado e, assim sendo, os contribuintes podem e devem exigir a publicação das despesas implicadas.
TÍTULO IX
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Artigo 271.º
Responsabilidade dos funcionários e agentes
1. Os funcionários e agentes do Estado e das demais entidades públicas são responsáveis civil, criminal e disciplinarmente pelas ações ou omissões praticadas no exercício das suas funções e por causa desse exercício de que resulte violação dos direitos ou interesses legalmente protegidos dos cidadãos, não dependendo a ação ou procedimento, em qualquer fase, de autorização hierárquica.
2. É excluída a responsabilidade do funcionário ou agente que atue no cumprimento de ordens ou instruções emanadas de legítimo superior hierárquico e em matéria de serviço, se previamente delas tiver reclamado ou tiver exigido a sua transmissão ou confirmação por escrito.
3. Cessa o dever de obediência sempre que o cumprimento das ordens ou instruções implique a prática de qualquer crime.

4. A lei regula os termos em que o Estado e as demais entidades públicas têm direito de regresso contra os titulares dos seus órgãos, funcionários e agentes.
Comentário:
Os funcionários do Ministério que incorreram durante a primeira prova em incumprimento de regras estabelecidas foram responsabilizados? Não sabemos. Fomos informados no dia 2 de abril através de Comunicado pelo Júri do Concurso, todavia, que a prova era anulada e que seríamos obrigados a repetir a prova pelo facto de «não ter sido assegurada a realização da referida prova em condições de igualdade em relação a todos os candidatos presentes na medida em que, em algumas salas de exame, foi permitida a substituição do enunciado da prova e, em consequência, a correção pelos candidatos de respostas rasuradas, em violação das regras contidas na folha de instruções que integravam o enunciado das provas». Em resumo, alguns candidatos prevaricaram com a anuência de funcionários do Ministério e milhares de candidatos são, em total desrespeito para com os seus direitos, convocados para uma
realizarem nova prova. Faz sentido o argumento do comunicado?
Poderia alargar o manifesto recorrendo a outros artigos importantes da Constituição e mesmo, quiçá fazer uma interessante comparação com o Regulamento do Concurso – Despacho n.º 16198-A/2012 – em busca de contradições. Vou, contudo, deixar que a discussão continue na esfera que lhe é devida: a pública. Concluo informando que, por tratar-se de processo público, acompanharei como faço noutros casos, a sua tramitação até ao final. Afinal, cabe aos cidadãos o dever primordial de garantir que os direitos e garantias firmados na Constituição são plenamente defendidos e cumpridos.
Portugal, 9 de maio de 2013.
Zaida Fernandes.

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Concurso diplomático: uma exclusão perigosa

O segundo contributo para o debate sobre a prova de cultura geral do concurso de ingresso na carreira diplomática chegou de um jovem candidato. Como prometido, a identidade foi verificada.

“Associando a minha voz às de tantos outros, não considero que a Prova de Cultura Geral escrita, nestes moldes, espelhe os verdadeiros conhecimentos de um futuro diplomata:

– Apenas o faria se estes se sujeitassem diariamente a questionários e não tivessem de manter conversas informadas, cultas, interessantes e bem estruturadas com os seus interlocutores, essas sim mais reveladoras da “cultura geral”, espontânea, rápida, completa;

– Julgo que a Prova de Língua Portuguesa, essa sim, seria um crivo útil a aplicar à miríade de candidatos, constatando eu as dificuldades de expressão e incoerências na nossa língua materna de tantos dos candidatos;

– Parece perigosa uma exclusão de tantos (cerca de 95%) dos candidatos entre os quais me encontro – numa fase tão precoce do Concurso: no fim das provas, se não forem apurados 20, como serão preenchidas as vagas? Com novo concurso para as remanescentes ou “repescando” os que tiverem sido eliminados antes, com menos de 14 valores? Se assim for, violam-se as regras que impedem que quem tem menos de 14 passe à fase seguinte (daí que com dificuldade se perceba a majoração em 5% no Concurso anterior);

– Longe de questionar os méritos dos seleccionados e a bem da verdade, arrisco sugerir que seria útil esclarecer se todos compareceram à primeira chamada da Prova ou se foram dos que beneficiaram da nova chamada, justificada por falhas que se verificaram no decorrer dessa primeira Prova mas aberta aos que as não presenciaram;

– Finalmente, a verificação do currículo seria reveladora: mesmo os que, como eu, não tiveram ainda hipótese de demonstrar as suas capacidades, têm outras provas de monta.

Espero, sinceramente, que na meia centena de não-eliminados estejam vinte diplomatas com estofo para representar o seu país, com o brio, a constância, a cultura e a dedicação até ao derramar de sangue por Portugal. E que, nas largas centenas de excluídos, caídos nas falhas do sistema, não estejam outros a quem essas funções melhor se adequassem.
Cordialmente

J.C.C.

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Concurso diplomático: a anormalidade estatística.

Hoje O Informador cumpre a promessa de abrir a porta aos leitores que quiseram partilhar a sua experiência no concurso de ingresso na carreira diplomática. O primeiro texto chegou de um candidato com um percurso profissional sólido que está também a terminar um mestrado. Por razões profissionais assina apenas R. – no entanto, a bem da transparência, garanto que sua identidade foi verificada.

“Devo admitir que fui fazer as provas mais pelo desafio do que propriamente com expectativas. Ouvi demasiadas histórias relativas a estas provas vindas de fontes distintas, sem contacto prévio, coincidentes para contar com uma possível carreira. Face a esta dúvida razoável sobre a prova e tendo em conta a prova em causa não me preparei, a cultura geral é algo que se adquire com o tempo não podendo ser a sua falta colmatada com estudo à pressão. Quanto à minha experiência nas provas…A primeira prova deu-me vontade de rir porque, apesar de me considerar uma pessoa com uma cultura geral bastante grande apenas conseguia responder a cerca de 30 perguntas sendo que, para as restantes, conseguia se calhar eliminar uma ou outra resposta mas era à sorte a escolha final. Devo admitir que achei peculiar a anulação ser feita através de um despacho do Ministro, tendo em conta que existe um presidente do júri e um secretário de estado na hierarquia antes de chegar a esse nível e principalmente sendo a causa apresentada para a anulação algo relativamente inócuo e prático. A segunda prova era mais acessível (pelo menos tinha perguntas reconhecíveis) mas mesmo assim era complicada pois tinha perguntas menos óbvias e não há muito tempo para ponderar as hipóteses (90 perguntas em 90 minutos). Podia desenvolver aqui considerações sobre algumas das perguntas mas não tenho tempo nem espaço para o fazer, basta dizer que de cultura “geral” nada tinham. Opinião geral sobre os resultados desta prova: são uma anomalia estatística. Existem dois factores que justificam a minha afirmação: a curva de Gauss prediria que face ao número de examinados e assumindo que os licenciados têm uma cultura geral média que o número de passagens à fase seguinte fosse de 150 a 250 (grosso modo mas matematicamente seria possível dizer sensivelmente quantas pessoas deviam passar); a segunda anomalia é que o ratio inicial dos sexos devia manter-se relativamente equivalente entre os seleccionados algo que não acontece. Mais uma vez bom trabalho,
R”

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O Informador abre as portas

Como, nas últimas semanas, o concurso de ingresso na carreira diplomática tem despertado – e muito – a atenção dos leitores, decidi fazer uma experiência e abrir as portas de O Informador a todos os candidatos que queiram deixar a sua visão sobre este processo fora das caixas de comentários. Requisitos: o texto não pode ter mais de 3000 caracteres e deve abordar questões como as expectativas que os candidatos tinham ao candidatarem-se à carreira diplomática; os sacrifícios que fizeram para se prepararem para as provas de ingresso; o percurso profissional e a experiência que adquiriram anteriormente; a reacção à primeira prova de cultura geral, à sua anulação e depois à respectiva repetição; bem como as observações como as mesmas decorreram. No fundo, uma visão pessoal. No final, espero ter aqui uma amostra do talento desperdiçado por este exame e contribuir para o debate sobre a forma mais adequada de se avaliar a “cultura geral” de um candidato a diplomata. Claro que há aqui um enorme risco: ninguém participar. É algo que estou disposto a correr. Por uma questão de confidencialidade e protecção daqueles que passaram à fase seguinte e dos que pretendem candidatar-se no futuro, os textos poderão ser assinados com pseudónimo. O único requisito é eu conhecer a verdadeira identidade para garantir que não aparecem “infiltrados” a lançar a confusão. Se houver alguma dúvida, basta perguntar. Aguardo os vossos emails.

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