Os marines americanos estiveram a treinar na Escola de Fuzileiros

A cooperação militar entre os Estados Unidos e Portugal é antiga. Recentemente ganhou um interesse renovado devido ao eventual interesse dos norte-americanos em transferirem a Força de Reacção Rápida que está instalada em Moron, em Espanha, para a base militar de Beja. É uma possibilidade que se coloca mas que ainda levará o seu tempo a ser negociada: implica a realização de obras que não estão previstas no orçamento americano e que serão feitas em Moron ou em Beja.

Os militares à entrada da Escola de Fuzileiros Foto: Marinha Portuguesa

Os militares à entrada da Escola de Fuzileiros Foto: Marinha Portuguesa

No entanto, e isso é interessante, na semana passada um grupo de Marines norte-americanos esteve na Escola de Fuzileiros de Vale do Zebro, no Barreiro, para uma semana de treinos com o 2º Batalhão de Fuzileiros portugueses. De acordo com o primeiro tenente Nichilas Honan o encontro serviu para ver como outras forças operam: “aprendemos umas coisas com eles e penso que eles ficaram com algumas boas tácticas nossas”, disse à DVIDS, um sistema de distribuição de imagens e vídeo do exército norte-americano.

O vice almirante Jose Monteiro Montenegro conversa com o Tenente Coronel Brian Koch

O vice almirante Jose Monteiro Montenegro conversa com o Tenente Coronel Brian Koch. Foto: Alexander Hill

Entre 12 e 16 de Maio, os militares simularam operações militares em terreno urbano, fizeram tiro ao alvo, praticaram situações de assalto aéreo e fizeram uma corrida de obstáculos. Pelo meio tiveram a visita do embaixador norte-americano em Lisboa, Robert Sherman e do Vice Almirante José Monteiro Montenegro.

O embaixador dos EUA em Lisboa, Robert Sherman fala com os Marines norte-americanos

O embaixador dos EUA em Lisboa, Robert Sherman fala com os Marines norte-americanos. Foto: Alexander Hill

Foto: Marinha Portuguesa

Foto: Marinha Portuguesa

A grande atracção foi a participação no que é chamado de exercício Táctico Alfa de duas aeronaves Boeing MV-22 Osprey, dos Marines norte-americanos. Os militares fizeram um treino cruzado de fast rope, seguiram com a inserção de Fuzileiros e Marines no Campo de Tiro de Alcochete e terminaram com uma acção ofensiva coordenada. No final, houve uma breve cerimónia. As fotos ficam para a posteridade.

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Foto: Marinha Portuguesa

Os militares fizeram saltos de helicóptero

Os militares fizeram saltos da aeronave norte-americana MV-22B Osprey. Foto: Alexander Hill

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A impunidade

Berta Cabral é secretária de Estado da Defesa. Foi nomeada para o cargo na sequência de uma das diversas remodelações governamentais, após uma liderança falhada do PSD Açores e sem qualquer passado na área. Os meses passaram. Ontem soube-se, através de uma auditoria do Tribunal de Contas, que ela recebeu quase 20 mil euros indevidamente, em senhas de presença, enquanto presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, entre 1 de Março de 2004 e 31 de Dezembro de 2012.

Em tempos, a idoneidade dos governantes era algo sagrado. A mínima suspeita significava um rombo na credibilidade e na legitimidade de um executivo. Mesmo que se tenha provado que não havia qualquer ilegalidade. Veja-se o caso de António Vitorino, Jorge Coelho, Martins da Cruz e muitos outros. Hoje os tempos são outros. A impunidade é total. Um membro do governo pode ser suspeito de tudo e de mais alguma coisa, pode ser desautorizado em público como foi José Leite Martins que nada acontece. A política é esperar que a polémica passe. E ela passa. Se nós deixarmos.

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A ameaça chinesa chega através da internet

Um grupo de hackers chineses acedeu a informações sensíveis sobre cerca de 24 dos mais modernos sistemas de armamento dos Estados Unidos. A informação consta de um relatório entregue ao Pentágono e a responsáveis do governo e da indústria de defesa norte-americana e foi divulgada pelo The Washington Post. Entre esses sistemas estão programas fundamentais como a defesa anti-míssil, aviões de combate e navios. Esta será apenas uma parte de uma campanha de espionagem levada a cabo pela China e que terá por objectivo diminuir a vantagem norte-americana no campo da defesa. A notícia completa pode ser lida aqui.

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Os submarinos e o mordomo

A história conta-se em poucas linhas. De acordo com o Jornal de Notícias, desapareceu do ministério da Defesa grande parte da documentação do processo dos submarinos, em particular “os registos das posições que a antiga equipa ministerial de Paulo Portas assumiu na negociação”. A notícia está sustentada no despacho de arquivamento do inquérito que tinha com único arguido o advogado Bernardo Ayala, assinado pelo procurador do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), João Ramos.

É aqui começam as dúvidas – e os detalhes caricatos. Com a certeza de que desapareceram documentos relevantes de um processo que custou aos cofres públicos milhões de euros desde que foi lançado, ainda no governo de António Guterres, e que tem envolvido suspeitas de corrupção, o DCIAP não ordena uma investigação a esse desaparecimento? E que tal uma simples pergunta que parece não ter sido feita aos envolvidos no negócio: “sabem onde estão os documentos?”

Por sua vez, o ministro da Defesa não sabe que documentos desapareceram. Mas mais grave: não parece interessado em saber. O outro ministro do actual governo que podia ter algo a dizer (e que é, como bom ex-director de um jornal, um viciado em informação e um político profissional) garante, convenientemente, que tem “acompanhado pouco” a actualidade política nacional.

O último capítulo faz hoje a manchete do jornal i, e parecia prometedor. O Procurador Geral da República revela que quer saber onde estão os documentos e que vai pedir explicações ao Ministério da Defesa. Mas, há sempre um mas: só quando voltar de férias.

Entretanto, no Vaticano, também desapareceram uma série de documentos e bens do Papa Bento XVI. A maioria foi publicada em Janeiro no livro Sua Santidade, As Cartas Secretas de Bento XVI do jornalista Gianluigi Nuzzi. O Vaticano nomeou uma equipa de três cardeais (um espanhol, um eslovaco e um italiano) para investigar a fuga de informação, conhecida como VatiLeaks e, a 23 de Maio o mordomo do Papa, Paolo Gabriele, foi detido em casa pela Polícia do Vaticano. Tinha com ele  documentos secretos, um cheque de 100 mil euros do Papa, uma pepita de ouro oferecida a Bento XVI e uma edição de 1851 da Eneida. Ontem foi divulgado que o mordomo vai ser julgado juntamente com um cúmplice, o informático Claudio Sciarpelletti.

Os cardeais foram rápidos e eficazes. Provavelmente fizeram as perguntas certas e não esperaram pelo fim das férias. O processo dos submarinos será mais complexo. Mas eles estarão interessados em passar uma temporada no DCIAP?