Mário Jardel já tem ocupação: é deputado estadual

É verdade. Mário Jardel, o avançado de má memória que passou por Portugal ao serviço daquele clube cujo nome não deve ser mencionado (e também do SCP), foi eleito deputado estadual em Rio Grande do Sul. Isso, por si só, já seria um feito incrível para alguém com o seu percurso. Ainda o é mais depois desta entrevista dada antes das eleições. Entre outras pérolas diz que concorre porque precisava de ocupação, que se tornou evangélico, que é de direita porque é um “cara direito” e muito mais. Ah, e parece estar bêbado.

Anúncios

Leitura para o fim-de-semana: o Willy Wonka que pode ser presidente da Ucrânia

Fez fortuna na indústria do chocolade. Patrocinou os protestos que levaram à queda do presidente ucraniano Viktor Yanukovych. Agora é candidato às eleições deste domingo. Pode ser presidente – mas diz que gostava de ser deputado europeu. 

poroshenko1

Ukraine’s Chocolate King to the Rescue

Ukrainians hope that Petro Poroshenko can lead them out of the current crisis. But can one man provide the solution to all the country’s problems?

BY ANNABELLE CHAPMAN

“Petro Poroshenko has a dream. As the 48-year-old Ukrainian business tycoon told journalists earlier this week, he hopes one day to represent his country in the European Parliament — which was an odd thing to say since Ukraine is not a member of the European Union and has little chance of joining anytime soon. You’d think that Poroshenko would have his mind on a more immediate task: winning election to the presidency in the election scheduled for this coming Sunday, May 25.

Of course, there’s a deeper logic to Poroshenko’s European aspiration: It echoes the longing for a European future that played a part in the protests that toppled President Viktor Yanukovych earlier this year. The Euromaidan protests, which were actively and visibly supported by Poroshenko, also vaulted him into the ranks of Ukraine’s most popular politicians — and now to the leading position in this weekend’s presidential race. In the run-up to the balloting, eastern Ukraine has been wracked by the worst violence since the political crisis there first erupted earlier this year. On Thursday, at least 13 Ukrainian soldiers were killed by pro-Russian insurgents at a checkpoint 20 miles south of the restive city of Donetsk. The rebel group behind the attack said one of its militants was also killed.

Still, if the vote goes off without a hitch, Poroshenko is so far ahead of his rivals in opinion polls that he could even win in the first round. Last week, a poll put support for him at 54.7 percent among likely voters — embarrassingly far ahead of opposition bigwig and ex-Prime Minister Yulia Tymoshenko, who was in second place with 9.6 percent.

To be sure, Poroshenko is no ordinary politician (even in a country that abounds in outsized political personalities). He made his fortune, now estimated by Forbes at $1.3 billion, in the chocolate business — an unlikely achievement that has led some to dub him “Ukraine’s Willy Wonka.” That hint of magic befits a man whose followers believe that only he can rescue the country from its current predicament.

After he announced his decision to run for president a few weeks ago, a crowd of supporters began to chant his name. “I won’t let you down,” he told them.

Easier said than done. Winning the presidency is one thing; leading Ukraine out of its crisis is another. Though the Ukrainian media have been speculating about his running for president for months, Poroshenko’s strong lead in the polls does come as something of a surprise. When the protests against Yanukovych began in Kiev’s central square last year, Poroshenko probably wouldn’t have been considered an obvious candidate for future national leadership. Yet his early decision to side with the protesters raised his profile. At the same time, he remained aloof from the three main opposition leaders, all of whom were regarded with various degrees of skepticism by the Euromaidan demonstrators. Poroshenko said the right things but also knew when to stay out of the way.

This ultimately worked to his advantage. The three opposition leaders were left discredited for signing a deal with Yanukovych on Feb. 21, the night before the embattled president fled Kiev, eventually showing up in Russia. (Poroshenko was not among the signatories.) In March, boxer turned politician Vitali Klitschko, who had been the favorite candidate throughout the protests, announced his withdrawal from the race — and threw his support to the more popular Poroshenko, whose ratings then shot up even further. Poroshenko has since widened his lead over Tymoshenko, who was released from jail the day that Yanukovych fled.

The dramatic developments since then — first in Crimea and now in Ukraine’s east — have distracted attention from government business in Kiev and pre-election political scheming. Of course, Ukrainians have long been wondering whether the election will actually take place, and now separatist leaders in the eastern regions of Donetsk and Lugansk have said they will boycott the vote.

Poroshenko’s election slogan, promising no less than “a new way of life,” aims to capitalize on the widespread yearning for dramatic reform in the wake of the struggle against Yanukovych. “A new country was born and a new people was born,” he told Reuters in a recent interview. Referring to the casualties incurred during the protest, he added that Ukraine’s future leaders “should know why 104 people gave their lives.” It’s a line that echoes the mood of dissatisfaction among people who backed the protests, who wonder why more than 100 protesters died for the sake of change that is yet to come.

But can Poroshenko deliver? Ukraine is not the same country it was during the Orange Revolution of 2004: Society has evolved dramatically, even if Tymoshenko’s famed hairstyle has remained the same. Yet there is also something distinctly anachronistic about Poroshenko, whose political career dates back to 1998.”

O artigo completo está aqui. 

Tudo o que precisam de saber sobre… as eleições europeias

No domingo, há eleições. Ao contrário do que possa parecer, não vamos escolher o próximo governo. Também não vamos mandar embora o que lá está. No final da noite, qualquer que seja o resultado, os subsídios de Natal ou de férias não vão ser repostos. O dinheiro retirado em taxas, impostos e contribuições extraordinárias também não vai ser devolvido. Então para que é que vamos votar. Para isto:

  • As eleições europeias realizam-se a cada cinco anos. As de 2014 têm uma particularidade relativamente às anteriores: pela primeira vez o resultado eleitoral terá de ser tido em conta na escolha do presidente da Comissão Europeia (CE). E porque é que isso é importante? Porque a CE é uma espécie de governo da União Europeia, o órgão executivo que tem a responsabilidade de garantir o cumprimento dos tratados e gerir o dia a dia da instituição. Mas já lá vamos. Então e o Parlamento Europeu (PE) serve para quê?
  • Bom, o PE é o único órgão da UE que é eleito directamente pelos cidadãos. Querem participar na construção europeia? Votem. São 507 milhões de pessoas, espalhadas por 28 países, com 23 línguas oficiais que elegem 751 eurodeputados que vão orientar os destinos políticos do projecto europeu. Este número também é novo. Com a adesão da Croácia, em Julho de 2013, a composição do PE chegou aos 766 elementos. Agora, devido às alterações impostas pelo Tratado de Lisboa – sim, aquele em que o José Sócrates e o Durão Barroso trocaram um “porreiro, pá” – o número fixou-se nos 751. Isso significa que cada país vai ter menos eurodeputados?
  • Exactamente. Até agora, Portugal elegia 22 eurodeputados. Amanhã vão ser escolhidos apenas 21. Isto deve-se ao método de distribuição de parlamentares. Deram-lhe o palavrão de “proporcionalidade degressiva”, ou seja, os países com mais população têm mais eurodeputados do que os Estados com menos habitantes – mas ao mesmo tempo estes têm mais assentos do que o que teriam se a proporcionalidade fosse o único critério. A Alemanha é o país mais representado com 96 eurodeputados. O Luxemburgo tem seis. Complicado? Bom, basta perceber que é para equilibrar forças entre grandes e pequenos. Mas afinal o que é que eles fazem?
  • É difícil de explicar. Assim que chegam a Bruxelas os eurodeputados organizam-se em grupos políticos para melhor defenderem as suas posições. Ou seja, os socialistas portugueses, por exemplo, juntam-se com os socialistas europeus e não com os outros eurodeputados portugueses. Depois distribuem tarefas e organizam-se em comissões especializadas que produzem relatórios sobre todo o tipo de assuntos: da agricultura à economia, do ambiente às finanças, da protecção dos consumidores às liberdades cívicas. Basicamente tudo aquilo com que lidamos teve aprovação ou passou pelo PE: o tamanho das tomadas eléctricas, a utilização de lâmpadas ecológicas, os certificados de segurança dos brinquedos das crianças, a protecção de dados pessoais, limites aos prémios dos banqueiros. A maioria das leis em vigor que regulam os mais variados assuntos teve origem em Bruxelas. Para além disso, aprova o orçamento anual da União Europeia – sim, o dinheiro que é gasto todos os anos e que é distribuído em forma de subsídios pelos 28 Estados membros – e controla a sua execução por parte da UE. Já disse que eles também vão ter um papel relevante na escolha da próxima CE?
  • Já, mas não disse tudo. Agora os poderes são reforçados. Quando, há 10 anos, Durão Barroso se tornou presidente da CE também ele foi aprovado pelo PE. Mas a sua escolha não foi motivada pelos resultados das eleições europeias: a maioria dos chefes de Estado e de Governo era da sua cor política. Por acaso o PE também era dominado pelo Partido Popular Europeu (de que faz parte o PSD). Mas foi uma coincidência. Podia não ser assim. Apesar disso, os eurodeputados acabaram por vetar o comissário que indicado pela Itália. Mas esperem lá. O que é isso de Partido Popular Europeu?
  • Como disse lá atrás, os eurodeputados organizam-se em grupos políticos. Ao todo há 14 partidos europeus. O Partido Popular Europeu, o Partido dos Socialistas Europeus, a Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa, a Aliança dos Conservadores e Reformistas Europeus, os Verdes, a Aliança Livre Europeia, o Partido da Esquerda Europeia, o Movimento para a Europa da Liberdade e da Democracia, o Partido Democrático Europeu, a Aliança Livre Europeia, a Aliança Europeia para a Liberdade, a Aliança dos Movimentos Nacionais Europeus, o Movimento Político Cristão da Europa e a Aliança para uma Europa de Democracias. Ufa. Que estucha. O que importa é que, destes, cinco indicaram candidatos à presidência da CE. O PPE nomeou o ex-primeiro-ministro do Luxeburgo Jean Claude Junker. O PSE indicou o actual presidente do PE, oalemão Martin Schultz. Os Liberais e Democratas escolheram o antigo-primeiro-ministro belga Guy Verhofstadt. Os Verdes preferiram um duo de eurodeputados: o francês José Bové e a alemã Ska Keller. Já a Esquerda Europeia nomeou Alexis Tsipras, o líder do partido grego SYRIZA. Um deles será escolhido pelos eurodeputados. É uma grande responsabilidade.
  • É. Mas também são recompensados por isso. Desde 2009 que os eurodeputados ganham todos o mesmo. Até aí recebiam conforme o salário dos deputados nacionais. Hoje tem direito a um salário mensal de 7.956,87 euros que, depois de sujeito ao imposto comunitário, fica nos 6.200,72 euros por mês. Para além disso, os deputados ao PE podem apresentar despesas de viagem com o valor máximo de 4.243 euros. Têm ainda um subsídio de estadia de 304 euros por cada dia de reuniões oficiais para pagar alojamento; outro para despesas gerais de 4.299 euros; 21.209 euros mensais para distribuir por um staff; e ainda um subsídio de fim de mandato – para além de uma pensão ao atingirem os 63 anos que varia em função do número de anos que estiveram em Bruxelas. E eles valem esse dinheiro todo?
  • Depende. Como em tudo na vida há eurodeputados trabalhadores e outros que nem por isso. Há ainda aqueles que tentam disfarçar com o empolamento estatístico do trabalho parlamentar através da colocação de questões à CE. Para perceber melhor isso, não há nada como ler o trabalho da Isabel Arriaga e Cunha, no Público.
  • Mas afinal porque é que havemos de ir votar? Porque a União Europeia é o mais importante projecto político da história da humanidade. Um espaço que começou por ser criado para manter a paz na Europa após duas guerras que se tornaram mundiais mas que levou a uma integração experimental que ajudou Portugal a crescer para níveis socio-económicos e políticos nunca antes vistos. Porque o fracasso desse projecto será o fracasso de todos nós. E uma hecatombe de proporções imprevisíveis.
  • Mas continuamos sem saber o que cada partido defende para a Europa. É verdade. E a culpa é dos políticos que os lideram, que centraram a campanha em assuntos que são sobre tudo menos sobre a Europa por motivos eleitoralistas.

52fa5d9b45d0a

Guiné Bissau: o novo comunicado do governo português

“O Governo Português felicita o povo da Guiné-Bissau pela conclusão, com sucesso, do processo eleitoral dos últimos dois meses, considerado livre, justo e transparente pela comunidade internacional. Portugal apela a que todos os candidatos e atores do processo guineense, civis e militares, aceitem os resultados como expressão livre da vontade soberana e democrática do povo e a que quaisquer eventuais disputas sejam resolvidas exclusivamente através dos procedimentos legais adequados.

 

O Governo Português felicita o candidato vencedor, José Mário Vaz, manifestando sinceros desejos dos maiores sucessos no desempenho do cargo de Presidente da República da Guiné-Bissau. Saúda igualmente todos os candidatos que participaram nestas eleições, pelo seu contributo para a estabilização da democracia guineense, e entidades guineenses e internacionais que ajudaram a organizar e a conduzir o processo eleitoral.

 

Com a nomeação das novas autoridades, nos termos da lei fundamental guineense e de acordo com a vontade expressa nas urnas, estarão criadas as condições para o retorno à ordem constitucional, para a integração de todos os seus cidadãos na vida democrática e para a normalização das relações da Guiné-Bissau com a comunidade internacional, incluindo Portugal.

 

A Guiné-Bissau inicia assim, graças à determinação do seu povo, um novo período da sua história, que se espera ser de estabilidade, desenvolvimento e respeito pela Democracia, pelos Direitos Humanos e pelo Estado de Direito.

 

Portugal reafirma o seu compromisso com a Guiné-Bissau e reitera a sua total disponibilidade para contribuir, através da cooperação bilateral e multilateral, para o fortalecimento das instituições políticas, de justiça e de segurança, no quadro do reforço do Estado de Direito e do combate à impunidade, assim como para o progresso económico e o desenvolvimento social do país, indo ao encontro dos legítimos direitos e anseios da sua população.

 

O Governo Português continuará também a envidar todos os esforços para que, nos termos que venham a ser solicitados pelas futuras autoridades guineenses, e através de coordenação entre as Nações Unidas, a União Europeia, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a União Africana, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental e os Estados amigos da Guiné-Bissau, a comunidade internacional desenvolva ações de apoio concertadas para atingir aqueles objetivos.”

machete020803

Guiné Bissau: resultados provisórios anunciados

José Mário Vaz: 62%

Nuno Nabiam: 38%

Jomav é o novo Presidente da República. Há festa em Bissau.

CAC3109D-DA2F-46CB-B289-82C54CACAF3F_w640_r1_s

Guiné Bissau: o comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros

“O Governo Português felicita o povo guineense por mais uma vez ter demonstrado a sua vontade de retorno à ordem constitucional na Guiné-Bissau, votando de forma serena e livre na segunda volta das eleições presidenciais ontem realizada.

Regista com apreço que o povo guineense não se tenha deixado intimidar, exercendo os seus direitos democráticos com determinação e civismo, apesar de alguns incidentes isolados que lamentavelmente se registaram.

O Governo Português apela a que todos os atores, civis e militares, aguardem com serenidade o escrutínio e anúncio dos resultados da segunda volta das eleições presidenciais pelas autoridades competentes, bem como a avaliação das várias missões internacionais de observação eleitoral no terreno, entre as quais as da UE e da CPLP, em que Portugal participa.”

0,,15817042_401,00

Guiné Bissau: o comunicado do Conselho de Segurança da ONU

“Os membros do Conselho de Segurança da ONU foram informados sobre a situação política na Guiné-Bissau segunda-feira à noite pelo Representante Especial do Secretário-Geral, José Ramos Horta, e o presidente da Comissão de configuração da Guiné-Bissau para Construção da Paz, Embaixador António de Aguiar Patriota.
Saudaram a conclusão bemsucedida da segunda volta das eleições presidenciais na Guiné-Bissau e expressaram as suas gratidão pelas contribuições da União Africana, Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) o Estados-membros, Comissão da CEDEAO, Nigéria, Timor-Leste e os doadores do Fundo gerido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em particular a União Europeia. Agora, estão a aguardar publicação dos resultados oficiais, pela Comissão Nacional de Eleições.
Os membros do Conselho de Segurança exortam as autoridades de transição para cumprirem o seu compromisso, com a conclusão do processo de transição, e aplaudiram o povo da Guiné-Bissau que participaram na eleição em números recordes. Apelaram a todas as partes para a respeitarem o resultado eleitoral como expressão da vontade democrática do povo da Guiné-Bissau e também exortaram os partidos políticos a resolverem pacificamente quaisquer possíveis reclamações resultantes das eleições, usando as vias apropriados.
Os membros do Conselho de Segurança apelaram aos serviços de segurança para respeitarem a ordem constitucional, incluindo os resultados das eleições, e reiteram o pedido ao setor de segurança para se submeter totalmente ao poder civil.
Os membros do Conselho de Segurança expressaram apoio ao RESG Ramos-Horta e elogiaram o papel por si desempenhado no sentido de facilitar um ambiente propício à realização de eleições livres e justas. Saudaram as suas propostas para o contínuo empenhamento da comunidade internacional após as eleições, no sentido de apoiar as principais reformas nas instituições do Estado, a boa governação, e desenvolvimento económico e social inclusivo.
Os membros do Conselho de Segurança apelaram à comunidade internacional para continuar a apoiar os esforços da Guiné-Bissau na construção da nação.”
7EFE5CAB22AC977C8773063591067_h288_w430_m2_q80_cdPrmsTqr