A carta de demissão de Joaquim Pais Jorge

O comunicado na íntegra de Paulo Portas

Através do Público.

1. Apresentei hoje de manhã a minha demissão do Governo ao primeiro-ministro.

2. Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.

3. São conhecidas as diferenças políticas que tive com o ministro das Finanças. A sua decisão pessoal de sair permitia abrir um ciclo político e económico diferente. A escolha feita pelo primeiro-ministro teria, por isso, de ser especialmente cuidadosa e consensual.

4. O primeiro-ministro entendeu seguir o caminho da mera continuidade no Ministério das Finanças. Respeito mas discordo.

5. Expressei, atempadamente, este ponto de vista ao primeiro-ministro que, ainda assim, confirmou a sua escolha. Em consequência, e tendo em atenção a importância decisiva do Ministério das Finanças, ficar no Governo seria um acto de dissimulação. Não é politicamente sustentável, nem é pessoalmente exigível.

6. Ao longo destes dois anos protegi até ao limite das minhas forças o valor da estabilidade. Porém, a forma como, reiteradamente, as decisões são tomadas no Governo torna, efectivamente, dispensável o meu contributo.

7. Agradeço a todos os meus colaboradores no Ministério dos Negócios Estrangeiros a sua ajuda inestimável que não esquecerei. Agradeço aos meus colegas de Governo, sem distinção partidária, toda a amizade e cooperação.

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Crise política instalada: Paulo Portas demite-se

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, apresentou a demissão ao primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. A decisão foi anunciada meia hora antes da tomada de posse de Maria Luís Albuquerque como ministra das Finanças. A escolha da ex-secretária de Estado do Tesouro para ocupar o lugar de Vítor Gaspar sem que o CDS-PP tenha sido consultado estará na origem da quebra da coligação.

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A carta de demissão de Vítor Gaspar

Na hora da despedida, Vítor Gaspar escreveu uma carta muito digna a Pedro Passos Coelho. Revela entre outras coisas que tinha pedido para sair em Outubro do ano passado e deixa alguns recados subtis que parecem ir directamente para… Paulo Portas. No final agradece o apoio que Passos Coelho lhe deu nestes dois anos.

O comunicado de Passos Coelho sobre Miguel Relvas

“O gabinete do primeiro-ministro informa que o Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, apresentou ao Primeiro-Ministro o seu pedido de demissão, que foi aceite. Em face desta situação, o Primeiro-Ministro proporá oportunamente ao Presidente da República a exoneração do Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares e a nomeação do seu substituto.

O Primeiro-Ministro enaltece a lealdade e a dedicação ao serviço público com que o Ministro Miguel Relvas desempenhou as suas funções, bem como o seu valioso contributo para o cumprimento do Programa de Governo numa fase particularmente exigente para o País e para todos os portugueses.”

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Miguel Relvas sai do governo

É a primeira grande cacha da CMTV. Miguel Relvas terá apresentado a demissão a Pedro Passos Coelho. A notícia foi avançada pela nova televisão há cerca de 20 minutos e está a espalhar-se pelos jornais online. A mais completa é a do Expresso que diz que o processo de saída foi acelerado pelo processo de verificação do seu curso superior.

“Miguel Relvas, braço-direito de Pedro Passos Coelho, resistiu durante um ano às revelações sobre a sua licenciatura mas pode não aguentar o processo de verificação das equivalências instaurado pela Inspecção Geral da Educação e Ciência. O processo atrasou-se mas está prestes a ser divulgado por Nuno Crato.
Dos 120 estudantes investigados pelo Ministério da Educação, nenhum recebeu tantos créditos (160) como Relvas. Uma licenciatura, em regra, equivale a 180 créditos.
Nas últimas horas, várias fontes governamentais garantiram ao Expresso que o ministro pode sair hoje mesmo do governo, tendo já uma declaração pronta para ler ao país.

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