Estado Islâmico reivindica atentado em Manchester

Demorou poucas horas: o autoproclamado Estado Islâmico acabou de reivindicar o atentado terrorista em Manchester. Ao contrário dos últimos ataques, o grupo terrorista fê-lo através do seu órgão de comunicação central e não através da mais conhecida Agência Amaq – o que poderá indicar que foi um atentado conduzido e não apenas “inspirado”. Para além disso, a reivindicação refere terem sido colocados vários engenhos explosivos por um “soldado do califado” e não refere qualquer bombista suicida. O ataque é também justificado pelas “agressões” aos muçulmanos. A reivindicação foi primeiro publicada em árabe e logo depois em inglês. resta saber se irá ser divulgado em breve algum vídeo do autor a jurar fidelidade a Abu Bakr al-Baghdadi.

Mitos sobre os atentados do Estado Islâmico na Europa

Publicado originalmente aqui.

“O Estado Islâmico reivindica tudo e mais alguma coisa”
Nem por isso. Por norma, o autoproclamado Estado Islâmico (EI) reivindica apenas aqueles atentados com os quais teve algum tipo de ligação, por mais ténue que seja. Normalmente acaba por apresentar provas: geralmente um vídeo dos autores dos atentados a declarar a sua fidelidade a Abu Bakr al-Baghdadi. Foi assim, por exemplo, com Anis Amri, o autor do ataque ao mercado de Natal, em Berlim, ou com os dois terroristas que, em Julho de 2016, degolaram um padre no norte de França. Até agora não foi divulgado qualquer vídeo do género relacionado com o atentado desta quarta-feira, em Londres. Se tal vier a acontecer, poderemos distinguir entre um ataque “inspirado” e um ataque “dirigido”, mesmo que à distância.

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“Estes tipos são uns amadores”
Não importa. A maioria dos atentados ocorridos nos últimos anos na Europa foi realizada por terroristas que nunca estiveram na Síria ou no Iraque mas que se prepararam através da internet. Como tal, não têm a mesma eficácia do grupo que, por exemplo, em Novembro de 2015 realizou os atentados de Paris. No entanto, quase sempre os autores receberam instruções sobre como agir do chamado serviço de informações externo do EI: a Amn al-Kharji. Um relatório da Henry Jackson Society, divulgado esta semana, conclui que 75% dos 148 atentados realizados na Europa e nos Estados Unidos entre 2002 e 2016 foram de alguma forma dirigidos por responsáveis ou intermediários do EI. Apenas 15% (22 ataques) foram cometidos pelos chamados lobos solitários.

“Esta é uma nova realidade”
Nem por isso. Em Setembro de 2014, o então porta-voz do EI, Abu Muhammad Al-Adnani, num discurso áudio partilhado na internet, já apelava a ataques indiscriminados contra cidadãos ocidentais. Pedia-o de uma forma bastante explicita:

“Se não forem capazes de encontrar um EEI [Engenho Explosivo Improvisado] ou uma bala, então ataquem os infiéis directamente – sejam americanos, franceses ou qualquer dos seus aliados. Esmaguem a cabeça [dos infiéis] com uma pedra, cortem-lhes a garganta com uma faca, ou atropelem-nos com o vosso carro, ou atirem-nos de um lugar alto, ou sufoquem-nos ou envenenem-nos. (…) Se não forem capazes de fazer isso, então incendeiem as suas casas, carros ou negócios. Ou destruam as suas colheitas. Se não forem capazes de fazer isso, então [pelo menos] cuspam na sua face.”
A ideia geral era a de que era dever de todos os muçulmanos fazerem a hijra (migração) para o Califado. Todos aqueles que não fossem capazes de o fazer deviam atacar os ocidentais onde quer que estivessem. Desde então que este apelo é repetido incessantemente, seja em discursos, seja nas publicações oficiais do EI.

“A maioria dos terroristas vieram da Síria”
Nem por isso. Pelo contrário. A maioria nasceu na Europa. Khalid Masood, o responsável pelo atentado de Londres, é apenas o último exemplo. Junta-se aos autores dos atentados terroristas de Londres, em 2005; ao responsável pelo ataque ao museu judaico de Bruxelas, em Maio de 2014; ao homem que decapitou o patrão em Saint-Quentin-Fallavier, perto de Lyon, em Junho de 2015; à dupla que degolou o padre da igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray, na Normandia, em Julho de 2016; ao assassino de um casal de polícias na véspera do Euro 2016, nos arredores de Paris; aos responsáveis pelo ataque ao Charlie Hebdo e ao Hiper Cashier, em Paris, em Janeiro de 2015; aos autores dos atentados ao Bataclan, ao Stade de France e a dois cafés de Paris, em Novembro de 2015; e aos suicidas que levaram a cabo os atentados no aeroporto de Bruxelas e na estação de Maalbeek, em Março de 2016.“As polícias e os serviços de informações falharam”
Nem por isso. É fácil apontar o dedo a uma instituição quando algo falha. Sobretudo quando é divulgado que o responsável por um ataque era “conhecido das autoridades”. No entanto, se mais de cinco mil cidadãos ocidentais viajaram para a Síria e para o Iraque, muitos outros ficaram nos países de origem. Seja como apoiantes, seja como voluntários para realizar atentados futuros. É impossível às forças de segurança seguir todos os potenciais suspeitos 24h por dia. Fazê-lo implicaria ter uma equipa de 20 agentes permanentemente dedicada a apenas uma pessoa (com seguimentos físicos e monitorização telefónica e electrónica). A perspectiva é a oposta: com tantos apoiantes, o surpreendente é que não haja mais atentados – e aqui o mérito é das polícias e dos serviços de informações.

“Os terroristas são uns desgraçados com problemas mentais”
É duvidoso. A grande dificuldade do combate à radicalização é que não existe um perfil de um terrorista. Qualquer um pode ser aliciado. Seja um estudante universitário, um adolescente, um desempregado ou um médico. Existem todo o tipo de casos e os mais variados motivos para alguém decidir tornar-se um terrorista. No entanto, existem alguns indícios. Há estudos que indicam que existe uma relação entre a radicalização e o crime. Mais que isso: jovens com problemas com a lei são muitas vezes os alvos preferidos das redes jihadistas que lhes apresentam a radicalização como uma oportunidade de redenção. Nos últimos anos as prisões tornaram-se, com sucesso, autênticos pontos de recrutamento.

“A capacidade de propaganda do Estado Islâmico diminuiu”.
Nem por isso. Apesar de as redes sociais como o Twitter e o Facebook terem encerrado milhares de contas de jihadistas e apoiantes do EI nos últimos anos, elas continuam a surgir. Mais do que isso, os terroristas direccionaram a sua actividade para canais encriptados no Telegram. É aí que as organizações oficiais do grupo terrorista continuam a fazer as reivindicações, a divulgar vídeos de propaganda e é também aí que os apoiantes do EI partilham imagens a apelar a novos atentados. Se dúvidas houvesse em relação à vitalidade mediática do grupo, o atentado de ontem em Londres voltou a recordar que ela está para durar.

Estado Islâmico reivindica atentado de Londres

O autoproclamado Estado Islâmico acabou de reivindicar o atentado em Londres. Como de costume, a reivindicação foi feita através dos canais encriptados do grupo no Telegram. A fórmula é também a habitual: “uma fonte disse à agência Amaq que um soldado do Estado Islâmico efectuou um ataque, ontem, em frente ao parlamento britânico”.

Tal como foi feito em ocasiões anteriores, essa reivindicação foi feita em várias linguas. Aqui em inglês, francês, alemão e italiano.

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Agora, a grande questão é: irá o Estado Islâmico divulgar uma mensagem em vídeo do atacante a declarar a sua fidelidade a Abu Bakr al-Baghdadi tal como aconteceu depois do ataque em Berlim?

 

O Estado Islâmico realizou 90 atentados suicidas em Janeiro

A Agência Amaq, o órgão de comunicação oficial do autoproclamado Estado Islâmico, divulgou nos canais encriptados do Telegram uma nova infografia com o resumo dos atentados suicidas realizados no Iraque e na Síria em Janeiro de 2017. Ao todo foram 90 ataques, a maioria através de veículos carregados de explosivos dirigidos em grande parte às forças iraquianas e curdas que tentam reconquistar Mossul.

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Schiiiuuuu, não digam nada a Donald Trump…

Adel Kermiche e Abdel Malik Petitjean; Larossi Abballa; Ibrahim El Bakraoui, Najm al-‘Ashrāwī, Mohamed Abrini, Khālid al-Bakrāwī e Osama Krayem; Abdelhamid Abaaoud, Mohamed Abrini, Samy Amimour,  Salah Abdeslam, Brahim Abdeslam, Ismael Omar Mostefai, Samy Amimour,Foued Mohamed-Aggad; Amedy Coulibaly, Chérif Kouachi, Saïd Kouachi; Yassin Salhi; Mehdi Nemouche; Mohammad Sidique Khan, Shehzad Tanweer, Germaine Lindsay e Hasib Hussain.

Estes são os nomes dos autores dos atentados terroristas na Europa entre 2005 e 2016. Entre eles estão os dois jovens que degolaram o padre da igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray, na Normandia, em Julho de 2016; o homem que matou um casal de polícias na véspera do Euro 2016, nos arredores de Paris; os responsáveis pelo ataque ao Charlie Hebdo e ao Hiper Cashier, em Paris, em Janeiro de 2015; os autores dos atentados à sala de espectáculos Bataclan, ao Stade de France e a vários cafés de Paris, em Novembro de 2015;  os suicidas que levaram a cabo os atentados no aeroporto de Bruxelas e na estação de metro de Maalbeek, em Março de 2016; o homem que decapitou o patrão em  Saint-Quentin-Fallavier, perto de Lyon, em Junho de 2015; o autor do atentado no museu judaico de Bruxelas, em Maio de 2014; os responsáveis pelos atentados terroristas de Londres, em Julho de 2005.

As suas acções provocaram centenas de mortos no Reino Unido, na França e na Bélgica. Para além de agirem em nome de grupos terroristas como o auto-proclamado Estado Islâmico ou a Al Qaeda, unia-os um detalhe: eram (ou são) todos cidadãos europeus, nacionais do Reino Unido, Bélgica, França e Suécia.

É bom que ninguém diga nada disto a Donald Trump. Caso contrário, em breve, poderemos ser proibidos de entrar nos Estados Unidos.

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A ilustração é do Vasco Gargalo.

Estado Islâmico divulga novo número da revista Rumiyah

Publicação acaba de ser divulgada nos canais encriptados do grupo terrorista do Telegram e inclui um artigo sobre como elaborar cocktail molotov e utilizar o fogo posto como arma. Responsável pelo ataque de Berlim é dado como um exemplo a seguir.

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Estado Islâmico realizou 107 atentados suicidas em Dezembro

A agência noticiosa do autoproclamado Estado Islâmico divulgou uma infografia com o número de atentados suicidas realizados em Dezembro de 2016, no Iraque e na Síria. De acordo com a Amaq, o principal alvo destes ataques foram as forças iraquianas que tentam reconquistar Mossul.

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